Indice - compilado por Beraldo Figueiredo

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23.5 - HOMOSSEXUALISMO

ÍNDICE:

23.5.1 - Homossexualidade e a Religião

23.5.2 - Homossexualidade entre Animais

23.5.3 - Homossexualidade na Bíblia

23.5.4 - Homossexualidade sob a ótica do espírito imortal

23.5.5 - Homossexualidade na visão Espírita

23.5.6 - Homossexualidade e a Ciência

23.5.7 - Homossexualidade e a Energia Sexual (Kundalini)

 

 

23.5.1 - HOMOSSEXUALIDADE E A RELIGIÃO

O relacionamento entre a homossexualidade e a religião varia de maneira enorme durante tempos e lugares. Alguns grupos não influenciados pelas religiões abraâmicasjudaísmo, cristianismo e islamismo – veem a homossexualidade como sagrada, enquanto que os grupos que foram influenciados por tais religiões veem-na quase sempre de forma negativa.

Na era do colonialismo e imperialismo, praticado geralmente por países de fé abraâmica, algumas culturas adotaram atitudes antagonistas quanto à homossexualidade. Atualmente, grupos e doutrinas de religiões abraâmicas geralmente veem a homossexualidade negativamente; alguns desencorajam a prática, enquanto outros explicitamente a proíbem. É ensinado que a homossexualidade é pecaminosa, enquanto outros dizem que qualquer ato sexual por si só é pecaminoso. Apesar de tudo, há algumas pessoas dentro desses grupos religiosos que veem a homossexualidade de maneira mais positiva – há até quem pratique cerimônias religiosas de casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Alguns grupos afirmam que a homossexualidade pode ser "superada" através da fé. Há vários "centros de cura" espalhados pelo mundo, de onde saem os "ex-gays". No entanto, nenhum estudo científico comprova esta prática e ela é desencorajada pela maioria dos médicos.

RELIGIÕES ABRAÂMICAS:

As religiões abraâmicas – judaísmo, cristianismo e islamismo – tradicionalmente veem as relações sexuais entre as pessoas do mesmo sexo como pecaminosas e as proíbem. É ensinado dentro dessas religiões que o amor entre o homem e a mulher é o "ideal" a ser praticado.

JUDAÍSMO

”Se um homem coabitar sexualmente com um varão, cometerão ambos um ato abominável; serão os dois punidos com a morte; o seu sangue cairá sobre eles." Levítico, 20:13-14

O Torá é a principal fonte para se analisar a visão judaica da homossexualidade. Nele está descrito que: "[Um homem] não deve deitar com um homem como [ele] se deita com uma mulher; isto é uma toeva ("abominação")" (Levítico 18:22). Assim como prevê vários mandamentos similares, a punição para a homossexualidade é a pena de morte, apesar de que na prática o judaísmo rabínico livrou-se da pena capital para todas as práticas há 2.000 anos atrás.

O judaísmo rabínico tradicional prevê que este verso proíbe um homem de praticar sexo anal com outro. No entanto, o judaísmo rabínico proíbe qualquer contato homossexual entre homens e mulheres. O que alguns veem hoje como homossexualidade "biológica" ou "psicológica" não é discutido pelos rabinos mais conservadores. Discutem apenas que os atos são proibidos.

O judaísmo ortodoxo vê qualquer ato homossexual como pecaminoso. Muitos judeus ortodoxos veem a homossexualidade como uma "escolha pessoal"; outros acreditam ser uma "desavença deliberada". Uma nova tendência de estudar o comportamento homossexual começou a acontecer, com uma visão mais compreensiva dos judeus homossexuais, mas nenhuma organização rabínica ortodoxa fez nenhuma recomendação em mudar a lei judaica. Grupos ortodoxos afirmam que qualquer mudança na lei é absolutamente impossível.

CRISTIANISMO

Catolicismo

Na tradicional interpretação da Igreja Católica, os atos homossexuais são reprovados na Sagrada Escritura, desde o Gênesis (castigo divino aos habitantes de Sodoma, donde vem o termo "sodomita", 19, 1-11) e o Levítico (18, 22 e 20, 13) até as cartas de São Paulo ("paixões desonrosas", "extravios", Rom 1,26-27 e também 1Coríntios 6,9 e 1Timóteo 1,10)

É frequentemente citado o texto de São Paulo aos Romanos:

"Os romanos trocaram a verdade de Deus pela mentira, adoraram e serviram à criatura em lugar do Criador, que é bendito eternamente. Por isso, Deus os entregou a paixões degradantes: as suas mulheres mudaram as relações naturais por relações contra a natureza; os homens, igualmente, abandonando as relações naturais com a mulher, inflamaram-se de desejos uns pelos outros, cometendo a infâmia de homem com homem e recebendo o justo salário de seu desregramento." – Epístola aos Romanos, 1:26-27

Durante toda a história do cristianismo, a Igreja Católica se posicionou explicitamente contra a homossexualidade e condenou a prática de sexo entre pessoas do mesmo sexo. Há inúmeras citações no Novo Testamento (e nos trabalhos de Justino, Clemente de Alexandria, Tertuliano, Cipriano de Cartago, Eusébio de Cesareia, Basílio de Cesareia, São João Crisóstomo, Agostinho de Hipona e de Tomás de Aquino) que servem de base para a crença de que a homossexualidade é errada e pecaminosa.

Apesar do Vaticano rejeitar o comportamento homossexual, alguns padres pregam que se casais do mesmo sexo decidirem se unir, que seja com compaixão e respeito um pelo outro. Porém, pela hierarquia católica na interpretação bíblica, tais padres acabam sendo punidos por estarem em contrariedade com a interpretação bíblica do Vaticano [1][2].

Nos séculos XX e XXI, alguns historiadores e teólogos desafiaram o entendimento tradicional das passagens bíblicas que mencionam a homossexualidade, dizendo que as palavras gregas "arsenokoitai" e "malakós" foram "mal-traduzidas" ou "mal-interpretadas" (talvez porque não se referem àquilo que entendemos como "homossexualidade" atualmente).

A Igreja Católica Apostólica Romana requer que fiéis homossexuais pratiquem a castidade, por entender que os atos sexuais sejam "contra a lei da natureza". A instituição defende que a expressão apropriada da sexualidade deve ser feita dentro de um casamento monógamo e heterossexual e apenas na função de procriar. A Igreja defende que pessoas com tais "tendências" devem ser "tratadas com respeito, compaixão e sensibilidade" por padres e outros fiéis. O Vaticano requer também que qualquer "tendência homossexual seja superada para que seja realizada a ordenação de um diácono”.

Durante a alocução por ocasião do Ângelus, em 9 de julho de 2000, o Papa João Paulo II dirigindo-se aos fiéis na praça de São Pedro disse:

"Em nome da Igreja de Roma, não posso deixar de exprimir profunda tristeza pela afronta ao Grande Jubileu do Ano 2000 e pela ofensa aos valores cristãos de uma Cidade, que é tão querida ao coração dos católicos do mundo inteiro.

A Igreja não pode deixar de falar a verdade, porque faltaria à fidelidade para com Deus Criador e não ajudaria a discernir o que é bem daquilo que é mal.

A respeito disto, desejaria limitar-me a ler quanto diz o Catecismo da Igreja Católica que, depois de ter feito observar que os atos de homossexualidade são contrários à lei natural, assim se exprime - "Um número não desprezível de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais. Eles não escolhem a sua condição de homossexuais; essa condição constitui, para a maior parte deles, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza.

"Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da Cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição" (n. 2358). – Papa João PauloII

Protestantismo

Dentre os cristãos, o protestantismo tem como um de seus principais princípios a interpretação privada ou juízo privado dos textos bíblicos[3], fruto da Reforma Protestante, quando Lutero, em outubro de 1520, enviou seu escrito "A Liberdade de um Cristão" ao Papa, acrescentando a frase significativa "Eu não me submeto a leis ao interpretar a palavra de Deus". Isso posteriormente acabou originando o direito fundamental de liberdade religiosa, bem como a própria idéia de democracia[4], ao consagrar a idéia de horizontalidade dos fieis protestantes, ao contrário da verticalidade do catolicismo, cuja última opinião em matéria de interpretação bíblica pertence ao Papa. No protestantismo, a opinião de cada um dos fiéis em matéria de interpretação bíblica tem o mesmo peso. Por isso, a divergência de opiniões entre os protestantes é encarada como algo natural, eles não veem necessidade na existência de um pensamento geral unificado, ao contrário do catolicismo.

Isso não significa que autoridades protestantes não tenham se posicionado explicitamente contra a homossexualidade e condenado a prática de sexo entre pessoas do mesmo sexo ao longo da história. Mas não necessariamente o fato de muitos protestantes, do ponto de vista religioso (esfera privada), se oporem à homossexualidade significa que eles sejam contrários à união civil entre pessoas do mesmo sexo (esfera pública). Uma bandeira histórica dos protestantes em todo o mundo é o Estado Laico[5], e em um Estado Laico há uma divisão entre a esfera privada e a esfera pública, não devendo existir argumentos religiosos para impedir a união civil entre pessoas do mesmo sexo.

Por isso, de maneira pouco surpreendente, os primeiros países a reconhecerem o direito a união entre homossexuais foram os países onde a religião Protestante predomina entre os religiosos, citando exemplificativamente o caso da Dinamarca, que reconheceu tal direito ainda em 1989.

E, mesmo dentro da própria fé protestante (esfera privada), devido ao princípio da interpretação privada ou juízo privado dos textos bíblicos, muitos defenderam e ainda defendem a homossexualidade.

Apesar de que grande parte das congregações protestantes atuais rejeitam o comportamento homossexual, muitos pastores não se opõem a idéia.

No Brasil, a Igreja Protestante Reformada e Inclusiva milita pela inclusão de LGBT na Igreja Cristã e celebra o que chama de Rito de Casamento entre pessoas do mesmo sexo, isto é, uma cerimônia onde casais gays recebem a bênção matrimonial, afirmando que a “Homossexualidade é bênção de Deus”[5].

No exterior, protestantes defendem o homossexualismo justamente com base no texto bíblico[6], e ramos do protestantismo aceitam a prática do homossexualismo, como o Unitarismo, e o Anglicanismo, tendo sido ordenados arcebispos homossexuais na Igreja Anglicana (Episcopal) do Reino Unido e dos Estados Unidos recentemente.

ISLAMISMO

"Dentre as criaturas, achais de vos acercar dos varões, deixando de lado o que vosso Senhor criou para vós, para serem vossas esposas? Em verdade, sois um povo depravado!" Alcorão, "Os Poetas" (26a. sura), 165-166

Todos os maiores setores islâmicos desaprovam a homossexualidade, e o sexo praticado entre pessoas do mesmo gênero é um crime que pode ser punido com a morte em algumas nações muçulmanas: Arábia Saudita, Iêmen, Irã, Mauritânia, Sudão e Somália. Durante o regime Talibã no Afeganistão a homossexualidade também era um crime punido com a morte. Em outras nações muçulmanas como Bahrain, Qatar, Algéria, Paquistão, Maldivas e Malásia, a homossexualidade é punida com prisão, multas ou punição corporal.

Os ensinamentos islâmicos (na tradição do hadith) promovem a abstinência e condenam a consumação do ato homossexual. De acordo com essa crença, nos países islâmicos, o desejo de homens por jovens atraentes é visto como uma característica humana esperável. No entanto, ensina-se que conter tais desejos é necessário pois garantirá o pós-vida no paraíso, onde se é presenteado com mulheres virgens(Corão,56: 34-38). O ato homossexual é visto como uma forma de desejo que viola o Corão. Apesar de que a atração homossexual não é contra a Charia (lei islâmica que governa as ações físicas, mas não os sentimentos e pensamentos), o ato sexual é, segundo esta, passivo de punição.

Referências

  1. Folha Online (27 de Fevereiro de 2009). Arcebispo da PB suspende padre petista por defender camisinha (em português). Página visitada em 26 de Outubro de 2009.

  2. Bahia Notícias (27 de Fevereiro de 2009). Padre Petista é Punido por Defender Camisinha (em português). Página visitada em 26 de Outubro de 2009.

  3. Christ Church (Reformed Presbyterian Church of North America). Private Interpretation (em inglês). Página visitada em 16 de outubro de 2009.

  4. SWEET, William Warren. American Culture and Religion. Six Essays. Dallas: Southern Methodist University Press, 1951, p. 36.

  5. a b Holofote (07 de Maio de 2009). “Homossexualidade é bênção de Deus”, diz líder de “igreja” deformada no Rio (em português). Página visitada em 26 de Outubro de 2009.

  6. Lisa Miller (Newsweek) (06 de Dezembro de 2008). Our Mutual Joy (em inglês). Página visitada em 26 de Outubro de 2009.

  7. Biblia.

OUTRAS RELIGIÕES:

Nem todas as religiões reprovam explicitamente a homossexualidade; algumas meramente omitem considerações a respeito. Ao longo da história, o amor e o sexo entre homossexuais (especialmente homens) eram tolerados e também instituídos em rituais religiosos da Babilônia e Canaã, além de serem enaltecidos na religião da Grécia antiga; historiadores confirmam que há indícios de que os exércitos de Tebas e de Esparta possuíam unidades formadas por pares de amantes homossexuais, que às vezes oficiavam sacrifícios a Eros, deus do amor, antes de se engajarem em combate.

Além disso, a mitologia grega é rica fonte de histórias de amor e sexo entre figuras do mesmo sexo. Os antigos judeus, no entanto, perseguiam homossexuais e com a expansão do Cristianismo, continuaram outras perseguições a práticas homossexuais. Quando o cristianismo se oficializou no Império Romano com a ascensão de Constantino, historiadores escrevem que a homossexualidade era uma ameaça institucional; uma das razões dessas perseguições antigas seria o da condição de sobrevivência e expansão por meio da defesa da procriação através da família.

A posição oficial da Igreja quanto a homossexualidade racionalizou-se com os escritos de Santo Agostinho, para quem os órgãos reprodutivos tinham a finalidade natural de procriação e em nenhuma hipótese poderiam ser usadas para outra forma de prazer, sendo a homossexualidade, segundo ele, uma perversão da mesma categoria que seria a masturbação, o coito anal, o coito oral e a zoofilia. A homossexualidade continua a ser reprovada pela maior parte das tradições cristãs pelo mundo.

Embora a relação entre a homossexualidade e a religião possa variar muito através da época e do lugar, dentro e entre diferentes religiões e seitas e sobre as diferentes formas de homossexualidade e bissexualidade, as atuais lideranças e doutrinas das três grandes religiões de tradição judaica, em geral, veem a homossexualidade de forma negativa.

Isto pode variar do desencorajamento silencioso da atividade homossexual, até a proibição expressa de práticas sexuais entre adeptos do mesmo sexo e uma forte oposição a aceitação social da homossexualidade. Algumas ensinam que a orientação homossexual é um pecado em si, enquanto outros afirmam que apenas o ato sexual é um pecado. Algumas religiões afirmam que a homossexualidade pode ser superada através da e da prática religiosa.

Por outro lado, existem vozes dentro de muitas religiões que veem a homossexualidade de forma mais positiva, liberal e algumas confissões religiosas abençoam uniões do mesmo sexo. Alguns veem o amor e a sexualidade entre pessoas do mesmo sexo como sagrada e que mitologias sobre o amor homossexual podem ser encontradas ao redor do mundo. Independentemente da sua posição sobre a homossexualidade, muitas pessoas de fé, olham para os textos sagrados e para a tradição como guias sobre este tema. No entanto, a autoridade de várias tradições ou passagens das escrituras sagradas e da exatidão das traduções e interpretações são avidamente disputadas.

Outras religiões, particulamente orientais, não discutem a sexualidade em geral, e isso inclui a homossexualidade; focam-se em outros assuntos que lhe são mais importantes e sagrados, como o Budismo (que possui uma grande comunidade gay) e o Confucionismo, embora isso dependa das tradições de cada uma e o Budismo em particular ensine a não viver nenhum tipo de prática mundana.

Religiões antigas como o Hinduísmo tem várias tradições que se posicionam de diversas formas sobre a homossexualidade; de forma geral os hindus consideram-na uma das diversas formas do amor, embora o Código de Manu contenha em certas passagens afirmações de que é um crime punível.

O Espiritismo, por sua vez, mostrando influência de outras tradições religiosas, crê que o espírito humano não tem sexo e que um mesmo espírito pode em outras reencarnações habitar o corpo ora de um homem ora de uma mulher, embora também frise que a homossexualidade é uma escolha entre tantas as outras do livre arbítrio e que os homossexuais podem deixar de sê-los. Novos movimentos neopagãos como a Wicca aceitam a homossexualidade e embora algumas de suas figuras históricas, como Gerald Gardner, terem sido contra suas práticas, outras não menos famosas como Alex Sanders e Eddie Buczynski eram abertamente homossexuais ou bissexuais.

Fonte: Wikipedia

 

23.5.2 - HOMOSSEXUALISMO ENTRE OS ANIMAIS

Comportamento homossexual em animais refere-se à evidência documentada de homossexuais, bissexuais e transgêneros no comportamento dos animais não-humanos. Tais comportamentos incluem sexo, namoro, afetividade, união monógama e parentalidade. O comportamento homossexual ou bissexual é difundido no reino animal: a pesquisa de 1999 feita pelo pesquisador Bruce Bagemihl mostra que o comportamento homossexual foi observado em cerca de 1500 espécies, variando de primatas para vermes intestinais e é bem documentada em 500 deles. O comportamento sexual dos animais assume muitas formas diferentes, mesmo dentro da mesma espécie. As motivações e implicações para estes comportamentos têm ainda de ser totalmente compreendidas, uma vez que a maioria das espécies ainda não foram totalmente estudadas.

O comportamento animal sexual toma muitas formas diferentes, mesmo dentro da mesma espécie. As motivações e implicações para estes comportamentos têm ainda de ser totalmente compreendidas, uma vez que a maioria das espécies ainda não foram totalmente estudadas. Pesquisas atuais indicam que várias formas de comportamento sexual homossexual são encontradas em todo o reino animal. Uma nova análise de pesquisas existentes, feita em 2009, mostrou que o comportamento homossexual é um fenômeno quase universal no reino animal, comum em várias espécies. O comportamento homossexual em animais é visto tanto como um argumento a favor como contra a aceitação da homossexualidade em seres humanos e tem sido usado, principalmente, contra a alegação de que é um peccatum contra naturam ('pecado contra a natureza"). Por exemplo, a homossexualidade nos animais foi citada em uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos no caso Lawrence v. Texas, que derrubou as leis de sodomia de 14 estados do país.

A possibilidade da sexualidade animal ter implicações lógicas, éticas ou morais na sexualidade humana, também é uma fonte de debates. Alguns pesquisadores interpretam o comportamento homossexual em animais (e em seres humanos também) como mecanismo de seleção evolutiva para conter o aumento excessivo de populações. Um estudo publicado pelo periódico Trends in Ecology and Evolution concluiu a importância do comportamento homossexual para a evolução de muitas espécies animais, como entre as fêmeas do albatroz-de-laysan (Phoebastria immutabilis), do Havaí, que se unem a outras fêmeas para criar os filhotes, especialmente na escassez de machos, tendo mais sucesso que as fêmeas solteiras. O estudo conclui que a homossexualidade ajudou as espécies de diferentes maneiras ao longo da evolução.

Segundo Giorgio Celli (Mistérios da Natureza, Planeta 7), o antropólogo C.S. Coon afirma que vários fatores podem induzir a homossexualidade entre os animais, tais como clima, epidemias, superpopulação das espécies em estudo, crescimento de indivíduos do mesmo sexo, pode ocorrer no caso, o desenvolvimento homossexual entre os animais. Em todas as espécies foram verificadas tais comportamentos.

 

 

23.5.3 - HOMOSSEXUALIDADE NA BÍBLIA

A Bíblia, uma coleção de livros catalogados e considerados como divinamente inspirados pelas três religiões abraâmicas (cristianismo, islamismo e judaísmo), possui três principais passagens nas quais é supostamente abordado, em contextos de idolatria, um ato homossexual masculino.

Com efeito, a Bíblia também chega a mencionar em Romanos 1:26 - quando fala dos rituais de idolatria dos romanos, sobre a relação para physin ("incomum", "não usual" ou "contrária a natureza") entre mulheres, o que poderia ser entendido como uma quarta referência à homossexualidade. Entretanto, o texto não deixa claro se essas relações são fora do comum por quaisquer razões que não fossem o sexo para fins de procriação - sexo anal, sexo em pé etc.[1] - ou se assim o seriam por se tratar de sexo lésbico. Devido à ambigüidade do texto, não há como se afirmar com certeza que a Bíblia faça menção ao sexo entre mulheres, ao contrário do ato homossexual masculino, que é mencionado.

Não obstante, em especial com a expansão das pesquisas exegéticas e hermenêuticas, não existe um consenso pleno sobre como exatamente deveriam ser interpretadas essas passagens bíblicas, o que não é um problema para o protestantismo. Dentre os cristãos, o protestantismo tem como um de seus principais princípios a interpretação privada ou juízo privado dos textos bíblicos,[2] fruto da Reforma Protestante, quando Lutero, em outubro de 1520, enviou seu escrito "A Liberdade de um Cristão" ao Papa, acrescentando a frase significativa "Eu não me submeto a leis ao interpretar a palavra de Deus". Isso posteriormente acabou originando o direito fundamental de liberdade religiosa, bem como a própria ideia de democracia,[3] ao consagrar a ideia de horizontalidade dos fieis protestantes, ao contrário da verticalidade do catolicismo, cuja última opinião em matéria de interpretação bíblica pertence ao Papa. No protestantismo, a opinião de cada um dos fiéis em matéria de interpretação bíblica tem o mesmo peso.

Além da diversidade de posicionamentos por parte de estudiosos, existem, atualmente muitas denominações religiosas protestantes históricas - como as Igreja Luterana e Anglicana e setores minoritários da Igreja Batista, Metodista, entre outras, que, num processo revisionista, vêm discordando das interpretações mais restritas comuns entre as doutrinas cristãs mais influentes, de modo que elas aceitam membros que são assumidamente gays e lésbicas, e algumas destas igrejas até os ordenam ao sacerdócio, como o famoso caso de Gene Robinson que, mesmo gay assumido, foi eleito bispo da diocese episcopal de New Hampshire na Igreja Episcopal dos Estados Unidos

 

Referências bíblicas a atos homossexuais

Existem três passagens da Bíblia que fazem referência a atos homossexuais. As duas primeiras no Velho Testamento, no contexto da purificação preconizada pela Lei Mosaica, a Torá. A terceira passagem se situa no Novo Testamento quando o apóstolo Paulo descreve os rituais orgiásticos idólatras dos gentios romanos:

Não te deitarás com um homem, como se fosse mulher: isso é toevah (também no grego bdelygma, ambos significam "impureza" ou "ofensa ritual").”

Levítico 18:22

"Se um homem dormir com outro homem, como se fosse mulher, ambos cometerão "toevah."

 — Levítico 20:13

"...visto que, conhecendo a Deus, não lhe renderam nem a glória… pelo contrário… tornaram-se estultos… trocaram a glória do Deus incorruptível por imagens que representam o Deus corruptível, pássaros, quadrúpedes, répteis… por este motivo, Deus os entregou a paixões infames: as suas mulheres mudaram o uso physiken (natural, usual comum) em outro uso que é para physin (não natural, fora do comum, inusitado). Do mesmo modo também os homens, deixando o uso physiken da mulher, abrasaram-se em desejos, praticando uns com os outros o que é indecoroso e recebendo em si mesmos a paga que era devida ao seu desregramento"

Apóstolo São Paulo Carta aos Romanos 1:18-32

 

 

Além destas há uma passagem na Primeira Epístola aos Coríntios que gera controvérsias entre os religiosos e teólogos:

"Não errais: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem malakoi, nem arsenokoitai… herdarão os reino de Deus"I Coríntios 6:9-10

Esta passagem em que São Paulo, para alertá-los de seus erros, lembra da lei judaica aos cristãos de Corinto, tem sido alvo de intensas discussões quanto a sua tradução. As palavras malakoi e arsenokoitai ao longo dos séculos têm sido traduzidas de forma bem distintas.

Quanto a palavra malakoi (que literalmente significa "mole", "macio") já houve versões bíblicas que a traduziram como "depravados", "pervertidos", "efeminados", "efebos", "meninos prostitutos" e algumas versões modernas chegaram até mesmo a falar em "homossexuais".

Entretanto, até a Reforma no século XVI e no Catolicismo no século XX, pensava-se que tal palavra significasse "masturbadores". Sabe-se, porém, que para além de seu sentido literal de "mole" ou "macio", tal termo, quando usado para adjetivar pessoas, pode também ser entendido como "lasso", "irrefreável", "devasso" ou mesmo "efeminado". E é a partir dessa última tradução que se tem entendido por parte dos religiosos tradicionais que, portanto, existiria no texto uma condenação aos homossexuais. Segundo essa concepção um homem lasso, promíscuo e efeminado só poderia se tratar de um homossexual.

Não obstante, há uma séria contra-argumentação a esse entendimento. Uma grande, e hoje crescente, parte dos estudiosos tem questionado essa interpretação, mostrando que a palavra malakoi, mesmo quando traduzida como "efeminado" jamais pode ser entendida como uma referência a homossexuais. Para tal intento, mostram que tal tradução é ambígua uma vez que o termo "efeminado" filologicamente sempre significou, para além de "pusilânime", também "mulherengo", e é esse o sentido que a palavra original tinha nos tempos de Paulo - o que, de fato, é coerente com outras passagens bíblicas que condenam os promíscuos e devassos, como Apocalipse 21:8 e 22:15. Tais críricos lembram também que a palavra "efeminado" só adquiriu conotação de "homossexual" na Modernidade, de modo que inserir essa tradução nos escritos de Paulo seria um gritante anacronismo e algo profundamente descabido. No intuito de comprovar tal entendimento, acrescentam que até a era moderna, nunca, em nenhum texto, em nenhum época sequer a palavra malakoi significou "homossexual" ou conceito semelhante, e desafiam a quem possa mostrar o contrário.

Já em relação à palavra arsenokoitai a controvérsia é ainda maior. Uma vez que ela, em um intervalo de três séculos, somente aparece em dois escritos de Paulo e, posteriormente nos Oráculos Proféticos (Sibylline Oracles) e em mais nenhuma outra literatura na história - e em ambos dois casos a palavra se encontra dentro de uma lista, de modo a seu significado não poder ser alcançado a partir de um contexto - fica impossível determinar seu significado literal. Há, porém, um certo consenso que esta palavra se trata de um neologismo criado por Paulo, que teria juntado as palavras arsen, que significa "homem" e koiten, que significa "cama". Vale notar que para alguns religiosos - como os tradutores da NVI e da Bíblia da Linguagem de Hoje - tal dado já seria suficiente para levá-los a crer que tal palavra se referiria, sim, à "homossexual", uma vez que o pecado que um homem pode fazer na cama seria, em seus pontos de vistas, quase certamente, um ato homossexual. Tal entendimento - acusado de simplista e homofóbico pelos liberais - com efeito, não pareceu não dar conta de desvendar a palavra em questão para a maioria dos exegetas e acadêmicos.

Diante da impossibilidade de encontrar o significado literal da palavra arsenokoitai, uma ampla gama de estudos acadêmicos foi feita ao longo do século XX no intuito de compreender de fato o termo e evitar sua tradução de modo precipitado e controverso. É, então, que pelo método histórico-crítico pôde-se, enfim, compreender o que tem sido amplamente aceito como o mais provável sentido do neologismo paulino.

Arsenokoitai remete ao conceito de prostituição cultual muitíssimo comum no Antigo Testamento, quando meninos eram vendidos como kadeshim, ou "prostitutos cultuais", para os templos pagãos, como os de Dionísio, Baal e Diana, ou mesmo homens livres se faziam sacerdotes sexuais para se dedicarem a esses templos de freqüente idolatria orgiástica. A exatidão dessa teoria se provaria uma vez que a Septuaginta, que eram as escrituras sagradas que Paulo lia à sua época, usa os exatos mesmos termos que o apóstolo usou em Levítico 18:22: Como homem (arsenos), não te deitarás (koiten), como mulher…(Kai meta arsenos ou koimethese koiten…), e o texto se finaliza afirmando que tal ato seria toevah, uma palavra que, como vimos, no hebraico é sempre usada num contexto de ritual religioso, de impureza no sentido religioso, o que é praticamente um consenso entre os hermenêutas veterotestamentários.

Há fartas outras comprovações bíblicas que suportam essa teoria de que Paulo quando fala em sua Carta aos Coríntios 6:9-10, ele esta a afirmar que são os prostitutos cultuais que não herdarão o reino dos céus, da mesma forma que o texto de Levítico o faz. A começar pela própria introdução do texto da Lei Mosaica que se inicia (Levítico 18:3) mostrando que as proibições do capítulo são proibições de práticas que os egípcios e canaanitas faziam por "estatuto", o que deixa, assim, inquestionável que se tratam de práticas de cunho religioso pagão. Vários outros textos como Deuteronômio 12:30, I Reis 14:23, Deuteronômio 23:4, 1 Reis 15:12-13, Deuteronômio 23:17, I Reis 22:46 e II Reis 23:7 fazem comprovar que Paulo, em Coríntios, em vez de falar de homossexuais, apenas repete o claro mandamento bíblico de condenação aos prostitutos cultuais.

Devido a esses fortes argumentos, muitas igrejas cristãs históricas, e mesmo muitos setores da Igreja Romana têm em definitivo desconsiderado esta passagem de Coríntios, e mesmo a de Romanos, como referentes à homossexualidade. Entendem que os textos condenam somente o sexo idolátrico, lascivo e promíscuo (entre pessoas do mesmo sexo ou não). Essa interpretação é ratificada por importantes círculos acadêmicos, especialmente na Europa e Canadá, e mesmo nos EUA, nos seus setores mais liberais. Na América Latina, em especial no Brasil, somente a Igreja Evangélica de Confissão Luterana e a Igreja Anglicana parecem adotar posicionamentos similares. A Nova Bíblia Anotada Oxford, considerada uma das mais relevantes academicamente do mundo, traz notas que validam a não condenação dessas passagens aos homossexuais, também a Bíblia de Jerusalém, umas das traduções mais respeitadas no mundo teológico, não aceita a tradução desses textos como sendo referentes aos homossexuais. No entanto, alguns religiosos levantam fortes críticas a essa teologia - também chamada de Teologia Inclusiva - acusando-a de excessivamente liberal. Afirmam que, mesmo que em se tratando de prostituição idólatra, as condenações de Paulo também incluiriam os homossexuais de nosso tempo pois estes, ao adotarem o estilo de vida gay, estariam optanto por uma prática sexual caída, antinatural e aversa aos valores dividos e, por isso, recairiam da mesma forma em uma forma também de paganismo idólatra.

É fato notório, não obstante, que importantes teólogos cristãos, até mesmo não liberais, têm se manifestado a favor da teologia inclusiva em nossos dias. Philip Yancey, Desmond Tutu, Leonardo Boff, Caio Fábio, Frei Beto, Neemias Mariem, Dom Evaristo Arns, Martin Luther King Jr, entre outros grandes intelectuais do mundo teológico, têm se manifestado sistematicamente contra a homofobia da Igreja e pela inclusão teológica dos homossexuais. No início do ano de 2008, o pastor Philip Yancey, considerado um dos maiores e mais influentes autores cristãos atuais, colunista da famosa revista Christianity Today, deu uma polêmica entrevista à revista gay americana Whosoever na qual afirma que os homossexuais que não são aceitos em suas igrejas como eles são, deveriam deixá-las para se socorrerem em outros grupos que os aceitem, pois "estas igrejas precisam de educação". Já o arcebispo sul-africano Desmond Tutu, um dos mais importantes líderes anti-apartheid, quando ganhou o Prêmio Nobel da Paz, em 1984, declarou também que o ódio contra gays é tão condenável quanto o racismo. "Penalizar alguém por sua orientação sexual é o mesmo que penalizar alguém por algo que a pessoa nada pode fazer a respeito, como a cor da pele. Ao fazer isso, a Igreja persegue um grupo que já é perseguido", disse. Leonardo Boff, por sua vez disse que "é fundamental reconhecer a criação do amor de Deus e dizer que onde há amor entre casais, ou entre homossexuais, seja mulher ou homem, onde há amor há ato de Deus, porque Deus é amor.

 

Queda de Sodoma e Gomorra

 

Muitos religiosos, especialmente os tidos como conservadores, e também o senso-comum associam a queda de Sodoma e Gomorra com a prática de relações homossexuais,[4] o que teria feito com que as cidades fossem destruídas. No entanto, estudiosos mostram que o pecado cometido teria sido o da falta de hospitalidade com os estrangeiros, e a intenção de estupro dos visitantes, já que o termo conhecer, fundamental para o entendimento de tal trecho, significaria ali claramente um abuso sexual[carece de fontes?], e em nada se vincularia a um relacionamento homoafetivo, mas sim ao abuso e à violência.

Segundo o relato bíblico, os habitantes dessa terra seriam cananeus.[5] O território antes do cataclismo, era paradisíaco. Ocupava uma área aproximadamente circular no vale inferior do Mar Morto (chamada de Distrito ou Bacia, do hebr. Kik.kár).[6]

Após o retorno de Abrão (Abraão) do Egito, menciona que "eram maus os homens de Sodoma, e grandes pecadores contra YHVH (traduzida como "SENHOR")".[7] Mas isso não chegou a impedir uma tolerância entre os habitantes de Sodoma (cidade-estado) com o patriarca Abrão, e com o seu sobrinho, Ló.[8]

Dois anjos de Deus, materializados, teriam dito a Abrão que "o clamor de Sodoma e Gomorra se tem multiplicado, e porquanto o seu pecado se tem agravado muito." Abrão intercede 3 vezes pelos sodomitas. A resposta final é: "Se houver em Sodoma 10 pessoas justas, não será destruída".[9] Qual era o pecado grave dos Sodomitas?

Esses dois anjos entram na cidade, que fica em uma região desértica, para pedir abrigo e proteção. Ló se apiedou desses viajantes e os hospedou em sua casa, porém, sem conhecer a real identidade angelical destes.[10] Antes de se deitarem, os homens da cidade, descontentes com o fato de Ló, que também era um homem de fora, ter trazido dois outros estranhos para a cidade, cercaram então sua casa, desde do rapaz até o velho, todo o povo numa só turba, exigindo que Ló pusessem os visitantes para fora de sua casa para que fossem estuprados,[11] o que era uma prática freqüente na Antigüidade, quando prisioneiros, guerreiros, ou exércitos vencidos eram comumente violentados sexualmente como forma de desonra, humilhação ou castigo. Ló roga para que os homens não fizessem esse mal ao seus visitantes, mas a turba, ainda mais irada com ele, o ataca dizendo que faria, então, a Ló ainda mais maldades do que com os visitantes. O texto então termina afirmando que os anjos protegeram, ao fim, a Ló e a sua família e, em seguida, toda a cidade teria sido destruída por Deus com fogo e enxofre.

Há atualmente teológos e acadêmicos que afirmam que esta passagem do livro de Gênesis não se refere à homossexualidade, mas ao abuso, ao desamor e a falta de piedade. A Bíblia Anotada New Oxford afirma: "…a questão principal aqui é a hospitalidade aos visitantes divinos. Nesta passagem a sacralidade da hospitalidade é ameaçada pelos homens da cidade que queriam violentar os hóspedes. O ponto principal desta passagem parece ser a ameaça que os habitantes representam ao valor da hospitalidade. Esta é tão valorizada neste contexto, a ponto de neutralizar a negatividade da atitude de Ló ao oferecer suas filhas em lugar de seus hóspedes o que, hoje, seria uma atitude impensável e repugnante à qualquer leitor". Segundo hermenêutas, a história de Sodoma e Gomorra faz, assim, uma alusão profética à vinda de Cristo que, assim como os anjos, é o enviado de Deus à terra e seria acolhido pelos homens justos, mas também seria recebido cruelmente pelos homens sem piedade e maus que aviltariam e atacaram seu corpo, mas, ao fim, sua glória e justiça prevaleceriam.

Porém, o entendimento laico comum da passagem é, não obstante, que Sodoma e Gomorra teriam de fato sido destruídas porque os habitantes dessas cidades seriam todos homossexuais. Essa concepção popular é fruto da filosofia de São Tomás de Aquino que, na Idade Média, pela primeira vez se referiu ao sexo entre homens como "sodomia". Tal autor inclui a homossexualidade entre os pecados contra naturam, junto com a masturbação e a relação sexual com animais. Para Tomás esses pecados sexuais são mais graves do que os pecados secundum naturam, embora estes se oponham gravemente à ordem da caridade, por exemplo: adultério, violação, sedução. Isto porque, para Aquino, a ordem natural foi fixada por Deus e sua violação constitui uma ofensa ao Criador, o que seria para ele mais grave do que uma ofensa feita ao próximo (cf. Suma Teológica, II-II, questão 154, artigo 11, corpo). Santo Tomás de Aquino chega a colocar a prática da homossexualidade no mesmo plano de pecados torpíssimos, como o de canibalismo.

A partir de então, devido a enorme influência do pensamento tomista no cristianismo, a palavra "sodomia" popularmente foi-se desvinculando de seu sentido filológico original e passou a ser, em quase todo mundo, conotativa de homogenitalidade, ou então sexo anal, seja este hétero ou homossexual. Muitos religiosos da Teologia Inclusiva salientam, porém, que este entendimento seria homofóbico e conflitante com a própria Bíblia que em todas as vezes que se refere novamente a Sodoma e Gomorra e aos sues pecados (como em Ezequiel 16:49-50) não mencionaria nada referente à homossexualidade - e mesmo a única menção à questão da sexualidade nessas cidades (Judas 6-7), somente se condena a intenção de intercurso sexual entre seres humanos e anjos, conforme também se fez em Gênesis 6: 1-2,4.

Portanto, não se pode afirmar que exista qualquer índicio real e direto, de que o comportamento homossexual é condenado por Deus nas escrituras bíblicas.

Referências bíblicas de apoio à homossexualidade

Três secções da Bíblia são analisadas como podendo ter contexto homossexual, no entanto são vistos pela maior parte dos cristão como apenas textos referentes a grandes amizades. O que está em conformidade com as tradicionais exegeses bíblicas que têm como doutrina principal o amor fraterno, em que não há a prática do sexo.

Rute e Noemi

Noemi era viúva com dois filhos. Rute é a viúva de um dos filhos de Noemi.

Disse, porém, Rute: Não me instes para que te abandone, e deixe de seguir-te; porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus; 17 Onde quer que morreres morrerei eu, e ali serei sepultada. Faça-me assim o SENHOR, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti."

O pensamento majoritário no cristianismo é que, vendo que sendo Noemi velha, e, não tendo marido, iria sofrer muito naquela região inóspita por volta do ano 1000 A.C., pois, ela não tinha mas quem a protejesse, este que era o papel do homem em tal época, e por isso a passagem acima indicaria apenas uma amizade muito forte entre Rute e Noemi, segundo a interpretação de trechos anteriores:

Morreu Elimeleque, marido de Noemi; e ficou ela com seus dois filhos,os quais casaram com mulheres moabitas; era o nome de uma Orfa, e o nome da outra, Rute; e ficaram ali quase dez anos. Morreram também ambos, Malom e Quiliom, ficando, assim, a mulher desamparada de seus dois filhos e de seu marido. Então, se dispôs ela com as suas noras e voltou da terra de Moabe, porquanto, nesta, ouviu que o Senhor se lembrara do seu povo, dando-lhe pão. Saiu, pois, ela com suas duas noras do lugar onde estivera; e, indo elas caminhando, de volta para a terra de Judá, disse-lhes Noemi: Ide, voltai cada uma à casa de sua mãe; e o Senhor use convosco de benevolência, como vós usastes com os que morreram e comigo. O Senhor vos dê que sejais felizes, cada uma em casa de seu marido. E beijou-as. Elas, porém, choraram em alta voz e lhe disseram: Não! Iremos contigo ao teu povo. Porém Noemi disse: Voltai, minhas filhas! Por que iríeis comigo? Tenho eu ainda no ventre filhos, para que vos sejam por maridos? Tornai, filhas minhas! Ide-vos embora, porque sou velha demais para ter marido. Ainda quando eu dissesse: tenho esperança ou ainda que esta noite tivesse marido e houvesse filhos, esperá-los-íeis até que viessem a ser grandes? Abster-vos-íeis de tomardes marido? Não, filhas minhas! Porque, por vossa causa, a mim me amarga o ter o Senhor descarregado contra mim a sua mão. Então, de novo, choraram em voz alta; Orfa, com um beijo, se despediu de sua sogra, porém Rute se apegou a ela.

Livro de Rute verc. 3 ao 14

De acordo com a posição majoritária cristã - que busca negar a tese homoafetiva - essa parte comprovaria que elas não seraim homossexuais, pois, a própria Noemi diz que, "seria amargoso" se absterem de maridos. Em argumentação contrária, os liberais afirmam que amargura em questão trata-se não da dureza de não possuir um homem para amar, mas principalmente do preconceito e exclusão que ambas teriam sem o álibe e proteção de um marido, o que as exporia à condição de mulheres solitárias. Os conservadores lembram, porém, que em as várias citações do nome do Deus dos israelenses como Senhor, mostravam Noemi uma amante da lei, assim, amaria os mandamentos, inclusive os contrários ao sexo homossexual.

 

David e Jónatas

 

Jónatas era o filho do Rei Saúl e primeiro na linha de sucessão. Mas Samuel indicou David para ser o próximo rei o que trouxe grande preocupação a Saúl:

"a alma de Jónatas se ligou com a alma de David; e Jónatas o amou, como à sua própria alma"[13]

"E Saul naquele dia o tomou, e não lhe permitiu que voltasse para casa de seu pai. 3 E Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma. 4 E Jônatas se despojou da capa que trazia sobre si, e a deu a Davi, como também as suas vestes, até a sua espada, e o seu arco, e o seu cinto."[14]

(…)

"E, indo-se o moço, levantou-se Davi do lado do sul, e lançou-se sobre o seu rosto em terra, e inclinou-se três vezes; e beijaram-se um ao outro, e choraram juntos, mas Davi chorou muito mais."[15]

(…)

"Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; quão amabilíssimo me eras! Mais maravilhoso me era o teu amor do que o amor das mulheres."[16]

A posição majoritária no cristianismo aponta todos esses trechos como se referindo a apenas "amizades" muito fortes, a despeito do texto falar literalmente em "amor" de um pelo outro, sendo este sentimento relatado como ainda maior do que o tido pelas mulheres, numa clara referência ao amor erótico. Busca-se, ao falar de amizade, negar o embaraçoso e evidente conteúdo homoafetivo do relato bíblico onde os dois personagens trocam juras de amor e fidelidade. Dessa forma tentam explicar os hermeneutas conservadores:

1. Jonatas tinha amado Davi, pois, sabia da sua vocação para com Deus. Em outra passagem mostra-se a sua fidelidade com a religião, e o amor declarado um pelo outro, em meio a beijos e lágrimas, seria pela expectativa de que David viria a ser o grande rei que fora profetizado, ou seja, amor à vitória e ao ápice de Israel. 2. Beijar-se sempre teria sido um costume do oriente-médio, que, não expressaria sexualidade de acordo com a aquela cultura. 3. Davi, no caso, considerado segundo o coração de Deus, estava se referindo que, o amor fraternal valeria mais que a paixão. No caso, o "amor divino" é expresso através da amizade, e Jonatas, que era fiel, tinha preferido Davi a seu Pai, pois, Davi tinha sido escolhido por Deus, logo era mais justo em carater. Desta forma o amor divino e a amizade superiariam a paixão.

 

Daniel e Aspenaz

Aspenaz era o chefe dos eunucos de Nabucodonosor, Rei da Babilônia. Daniel era um dos eunucos (segundo algumas interpretações) com ascendência da casa de Israel.

Ora, Deus fez com que Daniel achasse graça e misericórdia diante do chefe dos eunucos"

A interpretação desta frase não é consensual: a versão inglesa de King James 1611, e na versão Webster 1833[18] em vez de "misericórdia" pode-se ler "amor carinhoso" (tender love) reforçando assim algo mais que uma relação hierárquica. Na versão Basic English são usadas as palavras como "sentimentos de carinho e compaixão" (kind feelings and pity). As palavras originais em hebraico podem ser traduzidas para "misericórdia" ou "clemência" reforçando este ponto de vista, assim como o fato de em mais nenhuma passagem Daniel demonstrar tal afeto por outra pessoa. No entanto Daniel e Aspenaz sendo ambos eunucos nunca poderiam consumar este amor físico.

Por outro lado este texto aparece na sequência do pedido de Daniel a Aspenaz de não comer a comida que lhe estava destinada, uma vez que esta era oferecida aos ídolos da Babilonia. Perante este pedido, e mediante a ordem do rei, Daniel conseguiu convencer Aspenaz uma vez que ganhou a confiança deste pelo seu porte. A análise do texto em hebraico, assim como a tradução dos setentas para o grego (septuaginta), apontam neste sentido[carece de fontes?]. Por exemplo a tradução ARC, que é muito idêntica à maioria das traduções internacionais como American Standard Version, God's Word, entre outras traduções, apresentam qualquer coisa como: "Deus concedeu a Daniel misericórdia e compreensão da parte do chefe dos eunucos". Neste contexto o texto em causa não mostra que Daniel ou Aspenaz como homossexuais.

Referências

1.    O sexo procriativo seria a única forma natural em que o sexo era pensado na cultura judaica, especialmente em se tratando das mulheres.

2.    Christ Church (Reformed Presbyterian Church of North America). Private Interpretation (em inglês). Página visitada em 16 de outubro de 2009.

3.    SWEET, William Warren. American Culture and Religion. Six Essays. Dallas: Southern Methodist University Press, 1951, p. 36.

4.    Bible.org Homosexuality: The Christian Perspective, Q. 3; White-Neill 2002; Bahnsen 1978

5.    Génesis 10:19

6.    13:10

7.    Génesis 13:13

8.    Génesis 13 e 14

9.    Génesis 18:20-33

10. Génesis 19:1-3

11. 19:4,5

12. Ruth e Noemi (Rute 1:16-17 e 2:10-11

13. I Samuel 18:1

14. I Samuel 18:2

15. I Samuel 20:41

16. II Samuel 1:26

17. Daniel 1:9

18. http://bibliaonline.com.br/web/dn/1

Fontes:Wikipedia

 

 

23.5.4 - HOMOSSEXUALIDADE - Sob a ótica do Espírito Imortal

Andrei Moreira é médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Integra, desde 2005, uma equipe do Programa de Saúde da Família, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

É especializado em homeopatia e preceptor do Internato em Atenção Integral à Saúde, da Faculdade de Medicina da Universidade de Alfenas, campus BH, desde 2008.

Participa ativamente do movimento espírita nacional e internacional, proferindo palestras e seminários. Integra equipes de atendimento a pacientes com a metodologia médico-espírita na AMEMG. É presidente da Associação Médico-Espírita de Minas Gerais, desde 2007.

Homossexualidade é ou não uma doença, à luz do espírito imortal?

Andrei Moreira : "Desde 1973, a homossexualidade deixou de ser, classificada como tal pela Associação Americana de Psiquiatria. Em 1975, a Associação Americana de Psicologia adotou o mesmo procedimento, deixando de considerar a homossexualidade como doença. No Brasil, em 1985, o Conselho Federal de Psicologia deixa de considerar a homossexualidade como um desvio sexual e, em 1999, estabelece regras para a atuação dos psicólogos em relação a questões de orientação sexual, declarando que "a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão" e que os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura da homossexualidade.

No dia 17 de maio de 1990, a Assembléia Geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais, a Classificação Internacional de Doenças (CID). Por fim, em 1991, a Anistia Internacional passa a considerar a discriminação contra homossexuais uma violação aos direitos humanos.

A homossexualidade, segundo a Ciência, é uma orientação afetivo-sexual normal. Sob o ponto de vista espírita, tem sido catalogada por muitos escritores espíritas como doença ou distúrbio da sexualidade, em franco desrespeito ao conhecimento científico atual. Não há base no conhecimento espírita para se afirmar tal coisa. Não há uma visão que seja consenso sobre o assunto no movimento espírita, mas há excelentes textos dos espíritos André Luiz e Emmanuel nos direcionando o pensamento e a reflexão para o respeito, acolhimento e inclusão da pessoa homossexual, entendendo a homossexualidade como uma condição evolutiva natural (e o termo "natural" como sinônimo de "presente na natureza"), decorrente de múltiplos fatores, sempre individuais para cada espírito, construída ou escolhida pelo espírito em função de tarefas específicas ou provas redentoras, incluindo aí as condições expiativas e reeducativas devidas a abusos afetivo-sexuais no passado, que parecem ser a causa determinante da maior parte das condições homossexuais, segundo a literatura espírita.

Qual a diferença entre orientação e escolha sexual?

AM: Orientação sexual representa o desejo e o interesse afetivo sexual (note bem: não somente sexual, mas também afetivo) do indivíduo, decorrente de múltiplos fatores, os quais determinam com qual sexo ele se sente realizado para uma parceria íntima. A orientação sexual é fruto da história pessoal do indivíduo, presente e passada; é influenciada pela cultura e pelas identificações psicológicas, porém, não controlada ou determinada conscientemente pelo indivíduo. Nasce-se com ela. Escolha é fruto da decisão consciente de se viver ou não a orientação, aceitá-la ou reprimi-la, de acordo com as idealizações e a pressão familiar-social-cultural do meio em que o indivíduo se encontra reencarnado.

o homem homossexual se sente uma mulher? A mulher homossexual se sente um homem?

AM: De forma alguma. Identidade e orientação sexual são coisas distintas. Identidade é como o indivíduo se sente, a qual sexo pertence, com qual sexo se identifica psicologicamente. A orientação homossexual representa exclusivamente o direcionamento do afeto e do interesse sexual para indivíduos do mesmo sexo. O homem homossexual tem a sua identidade masculina, sente-se homem, embora possa ou não ter trejeitos afeminados, conforme sua história e identificação psicológica. Igualmente, a mulher homossexual tem a identidade feminina, embora possa ter ou não trejeitos masculinizados. Quando o indivíduo está em um corpo de um sexo, e sua identidade é a do sexo oposto, dizemos que ele é transexual, que é diferente do homossexual.

Em todos os casos, o espírito já renasce homossexual? É possível reverter essa orientação?

AM: Há uma diferença entre comportamento homossexual e identidade afetivo-sexual homossexual. Observamos comportamentos homossexuais em indivíduos com doenças psiquiátricas, entre presidiários e soldados em guerra; nessas condições, na ausência da figura feminina, a prática sexual entre iguais praticada por muitos como campo de liberação das tensões sexuais e da busca do prazer. Isso não quer dizer que eles sejam homossexuais. O indivíduo com identidade homossexual é aquele que se sente atraído afetiva e sexualmente por pessoa do mesmo sexo, o que pode ser percebido ou descoberto em diferentes fases da vida do indivíduo. Não podemos afirmar que todos os homossexuais tenham nascido com essa orientação, pois a variedade de manifestações nessa área nos remete a múltiplas causas, embora a literatura mediúnica espírita nos informe de que em boa parte dos casos as pessoas homossexuais trazem de seu passado espiritual a fonte de sua orientação presente.

Não sendo, em si, uma condição maléfica para o indivíduo, mas neutra, podendo ser positiva ou não, dependendo da forma como for vivenciada, não há necessidade de reverter essa condição. A orientação da ciência médica e psicológica atual é de que o indivíduo homossexual que não se aceita e sofre com isso deve ser classificado como portador de transtorno egodistônico, e os esforços devem se direcionar no sentido de auxiliá-lo a se aceitar e se amar tal qual é, sentindo-se digno de amor e respeito, buscando relações que lhe fortaleçam o auto amor e nas quais possa ser natural, espontâneo e verdadeiro, em busca de sua felicidade e de seu progresso.

É lamentável o índice de jovens e adolescentes suicidando-se porque apresentam orientação homossexual

Há religiosos e profissionais fundamentalistas que oferecem terapia e assistência espiritual, sobretudo em igrejas evangélicas, para que o indivíduo se cure 11 da homossexualidade. Não há registros de casos bem-sucedidos. O que frequentemente se observa são indivíduos bissexuais alterando o direcionamento do seu afeto para indivíduos do mesmo sexo, porém, muitos deles têm relações sexuais clandestinas com pessoas do mesmo sexo e nos procuram nos consultórios cheios de culpa, medo e vergonha por não se sentirem 11 curados 11.

Além disso, há os indivíduos homossexuais que decidem vestir a máscara de heterossexuais e, por algum tempo, formam famílias; frequentemente, saem de casa após algum tempo para viverem o que sentem como sua real atração afetivo-sexual.

Existem casos de homossexualidade desenvolvida exclusivamente pela educação na infância? Em caso afirmativo, é possível reverter o processo?

AM: Segundo Freud, sim, o que não significa que seja passível de reversão ou que haja necessidade disso. Segundo o Conselho Federal de Psicologia, a identidade e a orientação sexual estruturadas na infância não são passíveis de reversão, e a homossexualidade não é uma condição que necessite reversão, já que não é uma doença e muito menos um desvio moral. Porém, na visão espírita, os benfeitores espirituais nos informam que o espírito, ao reencarnar, já escolhe a natureza de suas provas e as condições familiares sociais e pessoais necessárias ao seu progresso, conforme sua consciência indique a necessidade de reparação dos equívocos do passado e de melhoramento pessoal. Em outras situações, quando o espírito não se encontra maduro para definir suas provas, elas são estabelecidas por orientadores evolutivos, mas, ainda assim, são definidas previamente à reencarnação. Assim, a família, o corpo que a pessoa tem e os principais pontos da existência já estão definidos para patrocinar as condições necessárias ao progresso do indivíduo. Além disso, o espírito traz impressos em si o fruto de suas escolhas, o resultado de suas experiências passadas, em seu psiquismo e no corpo espiritual, a determinar a identidade e a orientação sexual da presente encarnação.

Muitos consideram que a abstinência é uma recomendação educativa no caso de homossexualidade. O que você acha?

AM: Abstinência não representa educação do desejo e da prática sexual. Contudo, pode ser uma etapa necessária em certos casos, para a disciplina dos impulsos íntimos, de heterossexuais e homossexuais, quando se percebam necessitados de controle do desejo e da prática sem limites. Também pode acontecer que tenham a condição de abstinência imposta pela misericórdia divina como recurso emergencial de salvação perante circunstâncias de abusos reiterados nessa área.

Diz Ermance Dufaux, no livro Unidos para o Amor: "Abstinência nem sempre é solução e pode ser apenas uma medida disciplinar sem que, necessariamente, signifique um ato educativo. Por educar, devemos entender, sobretudo, a desenvoltura de qualidades íntimas capazes de nos habilitar ao trato moral seguro e proveitoso com a vida. ( ... ) A questão da sexualidade é pessoal, intransferível, consciencial e a ética nesse campo passa por muitas e muitas adequações 11 realização íntima para o ser humano/ em todas as suas formas de expressão.

Sintetiza Emmanuel, na introdução do livro Vida e Sexo: "(00') em torno do sexo, será justo sintetizarmos todas as digressões nas normas seguintes: Não proibição, mas educação. Não abstinência imposta, mas emprego digno, com o devido respeito aos outros e a si mesmo. Não indisciplina, mas controle. Não impulso livre, mas responsabilidade. Fora disso, é teorizar simplesmente, para depois aprender ou reaprender com a experiência. Sem isso, será enganar-nos, lutar sem proveito, sofrer e recomeçar a obra da sublimação pessoal, tantas vezes quantas se fizerem precisas, pelos mecanismos da reencarnação, porque a aplicação do sexo, ante a luz do amor e da vida, é assunto pertinente à consciência de cada um" .

O homossexual não consegue de forma alguma ter atração por pessoa do sexo oposto ou isso pode acontecer de forma natural?

AM: Segundo o relatório Kinsey, extensa pesquisa sobre o comportamento sexual humano realizada nos EUA na década de 60 do século XX, pelo biólogo Alfred Kinsey, tanto a homossexualidade como a heterossexualidade absoluta são condições raras em nossa sociedade. A grande maioria das pessoas tem uma condição de desejo predominante, em graus variáveis. Por exemplo, uma pessoa pode ser 80% heterossexual e 20% homossexual ou vice-versa. É natural, portanto, que uma atração heterossexual possa ocorrer na vida de um indivíduo homossexual, o que muitas vezes é entendido pelo leigo como “cura" da homossexualidade.

Emmanuel nos esclarece a respeito dessa realidade no livro Vida e Sexo, cap.21: "Através de milênios e milênios, o Espírito passa por fileira imensa de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciado, em quase todas as criaturas. O homem e a mulher serão, desse modo, de maneira respectiva, acentuadamente masculino ou acentuadamente feminina, sem especificação psicológica absoluta."

Podemos compreender assim que todos os indivíduos trazem em sua intimidade a possibilidade de se sentirem atraídos e se apaixonarem por alguém do mesmo sexo (afinal de contas, a pessoa se apaixona por um indivíduo completo, e não pelo seu corpo apenas). Isso não significa que vá ou necessite viver essa situação. O psiquismo atende e responde ao impulso do espírito, que é assexuado, mas que cumpre programas específicos em um ou outro sexo, conforme definição anterior e necessidade evolutiva, inserido em um contexto sociocultural que o limita na percepção e expressão do que vai em sua intimidade profunda.

Homem ou mulher que tenham fantasias com pessoas do mesmo sexo podem ser considerados homossexuais?

AM: Na adolescência, as experiências homossexuais são naturais, definidas pela psicologia como experiências de experimentação de uma identidade sexual em formação; não atestam, necessariamente, a orientação homossexual. Já no adulto, a fantasia é uma das formas de expressão do desejo e da atração homoafetiva e atestam a intimidade da criatura, mesmo que não sejam aceitas pela personalidade consciente.

 

O Espiritismo é uma doutrina livre e libertária, compromissada com o entendimento da natureza íntima do ser humano

Qual sua sobre como a comunidade espírita trata a homossexualidade?

AM: Em geral, observamos uma abordagem superficial e discriminatória por parte da comunidade espírita com os homossexuais e a homossexualidade. É compreensível que seja assim, pois todo meio religioso lida com idealizações e preconceitos seculares. Todavia, tal postura pode ser modificada por meio do que recomenda Allan Kardec: estudo sério e aprofundado de um tema para que se possa opinar sobre ele. É lamentável que nós, adeptos de uma fé raciocinada, nos permitamos o mesmo comportamento dos religiosos fundamentalistas.

Observa-se muita opinião pessoal sem fundamento tomada como regra e lei. Tais opiniões costumam ser destituídas de compaixão e amorosidade e terminam por isolar o indivíduo homossexual, tachando-o de do ente, perturbado, promíscuo e/ou obsediado. Às vezes, ele é, até mesmo, afastado das atividades espíritas habituais, como se fosse portador de grave moléstia que devesse receber reprovação e crítica por parte da parcela heterossexual "normal" da sociedade. Tais posturas são frequentemente embasadas no tradicional preconceito judaico cristão-ocidental de que a única e exclusiva função da sexualidade é a procriação humana, tomando a parte pelo todo.

O Espiritismo é uma doutrina livre e libertária, compromissada com o entendimento da natureza íntima do ser humano e o progresso espiritual. Nos dá bases muito ricas de entendimento do psiquismo e da sexualidade do espírito imortal, como instrumentos divinos dados por Deus ao homem para seu aprimoramento e felicidade. Além disso, nos oferece esclarecimento a respeito das condições e situações determinadas pela liberdade do homem, que desvia esses instrumentos superiores de suas funções sagradas.

É imprescindível que se extinga em nosso movimento reconceito e que os homossexuais tenham campo de trabalho, se dediquem ao estudo e à prática da doutrina espírita, com a mesma naturalidade de heterossexuais. Isso para que compreendam o papel de sua condição em seu momento evolutivo e a utilizem com respeito e dignidade com vistas ao equacionamento dos dramas internos, ao cumprimento dos planos de trabalho específicos em sua proposta encarnatória e ao seu progresso pessoal, da família e da sociedade da qual faz parte, da mesma maneira como deve fazer o heterossexual.

Como devem se comportar os pais espíritas de um indivíduo que se descubra homossexual?

AM: Aos pais de uma pessoa homossexual cabe o acolhimento integral e amoroso do indivíduo, com aceitação de sua condição, que nada mais é que uma das características da personalidade. Ser homossexual não é sinônimo de ser promíscuo, inferior, afeminado (para homens) ou masculinizado (para mulheres). Simplesmente atesta que o indivíduo se realiza sexual e afetivamente no encontro entre iguais. A pessoa homossexual deve receber a mesma instrução e educação a respeito da sexualidade que os heterossexuais, a fim de bem direcionar as suas energias e esforços no sentido da construção do afeto com quem eleja como parceiro(a). A postura na vivência da sexualidade, para homossexuais, deve ser a mesma aconselhada pelos espíritos a heterossexuais: dignidade, respeito a si mesmo e ao outro, valorização da família, da parceria afetiva profunda no casamento e dedicação da energia sexual criativa em benefício da comunidade em que está inserido.

O acolhimento amoroso da família é fundamental para que o indivíduo homossexual possa  se aceitar, se compreender, entendendo o papel dessa condição em sua vida atual, e para que se sinta digno e responsável perante suas escolhas. A luta, para aqueles que vivem essa condição, é grande, a fim de afirmar a sua autoestima em uma sociedade que banaliza a condição sexual e vulgariza a diferença. A família é o núcleo onde se encontram corações compromissados em projetos reencarnatórios comuns, com vínculos pessoais de cada um com o passado daqueles que com eles convivem, devendo ser cada membro dessa célula da sociedade, um esteio para que o A homossexualidade pode ser vivenciada com dignidade e ser um rico campo de experimentação do afeto e construção do amor melhor do outro venha à tona, por meio da experiência amorosa.

Os pais de homossexuais poderão ler e compartilhar interessantes experiências de outros pais no site e nos livros de Edith Modesto: www.gph.org.br. Livros: www.qph.orq.br/publíca.asp

Todas as experiências evolutivas onde estejam presentes o autorrespeito, a autoconsideração, a autovalorização e o autoamor são experiências evolutivas promotoras de progresso, pois aquele que vivencia essas condições, naturalmente as estende ao outro, na vida. A homossexualidade, independentemente da forma como se haja estruturado como condição evolutiva momentânea do indivíduo, pode ser vivenciada com dignidade e ser um rico campo.

Gostaria de acrescentar algo?

AM: Romanos 14:14 "Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nada é de si mesmo imundo a não ser para aquele que assim o considera; para esse é imundo."

de experimentação do afeto e construção do amor, desde que aqueles que a vivam se lembrem de que são espíritos imortais e de que a vida na matéria é tempo de plantio para a eternidade, no terreno do sentimento e das conquistas evolutivas propiciadas pelo amor, em qualquer de suas infinitas manifestações.

Diz-nos Emmanuel, no livro Vida e Sexo, lição 21 - Homossexualidade, ed. Feb:

"A coletividade humana aprenderá, gradativamente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos, para se erguerem como agentes mais elevados de definição da dignidade humana, de vez que a individualidade, em si, exalta a vida comunitária pelo próprio comportamento na sustentação do bem de todos ou a deprime pelo mal que causa com a parte que assume no jogo da delinquência. “

E complementa André Luiz, no livro Sexo e destino - Capo 5, pág 155 - ed. Feb:

" ( ... ) no mundo porvindouro os irmãos reencarnados, tanto em condições normais quanto em condições julgadas anormais, serão tratados em pé de igualdade, no mesmo nível de dignidade humana, reparandose as injustiças achacadas, há séculos, contra aqueles que renascem sofrendo particularidades anômalas, porquanto a perseguição e a crueldade com que são batidos pela sociedade humana lhes impedem ou dificultam a execução dos encargos que trazem à existência física, quando não fazem deles criaturas hipócritas, com necessidade de mentir incessantemente para viver, sob o sol que a Bondade Divina acendeu em benefício de todos."

Fonte: Revista Cristã Espiritualismo -Edição 86  - Ano X

 

23.5.5 - HOMOSSEXUALIDADE NA VISÃO ESPÍRITA

 

Pergunta — Quando errante, que prefere o Espírito:

encarnar no corpo de um homem, ou no de urna mulher?

Resposta "Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar."

Item nº 202, de "O LIVRO DOS ESPÍRITOS"

 

A homossexualidade, também hoje chamada transexualidade, em alguns círculos de ciência, definindo-se, no conjunto de suas características, por tendência da criatura para a comunhão afetiva com uma outra criatura do mesmo sexo, não encontra explicação fundamental nos estudos psicológicos que tratam do assunto em bases materialistas, mas é perfeitamente compreensível, à luz da reencarnação.

Observada a ocorrência, mais com os preconceitos da sociedade, constituída na Terra pela maioria heterossexual, do que com as verdades simples da vida, essa mesma ocorrência vai crescendo de intensidade e de extensão, com o próprio desenvolvimento da Humanidade, e o mundo vê, na atualidade, em todos os países, extensas comunidades de irmãos em experiência dessa espécie, somando milhões de homens e mulheres, solicitando atenção e respeito, em pé de igualdade ao respeito e à atenção devidos às criaturas heterossexuais.

A coletividade humana aprenderá, gradativamente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos, para se erguerem como agentes mais elevados de definição da dignidade humana, de vez que a individualidade, em si, exalta a vida comunitária pelo próprio comportamento na sustentação do bem de todos ou a deprime pelo mal que causa com a parte que assume no jogo da delinqüência.

A vida espiritual pura e simples se rege por afinidades eletivas essenciais; no entanto, através de milênios e milênios, o Espírito passa por fileira imensa de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciado, em quase todas as criaturas.

O homem e a mulher serão, desse modo, de maneira respectiva, acentuadamente masculino ou acentuadamente feminina, sem especificação psicológica absoluta.

À face disso, a individualidade em trânsito, da experiência feminina para a masculina ou vice-versa, ao envergar o casulo físico, demonstrará fatalmente os traços da feminilidade em que terá estagiado por muitos séculos, em que pese ao corpo de formação masculina que o segregue, verificando-se análogo processo com referência à mulher nas mesmas circunstâncias.

Obviamente compreensível, em vista do exposto, que o Espírito no renascimento, entre os homens, pode tomar um corpo feminino ou masculino, não apenas atendendo-se ao imperativo de encargos particulares em determinado setor de ação, como também no que concerne a obrigações regenerativas.

O homem que abusou das faculdades genésicas, arruinando a existência de outras pessoas com a destruição de uniões construtivas e lares diversos, em muitos casos é induzido a buscar nova posição, no renascimento físico, em corpo morfologicamente feminino, aprendendo, em regime de prisão, a reajustar os próprios sentimentos,          e a mulher que agiu de igual modo é impulsionada à reencarnação em corpo morfologicamente masculino, com idênticos fins. 

E, ainda, em muitos outros casos, Espíritos cultos e sensíveis, aspirando a realizar tarefas específicas na elevação de agrupamentos humanos e, conseqüentemente, na elevação de si próprios, rogam dos Instrutores da Vida Maior que os assistem a própria internação no campo físico, em vestimenta carnal oposta à estrutura psicológica pela qual transitoriamente se definem. Escolhem com isso viver temporariamente ocultos na armadura carnal, com o que se garantem contra arrastamentos irreversíveis, no mundo afetivo, de maneira a perseverarem, sem maiores dificuldades, nos objetivos que abraçam.

Observadas as tendências homossexuais dos companheiros reencarnados nessa faixa de prova ou de experiência, é forçoso se lhes dê o amparo educativo adequado, tanto quanto se administra instrução à maioria heterossexual. E para que isso se verifique em linhas de justiça e compreensão, caminha o mundo de hoje para mais alto entendimento dos problemas do amor e do sexo, porquanto, à frente da vida eterna, os erros e acertos dos irmãos de qualquer procedência, nos domínios do sexo e do amor, são analisados pelo mesmo elevado gabarito de Justiça e Misericórdia. Isso porque todos os assuntos nessa área da evolução e da vida se especificam na intimidade da consciência de cada um.

VIDA e SEXO - Francisco Cândido Xavier – ditado pelo espírito Emmanuel 

 

*       Pergunta feita pela Sra. Guiomar Albanesi ao médium Francisco_Cândido_Xavier: Como nossos Amigos Espirituais conceituam o problema homossexual?

*       CHICO XAVIER – O problema da homossexualidade sempre existiu em todas as nações, no entanto, com a extensão demográfica no Planeta, o assunto adquiriu características de grande intensidade, ou de mais intensidade, porque, nos últimos 50 anos, a ciência psicológica tem-se preocupado detidamente e com razão, no que se refere aos ingredientes mais íntimos de nossa natureza pessoal.

Estamos efetuando a descoberta de nós mesmos, para além dos padrões psicológicos conhecidos ou milimetrados pelos conhecimentos que possuímos, dentro dos preceitos e preconceitos respeitáveis, que nos regem o comportamento social e humano.

No caso, é justo observar que os impositivos da disciplina e da educação devem oferecer-nos barreiras construtivas para que o abuso não destrua quaisquer benefícios estabelecidos em leis.

Cremos que tendências à homossexualidade surgem na criatura, após muitas existências dessa mesma criatura, nas condições de feminilidade ou vice-versa. Pensamos assim, na base da reencarnação, porquanto, além dos sinais morfológicos, a individualidade é a própria individualidade em si, com todas as suas existências anteriores.

Em vista disso, a homossexualidade pode ser examinada hoje proporcionando ao homem vasto campo de estudos, quanto à natureza bissexual do Espírito.

O tema é, porém, objeto para simpósios de cientistas, e instrutores da Humanidade, até que possamos encontrar a fórmula exata para decidir do ponto de vista legal, quanto ao destino dos nossos companheiros num sexo ou noutro, que trazem a inversão por clima de trabalho a ser laboriosamente valorizado pela pessoa que se faz portadora de semelhante prova ou de semelhante condição para determinadas tarefas.

Sabemos que grandes civilizações, como por exemplo, a civilização greco-romana, depois de alcançarem avanço espetacular no campo da inteligência, ao perquirirem a natureza complexa do homem, encontraram problemas de sexo muito profundos, que os legisladores de então não quiseram ou não puderam reconhecer. Esses problemas, no entanto, explodindo sem a cobertura de preceitos legais, em plenitude de intemperança nas manifestações afetivas cooperaram na decadência de ambas as civilizações grega e romana, que se perderam no tempo, sob o ponto de vista de respeitabilidade e domínio.

Esperemos que os Mensageiros da Vida Maior inspirem os nossos dignos representantes da Ciência e da Justiça na Terra para que a solução do problema apareça oportunamente favorecendo a paz e a concórdia nos vários campos de evolução da Humanidade.

 

[ A TERRA E O SEMEADOR * -  Perguntas e Respostas de entrevistas concedidas por Francisco Cândido Xavier - Emmanuel - Entrevista concedida a Sra. Guiomar Albanesi, no Centro Espírita Perseverança, São Paulo, Capital, em Outubro de 1974.

 

23.5.6 - HOMOSSEXUALIDADE E A CIÊNCIA

 

A diferença se vê no cérebro

 

Descoberto que os homossexuais são mais parecidos com pessoas do sexo oposto

Vanessa Vieira

A discussão sobre a natureza da homossexualidade mobiliza a psicologia e outros campos da ciência. Seria ela determinada por fatores biológicos ou culturais? Até meados do século XX não havia muitas dúvidas sobre a questão. O homossexualismo era catalogado pela Organização Mundial de Saúde como distúrbio mental e a culpa quase sempre recaía sobre a educação recebida dos pais. Freud considerava a homossexualidade uma forma de retardo no desenvolvimento do indivíduo, causado por um pai ausente ou por uma mãe superprotetora. Os estudos mais recentes indicam que, embora as experiências de vida possam concorrer para que alguém se torne homossexual, os fatores biológicos, decididamente, têm um papel nesse processo. Uma pesquisa divulgada na semana passada, feita pelo Stockolm Brain Institute, do Instituto Karolinska, na Suécia, foi recebida pelo meio científico como a prova mais consistente até hoje do peso do fator biológico na homossexualidade. A conclusão da pesquisa mostra que o cérebro de pessoas homossexuais se assemelha mais ao de indivíduos do sexo oposto do que ao de heterossexuais do mesmo sexo.

Na pesquisa, noventa voluntários foram submetidos a exames de tomografia e ressonância magnética no cérebro. Os cientistas viram que tanto homens heterossexuais quanto mulheres homossexuais apresentam uma assimetria: o hemisfério cerebral direito é um pouco maior que o esquerdo. Entre homens homossexuais e mulheres heterossexuais, por outro lado, o volume dos dois hemisférios é equivalente. As imagens mais eloqüentes da pesquisa foram obtidas ao se observar as conexões das amígdalas cerebrais (veja o quadro abaixo). Homens gays e mulheres heterossexuais apresentam mais conexões neuronais na amígdala esquerda, enquanto em lésbicas e homens heterossexuais elas predominam na amígdala direita. "É provável que essas diferenças se estabeleçam ainda no útero ou muito cedo na infância", afirma a coordenadora do estudo, a sueca Ivanka Savic. A relevância da pesquisa sueca é reforçada pelo fato de as imagens terem sido captadas com o cérebro dos voluntários em repouso, ou seja, sem o estímulo de imagens sugestivas ou de tarefas mentais a ser realizadas, como ocorre na maioria dos trabalhos desse tipo.

Estudos anteriores já haviam demonstrado similaridades entre homossexuais e heterossexuais do sexo oposto. Homens homossexuais e mulheres heterossexuais têm, estatisticamente, desempenho inferior em tarefas de orientação e navegação. Essa função é processada primariamente pelo lobo parietal direito, mais desenvolvido nos homens do que nas mulheres. Por outro lado, mulheres heterossexuais e homens homossexuais costumam sobressair nos testes verbais, o que pode ser explicado pela maior simetria dos circuitos da linguagem no cérebro feminino. Ou seja, elas utilizam os dois lados do cérebro para executar uma tarefa que os homens concentram apenas no hemisfério esquerdo. As pesquisas que chegaram a essas conclusões, no entanto, não tinham como afirmar se as diferentes formas de reagir dos cérebros homo e heterossexual se deviam a razões biológicas ou resultavam da aprendizagem. O estudo do Instituto Karolinska joga a favor da primeira alternativa.

Pesquisas que atribuem origens biológicas ao homossexualismo costumam causar controvérsia entre pessoas que se relacionam com o mesmo sexo. Parte da comunidade gay avalia que elas são positivas porque mostram que o homossexualismo é uma característica inata, tanto quanto a cor dos olhos, e, portanto, algo natural. Mas há quem entenda que essas pesquisas podem levar à conclusão de que o homossexualismo é uma anomalia, uma doença hereditária. Os que partilham dessa opinião temem que se instale a eugenia sexual, com tentativas de intervir nos embriões para prevenir o nascimento de homossexuais. Até os anos 60, os homossexuais eram submetidos a terríveis tratamentos, que incluíam de choques elétricos a transplante de testículos. Só nos anos 70 eles puderam começar a reivindicar a plena aceitação pela sociedade. Os avanços sociais conseguidos ficam claros em acontecimentos como o da semana passada na Califórnia, quando se celebraram centenas de casamentos gays, na esteira de uma lei estadual que oficializou a união entre pessoas do mesmo sexo. Entre os noivos estava até o ator George Takei, celebrizado como o Capitão Sulu do seriado Jornada nas Estrelas.

Desde a Grécia antiga se procuram explicações para o homossexualismo. Em sua obra O Banquete, escrita no século IV a.C., Platão atribui ao dramaturgo Aristófanes a narrativa que se segue. No início dos tempos, as criaturas eram duplicadas. Havia homens grudados a homens, mulheres a mulheres e homens a mulheres. Essas criaturas se voltaram contra os deuses e tentaram escalar até o céu para investir contra eles. Zeus reagiu e, para enfraquecer as criaturas, partiu-as ao meio. Desde então, cada um dos seres humanos busca sua metade. As metades andróginas se complementam num casal formado por homem e mulher. As mulheres resultantes da criatura feminina buscam outras mulheres e o mesmo acontece com os homens resultantes de uma criatura masculina. Ao comentar a situação dos homens que se apaixonam por outros homens, Aristófanes diz: "Não é por despudor que o fazem, mas por audácia, porque acolhem o que lhes é semelhante". Mais de dois mil anos depois, com menos poesia, cabe à ciência explicar o homossexualismo.

 

Fonte: Com reportagem de Carolina Romanini – Revista Veja – Edição 2066 – 25v de junho 2008


 

 

 

A ORIENTAÇÃO AFETIVO-SEXUAL SEGUNDO A CIÊNCIA  

 Escrito por Site Gay Jovem

O preconceito também norteou a ciência no tocante homossexualidade. Quando Bruce Bagemihl, o Autor do Famoso livro Biological Exuberance - Animal Homossexuality and Natural Diversity, começou a levantar os trabalhos para escrever seu livro, encontrou enorme resistência da Academia. Alguns pesquisadores que ele contatou, simplesmente nem responderam. Entre seusachados, se surpreendeu ao descobrir que, em 1979, a Marinha americana financiou uma pesquisa sobre o comportamento das baleias orcas. Pela primeira vez, observou-se homossexualismo entre machos da espécie. Mas a conclusão não consta do relatório de pesquisa. Foi vetada pelos militares.

Em 1987, o biólogo americano W.J. Tennent publicou um artigo intitulado "Nota sobre a Aparente Queda dos Padrões Morais da Lepidoptera". Após descrever o homossexualismo das borboletas do Marrocos, afirmou: "Talvez seja um sinal dos tempos o fato de a literatura entomológica estar nocaminho da decadência moral e das ofensas sexuais". O cientista achou imoralidade em borboletas.

Com efeito, o preconceito ajudou a adiar a discussão sobre a homossexualidade humana. Pouco foi publicado até agosto 1991, quando o pesquisador norte-americano Simon LeVay, estudando as células do hipotálamo de homossexuais e heterossexuais masculinos e femininos, descobriu queelas tinham tamanhos diferentes para cada grupo. Foram realizadas, ao todo, 41 autópsias de pacientes falecidos em decorrência da AIDS, dentre mulheres, homens heterossexuais e homens homossexuais.

O pesquisador concluiu, que as células do hipotálamo dos homossexuais, tem um tamanho menor que as obtidas nas autópsias do hipotálamo de homens e mulheres heterossexuais. Tal descoberta remonta a uma relação direta entre orientação afetivo-sexual e a conformação celular do hipotálamo. É importante salientar que o hipotálamo é a região do cérebro responsável pela elaboração das emoções e dos sentimentos eróticos.

A pesquisa, que foi publicada na revista Science, não é conclusiva como comprovação da teoria genética, pois não há com provar que as células do hipotálamo dos homossexuais estudados já eram de tamanho inferior desde o nascimento ou "diminuíram" posteriormente. Por outro lado, não se tem notícia de redução de tamanho nesses grupos celulares, e este trabalho, mesmo não sendo conclusivo, suporta a hipótese de que a homossexualidade pode ser "inata".

Em julho de 1993 a revista Science publicou uma pesquisa que estava sendo desenvolvida pelo instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, sob a coordenação do professor Dean Hamer.Hamer selecionou 76 homens homossexuais, e passou a estudar seus familiares paternos e maternos. O resultado do estudo mostrou que entre os familiares paternos do pesquisado havia a incidência de 2% de pessoas homossexuais, índice que crescia para 7,5% quando se tratava do lado materno.

Isso levantou a hipótese de que a homossexualidade estaria vinculada a um fator genético do lado materno, mais diretamente relacionado com o cromossomo X. A equipe de Hamer também selecionou, posteriormente, 40 pares de irmãos homossexuais, que não tinham características semelhantes. Dentre essas 40 duplas, 33 deles, ou seja, 82,5%, tinham a mesma seqüência de DNA de umaparte do cromossomo X da mãe. (Castro, 1994)

O pesquisador Richard Pillard, professor de Psiquiatria da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, desenvolveu um estudo comparando os gêmeos idênticos (univitelínicos) com os gêmeos não-idênticos (bivitelinicos). Seus resultados mostram que há maior incidência de homossexualidade entre os gêmeos idênticos que entre os não-idênicos. O resultado se confirmava mesmo no caso de gêmeos idênticos criados em famílias separadas. O estudo é interessante pois, os gêmeos idênticos são clones um do outro, tendo o mesmo material genético, sendo os não-idênticos diferentes. É um resultado que suporta a hipótese de homossexualidade genética.

Na Universidade de Minessota, o pesquisador Thomas Bouchard foi ainda mais longe. Bouchard e seus colegas tiveram a idéia de montar um ambicioso projeto de pesquisa a respeito das influências relativas da genética e das circunstâncias ambientais na formação da personalidade.Estudando 8000 pares de gêmeos idênticos, onde todos cresceram em famílias separadas, Bouchard encontrou respostas impressionantes.

 

 Os gêmeos idênticos são resultado da divisão de um óvulo fecundado por um espermatozóide que dá origem a dois embriões. Por isso são clones. Seu material genético é idêntico. Quando separados logo após o nascimento e criados por famílias distantes, eles vão ser influenciados por fatores ambientais (inclusive os Freudianos) diferentes. Não existe melhor maneia de estudar como um mesmo estoque de genes reage a experiências distintas ao longo da vida. Se por exemplo, oito em cada dez pares de gêmeos idênticos criados separadamente são agressivos, os pesquisadores concluem que a agressividade é 80% genética.

Os pesquisadores partem do pressuposto de que nesses casos as semelhanças que os gêmeos apresentam nos estudos são herdadas, enquanto as diferenças são fruto da criação que receberam dos pais somada às experiências de vida. Os resultados para a homossexualidade são significativos. Bouchard encontrou um índice de 82% para tal característica, ou seja, aproximadamente 8 em cada 10 gêmeos idênticos, separados quando ainda bebês, eram ambos homossexuais.

 Algumas dúvidas sobre a influência genética ainda permanece. "A genética nunca conta mais do que 50% da história da pessoa. Desprezar a outra metade é um erro", disse o psicólogo Roberto Plomin, da Universidade da Pensilvânia a revista Veja. "As novas estratégias de pesquisa, que reconhecem a influência de múltiplos genes e de fatores não genéticos, são mais promissoras."

A opinião do cientista canadense Stephen Pinker vem corroborar com a afirmação de Plomin, mas não contrapor aos resultados de Bouchard. Pinker é diretor do Centro de Neurociência Cognitiva do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (o respeitado MIT), e autor do livro Como a Mente Funciona. Em entrevista a Veja em 13/01/1999, Pinker afirmou:

"A idéia de que os pais moldam a personalidade dos filhos é tão arraigada que normalmente se acredita que ela não precisa de provas. Os estudos mais recentes mostram, no entanto, que cerca de 50% das variações de personalidade têm causas genéticas. Assim, gêmeos idênticos criados separados costumam ser tão parecidos em caráter e temperamento quanto gêmeos idênticos criados juntos.E quanto aos outros 50%? A surpresa está aí: não mais do que 5% da personalidade de uma criança é determinada pelo tipo de educação que ela recebeu. Assim, outras crianças, ou "pares", são em vários aspectos mais importantes na formação de um jovem do que os pais. A influência na linguagem é a mais evidente: as crianças utilizam o vocabulário de seus egas e amigos, não o da mamãe."

Um dos trabalhos mais completos sobre a natureza homossexual é o livro de Bruce Bagemihl, Biological Exuberance - Animal Homosexuality and Natural Diversity (Exuberância Biológica - Homossexualidade Animal e Diversidade Natural), publicado em 1999 nos Estados Unidos. É uma revisão bibliográfica formidável, sobre os trabalhos "esquecidos" nas gavetas de Zoólogos de todo mundo. Bagemihl analisou 450 espécies, principalmente de mamíferos e aves, todas praticantes, em maior ou menor grau, de hábitos homossexuais.

O livro mostra que as relações homossexuais na natureza não são confusão do instinto, aberração ou falta de fêmeas. A maioria dos animais homossexuais são assim porque são. Em alguns casos, como o dos leões, há vantagens na relação macho macho. Sendo bissexuais os leões criam os filhotes juntos,aumentando a taxa de sobrevivência de seus genes. Bagemihl também assinala que o homossexualismo animal é muito comum em quase todas as espécies de mamíferos, as vezes em até 27% dos indivíduos de uma população da mesma espécie. O livro dispensa comentários.

Em 1998, arqueólogos austríacos encontraram na fronteira da Áustria com a Itália, nos Alpes, um corpo congelado datando de 14000 anos atrás. Tratava-se de um guerreiro da idade da pedra, que estava perambulando pelos Alpes quando deve ter sido pego por uma nevasca e sucumbiu. Graças as baixas temperaturas, o guerreiro, que pelas tatuagens pôde também ser identificado como chefe da tribo, foi preservado intacto. Estudos minuciosos concluíram que se tratava um homossexual, pois haviam resquícios de esperma, com características sangüíneas diferentes da sua, em seu reto. Isto remete que o homossexualismo era natural da espécie humana (assim como é aos leões)antes do aparecimento da cultura Judaico-Cristã.

Talvez a descoberta mais marcante a este respeito tenha sido por acaso. Pesquisadores brasileiros, ao estudarem os genes que davam as características das antenas de Drosófilas (Drosophila melanogaster), se depararam com uma prole composta exclusivamente de homossexuais. Ao alterarem os genes das drosófilas, acidentalmente os pesquisadores alteraram um gene que influenciou as moscas a ter este comportamento. Pode parecer bobo, mas nem sempre a ciência estava buscando os resultados que encontra.

Este resultado é fortemente apoiador da teoria genética da homossexualidade, visto que mesmo sendo muito diferentes geneticamente dos humanos, as moscas possuem a mesma forma de transmissão de hereditariedade, o DNA.

Muitas pessoas se intrigam com o fato da homossexualidade Ter uma componente genética, pois a lógica "genética e reprodução" é obrigatória. Como os homossexuais passariam seus genes adiante, se eles só se relacionando com homens não é capaz de gerar filhos? Há dois fatores importantes a serem considerados: Há mais bissexuais, tanto na natureza quanto na humanidade,o que transmite os genes; e também, há a possibilidade de que os genes pulem gerações. Acreditar que a genética se resume em passagem de caracteres de pai para filho é simplificar muito esta ciência.

Portanto, se você é homossexual, isto não significa que seu pai também é. A característica pode depender da combinação de genes de pai e mãe, que isolados não são ativados. Porém, tudo acerca dista ainda é pura especulação, mas os indícios de que há uma forte componente genética na homossexualidade estão aí, não vê quem não quer.

O fato da homossexualidade ser genética não quer dizer que ela seja uma doença. O estudo com animais demonstra o quão "natural" é. Até porque se fosse uma doença não haveria perdurado até nossos tempos, e seria massacrada pela seleção natural.

fonte: http://www.geocities.com/gayjovem/homopsico.htm

 

23.5.7 - HOMOSSEXUALIDADE E A ENERGIA SEXUAL

Kundalini Invertida:

"As religiões ainda não descobriram, que a sexualidade não uma opção, não é fruto da criação doméstica do habitat é na verdade uma imposição da natureza.  Longe de ser uma doença, distante de ser um vício é de fato uma alternativa da evolução, tão importante como a heterossexualidade. Não se escolhe a sexualidade, se nasce com ela." - Beraldo

 

Quando a mulher chega a puberdade, sofre a intensificação de uma energética particular. As energias kundalínicas são na seguinte ordem: Ovário esquerdo cor vermelha (energia masculina, positiva, Pingala, Solar). No ovário direito a cor amarela (energia feminina, negativa, Ida, lunar).

 

No homem acontece também algo similar, porém na ordem invertida: No testículo direito cor vermelha (energia masculina, positiva, Pingala, Solar). No testículo esquerdo a cor amarela (energia feminina, negativa, Ida, lunar).

 

Nos homossexuais, essas energias são invertidas. Um homossexual ou bissexual masculino tem a ligação da energia igual a de uma mulher, uma homossexual ou bissexual feminina tem a energia igual ao do homem.

A ENERGIA KUNDALINI:

É representada por uma serpente, por tratar-se de uma energia que está adormecida nos órgãos sexuais, no chakra rádico e esplenico. Essa energia flui em todos os seres, porém sua atividade é modesta nos seres normais, sua atividade está direcionada aos órgãos sexuais. Porém ela alimenta todo o corpo, mesmo de forma simples, ela mantém todos os órgãos irrigados.

 

A serpente Kundalini (energia sexual), irá fluir fortemente para cima, quando for despertada, é neste momento que uma pessoa atinge o NIRVANA, o ESTADO BÚDICO, ou pelo menos se aproxima da ascenção transcendental.

Contudo, se essa energia for mal acordada, mal direcionada, ela pode causar sérias anomalias, sérios transtornos mentais, psicológicos e até sexuais.

Tanto um heterossexual, como um homossexual, com as energias kundalínicas em desarmonia, poderá desenvolver taras, bizarrices sexuais, tais como PEDOFILIA, COMER FEZES, sodomias, masoquismo, etc.

 

Como isso funciona:

As energias Kundalinicas, são duas. A fria e a quente, a fria chama-se IDA, é lunar, noturna, negativa e feminina e de cor Amarela. A outra é quente, chama-se PINGALA, é solar, diurna, positiva, masculina e de cor vermelha. Elas são conduzidas pela energia neutra chamada SUSHUMA, que sobe pela coluna vertebral de forma serpenteada se entrecruzando, até atingir o cérebro. Na media que vai subindo, ela vai irrigando todos os chakras (centros de energia), potencializando o ser em todos os sentidos. Leia mais sobre Kundalini clicando AQUI

 

por Beraldo Figueiredo (Texto baseado em Livio Vinardi)

 

23.5.8 - BIBLIOGRAFIA

 

Livros

·         Adam, Barry (1987). The Rise of a Gay and Lesbian Movement, G. K. Hall & Co. ISBN 0-8057-9714-9

·         Antônio Moser (2002). O enigma da esfinge: a sexualidade, Editora Vozes. ISBN 85-326-2595-9

·         Aldo Pereira (1981). Vida Intima - Enciclopédia do amor e do sexo, Abril Cultural, Vol.1, 2 e 3.

·         Boswell, John (1980), Christianity, Social Tolerance, and Homosexuality: Gay People in Western Europe from the Beginning of the Christian Era to the Fourteenth Century, University of Chicago Press, ISBN 9780226067117, http://www.press.uchicago.edu/cgi-bin/hfs.cgi/00/231.ctl 

·         Dover, Kenneth J., Greek Homosexuality, , Gerald Duckworth & Co. Ltd. 1979, ISBN 0-674-36261-6 (hardcover), ISBN 0-674-36270-5 (paperback)

·         d'Emilio, John Sexual Politics, Sexual Communities: The Making of a Homosexual Minority in the United States, 1940–1970, University of Chicago Press 1983, ISBN 0-226-14265-5

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Artigos online

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·         BBC News (Fev. 1998)

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Doubt cast on 'gay gene'

·         WebMD (Março 2000)

Pointing the Finger at Androgen as a Cause of Homosexuality

·         BBC News (Oct 2004)

Genetics of homosexuality

·         James Davidson, London Review of Books, 2 de junho de 2005, "Mr and Mr and Mrs and Mrs" — uma resenha detalhada de The Friend, um livro de Alan Bray, contando a história do casamento entre pessoas do mesmo sexo e outras formas de relacionamento formal

 

Outras Fontes:

Bíblia

Wikipédia

Revista Cristã de Espiritismo - ed. 86 - Editora Minuano

Revista Veja, ed.2066

Revista Planeta - ed.07

Livio Vinardi


 

 

   

Indice - compilado por Beraldo Figueiredo

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