Indice - compilado por Beraldo Figueiredo

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108.1.5 - OS CARISMÁTICOS

Renovação Carismática Católica

A Renovação Carismática Católica (RCC) é um movimento católico que surgiu nos Estados Unidos em meados da década de 1960. Ele é voltado para a experiência pessoal com Deus, particularmente através do Espírito Santo e dos seus dons. Esse movimento busca dar uma nova abordagem às formas de evangelização e renovar práticas tradicionais dos ritos e da mística católicos.

Origem

A renovação carismática, inicialmente conhecida como movimento católico pentecostal, ou católicos pentecostais, surgiu em 1966, quando Steve Clark, da Universidade de Duquesne em Pittsburgh, Pensilvânia, Estados Unidos, durante o Congressso Nacional de "Cursilhos de Cristandade", mencionou o livro "A Cruz e o Punhal", do pastor John Sherril, sobre o trabalho do pastor David Wilkerson com os drogados de Nova York, falando que era um livro que o inquietava e que todos deveriam lê-lo.

 

Em 1966, católicos da Universidade de Duquesne reuniam-se para oração e conversas sobre a fé. Eram católicos dedicados a atividades apostólicas, mas, ainda assim, insatisfeitos com a sua experiência religiosa. Em razão disso, e recordando a experiência bíblica do Pentecostes e das primeiras comunidades cristãs cheias do Espírito Santo, decidiram começar a orar para que o Espírito Santo se manifestasse neles. Querendo vivenciar a experiência com o Espírito, foram ao encontro de William Lewis, sacerdote da Igreja Episcopal Anglicana, que por sua vez os levou até Betty de Shomaker, que fazia em sua casa uma reunião de oração pentecostal.

 

 

Características e doutrina

Em termos de doutrina a RCC observa as Sagradas Escrituras; o Catecismo da Igreja e todas as demais diretrizes da Igreja.

 

A RCC prega e vive a fé em Jesus (entendido como Senhor e único Salvador de todos) e busca promover uma experiência pessoal com Deus vivo para renovar os valores morais dos cristãos. Em suas reuniões de Oração utiliza músicas de louvor, adoração que tornam os momentos carregados de ação de Deus, com pregações e o poder do Espírito Santo.

 

Prega que o pecado - definido como um ato ou desejo contrário a vontade de Deus - é a fonte dos males vividos na sociedade atual. Ganância, egoísmo, soberba, vícios, mau uso da liberdade, etc, são conseqüências dos pecados do homem. A não observação dos mandamentos da Lei Eterna afastam o homem de Deus e são obstáculos a vida Santa.

 

Defende que Jesus tem o poder de libertar e perdoar os pecados e que,para isso, basta que o homem arrependa-se de coração diante dele e se utilize da confissão.

 

Na RCC - e na Igreja Católica como um todo - todos são chamados a romper com o pecado e viver a santidade de Cristo por meio do Espírito Santo, que segundo eles concede ao homem a plena realização e resgata a sua imagem e semelhança com o Criador de todas as coisas.

 

Como para todo católico, o bem maior que a RCC e a Igreja possuem é a Eucaristia que é a celebração da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. No movimento é também presente a devoção à Santíssima Virgem Maria, mãe de Jesus, proclamando a Virgem como bem-aventurada e pedindo sua intercessão e auxílio, já que ela viveu uma vida santa e que serve de modelo a ser seguido pelos cristãos para atingir a Salvação por Cristo.

 

 

Os carismáticos e o Espírito Santo

Os Cristãos crêem que é o Espírito Santo que conduz as pessoas à fé em Jesus Cristo e que lhes dá a capacidade para viverem uma vida feliz, livres do pecado, norteada pelos valores. O Espírito Santo habita dentro de cada Cristão. É o desejo de praticar o bem. Ele é descrito como um 'conselheiro' ou 'ajudante' (paraclete em Grego), o Espírito Santo paráclito (aquele que advoga) guiando-os no caminho da verdade e da justiça.

 

A Renovação carismática coloca uma ênfase especial nas obras do Espírito Santo. Os 'Frutos do Espírito' (i.e. os resultados da sua influência) são "amor, gozo (ou alegria), paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança" (Gálatas 5:22). Ele também concede dons (i.e. habilidades) aos Cristãos tais como os dons carismáticos de profecia, línguas, discernimento, sabedoria, cura, fé, milagres, e ciência. Embora alguns Cristãos acreditem que isto apenas aconteceu nos tempos do Novo Testamento, a RCC acredita que hoje estes dons estão novamente sendo concedidos.

 

Desse modo, nos grupos de oração da RCC é muito comum o uso do dom de línguas. Também não é raro serem alegadas visões e profecias de origem sobrenatural que transmitiriam mensagens de Jesus, do Espírito Santo ou de Maria. Às vezes chegam a ser alegadas a realização de curas espirituais ou físicas e outros milagres.

 

 

Efusão no Espírito

Segundo a RCC, a Efusão no Espírito Santo é uma experiência que normalmente decorre de um momento de oração e pela qual a pessoa adquire um novo e apurado senso de valor espiritual. A partir desse momento o Espírito Santo passa a orientar a vida da pessoa, confirmando verdades interiores e até modificando posturas diante dos homens e do mundo. Como primeiro resultado deste 'batismo' verifica-se o desejo pela oração e pela vida na Igreja. Fala-se também em proliferação de eventos sobrenaturais (idéias, fatos, nomes, condutas, pensamentos), tomados como revelações divinas (dons espirituais).

 

Segundo a teologia católica, toda pessoa recebe o Espírito Santo por ocasião do sacramento do Batismo. A Igreja não define a necessidade de um segundo batismo, conforme a profissão de fé do Credo Niceno: "Professo um só batismo para remissão dos pecados". Sendo assim, o 'Batismo no Espírito Santo' como entendido pela RCC, não é um sacramento nem um requisito para a Salvação. Ele seria uma renovação do contato com Deus que fora adquirido originalmente pelo batismo, um auxílio para uma vivência da fé mais próxima da anunciada no evangelho e o catalisador uma vida de oração mais intensa. Entende-se que esse batismo no Espírito Santo não seja uma invenção da RCC, mas parte dos primórdios do nascimento da Igreja.

 

 

A RCC e a CNBB

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) possui um Documento, chamado Documento 53, com recomendações disciplinando certas práticas místicas no contexto da RCC. Recomenda-se, por exemplo, que se evite a prática do "Repouso no Espírito" (na qual as pessoas parecem desmaiar durante os momentos de oração, mas permanecem conscientes do que ocorre em sua volta). E preocupações exageradas com o demônio:

 

63 - Orar e falar em línguas: O destinatário da oração em línguas é o próprio Deus, por ser uma atitude da pessoa absorvida em conversa particular com Deus. E o destinatário do falar em línguas é a comunidade. Como é difícil discernir, na prática, entre inspiração do Espírito Santo e os apelos do animador do grupo reunido, não se incentive a chamada oração em línguas e nunca se fale em línguas sem que haja interprete.

65. Em Assembléias, grupos de oração, retiros e outras reuniões evite-se a prática do assim chamado "repouso no Espírito". Essa prática exige maior aprofundamento, estudo e discernimento. (...)

68. Procure-se, ainda, formar adequadamente as lideranças e os membros da RCC para superar uma preocupação exagerada com o demônio, que cria ou reforça uma mentalidade feitichista, infelizmente presente em muitos ambientes.

O documento também menciona vários aspectos positivos do movimento.

 

 

Críticas

Um dos maiores críticos da RCC é o padre Quevedo. Ele afirma que vivem em um ambiente feitichista, místico e alienante. Por outro lado, há também muitos religiosos católicos que dão forte apoio a esse movimento, vendo ele como uma fonte de renovação de Deus para a Igreja.

 

Existem questões políticas também envolvidas no crescimento da RCC, pois até o final dos anos 80 boa parte da Igreja Católica, principalmente nos países em desenvolvimento como os da América Latina, era orientada pela Teologia da Libertação, que cresceu com a luta contra a ditadura militar, com as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e os diversos movimentos sociais.

 

O discurso da Teologia da Libertação tinha algumas de suas raízes no Marxismo e Comunismo e falava de luta de classes e participação dos cristãos católicos na política, com a intenção de se "construir o reino dos céus na Terra." Alguns membros da Igreja chegaram mesmo a participar da fundação de partidos políticos como o Partido dos Trabalhadores, no Brasil.

 

A RCC é mal recebida por grupos mais tradicionais dentro do catolicismo, que a acusam de sentimentalista e irracional, além da acusação de que muitos abusos cometidos durante a celebração da missa são obra dos carismáticos. Outro fato que desagrada aos tradicionalistas é o ecumenismo entusiasta de muitos membros da RCC, principalmente quando introduzem músicas pentecostais nas cerimônias católicas.

 

 

Influência dos pentecostais

Especialmente no seu início, a RCC foi influenciada pelo movimento evangélico pentecostal. Seguem-se alguns dos maiores exemplos desse envolvimento.

 

O livro "A Cruz e o Punhal", influente na formação do movimento, foi escrito pelo Pastor David Wilkerson, que também pregou em um dos primeiros Congressos da RCC nos Estados Unidos;

Padre Tomas Forrest, liderança internacional da RCC no início do Movimento, teve sua experiência do 'Batismo' no Espírito Santo num retiro da Renovação Carismática Católica dos EUA pregado por dois padres, uma freira e dois evangélicos Metodistas. (3)

Parte considerável das músicas do livro "Louvemos ao Senhor" e outras populares no movimento, têm origem no protestantismo, tais como “Buscai primeiro o Reino de Deus” e “Glorificarei teu nome, oh Deus”, "Pelo Senhor marchamos sim...”, “A alegria está no coração...”, “Posso pisar uma tropa...”, “Eu navegarei...”, “Espírito (...) vem controlar todo o meu ser...”, “Espírito, enche a minha vida, enche-me com teu poder...”, “Assim como a corsa...”, “Deus enviou seu filho amado...”, “Se as águas do mar da vida...”, “Eu sou feliz por que meu Cristo quer...”. Temos ainda exemplos mais recentes, como “Levanta-te, levanta-te Senhor... fujam diante de ti teus inimigos”, “Venho Senhor minha vida oferecer", “Meu pensamento vive em você...”, “Se acontecer um barulho perto de você...”, “Celebrai a Cristo, celebrai...”.(3)

De fato, algumas vertentes evangélicas petencostais reclamam da RCC por esta copiar seus ritos e músicas. Por outro lado a RCC também tem suas próprias músicas. Para muitos carismáticos e pentecostais isso é visto de forma positiva, pois seria o início de um verdadeiro ecumenismo entre os cristãos através da partilha da música cristã. O diálogo ecumênico e uma maior aproximação com fiéis de outras denominações cristãs é uma das metas do Vaticano e da CNBB e uma recomendação da Igreja aos fiéis católicos.

Fonte:

Wikipédia

http://www.rccbrasil.org.br/

 

 

 

Teologia da libertação:

A teologia da libertação é uma corrente teológica que engloba diversas teologias cristãs desenvolvidas no Terceiro Mundo ou nas periferias pobres do Primeiro Mundo a partir dos anos 70 do século XX, baseadas na opção pelos pobres contra a pobreza e pela sua libertação. Desenvolveu-se inicialmente na América Latina.

 

Estas teologias utilizam como ponto de partida de sua reflexão a situação de pobreza e exclusão social à luz da fé cristã. Esta situação é interpretada como produto de estruturas econômicas e sociais injustas, influenciada pela visão das ciências sociais, sobretudo a Teoria da Dependência na América Latina, que possui inspiração marxista.

 

A situação de pobreza é denunciada como pecado estrutural e estas teologias propõem o engajamento político dos cristãos na construção de uma sociedade mais justa e solidária, cujo projeto identifica-se com ideais da esquerda.

 

Uma característica da Teologia da Libertação é considerar o pobre, não um objeto de caridade, mas sujeito de sua própria libertação. Assim, seus teólogos propõem uma pastoral baseada nas comunidades eclesiais de base, nas quais os cristãos das classes populares se reúnem para articular fé e vida, e juntos se organizam em busca de melhorias de suas condições sociais, através da militância no movimento social ou através da política, tornando-se protagonistas do processo de libertação. Além disto, apresentam as Comunidades Eclesiais de Base como uma nova forma de ser igreja, com forte vivência comunitária, solidária e participativa.

 

Posição oficial da Igreja Católica:

Na Igreja Católica, a Congregação para a Doutrina da Fé publicou dois documentos sobre esta teologia: Libertatis Nuntius (1984) e Libertatis conscientia (1986). Neles, a Igreja, apesar de defender a importância do seu compromisso radical para com os pobres, considerou-a como heterodoxa. Isto principalmente porque a Igreja acha que a disposição da teologia da libertação em aceitar postulados do marxismo ou de outras ideologias políticas não era compatível com a doutrina católica, especialmente ao afirmar que "só seria possível alcançar a redenção cristã com um compromisso político". Nestes documentos, a Igreja salienta muito o risco da instrumentalização política da fé.

 

Alguns afirmam que o que ocorreu não foi uma crítica ou repressão ao movimento em si, mas sim correção de certos exageros de alguns de seus representantes (como sacerdotes mais tendentes à política). Outros afirmam que houve uma deliberada sanção à Igreja Latino-Americana na repressão à sua forma mais pungente de ação e crítica social. Entretanto, o próprio Papa João Paulo II dirigiu uma carta à CNBB, datada de 9 de abril de 1986, pedindo o compromisso com o verdadeiro desenvolvimento desta teologia: "...estamos convencidos, nós e os senhores, de que a Teologia da Libertação é não só oportuna, mas útil e necessária. Ela deve constituir uma nova etapa - em estreita conexão com as anteriores - daquela reflexão teológica iniciada com a tradição apostólica e continuada com os grandes padres e doutores, com o magistério ordinário e extraordinário e, na época mais recente, com o rico patrimônio da Doutrina Social da Igreja expressa em documentos que vão da Rerum Novarum a Laborem Exercens". "Os pobres deste país, que tem nos senhores os seus pastores, os pobres deste continente são os primeiros a sentir urgente necessidade deste evangelho da libertação radical e integral. Sonegá-lo seria defraudá-los e desiludi-los".

 

Para concluir, o Papa incita ao seu verdadeiro desenvolvimento de modo homogêneo e não heterogêneo com relação à teologia de todos os tempos, em plena fidelidade à doutrina da Igreja, atenta a um amor preferencial e não excludente nem exclusivo para com os pobres.

Mas, com a ascensão do pensamento tradicionalista na Igreja Católica, a Teologia da Libertação foi paulatinamente sendo excluída da Igreja oficial, mantendo-se porém ainda viva nos movimentos sociais existentes dentro da Igreja, especialmente aqueles que estão comprometidos com uma análise crítica da realidade. Por outro lado, a força de suas idéias difundiram-se pelo clero e grande parte dos sacerdotes latino-americanos, estando eles hoje ligados em maior ou menor grau aos ideais heterodoxos dessa escola teológica.

 
 
 

 

 Veja Também:

108.1.1 - Catolicismo Apostólico Romano

108.1.2 - As Cruzadas

108.1.3 - Lista dos Papas

108.1.4 - Pecados da Igreja Católica Romana

108.1.5 - Os Carismáticos

108.1.6 - Opus Dei

108.1.7 - Lista de Santos

108.1.8 - Jansenismo

 

 

   

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