Indice compilado por Beraldo Lopes Figueiredo

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108 - CRISTIANISMO:

INDICE:

108 - CRISTIANISMO:

108.1 - O CATOLICISMO

108.1.1 - Catolicismo Apostólico Romano

108.1.2 - As Cruzadas

108.1.3 - Lista dos Papas

108.1.4 - Pecados da Igreja Católica Romana

108.1.5 - Os Carismáticos

108.1.6 - Opus Dei

108.2 - DIVISÃO NO CRISTIANISMO

Ver: Protestantismo

108.2.01 - Luterana

108.2.01 - Calvinista

108.2.03 - Pentecostalismo

108.2.04 - Evangélicos

108.2.05 - Pós-Reforma

108.2.5.1 - Batistas

108.2.5.2 - Metodismo

108.2.5.3 - Adventismo

108.2.5.4 - Pentecostais

108.2.5.4.1 - Assembléia de Deus

108.2.5.4.2 - Congregação Cristã no Brasil

108.2.5.4.3 - Igreja do Evangelho Quadrangular

108.2.5.5 - Deutero-Pentecostalismo

108.2.5.6 - Neopentecostalismo

108.2.5.7 - Outro Movimentos

108.2.5.7.1 - Universal do Reino de Deus

108.2.5.7.2 - Igreja Cristã Maranata

108.2.5.7.3 - Igreja Internacional da Graça de Deus

108.2.5.7.4 - Igreja Pentecostal Deus é Amor

108.2.5.7.5 - Igreja Luterana

108.2.5.7.6 - Igreja Brasil para Cristo

108.2.5.7.7 - Igreja Presbiteriana

108.2.5.7.8 - Pietista

108.2.5.7.9 - Arminiasmo

108.2.5.7.10- Movimento Gospel

108.2.06 - Anglicana

108.2.07 - Mormonismo

108.2.08 - Jeovismo

108.2.09 - Kardecismo

108.2.10 - Marcionismo

108.2.11 - Gnosticismo

108.2.12 - Rosacrucianismo

108.3 - Cristianismo Ortodoxo

108.4 - Cristianismo Esotérico

 

 

 

 

108 - CRISTIANISMO:

Cristianismo (do grego Xριστός, "Cristo") é uma religião monoteísta[1] centrada na vida e nos ensinamentos de Jesus de Nazaré, tais como são apresentados no Novo Testamento.[2] A fé cristã acredita essencialmente em Jesus como o Cristo, Filho de Deus, Salvador e Senhor.[3]

 

Os seguidores do cristianismo, conhecidos como cristãos,[4] acreditam que Jesus seja o Messias profetizado na Bíblia Hebraica (a parte das escrituras comum tanto ao cristianismo quanto ao judaísmo).

 

A teologia cristã ortodoxa alega que Jesus teria sofrido, morrido e ressuscitado para abrir o caminho para o céu aos humanos;[5] os cristãos acreditam que Jesus teria ascendido aos céus, e a maior parte das denominações ensina que Jesus irá retornar para julgar todos os seres humanos, vivos e mortos, e conceder a imortalidade aos seus seguidores. Jesus também é considerado para os cristãos como modelo de uma vida virtuosa, e tanto como o revelador quanto a encarnação de Deus.[6] Os cristãos chamam a mensagem de Jesus Cristo de Evangelho ("Boas Novas"), e por isto referem-se aos primeiros relatos de seu ministério como evangelhos.

 

O cristianismo se iniciou como uma seita judaica[7][8] e, como tal, da mesma maneira que o próprio judaísmo ou o islamismo, é classificada como uma religião abraâmica (ver também judaico-cristão).[9][10][11] Após se originar no Mediterrâneo Oriental, rapidamente se expandiu em abrangência e influência, ao longo de poucas décadas; no século IV já havia se tornado a religião dominante no Império Romano. Durante a Idade Média a maior parte da Europa foi cristianizada, e os cristãos também seguiram sendo uma significante minoria religiosa no Oriente Médio, Norte da África e em partes da Índia.[12] Depois da Era das Descobertas, através de trabalho missionário e da colonização, o cristianismo se espalhou para as Américas e pelo resto do mundo.

 

O cristianismo desempenhou um papel de destaque na formação da civilização ocidental pelo menos desde o século IV.[13] A primeira nação a adotar o cristianismo como religião oficial foi a Armênia, fundando a Igreja Ortodoxa Armênia, em 301.

 

No início do século XXI o cristianismo conta com entre 1,5 bilhão[14][15] e 2,1 bilhões de seguidores,[16] representando cerca de um quarto a um terço da população mundial, e é uma das maiores religiões do mundo.[17] O cristianismo também é a religião de Estado de diversos países.

 

Embora existam diferenças entre os cristãos sobre a forma como interpretam certos aspectos da sua religião, é também possível apresentar um conjunto de crenças que são partilhadas pela maioria deles.

 

Monoteísmo

O cristianismo herdou do judaísmo a crença na existência de um único Deus, criador do universo e que pode intervir sobre ele. Os seus atributos mais importantes são por isso a onipotência, a onipresença e onisciência.

 

Outro dos atributos mais importantes de Deus, referido várias vezes ao longo do Novo Testamento, é o amor: Deus ama todas as pessoas e estas podem estabelecer uma relação pessoal com ele através da oração.

 

A maioria das denominações cristãs professa crer na Santíssima Trindade, isto é, que Deus é um ser eterno que existe como três pessoas eternas, distintas e indivisíveis: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

 

A doutrina das denominações cristãs difere do monoteísmo judaico visto que no judaísmo não existem três pessoas da Divindade, há apenas um único Deus, e o Messias que virá será um homem, descendente do rei David.

 

Jesus:

Outro ponto crucial para os cristãos é o da centralidade da figura de Jesus Cristo. Os cristãos reconhecem a importância dos ensinamentos morais de Jesus, entre os quais salientam o amor a Deus e o amor ao próximo, e consideram a sua vida como um exemplo a seguir. O cristianismo reconhece Jesus como o Filho de Deus que veio à Terra libertar os seres humanos do pecado através da sua morte na cruz e da sua ressurreição, embora variem entre si quanto ao significado desta salvação e como ela se dará. Para a maioria dos cristãos, Jesus é completamente divino e completamente humano. Há no entanto, uma recorrente discussão sobre a divindade de Jesus. Aqueles que questionam a divindade de Cristo argumentam que ele jamais teria afirmado isso expressamente. Os que defendem a divindade de Cristo, por sua vez, valem-se de versículos que, através da postura de Jesus e dentro do próprio contexto cultural judaico da época, deixariam clara sua condição divina[19][20].

 

A salvação

O cristianismo acredita que a fé em Jesus Cristo proporciona aos seres humanos a salvação e a vida eterna.[21], mas vale lembrar que biblicamente, as obras não são capazes de dar a uma pessoa a Vida Eterna, a única maneira de alcançar a Salvação é dando crédito à obra da cruz realizada pelo que os cristãos acreditam ser o filho de Deus, a saber Jesus Cristo.

 

A vida depois da morte

A visão de determinadas religiões cristãs sobre a vida depois da morte envolve, de uma maneira geral, a crença no céu e no inferno. A Igreja Católica considera que para além destas duas realidades existe o purgatório, um local de purificação onde ficam as almas que morreram em estado de graça, mas que cometeram pecados.

 

A Igreja

O cristianismo acredita na Igreja (ekklesia), palavra de origem grega que significa "assembléia", entendida como a comunidade de todos os cristãos e como corpo místico de Cristo presente na Terra e sua continuidade. As principais igrejas ligadas ao cristianismo são: a Igreja Católica, as Igrejas Protestantes e a Igreja Ortodoxa.

 

Diferenças nas crenças:

O Credo de Nicéia

O Credo de Nicéia, formulado nos concílios de Nicéia e Constantinopla, foi ratificado como credo universal da Cristandade no Concílio de Éfeso de 431. Os cristãos ortodoxos orientais não incluem no credo a cláusula filioque, que foi acrescentada pela Igreja Católica mais tarde.

 

As crenças principais declaradas no Credo de Nicéia são:

 

A crença na Trindade;

Jesus é simultaneamente divino e humano;

A salvação é possível através da pessoa, vida e obra de Jesus;

Jesus Cristo foi concebido de forma virginal, foi crucificado, ressuscitou, ascendeu ao céu e virá de novo à Terra;

A remissão dos pecados é possível através do baptismo (br-batismo);

Os mortos ressuscitarão.

Na altura em que foi formulado, o Credo de Niceia procurou lidar directamente com crenças que seriam consideradas heréticas, como o arianismo, que negava que o Pai e Filho eram da mesma substância, ou o gnosticismo.

 

A maior parte das igrejas protestantes partilham com a Igreja Católica a crença no Credo de Nicéia.

 

Outros textos considerados sagrados

Alguns cristãos consideram que determinados escritos, para além dos que fazem parte da Bíblia, foram divinamente inspirados. Os membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias atribuem a três livros a qualidade de terem sido inspirados por Deus; esses livros são o Livro de Mórmon, a Doutrina e Convénios e a Pérola de Grande Valor. Para os Adventistas do Sétimo Dia os escritos de Ellen G. White são uma manifestação profética que, contudo, não se encontra ao mesmo nível que a Bíblia.

 

Origem:

Segundo a religião judaica, o Messias, um descendente do Rei Davi, iria um dia aparecer e restaurar o Reino de Israel. Na Palestina, por volta de 26 d.C., Jesus Cristo, nascido na cidade de Belém na Galileia começou a pregar uma nova doutrina e atrair seguidores, sendo aclamado por alguns como o Messias. Jesus foi rejeitado, tido por apóstata pelas autoridades judaicas. Foi condenado por blasfémia e executado pelos romanos como um líder rebelde. Seus seguidores enfrentaram dura oposição político-religiosa, tendo sido perseguidos e martirizados, pelos líderes religiosos judeus, e, mais tarde, pelo Estado Romano.

 

Com a morte e ressurreição de Jesus, os apóstolos, principais testemunhas da sua vida, reúnem-se numa comunidade religiosa composta essencialmente por judeus e centrada na cidade de Jerusalém. Esta comunidade praticava a comunhão dos bens, celebrava a "partilha do pão" em memória da última refeição tomada por Jesus e administrava o baptismo aos novos convertidos. A partir de Jerusalém, os apóstolos partiram para pregar a nova mensagem, anunciando a nova religião inclusive aos que eram rejeitados pelo judaísmo oficial. Assim, Filipe prega aos Samaritanos, o eunuco da rainha da Etiópia é baptizado, bem como o centurião Cornélio. Em Antioquia, os discípulos abordam pela primeira vez os pagãos e passam a ser conhecidos como cristãos.

 

Paulo de Tarso não se contava entre os apóstolos originais, ele era um judeu fariseu que perseguiu inicialmente os primeiros cristãos. No entanto, ele tornou-se depois um cristão e um dos seus maiores, senão o maior missionário depois de Jesus Cristo. Boa parte do Novo Testamento foi escrito ou por ele (as epístolas) ou por seus cooperadores (o evangelho de Lucas e os actos dos apóstolos). Paulo afirmou que a salvação dependia da fé em Cristo. Entre 44 e 58 ele fez três grandes viagens missionárias que levaram a nova doutrina aos gentios e judeus da Ásia Menor e de vários pontos da Europa, entre eles Roma.

 

Nas primeiras comunidades cristãs a coabitação entre os cristãos oriundos do paganismo e os oriundos do judaísmo gerava por vezes conflitos. Alguns dos últimos permaneciam fiéis às restrições alimentares e recusavam-se a sentar-se à mesa com os primeiros. Na Assembleia de Jerusalém, em 48, decide-se que os cristãos ex-pagãos não serão sujeitos à circuncisão, mas para se sentarem à mesa com os cristãos de origem judaica devem abster-se de comer carne com sangue ou carne sacrificada aos ídolos. Consagra-se assim a primeira ruptura com o judaísmo.

 

Na época, a visão de mundo monoteísta do judaísmo era atrativa para alguns dos cidadãos do mundo romano, mas costumes como a circuncisão, as regras de alimentação incômodas, e a forte identificação dos judeus como um grupo étnico (e não apenas religioso) funcionavam como barreiras dificultando a conversão dos homens. Através da influência de Paulo, o cristianismo simplificou os costumes judaicos aos quais os gentios não se habituavam enquanto manteve os motivos de atração. Alguns autores defendem que essa mudança pode ter sido um dos grandes motivos da rápida expansão do cristianismo.

 

Outros autores entendem a ruptura com os ritos judaicos mais como uma conseqüência da expansão do cristianismo entre os não-judeus do que como sua causa. Estes invocam outros fatores e características como causa da expansão cristã, por exemplo: a natureza da fé cristã que propõe que a mensagem de Deus destina-se a toda a humanidade e não apenas ao seu povo escolhido; a fuga da perseguição religiosa empreendida inicialmente por judeus conservadores, e posteriormente pelo Estado Romano; o espírito missionário dos primeiros cristãos com sua determinação em divulgar o que Cristo havia ensinado a tantas pessoas quantas conseguissem.

 

A narrativa da perseguição religiosa, da dispersão dela decorrente, da expansão do cristianismo entre não-judeus e da subsequente abolição da obrigatoriedade dos ritos judaicos pode ser lida no livro de Atos dos Apóstolos. De resto, os cristãos adotam as regras e os princípios do Antigo Testamento, livro sagrado dos Judeus.

 

Em Junho do ano 66 inicia-se a revolta judaica. Em Setembro do mesmo ano a comunidade cristã de Jerusalém decide separar-se dos judeus insurrectos, seguindo a advertência dada por Jesus de que quando Jerusalém fosse cercada por exércitos a desolação dela estaria próxima, e exila-se em Pela, na Transjordânia, o que representa o segundo momento de ruptura com o judaísmo.

 

 

Após a derrota dos judeus em 70, cristãos e outros grupos judeus trilham caminhos cada vez mais separados. Para o cristianismo o período que se abre em 70 e que segue até aproximadamente 135 caracteriza-se pela definição da moral e fé cristã, bem como de organização da hierarquia e da liturgia. No Oriente, estabelece-se o episcopado monárquico: a comunidade é chefiada por um bispo, rodeado pelo seu presbitério e assistido por diáconos.

 

Gradualmente, o sucesso do cristianismo junto das elites romanas fez deste um rival da religião estabelecida. Embora desde 64, quando Nero mandou supliciar os cristãos de Roma, se tivessem verificado perseguições ao cristianismo, estas eram irregulares. As perseguições organizadas contra os cristãos surgem a partir do século II: em 112 Trajano fixa o procedimento contra os cristãos. Para além de Trajano, as principais perseguições foram ordenadas pelos imperadores Marco Aurélio, Décio, Valeriano e Diocleciano. Os cristãos eram acusados de superstição e de ódio ao género humano. Se fossem cidadãos romanos eram decapitados; se não, podiam ser atirados às feras ou enviados para trabalhar nas minas.

 

Durante a segunda metade do século II assiste-se também ao desenvolvimento das primeiras heresias. Tatiano, um cristão de origem síria convertido em Roma, cria uma seita gnóstica que reprova o casamento e que celebrava a eucaristia com água em vez de vinho. Marcião rejeitava o Antigo Testamento, opondo o Deus vingador dos judeus, ao Deus bondoso do Novo Testamento, apresentado por Cristo; ele elaborou um Livro Sagrado feito a partir de passagens retiradas do Evangelho de Lucas e das epístolas de Paulo.

 

À medida que o cristianismo criava raízes mais fortes na parte ocidental do Império Romano, o latim passa a ser usado como língua sagrada (nas comunidades do Oriente usava-se o grego).

 

A ascensão do imperador romano Constantino representou um ponto de virada para o cristianismo. Em 313 ele publica o Édito de Tolerância (ou Édito de Milão) através do qual o cristianismo é reconhecido como uma religião do Império, e concede a liberdade religiosa aos cristãos. A Igreja pode possuir bens e receber donativos e legados. É também reconhecida a jurisdição dos bispos.

 

 

A questão da conversão de Constantino ao cristianismo é um tema de profundo debate entre os historiadores, mas em geral aceita-se que a sua conversão ocorreu gradualmente. Constantino estipula o descanso dominical, proíbe a feitiçaria e limita as manifestações do culto imperial. Ele também mandou construir em Roma uma basílica no local onde, o apóstolo Pedro estava sepultado e, influenciado pela sua mãe, a imperatriz Helena, ordena a construção em Jerusalém da Basílica do Santo Sepulcro e da Igreja da Natividade em Belém.

 

Constantino quis também intervir nas querelas teológicas que na altura marcavam o cristianismo. Luta contra o arianismo, uma doutrina que negava a divindade de Cristo, oficialmente condenada no Concílio de Niceia (325), onde também se definiu o Credo cristão.

 

Mais tarde, nos anos de 391 e 392, o imperador Teodósio I combate o paganismo, proibindo o seu culto e proclamando o cristianismo religião oficial do Império Romano.

 

O lado ocidental do Império cairia em 476, ano da deposição do último imperador romano pelo "bárbaro" germânico Odoacro, mas o cristianismo permaneceria triunfante em grande parte da Europa, até porque alguns bárbaros já estavam convertidos ao cristianismo ou viriam a converter-se nas décadas seguintes. O Império Romano teve desta forma um papel instrumental na expansão do cristianismo.

 

Do mesmo modo, o cristianismo teve um papel proeminente na manutenção da civilização européia. A Igreja, única organização que não se desintegrou no processo de dissolução da parte ocidental do império, começou lentamente a tomar o lugar das instituições romanas ocidentais, chegando mesmo a negociar a segurança de Roma durante as invasões do século V. A Igreja também manteve o que restou de força intelectual, especialmente através da vida monástica.

 

Embora fosse unida lingüisticamente, a parte ocidental do Império Romano jamais obtivera a mesma coesão da parte oriental (grega). Havia nele um grande número de culturas diferentes que haviam sido assimiladas apenas de maneira incompleta pela cultura romana. Mas enquanto os bárbaros invadiam, muitos passaram a comungar da fé cristã. Por volta dos séculos IV e X, todo o território que antes pertencera ao ocidente romano havia se convertido ao cristianismo e era liderado pelo Papa. Missionários cristãos avançaram ainda mais ao norte da Europa, chegando a terras jamais conquistadas por Roma, obtendo a integração definitiva dos povos germânicos e eslavos.

 

Denominações cristãs:

No cristianismo existem numerosas tradições e denominações, que reflectem diferenças doutrinais por vezes relacionadas com a cultura e os diferentes contextos locais em que estas se desenvolveram. Segundo a edição de 2001 da World Christian Encyclopedia existem 33 830 denominações cristãs. Desde a Reforma o cristianismo é dividido em três grandes ramos:

 

Catolicismo: composto pela Igreja Católica Apostólica e que hoje congrega o maior número de fiéis;

Ortodoxia: originária do grande Cisma do Oriente (séc. XI) e é constituída por duas grandes Igrejas ortodoxas - a grega e a russa - que apresentam algumas diferenças entre si, nomeadamente a língua usada na liturgia.

 

Protestantismo: originária da segunda grande cisma cristã (Reforma Protestante) de Martinho Lutero, no século XVI, e engloba grande número de movimentos e denominações distintas. Atualmente a Igreja Protestante (também chamada Igreja Evangélica) pode ser dividida em três vertentes:

Denominações históricas: resultado directo da reforma protestante. Destacam-se nesta vertente os luteranos, anglicanos , presbiterianos, metodistas e batistas.

Denominações pentecostais: originárias em movimento do início do século XX é baseando na crença na presença do Espírito Santo na vida do crente através de sinais, denominados por estes como dons do Espírito Santo, tais como falar em línguas estranhas (glossolalia), curas, milagres, visões etc. Destacam-se nesta vertente Assembléia de Deus,Igreja Presbiteriana Renovada, O Brasil para Cristo, Congregação Cristã, Igreja Cristã Maranata e a Igreja do Evangelho Quadrangular.

Denominações neopentecostais: originárias na segunda metade do século XX de avanço das igrejas pentecostais, não configuram uma categoria homogêna possuindo muita variedade nesse meio. Algumas possuem aceitação de músicas de vários estilos, outras adquiriram o formato G-12. Destacam-se nesta vertente a Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Apostólica Renascer em Cristo,Igreja Apostólica Fonte da Vida,Igreja Internacional da Graça de Deus, Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra, Igreja Evangélica Cristo Vive, Ministério Internacional da Restauração, Igreja de Nova Vida, Igreja Nacional do Senhor Jesus Cristo, Igreja Bola de Neve e a Igreja Unida. É o ramo que mais cresce no Brasil e no mundo.

Além desses três ramos majoritários, ainda existem outros segmentos minoritários do cristianismo. Em geral se enquadram em uma das seguintes categorias:

 

Restauracionismo: são doutrinas surgidas após a Reforma Protestante cujas bases derrogam as de todas as outras tradições cristãs, basicamente tendo como ponto em comum apenas a crença em Jesus Cristo. A maioria deles não se considera propriamente "protestante" ou "evangélico" por possuirem grandes divergências teológicas. Nesta categoria estão enquadradas a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, a Igreja Adventista do Sétimo Dia e as Testemunhas de Jeová, entre outras denominações. Quanto às Testemunhas de Jeová, embora afirmem ser cristãs, também não se consideram parte do protestantismo. As Testemunhas aceitam a Jesus como criatura, de natureza divina, seu líder e resgatador, rejeitando, no entanto a crença na Trindade e ensinando que Cristo é o filho do único Deus, Jeová, não crendo que Jesus é Deus.

 

Cristianismo não-calcedoniano: são as Igrejas que negam as decisões do Concílio de Calcedónia (realizado em 451), por exemplo, a Igreja Ortodoxa Copta, Igreja Ortodoxa Armênia; e a Igreja Assíria do Oriente (Nestoriana).

Cristianismo esotérico: é a parte mística do cristianismo, e compreende as escolas cristãs de mistérios e sincretismo religioso. A este ramo pertence o Gnosticismo que é uma crença com raízes antecedentes ao próprio cristianismo e que tem características da ciência egípcia e da filosofia grega. O Rosacrucianismo também se enquadra nessa vertente sendo uma ciência oculta cristã que ressalta as boas ações por meio da fraternidade.

 

Espiritismo: algumas vezes é contestado como sendo uma vertente do cristianismo. Os espíritas não acreditam que uma pessoa ou ser, como Jesus Cristo, pode redimir "os pecados" de uma outra, contudo para a maior parte dos adeptos do espiritismo a obra de Allan Kardec constitui uma nova forma de cristianismo, ou então um resgate do cristianismo primitivo, que não inclui os dogmas adicionados pela Igreja Católica em seus diversos Concílios. Inclusive, um dos seus livros fundantes é denominado de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Esse livro apresenta uma reinterpretação de aspectos da filosofia e moral cristã, crendo em parte na Bíblia Sagrada.

 

Concepções religiosas e filosóficas:

O cristianismo prega o amor a Deus e ao próximo como o seu fundamento espiritual. De facto estas atitudes não constituem dois mandamentos separados (1º a Deus e 2º ao próximo), mas sim um só em que nenhuma das partes pode ser excluída. A salvação espiritual é oferecida gratuitamente a quem deseja aceitá-la buscando a Deus na figura de seu filho Jesus e que a busca de Deus é uma experiência transformadora da natureza humana.

 

Podemos considerar três períodos que definem a concepção e filosofia do cristianismo:

 

1.Cristianismo primitivo: caracterizado por uma heterogeneidade de concepções;

 

2.Patrística: ocorrida no período entre os séculos II e VIII, com a transformação da nova religião em uma Igreja oficial do Império Romano fundada por Constantino e a formação de um clero institucionalizado, e cujo doutrinário expoente foi Santo Agostinho;

 

3.Escolástica: a partir do século VIII e cujo expoente foi São Tomás de Aquino, que afirmou que fé e razão podem ser conciliadas, sendo a razão um meio de entender a fé.

A partir do protestantismo, é necessário fazer uma diferenciação entre a história e concepção da Igreja Católica e das diversas denominações evangélicas que se formaram.

 

Formas de culto:

As formas de culto do cristianismo envolvem a oração, a leitura de passagens da Bíblia, o canto de hinos, a cerimónia da eucaristia (católicos e ordodoxos) e a audição de um sermão dito pelo sacerdote ou ministro. A maioria das denominações cristãs considera o Domingo como dia dedicado ao culto (há minorias que consideram o Sábado). É um dia dedicado ao descanso, no qual os cristãos reúnem-se para o culto, embora a devoção e oração individual em qualquer outro dia da semana sejam também valorizadas no cristianismo.

 

Os católicos e os ortodoxos interpretam as formas de culto (ou missa, para o catolicismo) cristãs em termos de sete sacramentos, considerados como graças divinas:

 

Batismo

Eucaristia

Matrimónio

Confirmação ou crisma

Penitência

Extrema unção ou Unção dos enfermos

Ordem

Os protestantes não têm os sacramentos pelo catolicismo, mas eles utilizam de passagens bíblicas para os cultos, como:

 

Batismo (para a maioria das denominações, apenas em adultos);

Santa Ceia (não aceitando a eucaristia, voltando ao padrão bíblico "PÃO" E "VINHO", ambos aceitos apenas como símbolos).

 

Símbolos:

O símbolo mais reconhecido do cristianismo é sem dúvida a cruz, que pode apresentar uma grande variedade de formas de acordo com a denominação: crucifixo para os católicos, a cruz de oito braços para os ortodoxos e uma simples cruz para os protestantes evangélicos.

 

Outro símbolo cristão, que remonta aos começos da religião. é o Ichthys ou peixe estilizado (a palavra Ichthys significa peixe em grego, sendo também um acrónimo de Iesus Christus Theou Yicus Soter, "Jesus Cristo filho de Deus Salvador"), hoje sempre visto no protestantismo. Outros símbolos do cristianismo primitivo, por vezes ainda utilizados, eram o Alfa e o Ómega (primeira e última letras do alfabeto grego, em referência ao facto de Cristo ser o princípio e o fim de todas as coisas), a âncora (representando a salvação da alma chegada ao bom porto) e o "Bom Pastor", a representação de Cristo como um pastor com as suas ovelhas.

 

Calendário litúrgico e festividades:

Os cristãos atribuem a determinado dias do calendário uma importância religiosa. Estes dias estão ligados à vida de Jesus Cristo ou à história dos primórdios do movimento cristão.

 

O calendário litúrgico cristão inclui as seguintes festas:

 

Advento: período constituído pelas quatro semanas antes do Natal, entendidas como época de preparação para a celebração do nascimento de Jesus Cristo;

Natal: celebração do nascimento de Jesus;

Epifania: para os católicos, celebra a adoração de Jesus Cristo pelos Reis Magos, enquanto que para os cristãos ortodoxos o seu baptismo. Acontece doze dias após o Natal;

Sexta-feira Santa: morte de Jesus,

Domingo de Páscoa: ressurreição de Jesus;

Ascensão: ascensão de Jesus ao céu. Acontece quarenta dias após o Domingo de Páscoa;

Pentecostes: celebração do aparecimento do Espírito Santo aos cristãos. Ocorre cinquenta dias após o Domingo de Páscoa.

 

Alguns dias têm uma data fixa no calendário (como o Natal, celebrado a 25 de Dezembro), enquanto que outros se movem ao longo de várias datas. O período mais importante do calendário litúrgico é a Páscoa, que é uma festa móvel. Nem todas denominações cristãs concordam em relação a que datas atribuir importância. Por exemplo, o Dia de Todos-os-Santos é celebrado pela Igreja Católica e pela Igreja Anglicana a 1 de Novembro, enquanto que para a Igreja Ortodoxa a data é celebrada no primeiro Domingo depois do Pentecostes; outras denominações cristãs não celebram sequer este dia. De igual forma, alguns grupos cristãos recusam celebrar o Natal uma vez que consideram ter origens pagãs.

 

O cristianismo no mundo de hoje:

O cristianismo é atualmente a religião com maior número de adeptos, seguida do islão. Presente em todos os continentes, apresenta tendências de desenvolvimento diferente em cada um deles.

 

No início do século XX, a maioria dos cristãos estava concentrada na Europa; por volta da década de setenta do século XX, tinha diminuído consideravelmente o número de cristãos na Europa, sendo atualmente a América Latina e África os dois centros mundiais do cristianismo.

 

O cristianismo chegou ao continente americano com as conquistas espanholas e portuguesas do século XVI. Os primeiros missionários católicos na América, preocupados com a conversão das populações, não se importaram com as culturas locais indígenas, que foram devastadas. No século XIX a independência dos países latino-americanos em relação a Espanha e Portugal, foi acompanhada de uma redução gradual da influência da Igreja Católica. Contudo, durante o século XX o catolicismo desempenhou um papel político na América Latina, detectável em movimentos como a Teologia da Libertação. Atualmente, o catolicismo perde terreno na América Latina a favor de movimentos protestantes de carácter pentecostalista.

 

Na África o cristianismo tem raízes mais antigas. Antes do surgimento do islão no século VII, o norte de África estava religiosamente integrado na esfera cristã. O islão e o cristianismo tiveram dificuldades em penetrar completamente na África Negra. Foi, sobretudo no século XIX, com o estabelecimento de missões protestantes (anglicanas e metodistas) em África, que o cristianismo penetrou no continente. Na segunda metade do século XX seria a vez do catolicismo. Hoje em dia, o catolicismo é a denominação com maior número de adeptos na maioria dos países africanos, com uma população de mais de 150 milhões de pessoas. No continente africano também surgiram igrejas cristãs independentes das tradições européias, que misturam elementos do cristianismo com elementos da cultura local, como o culto dos antepassados, a feitiçaria e a poligamia.

 

Bibliografia:

CAIRNS Earle E., O Cristianismo através dos séculos: Uma história da Igreja Cristã, Edições Vida Nova, São Paulo, ISBN 8527503853

GONZALES Justo L., Uma História ilustrada do Cristianismo, coleção em 10 volumes, Edições Vida Nova, São Paulo - ISBN 8527500395 (Volume 1)

LEBRUN, François (dir.), As Grandes Datas do Cristianismo. Lisboa: Editorial Notícias, 1990.

 

Referências:

01. O status do cristianismo como religião monoteísta é afirmado, entre outras fontes, na Catholic Encyclopedia (artigo "Monotheism"); William F. Albright, From the Stone Age to Christianity; H. Richard Niebuhr; About.com, Monotheistic Religion resources; Kirsch, God Against the Gods; Woodhead, An Introduction to Christianity; The Columbia Electronic Encyclopedia Monotheism; The New Dictionary of Cultural Literacy, monotheism; New Dictionary of Theology, Paul, pp. 496–99; Meconi. "Pagan Monotheism in Late Antiquity". p. 111f.

02. Religion & Ethics - 566, Christianity, BBC

03. Briggs, Charles A. The fundamental Christian faith: the origin, history and interpretation of the Apostles' and Nicene creeds. C. Scribner's sons, 1913. Online: http://books.google.com/books?id=VKMPAAAAIAAJ

04. O termo "cristão" (em grego Χριστιανός, transl. Christianós) foi usado pela primeira vez para se referir aos discípulos de Jesus na cidade de Antioquia (Atos 11:26), por volta de 44 d.C., significando "seguidores de Cristo". O primeiro registro do uso do termo "cristianismo" (em grego Χριστιανισμός, Christianismós) foi feito por Inácio de Antioquia, por volta do ano 100. Ver Elwell/Comfort. Tyndale Bible Dictionary, pp. 266, 828

05. Sheed, Frank. "Theology and Sanity." (Ignatius Press: San Francisco, 1993), pp. 276.

06. McGrath, Christianity: An Introduction, pp. 4-6.

07. Robinson, Essential Judaism: A Complete Guide to Beliefs, Customs and Rituals, p. 229.

08. Esler. The Early Christian World. p. 157f.

09. J.Z.Smith, p. 276.

10. Anidjar, p. 3.

11. Fowler, World Religions: An Introduction for Students, p. 131.

12. McManners, Oxford Illustrated History of Christianity, pp. 301-03.

13. Orlandis, A Short History of the Catholic Church (1993), preface.

14. "entre 1.250 e 1.750 milhão de seguidores, dependendo dos critérios usados" (McGrath, Christianity: An Introduction, page xvl.)

15. "1,5 mil milhões de cristãos" (Hinnells, The Routledge Companion to the Study of Religion, p. 441.)

16. Major Religions Ranked by Size. Adherents.com. Página visitada em 5-5-2009.

17. Hinnells, The Routledge Companion to the Study of Religion, p. 441.

18. [ver Cristianismo#Demografia para informações e referências]

19. Jesus alguma vez disse ser Deus?

20. Jesus Cristo é Deus?

21. «Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.» (João 3:16)

 

Fonte: Wikipédia

 

Jesus significa na forma hebraica "Jeová É Salvação" e Cristo é o equivalente do hebraico "Ma-shi-ahh" (Messias), que significa "Ungido" e não é deus, pois Ele mesmo diz: "Eu sou a Verdade, o Caminho e a Vida e só vai ao Pai quem vier por mim

 

O Cristianismo : Resumo

- Catolicismo

- Ortodoxa

- Anglicana ou Episcopal

- Protestantismo ou Evangélicos

— O catolicismo Apostólico Romano tem como chefe supremo secular o Papa.

— O protestantismo (nome que se deve a Martinho Lutero, reformador religioso do século XVI), não tem chefe geral. As grandes igrejas são dirigidas por pastores, bispos, presbíteros, de um modo geral. Há excessões...

 

— A ordotoxa, muito parecida com o catolicismo, tem como chefe maior o Patriarca.

Segundo a tradição, aos 30 anos Jesus reúne discípulos e apóstolos e começa anunciar a boa nova (o evangelho, em grego): a realização das profecias sobre o Messias (Cristo, em grego) e a instauração do reinado de Deus sobre o mundo a partir de Israel.

 

Considerado blasfemo, é submetido a um processo religioso e acusado de conspirar contra César. É crucificado quando Tibério é o imperador de Roma e Pôncio Pilatos o procurador da Judéia.

Cinqüenta dias após sua morte, durante a festa de Pentecostes, os discípulos anunciam que ele ressuscitara e os enviara a pregar por todo o mundo a boa nova da salvação e do perdão dos pecados. Esse é considerado o início da difusão do Cristianismo...

 

Doutrina cristã

A fé cristã professa que o Deus revelado a Abraão, a Moisés e aos profetas envia à Terra seu filho como messias salvador. Ele nasce numa família comum, morre, ressuscita e envia o espírito santificador (Espírito Santo) para permanecer no mundo até o fim dos tempos.

A mensagem cristã se baseia no anúncio da ressurreição de Cristo, na garantia de que a salvação é oferecida a todos os homens de todos os tempos e na mensagem da fraternidade, à semelhança do amor que o próprio Deus dedica a todos os homens.

 

Bíblia cristã

A Bíblia é composta pelo Antigo Testamento e pelo Novo Testamento. Este é formado pelos quatro Evangelhos com relatos sobre a vida, mensagem e milagres de Jesus, escritos entre 70 e 100 d.C. e atribuídos aos discípulos Mateus, Marcos, Lucas e João; o livro dos Atos dos Apóstolos (enviados, em grego); as cartas atribuídas a Paulo e a outros discípulos; e o Apocalipse, que contém visões proféticas sobre o fim dos tempos, o julgamento final e a volta de Jesus.

 

Igreja cristã

Desde o início o cristianismo organiza-se como igreja (do grego ekklesía, reunião), sob a autoridade dos apóstolos e dos seus sucessores. Estes nomeiam anciãos (presbíteros, em grego) para dirigir as novas comunidades.

Muito cedo surgem os grupos de servidores (diáconos, em grego) para a assistência aos pobres das comunidades. Aos poucos se estrutura uma hierarquia: os reponsáveis pelas comunidades são os bispos (do grego, episcopos, supervisor) auxiliados pelos presbíteros e diáconos.

 

Expansão do cristianismo

Os discípulos espalham-se pelas regiões do Mediterrâneo, inclusive Roma, e fundam várias comunidades. Nos três primeiros séculos, os cristãos sofrem grandes perseguições, primeiro das autoridades religiosas do judaísmo e, a partir do século I d.C., dos romanos.

Durante o reinado dos imperadores Nero, Trajano, Marco Aurélio, Décio e Diocleciano, milhares de cristãos são mortos por se recusarem a adorar os deuses do Império e a reconhecer a divindade do imperador.

Em 313 o imperador Constantino converte-se ao cristianismo, que expande-se por todo o Império. Até o século XI, duas grandes tradições convivem no interior do cristianismo: a latina, no Império Romano do Ocidente, com sede em Roma, e a bizantina, no Império Romano do Oriente, com sede em Constantinopla (antiga Bizâncio e atual Istambul).

Em 1054, controvérsias teológicas, entre elas a da doutrina da Santíssima Trindade, provocam a ruptura entre as igrejas do Oriente e do Ocidente, que se excomungam mutuamente...

O ato só é anulado em 1965, em encontro entre o patriarca oriental Atenágoras I e o papa Paulo VI.

 

 

108.1 - CATOLICISMO:

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108.2 - DIVISÃO DO CRISTIANISMO:

No século XVI surge entre os católicos um movimento que reivindica a reaproximação da Igreja do espírito do Cristianismo Primitivo. A resistência da hierarquia da Igreja leva os reformadores a constituírem confissões independentes.

Os principais reformadores são Martinho Lutero e João Calvino, no século XVI. A Reforma difunde-se rapidamente na Alemanha, Suíça, França, Holanda, Escócia e Escandinávia.

No século XVI surge a Igreja Anglicana e, a partir do século XVII, as igrejas Batista, Metodista e Adventista. As igrejas nascidas da Reforma reúnem cerca de 450 milhões de fiéis em todo o mundo.

 

Reforma na Inglaterra:

Começa em 1534 com o rompimento do rei da Inglaterra, Henrique VIII, com a Igreja Católica. O rei passa a ser o chefe supremo da Igreja Anglicana ou Episcopal e o seu líder espiritual é o arcebispo de Canterbury. Da Inglaterra, difunde-se para as colônias, especialmente na América do Norte.

As igrejas Católica e Anglicana são semelhantes quanto à profissão de fé, a liturgia e os sacramentos, mas a igreja episcopal não reconhece a autoridade do papa e admite mulheres como sacerdotes. A primeira mulher a exercer o ministério episcopal é a reverenda Barbara Harris, da diocese de Massachusetts (EUA), consagrada em 1989.

 

Doutrinas dos reformadores

Os pontos centrais da doutrina de Lutero são a justificação de Deus só pela fé e o acesso ao sacerdócio para todos os fiéis. Calvino acrescenta a doutrina da predestinação dos fiéis. As diferenças doutrinais entre os dois dão origem a duas grandes correntes: os luteranos e os calvinistas.

A Reforma abole a hierarquia e institui os pastores como ministros das igrejas. As mulheres têm acesso ao ministério e os pastores podem se casar. A liturgia é simplificada e os sacramentos praticados são o batismo e a ceia.

 

108.2.1 - LUTERANA:

Martinho Lutero (1483-1546) nasceu em Eisleben (no atual Estado Saxônia-Anhalt), Alemanha, em uma família camponesa e morreu no mesmo lugar com 63 anos.

Em 1501 ingressa na Universidade de Erfurt (no atual Estado Livre da Turíngia), onde estuda artes, lógica, retórica, física e filosofia e especializa-se em matemática, metafísica e ética.

Entra para o mosteiro dos eremitas agostinianos de Erfurt em 1505, torna-se sacerdote e teólogo. Denuncia as deformações da vida eclesiástica em 1517.

Acusado de herege, é excomungado pelo papa Leão X e banido por Carlos V, imperador da Alemanha, em 1521.

Escondido no castelo de Wartburg e apoiado por setores da nobreza, traduz para o alemão o Novo Testamento. Abandona o hábito de monge e casa-se com a ex-freira Catarina von Bora, em 1525.

Reformador religioso, viveu e fez suas pregações em 33 cidades, entre elas Wittenberg onde ensinou por 36 anos; Leipzig, onde a famosa disputa teve lugar; Erfurt, onde lutero estudou e ensinou, enquanto era monge; Worms, onde foi convocado perante a Dieta Imperial e declarado apóstata; Coburgo, onde viveu em sua fortaleza; Augsburg, onde foi publicada a profissão de fé luterana; e Nuremberg, a primeira cidade imperial a aceitar a Reforma.

 

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108.2.2 - CALVINISMO:

João Calvino (1509-1564) nasce em Noyon, França, filho de um secretário do bispado da cidade. Em 1523 ingressa na Universidade de Paris, estuda latim, filosofia e dialética.

Forma-se em direito e, em 1532, publica Dois livros sobre a clemência ao imperador Nero, obra que assinala sua adesão à Reforma.

Em 1535, já é considerado chefe do Protestantismo francês. Perseguido pelas autoridades católicas refugia-se em Genebra.

Organiza uma nova igreja, com pastores eleitos pelo povo, e o Colégio Genebra, que se torna um dos centros universitários mais famosos da Europa.

 

108.2.2.1 - PRESBITERIANISMO

Presbiterianismo se refere as igrejas cristãs protestantes que aderem à tradição teológica reformada (calvinismo) e cuja forma de organização eclesiástica se caracteriza pelo governo de uma assembléia de presbíteros, ou ancião. Há muitas entidades autônomas em países por todo o mundo que subscrevem igualmente o presbiterianismo. Para além de distinções traçadas entre fronteiras nacionais, os presbiterianos também se dividiram por razões doutrinais, em especial no seguimento do Iluminismo.

A Igreja Presbiteriana é oriunda da Reforma Protestante do Séc. XVI, e mantém o caráter católico da Igreja (traduzida literalmente e especificamente só como "Igreja Universal"), como declarado no Credo dos Apóstolos.

É uma denominação cristã comprometida com valores éticos e morais. Sua atuação no contexto social brasileiro, por exemplo, é marcante, através de instituições de ensino desde o infantil até o superior, que têm alcançado excelência e reconhecimento internacional, como por exemplo, Universidade Presbiteriana Mackenzie, Instituto Presbiteriano Gammon, entre outras.

 

História do Presbiterianismo

O nome destas denominações deriva da palavra grega presbyteros, que significa literalmente "ancião". O governo presbiteriano é comum nas igrejas protestantes que foram modeladas segundo a Reforma Protestante na Suíça.

Na Inglaterra, Escócia e Irlanda, as igrejas reformadas que adoptaram uma forma de governo presbiteriano em vez de episcopal ficaram conhecidas como igrejas Presbiterianas.

Na Escócia, John Knox (1505-1572), que tinha estudado com João Calvino em Genebra, levou o Parlamento da Escócia a abraçar a Reforma Protestante em 1560. A primeira Igreja Presbiteriana, a Church of Scotland (ou Kirk), foi fundada como resultado disso.

Na Inglaterra, o presbiterianismo foi estabelecido secretamente em 1572, nos finais do reinado da raínha Elizabeth I de Inglaterra. Em 1647, por efeito de uma lei do Longo Parlamento sob o controle dos Puritanos, o presbiterianismo foi estabelecido para a Igreja Anglicana (Church of England). O restabelecimento da monarquia em 1660 trouxe também o restabelecimento da forma de governo episcopal na Inglaterra (e, por um período curto, na Escócia); mas a Igreja Presbiteriana continuou a ser considerada não-conforme, fora da igreja estabelecida.

Na Irlanda, o presbiterianismo foi estabelecido por imigrantes escoceses e missionários ao Ulster. O presbítero de Ulster foi formado separadamente da igreja estabelecida, em 1642. Todos os três, ramos muito diversos do presbiterianismo, bem como igrejas independentes e algumas denominações Holandesas, Alemãs e Francesas, foram combinadas nos EUA para formar aquilo que se tornou conhecido como a Presbyterian Church USA (1705). A igreja presbiteriana na Inglaterra e País de Gales é a United Reformed Church, enquanto que esta tradição também influenciou a Igreja Metodista, fundada em 1736.

Os Presbiterianos destacam-se pelo incentivo à educação, entre as inúmeras instituições presbiterianas espalhadas pelo mundo destacam-se a Yale University e o Instituto e Universidade Mackenzie.

 

O governo presbiteriano

O governo presbiteriano é uma forma de organização da Igreja que se caracteriza pelo governo de um Presbitério, ou seja: uma assembléia de presbíteros, ou anciãos. Esta forma de governo foi desenvolvida como rejeição ao domínio por hierarquias de bispos individuais (forma de governo episcopal). Esta teoria de governo está fortemente associada com os movimentos da Reforma Protestante na Suíça e na Escócia (calvinistas), com as igrejas reformadas e mais particularmente com a Igreja Presbiteriana.

O Presbiterianismo assenta em pressupostos específicos sobre a forma de governo desejada pelo Novo Testamento:

·         A função do ministério da palavra de Deus e a administração dos sacramentos é ordinariamente atribuída ao pastor em cada congregação (igreja) local. As congregações são núcleos dependentes da igreja local.

·         A administração da ordenação e legislação está a cargo das assembléias de presbíteros, entre os quais os ministros e outros anciãos são participantes de igual importância. Estas assembléias são chamadas concílios.

·         Todas as pessoas são sacerdotes, preocupado com a sua própria salvação, em nome dos quais os anciãos são chamados a servir pelo assentimento da congregação (sacerdócio de todos os crentes).

Desta forma, o papel governamental dos presbíteros é limitado à tomada de decisões quando há uma reunião, sendo de resto a função dos pastores e o serviço da congregação, orar por eles e encorajá-los na sua fé. Esta forma de governo permite a flexibilidade na tomada de decisão, em contraste com o que acontece nas Igrejas em que bispos detêm um poder concentrado.

Os concílios presbiterianos crescem em gradação hierárquica. Cada Igreja local tem o seu concílio, chamado de sessão ou conselho. As igrejas de uma determinada região compõem um concílio maior chamado presbitério. Os presbitérios, por sua vez, compõem um sínodo. O concílio maior numa igreja presbiteriana é a assembléia geral ou supremo concílio.

Algumas denominações presbiterianas

Escócia

·         Church of Scotland

Brasil

·         Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) - Sede: Rio de Janeiro/RJ

·         Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil (IPR) - Sede: Arapongas/PR

·         Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (IPIB) - Sede: São Paulo/SP

·         Igreja Presbiteriana Viva (IPV) - Sede: Volta Redonda/RJ

·         Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil (IPCB) - Sede: São Paulo/SP

·         Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (IPU) - Sede: Vitória/ES

·         Igreja Presbiteriana Fundamentalista do Brasil (IPFB) - Sede: Recife/PE

·         Igreja Evangélica Cristã Presbiterianal (IECP) - Sede: São Paulo/SP

·         Igreja Cristã Presbiteriana Pentecostal (ICPP) - Sede: Juquiá/SP

·         Igreja Presbiteriana Reformada do Brasil (IPRB) - Sede: Caratinga/MG

·         Igreja Cristã Presbiteriana (ICP) - Sede: Ponta Grossa/PR

·         Igreja Presbiteriana da Graça (IPG) - Sede: Mogi das Cruzes/SP

·         Igreja Presbiteriana Pentecostal (IPP) - Sede: Belo Horizonte/MG

·         Igreja Evangélica Presbiteriana de Jandira (IEPJ) - Sede: Jandira/SP

·         Igreja Presbiteriana Evangélica (IPE) - Sede: Belo Horizonte/MG

·         Igreja Presbiteriana Livre (IPL) - Sede: Colatina/ES

 

 

108.2.3 - PENTECOSTALISMO:

Pentecostalismo é um movimento de renovação de dentro do cristianismo, que coloca ênfase especial em uma experiência direta e pessoal de Deus através do Batismo no Espírito.

 

O termo Pentecostal é derivado Pentecostes, um termo grego que descreve a festa judaica das semanas. Para os cristãos, este evento comemora a descida do Espírito Santo sobre os seguidores de Jesus Cristo, conforme descrito no Livro de Atos, Capítulo 2.

 Pentecostais tendem a ver que seu movimento reflete o mesmo tipo de poder espiritual, estilo de adoração e ensinamentos que foram encontrados na Igreja primitiva. Por este motivo, alguns pentecostais também usam o termo Apostólica ou Evangelho Pleno para descrever seu movimento.

 

O pentecostalismo é um termo amplo que inclui uma vasta gama de diferentes perspectivas teológicas e organizacionais. Como resultado, não existe nenhuma organização central ou igreja que dirige o movimento. Os pentecostais podem ser inseridos em mais de um grupo cristão, indo do trinitariano até o não -trinitariano.

 

Muitos grupos pentecostais são afiliados ao Conferência Mundial Pentecostal. No Brasil é comum os pentecostais se auto-identificarem com termo evangélico.

A ênfase do pentecostalismo sobre o charisma o coloca dentro do cristianismo carismático, um enorme agrupamento de cristão que tem aceitado alguns ensinamentos pentecostais sobre o batismo no Espírito e dons espirituais. O pentecostalismo está teologicamente e historicamente próximo ao Movimento Carismático, influenciando tão significativamente o movimento, que às vezes os termos pentecostal e carismático são usados indistintamente. Todo o movimento pentecostal no mundo inclui cerca de 588 milhões de pessoas.

 

Pentecostalismo Brasileiro

O movimento pentecostal pode ser dividido em três ondas delineadas por suas características sócio-religiosas e contexto cronológico. Além das grandes denominações pentecostais, existem hoje centenas de "ministérios independentes" ou novas denominações surgindo anualmente no Brasil e no mundo.

 

Primeira Onda Pentecostal

A primeira, chamada pentecostalismo clássico, abrangeu o período de 1910 a 1950 e iniciou-se com sua implantação no país, decorrente da fundação da Congregação Cristã no Brasil e da Assembleias de Deus até sua difusão pelo território nacional. Desde o início, ambas igrejas caracterizam-se pelo anticatolicismo, pela ênfase na crença no batismo no Espírito Santo e por um ascetismo que rejeita os valores do mundo e defende a plenitude da vida moral e espiritual. Francescon, Berg e Vingren tiveram matriz pentecostal comum, ao receberem as novas doutrinas na Missão de Fé Apostólica conduzida pelo Pastor William H. Durham, ex-pastor batista, em Chicago, Illinois.

A primeira denominação desse movimento organizada no Brasil em 1910 com a vinda do missionário Louis Francescon, que atuou em colônias italianas no Sul e Sudeste do Brasil. Francescon realizou em 1910, o primeiro batismo de orientação pentecostal em solo brasileiro com a conversão de onze almas, originando a Congregação Cristã no Brasil em Santo Antônio da Platina - Paraná, e no mesmo ano inicia esta igreja no Bairro do Brás em São Paulo.

 

Em 1911 Daniel Berg e Gunnar Vingren, iniciaram suas missões no Pará e Nordeste, dando origem a Assembleias de Deus. O movimento das Assembléias de Deus cresceu do norte-nordeste para o sul, com apoio inicial do movimento pentecostal escandinavo e posteriormente transferência de aliança com as Assemblies of God americanas. Com os anos surgiram ministérios e convenções, dos quais muitos são independentes (não afiliados à Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil).

 

Além da Congregação Cristã no Brasil e da Assembléia de Deus surgiram outras pequenas denominações pentecostais clássicas nos primeiros quarenta anos do pentecostalismo brasileiro. Em 1932, foi organizada a Igreja de Cristo no Brasil em Mossoró (Rio Grande do Norte). A Igreja de Cristo divergiu das demais igrejas pentecostais da primeira onda ao seguir o dogma da "eterna segurança" mais conhecida como Perseverança dos santos. Esta também defende que o cristão recebe o batismo do Espírito Santo no momento da conversão e não como segunda bênção seguida de dons de línguas. Em Catalão, GO em 1935 foi fundada a Igreja Evangélica do Calvário Pentecostal.

Esta igreja uniu-se à Igreja de Deus de Cleveland, EUA, e se tornou a Igreja de Deus no Brasil, hoje presente em todos os estados brasileiros. A Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo foi fundada em São Paulo em 1936 por Marcos Batista. A Missão Evangélica Pentecostal do Brasil, fundada em Manaus em 1939, de origem americana, mas que atualmente atua de forma independente, com direção nacional e credo baseado no Pentecostalismo Clássico, de característica moderada quanto à questão de usos e costumes. Uma das denominações considerada a revolucionaria espiritual do Brasil é a Igreja Evangélica Avivamento Bíblico, fundada em 7 de setembro de 1946 por Mário Roberto Lindstron, Oswaldo Fuentes e Alídio Flora Agostinho. A Igreja Evangélica Avivamento Bíblico conta hoje com mais de 3.000 pessoas.

 

Segunda Onda Pentecostal

A segunda onda começou a surgir na década de 1950, quando chegaram a São Paulo dois missionários norte-americanos da International Church of The Foursquare Gospel. Na capital paulista, eles criaram a Cruzada Nacional de Evangelização e, centrados na cura divina, iniciaram a evangelização das massas, principalmente pelo rádio, contribuindo bastante para a expansão do pentecostalismo no Brasil. Em seguida, fundaram a Igreja do Evangelho Quadrangular. No seu rastro, surgiram o Ministério Cristo Vive, O Brasil para Cristo, Igreja Pentecostal Deus é Amor, Casa da Bênção, Igreja Unida, Igreja de Nova Vida e diversas outras igrejas pentecostais menores como a Igreja Presbiteriana Pentecostal dentre outras.

 

Terceira Onda Pentecostal

A terceira onda, chamada de Neo-Pentecostalismo, teve início na segunda metade dos anos 1970. Fundadas por brasileiros, as mais antigas são a Igreja Universal do Reino de Deus (Rio de Janeiro, 1977), liderada pelo bispo Edir Macedo, e a Igreja Internacional da Graça de Deus (Rio de Janeiro, 1980), liderada e fundada pelo missionário R. R. Soares, ambas presentes na área televisiva com seus televangelistas. Posteriormente, temos o surgimento da Renascer em Cristo (São Paulo, 1986) e da Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra (Brasília, 1992). De um modo geral, utilizam intensamente a mídia eletrônica e aplicam técnicas de administração empresarial, com uso de marketing, planejamento estatístico, análise de resultados etc. Algumas pregam a Teologia da Prosperidade, pela qual o cristão está destinado à prosperidade terrena, rejeitando os tradicionais usos e costumes austeros dos pentecostais. O neopentecostalismo constitui a vertente pentecostal mais influente, a que mais cresce e também a mais liberal em questões de costumes.

 

Renovados & Carismáticos

Paralelamente ao Pentecostalismo, várias denominações protestantes que eram tradicionais experimentaram movimentos internos, com manifestações pentecostais. Assim foram denominados "Renovados", como a Igreja Presbiteriana Renovada (originária da IPB), Convenção Batista Nacional (originária da CBB), Igreja do Avivamento Bíblico (originária da IMB), Igreja Cristã Maranata (originária também da IPB) e a Igreja Adventista da Promessa (originária da Igreja Adventista do Sétimo Dia).

Nos anos mais recentes a doutrina de renovação do Pentecostalismo ultrapassou até mesmo as fronteiras do Protestantismo, surgindo movimentos de renovação pentecostal Católica Romana e Ortodoxa Oriental, como a Renovação Carismática Católica que teve sua origem por Padres influenciados por Pastores e literaturas pentecostais.

 

Estatísticas

Estatísticas denominacionais

 

Números mundiais:

  • Assembléias de Deus - 57 a 60 milhões

  • Independente - 50 milhões

  • Igreja Universal do Reino de Deus - 13 milhões

  • Circulo de Fé Internacional - 11 milhões

  • Missão Pentecostal - 10 milhões

  • Igreja do Evangelho Quadrangular - 8 milhões

  • Igreja de Deus (Cleveland) - 6 milhões

  • Igreja Apostólica - 6 milhões.

  • Igreja de Deus em Cristo - 5 milhões

  • Igreja Internacional Pentecostal Unida - 4 milhões

  • Igreja do Senhor (Aladura) - 3.6 milhões

  • Igreja Internacional Pentecostal de Santidade - 3 milhões

  • Christ Apostolic Church - 2.8 milhões

  • Igreja Cristã Sião - 2.5 milhões

  • Congregação Cristã do Brasil - 2.5 milhões

 

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108.2.4 - EVANGÉLICOS:

Igreja Evangélica, segundo o aspecto histórico, é toda congregação que concorda com a Reforma Protestante, ou seja, as Igrejas Protestantes, ainda que algumas não aceitem este termo para si por ser usado de forma genérica para designar indiscriminadamente tanto os protestantes históricos, como os Luteranos e Calvinistas, quanto os Pentecostais e Neopentecostais. Segundo o conceito analítico, igreja evangélica é toda aquela que crê no evangelho.
Em Alemão o termo Evangelisch é usado para as igrejas territoriais nascidas no século XVI (como os Luteranos e as Igrejas Reformadas), enquanto Evangelikal para o desdobramento posterior do protestantismo. Em Inglês, Evangelical é referente ao protestantismo conservador, não-liberal e não-fundamentalista, baseado na Bíblia (embora não a interpretando literalmente) e na ênfase na necessidade do indivíduo passar por uma conversão pessoal ("nascer de novo") - o Evangelicalismo.

Evangelicalismo é uma concepção originária de "evangélico", o Evangelicalismo é um movimento teológico originário do Protestantismo, mas que não se limita a ele, que crê na necessidade de o indivíduo passar por uma experiência de conversão ("nascer de novo", "aceitar Jesus") e que adota a Bíblia como única base de fé e prática.

 

108.2.5 - PÓS-REFORMA

 

108.2.5.1 - Batistas

Os batistas são numerosos em diversos países da Europa e na América do Norte; dividem-se em centenas de grupos, mas reunem-se em sua grande maioria, na "Aliança Batista Mundial" (WBA). Centenas de grupos batistas (ou Batistas Independentes) não são filiados à essa organização; o mais proeminente é a conservadora "Southern Baptist Convention" (Convenção Batista do Sul) que reúne mais de 13 milhões de membros, no Sul dos Estados Unidos. No Brasil, são filiadas à WBA, a Convenção Batista Brasileira e a Convenção Batista Nacional, esta última de linha pentecostal, reunindo cerca de 90% dos batistas no país. O restante se agrupa em convenções menos numerosas, como a dos "Batistas Independentes", dos "Batistas Pentecostais", da "Batistas Bíblicos" (fundamentalistas), ou ainda "Batistas Regulares".

 

<Clique aqui para conhecer mais detalhadamente a História da Igreja Batista>

 

108.2.5.2 - Metodismo

As Igrejas Wesleyanas tem origem no movimento metodista do século XVIII, tendo cerca de 50 diversas ramificações. A mais numerosa é a Igreja Metodista. Os metodistas dividem-se entre conservadores, pentecostais, fundamentalistas, carismáticos e tradicionais. A doutrina do Reverendo John Wesley (pregador britânico, Pastor da Igreja da Inglaterra) permaneceu até sua morte, e influenciou o surgimento da doutrina pentecostal no final século XIX e início do século XX. No Brasil, há a Igreja Metodista Wesleyana, de linha pentecostal, e a Igreja Metodista do Brasil, histórica, que a abriga tanto tradicionais quanto carismáticos, sendo este último atualmente o grupo predominante em sua membresia (Igreja Metodista Livre, Igreja Metodista Ortodoxa, entre outras.

 

<Clique aqui para conhecer mais detalhadamente a História do Metodismo>

 

108.2.5.3 - Adventismo

Movimento originado nos Estados Unidos resultante das teorias do Millerismo, de Willian Miller, após o episódio do Grande Desapontamento. Tiveram como líderes importantes para a fundação da Igreja Adventista pregadores e escritores como James Springer White e Ellen White, cujos temas principais são a volta de Jesus Cristo. Dão grande importância aos Dez Mandamentos, principalmente a guarda do sábado, pelo qual surgiram igrejas como a Igreja Adventista do Sétimo Dia e a Igreja Adventista do Sétimo Dia Movimento de Reforma. Também são importantes grupos como a Igreja Adventista da Promessa (apesar de estar classificada como Adventista, mantém tradição Pentecostal, gerando uma transição entre as duas denominações) ou a Igreja Cristã Adventista.

 

<Clique aqui para conhecer mais detalhadamente a História dos Adventista>

 

 

108.2.5.4 - Pentecostais

Pentecostalismo - Movimento religioso que, no início do séc. XX, partindo dos E.U.A., se desenvolveu fora do protestantismo tradicional. São os Protestantes que dão especial ênfase na contemporaneidade dos Dons do Espírito Santo. Muitos deles não são ramificados das igrejas acima, mas tem as teses dos reformadores como doutrina básica. Os grupos mais destacados são as Assembléias de Deus, Congregação Cristã no Brasil (primeira igreja pentecostal brasileira criada em 1910) e a Igreja do Evangelho Quadrangular.

No Brasil, a década de 1960 assistiu ao grande crescimento dos "pentecostais", e a proliferação de quase 1000 denominações pentecostais.

 

<Clique aqui para conhecer mais detalhadamente a História das Principais igrejas Pentecostais>

 

 

108.2.5.5 - Deutero-pentecostalismo

Deutero-Pentecostalismo é o termo que designa a segunda onda do movimento Pentecostal que surgiu na década de 1950, no Brasil, quando chegaram a São Paulo dois missionários norte-americanos da International Church of The Foursquare Gospel.

Na capital paulista, eles criam a Cruzada Nacional de Evangelização e, centrados na cura divina, iniciam a evangelização das massas, principalmente pelo rádio, contribuindo bastante para a expansão do pentecostalismo no Brasil. Fundaram depois a Igreja do Evangelho Quadrangular.

 

108.2.5.6 - Neopentecostalismo

Hoje há grandes igrejas denominadas como "neopentecostais". Alguns anglicanos e reformados rejeitam chamá-las "protestantes", já que suas doutrinas diferem notavelmente da doutrina reformada, principalmente pela Teologia da prosperidade. Internacionalmente são grandemente conhecidos os movimentos liderados por pregadores como Kenneth Hagin, Benny Hinn, David (Paul) Yonggi Cho e César Castellanos (criador do G12).

No Brasil, os grupos mais conhecidos desse ramo são a Igreja Universal do Reino de Deus, liderada por Edir Macedo, a Igreja Internacional da Graça de Deus, liderada por R.R. Soares, a Igreja Apostólica Renascer em Cristo e o Ministério Internacional da Restauração (famoso pela propagação do G12 no Brasil).

 

108.2.6 - ANGLICANISMO:

A Igreja Anglicana (também denominada Igreja da Inglaterra, em inglês Church of England) é a Igreja cristã estabelecida oficialmente na Inglaterra e é o tronco principal da Comunhão Anglicana Mundial, bem como um membro fundador da Comunhão de Porvoo. Fora da Inglaterra, a Igreja Anglicana é denominada Igreja Episcopal, principalmente nos Estados Unidos e na Austrália.

Origem
Não se sabe exatamente quando o cristianismo se estabeleceu nas Ilhas Britânicas, mas é certo que já existia antes do século III, possivelmente a partir de missionários fugidos das perseguições às quais os primeiros cristãos estavam sujeitos. Os primeiros registros da presença cristã naquela região foram feitos pelo historiador e escritor Tertuliano, no ano de 208 d.C. Mais tarde, no concílio de Arles, realizado em 314 d.C. na França, compareceram três bispos de uma Igreja que existia na Inglaterra sem o conhecimento da Igreja Romana.


A primeira Igreja Cristã organizada nas Ilhas Britânicas é a Igreja Celta. O povo Celta já habitava esta região antes mesmo da invasão anglo-saxã.

 


 Esta Igreja, resistindo ao paganismo destes invasores, conseguiu manter uma Igreja Cristã independente, com organização monástica e tribal, sem nenhuma relação com a Igreja de Roma ou qualquer outra, embora mostrasse alguns hábitos e costumes orientais.

No ano de 595 d.C., o Papa Gregório I, também conhecido como Gregório Magno, o Grande, mandou uma comissão de monges, chefiada pelo monge Agostinho, prior do Convento de Santo André, na Cecília, para converter a Inglaterra ao Catolicismo. Agostinho foi o primeiro arcebispo de Cantuária, figura centralizadora da Comunhão Anglicana, e passou a ser conhecido como Agostinho de Cantuária. Boa parte dos costumes celtas cederam à dominante forma romana e latina do cristianismo ocidental.

Em 1534, a Igreja da Inglaterra (Anglicana) se separou em definitivo da Igreja Católica Romana, por iniciativa do rei
Henrique VIII, valendo-se da questão com o Papa Clemente VII, relacionada com o pedido de anulação de seu casamento com Catarina de Aragão.

Esta separação, não obstante tenha acontecido por interesses pessoais e políticos, era um velho sonho da Igreja da Inglaterra, que nunca tinha aceito plenamente a dominação Romana. Não se pode, portanto, atribuir a Henrique VIII o título de fundador da Igreja Anglicana. Este processo de separação, em meio à Reforma Protestante, não marcava o surgimento de uma nova Igreja, mas sim a alforria definitiva de uma Igreja Cristã que se desenvolvia desde o século III de nossa era.

Fonte: Anglicanismo retirado do Wikipedia.

 

108.3 - CRISTIANISMO ORTODOXO:

Menos rígido nas formulações dogmáticas, valoriza a liturgia, não aceita uma centralização excessiva e é mais flexível na concepção da estrutura hierárquica da igreja.

É porém menos aberto ao diálogo com a filosofia e com as ciências e mais rigoroso nas exigências morais.

A partir da ruptura com a igreja ocidental, passa a chamar-se Cristianismo ortodoxo (em grego, reta opinião) e se afirma mais fiel à mensagem cristã primitiva.

Os ortodoxos se desenvolvem em torno das quatro sedes antigas, chamadas de patriarcados: Jerusalém, Alexandria, Antióquia e Constantinopla.

Mais tarde, são incorporados os patriarcados de Moscou (1589), de Bucareste (1925) e da Bulgária (1953), além das igrejas autônomas nacionais da Grécia, Sérvia, Geórgia, Chipre e da América do Norte.

As igrejas ortodoxas reúnem mais de 170 milhões de fiéis em todo o mundo.

 

Liturgia do cristianismo ortodoxo

Os rituais da igreja ortodoxa são cantados, mas não se usam instrumentos musicais. Veneram-se os ícones e as relíquias dos santos, mas são proibidas imagens esculpidas, exceto o crucifixo.

Os sacramentos pelos quais os fiéis entram em comunhão com Deus e entre si são os mesmos (com pequenas diferenças), tanto na Igreja Romana como na Igreja Ortodoxa:

  1. Batismo

  2. Eucaristia

  3. Crisma (ou confirmação da fé)

  4. Penitência (ou confissão)

  5. Matrimônio

  6. Ordenação Sacerdotal

  7. Unção dos Enfermos

Na Ortodoxa o Sacramento do Crisma é dado junto ao Batismo e a Penitência é dada antes da Eucaristia. Já na Católica o Sacramento do Crisma e a Penitência são ministrados separadamente do Batismo e da Eucaristia.

Os sacramentos dados na Igreja Ortodoxa são válidos na Romana, e vice-versa. Os sacerdotes podem casar-se (antes da Ordenação), mas não os monges. Os bispos são escolhidos entre os sacerdotes e monges celibatários.

Série de 3 selos emitida pela República de Belarus em 22/03/2005, com valor facial de 1.500 Rublos Bielo-russos cada, impresso por State Enterprise Printing House Ukraine e emitido por Republican State Association Belpochta, sobre Ícones Bielo-russos em pinturas do século XXI.

 

ATENÇÃO:

Abaixo, alguns países com maior população de expressão cristã, separados por continentes:
África: África do Sul, Angola, Botsuana, Burundi, Camarões, Congo (ex-Zaire), Congo (República), Costa do Marfim, Eritréia, Etiópia, Gabão, Guiné Equatorial, Ilha de Madagascar, Ilhas de Cabo Verde, Ilhas São Tomé e Príncipe, Ilhas Seychelles, Lesoto, Libéria, Malauí, Namíbia, Nigéria, Quênia, República Centro-Africana, Ruanda, Suazilândia, Uganda, Zâmbia, Zimbábue.
Ásia: Armênia, Filipinas, Geórgia, Timor Leste.
Europa: Além dos países citados acima (nesta página), também Alemanha, Áustria, Belarus, Bélgica, Espanha, França, Hungria, Itália, Polônia, Portugal, San Marino, República Tcheca, Suécia, Suíça, Vaticano.

Parte do TEXTO EXTRAÍDO DO SITE:

http://www.girafamania.com.br/tudo/religiao_cristianismo.htmll 

108.4 - CRISTIANISMO ESOTÉRICO:

O Cristianismo Esotérico é a vertente do Cristianismo composta pelas escolas de mistérios, constituindo o que se conhece como a parte mística do Cristianismo. Trata-se de um segmento minoritário, uma vez que não se dirige às massas nem faz proselitismo, e não é estruturado em igrejas, apesar de a maioria das escolas terem rituais específicos. A este ramo do Cristianismo pertencem o Gnosticismo e o Rosacrucianismo (apesar de muitas organizações com o nome "Rosacruz" não se vincularem ao Cristianismo). Os Essênios são considerados os precursores do Cristianismo Esotérico.

Doutrina:

As bases da doutrina cristã esotérica se diferenciam dentro da comunidade cristã especialmente pelo fato de a reencarnação e o evolucionismo constituirem seus pontos-chave. Assim como as demais vertentes cristãs, considera-se a Bíblia e, especialmente os Evangelhos como fontes de autoridade dos mistérios de Deus, mas a Bíblia não é considerada a "palavra de Deus" nem deve ser interpretada literalmente, ou considerá-la à prova de erros. Outras escrituras que não foram incluídas na Bíblia também são amplamente consideradas, entre as quais muitos dos evangelhos apócrifos. Cristo é considerado como o líder da humanidade e governante do Sistema Solar, sendo onipresente assim como Deus, e por isso tendo uma centelha dentro de cada forma vivente (o chamado "Cristo Interno"). É considerado também a única entidade à qual o homem deve se dirigir, rejeitando-se portanto o culto a santos e imagens.

 

Os cristãos esoteristas advogam que não há inferno ou paraíso, ou, pelo menos, que não sejam eternos. Cada pessoa paga por aquilo que praticou, na exata proporção. A todos é concedida a oportunidade de reencarnação, para o aperfeiçoamento do caráter; e a salvação será dada a toda a humanidade - alguns em mais tempo, outros em menos tempo.

 

 Não existem sacerdotes na hierarquia. As escolas geralmente se compõem de um ou mais instrutores, mas que não ministram qualquer tipo de sacramento. O único sacramento reconhecido é a chamada iniciação, que não ocorre dentro das escolas, mas, segundo afirmam os cristãos esoteristas, é um processo de ordem espiritual, no qual o indivíduo a ser "iniciado", por meio de exercícios de ordem espiritual, consegue tirar a glândula pineal do estado latente e colocar-se em contato direto com os mundos supra-físicos, podendo vê-lo e senti-lo.

 

A maioria das escolas sustenta que existem nove iniciações menores e quatro iniciações maiores, sendo que nas iniciações maiores o homem adquire o poder da magia, tendo, entre outras faculdades, a de falar todos os idiomas como se fosse nativo e constituir um corpo físico sem passar pelo processo de gestação. Nem todas as iniciações aconteceriam numa mesma encarnação, sendo que poderia haver crianças "excepcionais", de inteligência muito acima da média, que já teria sido iniciada em vidas anteriores.

 

Conversão:

Não há proselitismo religioso dentro do Cristianismo Esotérico. Os membros das escolas cristãs esotéricas entendem que todas as religiões são provenientes de Deus, que as teria apresentado conforme as necessidades espirituais e o nível de evolução de cada povo, embora sustentem que o Cristianismo é a religião preparada para os mais avançados da humanidade, na escala de evolução espiritual. Também não existem impedimentos àqueles que desejarem se converter, desde que a conversão seja por livre e espontânea vontade. Não há juramentos especiais e os convertidos podem livremente manter contato com suas religiões de origem.

  

Notas históricas:

Do ponto de vista do oculto, a tradição Cristã esotérica remonta-se, a si própria, primariamente a uma excelsa e devota Ordem que existiu na Palestina, designada por Essénios. Eles são descritos como um terceiro grupo que existiu para além dos outros dois mencionados no Novo Testamento, os hipócritas Fariseus e os materialistas Saduceus. Os Essénios não são mencionados no Novo Testamento e evitavam qualquer referência a si próprios e aos seus métodos de estudo e de adoração. Jesus, de acordo com a tradição Cristã esotérica, foi um elevado Iniciado educado pelos Essénios, até aos trinta anos de idade, e alcançou um estado muito elevado de desenvolvimento espiritual. É possível que a sua educação haja sido conduzida entre os Essénios Nazarenos de Monte Carmelo, uma comunidade na zona da Galileia.

 

Os ensinamentos ocultos Cristãos referem que a maior fonte viva da tradição Cristã esotérica, no decorrer do desenvolvimento da civilização ocidental, teve início no século XIV com a constituição de uma irmandade secreta de homens santos designada por Ordem Rosacruz, que se expôs a si mesma pela primeira vez na profunda obra esotérica A Divina Comédia. Esta Ordem abriu a Iniciação nos Mistérios, naquele tempo e nos séculos que se seguiram, aos indivíduos com maior preparação e mérito, qualidades alcançadas por esforço dos próprios. Por volta dessa época começa também a idade da Alquimia, expressando o conhecimentos oculto através de escritos herméticos, do tipo criptográfico, para evitar a perseguição e o mau uso dos ensinamentos sagrados por parte do homem. Nos seus Manifestos do início o século XVII, a Ordem Rosacruz menciona "nós reconhecemo-nos verdadeiramente e sinceramente professar Cristo (...) viciamo-nos na verdadeira Filosofia, levamos uma vida Cristã" (in Confessio Fraternitatis [1], 1615) e estabelece o tempo e o modo como viria a apresentar publicamente ao mundo o seu conhecimento, num esforço para trazer uma "Reforma da Humanidade" através de uma mais avançada fase da religião Cristã. O Cristianismo Rosacruz, começado no início do século XX em 'Monte Ecclesia'  relaciona-se a si próprio com este renascimento público da Ordem.

 

A teosofia Cristã clássica, que precede a Sociedade Teosófica e o Martinismo, inclui alquimistas conhecidos, através dos seus escritos, como estando ligados ao movimento Rosacruz. Entre os Cristãos teosofistas encontramos homens letrados como Valentin Weigel, Heinrich Kunrath, Johann Arndt, Johann Georg Gitchel, Jakob Boehme, Gottfried Arnold, Jan Baptist van Helmont, Robert Fludd, John Pordage, Jane Leade, e Pierre Poiret.

 

Mais tarde, é especialmente reconhecido Emanuel Swedenborg porque uma igreja seguiu os seus ensinamentos desde 1787. A New Church e a Swedenborgian Church of North America. Martines de Pasqually, Louis-Claude de Saint-Martin e Jean-Baptiste Willermoz são três das mais influentes figuras do Martinismo, que data do início do século XVII e continua a existir até aos dias de hoje.

 

Outras perspectivas modernas sobre o Cristianismo Esotérico incluem a Ordem Hermética da Aurora Dourada e suas principais ramificações, os Builders of the Adytum, a Society of the Inner Light e os Servants of the Light. Paul Foster Case, W. E. Butler, Dion Fortune e Gareth Knight em particular, são autoridades desses ramos que contribuíram para a literatura dedicada a um Cristianismo Esotérico. Alguns dos modernos neo-Templários e neo-Essénios são também dignos de nota.

 

 

Fundamentos Bíblicos:

O Caminho: « Ego sum Via, Veritas et Vita »

 

Jesus respondeu-lhe: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim." (João 14:6)

 

O Conhecimento Esotérico:

 

Respondendo, disse-lhes: "A vós é dado a conhecer os mistérios do Reino do Céu, mas a eles não lhes é dado." (Mateus 13:11)

Disse-lhes: "A vós foi dado a conhecer os mistérios do Reino de Deus; mas aos outros fala-se-lhes em parábolas, a fim de que, vendo, não vejam e, ouvindo, não entendam." (Lucas 8:10)

 

A Vivência Mística (o coração):

 

Jesus disse, então, aos discípulos: "Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. (Mateus 16:24)

Depois, dirigindo-se a todos, disse: «Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-me." (Lucas 9:23)

 

O Estudo Oculto (a mente):

 

e disse: "Em Verdade vos digo: Se não voltardes a ser como as criancinhas, não podereis entrar no Reino do Céu." (Mateus 18:3)

"Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como um pequenino, não entrará nele." (Marcos 10:15)

 

Escritos do século XX:

O mundo ocidental é, sem dúvida, a vanguarda da raça humana e, por motivos que indicaremos nas páginas seguintes, os Rosacruzes sustentam que nem o Judaísmo nem o "Cristianismo Popular", mas sim o verdadeiro Cristianismo Esotérico será a religião mundial. (Max Heindel in Conceito Rosacruz do Cosmos, 1909; Fraternidade Rosacruz)

Este é o caminho da Sabedoria Divina, da verdadeira teosofia. Ela não é, como alguns pensam, uma versão diluída do Hinduísmo, ou do Budismo, ou do Taoísmo, ou de qualquer religião particular. Ela é tão verdadeiramente Cristianismo Esotérico como é Budismo Esotérico, e pertence igualmente a todas as religiões, e a nenhuma com exclusividade. (Annie Besant in Cristianismo Esotérico ou Os Mistérios Menores, 1914; Sociedade Teosófica).

 

No Cristianismo, também, especialmente no que concerne ao seu ponto central, o Mistério do Gólgota, nós temos de fazer uma distinção entre concepções exotéricas e conhecimento esotérico. Uma contemplação exotérica do Cristianismo, acessível a todo o mundo, está contida nos Evangelhos. Lado a lado com esta contemplação exotérica, sempre houve um Cristianismo esotérico para aqueles que tinham vontade - como eu disse antes - de preparar os seus corações e mentes de uma forma adequada para a recepção de um Cristianismo esotérico. (Rudolf Steiner, Cristianismo Exotérico e Esotérico, 1922, Sociedade Antroposófica).

 

Se este doutrina interior foi sempre resguardada das massas, das quais por um código simples foi dividida, não é altamente provável que os expoentes de cada aspecto da civilização moderna--filosóficos, éticos, religiosos, e científicos-sejam ignorantes do verdadeiro significado de todas as teorias e postulados em que as suas crenças são fundadas? Encobrem as artes e ciências que a raça herdou de nações mais antigas por debaixo do seu justo exterior um mistério tão grande que só o mais iluminado intelecto pode alcançar a sua importância? Tal é sem dúvida o caso. (Manly Palmer Hall, Os Ensinamentos Secretos de Todas as Eras [6], 1928, Philosophical Research Society)

Fonte: Wikipedia

(O Credo do Cristianismo: e Outras Palestras e Ensaios sobre o Cristianismo Esotérico). Anna Kingsford e Edward Maitland. Editado por Samuel Hopgood Hart. John M. Watkins, Londres, 1916. 256 pp.

108.2.10 - MARCIONISMO

O Marcionismo foi uma seita religiosa cristã do século II. Foi uma das primeiras a ser acusada de heresia.

História

Foi estabelecida por Marcião de Sinope (110-160), filho de um bispo. Propagou-se na Ásia Menor e na antiga Roma, em comunidades que se multiplicaram e constituíram uma vasta rede na bacia do Mediterrâneo. Foi considerada herética e Marcião excomungado em 144.

Características

De características gnósticas, tinha base no cristianismo ligado à tradição paulina. Simplificou as cerimónias dos primeiros cristãos, praticando uma moral severa, com interdição ao casamento, jejuns rigorosos, preparação para o martírio e fraternidade austera.

O seu corpo doutrinário partia da oposição entre Justiça e Amor, Lei e Evangelho. Rejeitava o Antigo Testamento como ultrapassado, anunciando um cristianismo autêntico baseado na contradição entre dois deuses:

·         a Lei, como pregado nas escrituras judaicas; e

·         o Amor, como revelado por Jesus Cristo.

O deus do Amor, compadecendo-se dos homens, resolve libertá-los do jugo da Lei, enviando Jesus ao mundo para morrer e redimir a humanidade. Seguindo o Salvador, os cristão deveriam sofrer as perseguições para merecer a libertação no fim dos tempos, quando o deus do Amor os libertaria eternamente da ferocidade da Lei e da Matéria.

Alguns chegaram a julgar que os marcionistas eram Anti-Semitas. A palavra marcionismo é mesmo por vezes usada para referir as tendências anti-judaicas nas igrejas cristãs.

A razão para este ressentimento contra os judeus tem a ver com o contexto em que surgiu. Em Roma, naquele tempo, os romanos lembravam-se ainda das guerras romano-judaicas - a primeira entre 66 e 73, que levou à queda do segundo Templo; a segunda sendo a revolta de Kitos (115-117) e a terceira (132-135) a de Simão bar Kokhba (ver Messias). Consequentemente, os judeus eram muito impopulares, muitos eram escravos no Império Romano e eram inclusivamente atirados aos leões no Coliseu de Roma.

Evangelho de Marcião

O Evangelho de Marcião, chamado por seus seguidores de Evangelho do Senhor, foi um texto utilizado na metade do século II d.C. pelo professor cristão Marcião, como alternativa única aos demais Evangelhos. O que se pôde reconstruir dele aparece agora entre os apócrifos do Novo Testamento. Foram tantos apologistas católicos romanos que escreveram tratados contra Marcião após a sua morte, além do notório tratado de Tertuliano, que foi possível reconstruir quase todo o "Evangelho do Senhor" de Marcião a partir de suas citações.

Marcião, que é conhecido apenas através de seus críticos, foi considerado herético por suas doutrinas.

Marcião como um revisionista de Lucas

Os Padres da Igreja escreveram, e a maioria dos estudiosos modernos  concorda , que Marcião editou Lucas para que se conformasse com a sua teologia, o marcionismo. O autor do século II Tertuliano escreveu que Marcião "...expurgou [do Evangelho de Lucas] todas as coisas que se opunham ao seu ponto de vista... mas manteve todas as que estavam em acordo com a sua opinião"[3]. Este ponto de vista é consistente com a forma como ele alterou outros livros em seu reduzido cânon, como nas epístolas paulinas, e parece provável uma vez que o Evangelho de Lucas já estava completo no tempo de Marcião.

Neste evangelho, Marcião eliminou os dois primeiros capítulos sobre a natividade de Jesus, começando já em Cafarnaum, e fez modificações no resto conforme o marcionismo. As diferenças entre os textos abaixo iluminam o ponto de vista marcionista de que, primeiro, Jesus não seguiu os profetas e, segundo, que a terra é maligna.

Lucas

Marcião

«Disse-lhes Jesus: Ó néscios, e tardos de coração para crerdes em tudo o que os profetas disseram!» (Lucas 24:25)[4]

Disse-lhes Jesus: Ó néscios, e tardos de coração para crerdes em tudo o que eu disse!

«Começaram a acusá-lo, dizendo: Achamos este homem pervertendo a nossa nação...» (Lucas 23:2)[4]

Começaram a acusá-lo, dizendo: Achamos este homem pervertendo a nossa nação...e destruindo a Lei e os Profetas.

«Naquela hora exultou Jesus no Espírito Santo, e exclamou: Graças te dou a ti, Pai, Senhor do céu e da terra...» (Lucas 10:21)[4]

Naquela hora exultou Jesus no Espírito Santo, e exclamou: Graças te dou a ti, Pai, Senhor Celestial...

Marcião sendo anterior à Lucas

Em 1881, Charles B Waite[5] sugeriu que o Evangelho de Marcião poderia ter precedido o de Lucas. John Knox (não o famoso reformador escocês John Knox), em Marcion and the New Testament, também defende esta hipótese. Como exemplo de uma evidência que poderia apoiar este ponto de vista, compare Lucas 5:39 - onde se afirma que o velho é melhor - com Lucas 5:36-38 - que afirma o inverso. No livro de 2006, "Marcion and Luke-Acts: a defining struggle", Joseph B. Tyson defende que não apenas Lucas, mas também os Atos dos Apóstolos seriam uma resposta à Marcião ao invés de o Evangelho de Marcião ser uma montagem sobre o de Lucas[6].

Justificativas

O teólogo Adolf von Harnack - em acordo com a visão tradicional de Marcião como um revisionista - discute as razões destas alterações em Lucas. De acordo com ele, Marcião acreditava que só poderia haver um único evangelho verdadeiro, sendo todos os demais falsificações feitas por elementos pró-judaicos, determinados a manter a veneração a YHWH. Ademais, ele acreditava que o verdadeiro evangelho fora dado diretamente à Paulo pelo próprio Cristo, mas foi depois corrompido por estes mesmos elementos, que também corromperam as epístolas paulinas. Ele entendia que a atribuição deste evangelho à "Lucas" como sendo outra falsificação. Marcião, portanto, iniciou o que ele entendia como uma restauração do evangelho original como fora dado à Paulo[7].

Von Harnack escreveu:

Para esta missão, ele não recorreu à revelação divina, à nenhuma instrução especial e nem à nenhuma ajuda pneumática [...] Daí decorre imediatamente que para a sua purificação do texto - e geralmente se esquece isto - ele não alegou, e nem poderia, certeza absoluta.”

— Marcion: The Gospel of the Alien God, Adolf von Harnack

 

Referências

1.    EHRMAN, Bart. Lost Christianities (em inglês). New York: Oxford University Press, 2003. 108 p.

2.    METZGER, Bruce M.. The Canon of the New Testament: Its Origins, Developments and Significance (em inglês). Oxford: Clarendon Press.

3.    Tertuliano. Contra Marcião: Marcion's Object in Adulterating the Gospel. No Difference Between the Christ of the Creator and the Christ of the Gospel. No Rival Christ Admissible. The Connection of the True Christ with the Dispensation of the Old Testament Asserted. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 6.2, vol. IV.

4.    a b c Segundo a Tradução Brasileira da Bíblia

5.    Waite, Charles B.. History of the Christian Religion to the Year Two-Hundred (em inglês). [S.l.: s.n.], 1881.

6.    Tyson, Joseph B. Marcion and Luke-Acts: A Defining Struggle (em inglês). [S.l.: s.n.].. Um caso à favor da visão de que o par Lucas - Atos seria uma resposta à Marcião. Tyson também reconta a história acadêmica do estudo de Marcião até 2006.

7.    Harnack, Adolf von. In: John E. Steely e Lyle D. Bierma (trad.). Marcion: The Gospel of the Alien God (em inglês). [S.l.: s.n.], 1924.

 

 

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