Indice - compilado por Beraldo Figueiredo

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117.5 - METAFÍSICA

 

Metafísica: Ciência que estuda tudo quanto se manifesta de maneira sobrenatural.

Metafísica, ramo da filosofia que trata da natureza da realidade última. Está dividida em:

Ontologia, que trata dos inúmeros tipos fundamentais de entidades que compõem o universo, e a metafísica propriamente dita, que se preocupa com a apreensão dos traços mais gerais da realidade.

Esta última pode atingir um alto grau de abstração. A ontologia, ao contrário, está mais relacionada com o plano físico da experiência humana...
 

O que é?
Metafísica (do grego
μετα [meta] = depois de/além de e Φυσις [physis] = natureza ou físico) é um ramo da filosofia que estuda a essência do mundo. A saber, é o estudo do ser ou da realidade. Se ocupa em procurar responder perguntas tais como:

O que é real (veja realidade)? O que é natural (veja naturalismo)? O que é sobre-natural (veja milagre)? O ramo central da metafísica é a ontologia, que investiga em quais categorias as coisas estão no mundo e quais as relações dessas coisas entre si. A metafísica também tenta esclarecer as noções de como as pessoas entendem o mundo, incluindo a existência e a natureza do relacionamento entre objetos e suas propriedades, espaço, tempo, causalidade, e possibilidade.

Sobre a origem da palavra "Metafísica"
O sentido da palavra metafísica deve-se a Aristóteles e a Andrônico de Rodes.

Aristóteles nunca utilizou esta palavra, mas escreveu sobre temas relacionados à physis e sobre temas relacionados à ética e à política, entre outros semelhantes. Andrônico, ao organizar os escritos de Aristóteles, o fez de forma que, espacialmente, aqueles que tratavam de temas relacionados à physis viessem antes dos outros. Assim, eles vinham além da física (Meta = depois, além; Physis = física). Neste sentido, a metafísica é algo intocável, que só existe no mundo das idéias.

Assim, conscientemente ou não, Andrônico organizou os escritos de forma análoga à classificação dos dois temas. Ética, política, etc., são assuntos que não tratam de seres físicos, mas de seres não-físicos existentes apesar da sua imaterialidade.

Em resumo, a Metafísica trata de problemas sobre o propósito e a origem da existência e dos seres. Especulação em torno dos primeiros princípios e das causas primeiras do ser. Muitas vezes ela é vista como parte da Filosofia, outras, se confunde com ela.

O que é Metafísica?

por Richard Taylor

É costume dizer-se que cada um tem sua Filosofia e até que todos os homens têm opiniões metafísicas. Nada poderia ser mais tolo. É verdade que todos os homens têm opiniões, e que algumas delas - tais como as opiniões sobre religião, moral e o significado da vida - confinam com a Filosofia e a Metafísica, mas raros são os homens que possuem qualquer concepção de Filosofia e ainda menos os que têm qualquer noção de Metafísica.

William James definiu algures a Metafísica como "apenas um esforço extraordinariamente obstinado para pensar com clareza". Não são muitas as pessoas que assim pensam, exceto quando seus interesses práticos estão envolvidos. Não têm necessidade de assim pensar e, daí, não sentem qualquer propensão para o fazer. Excetuando algumas raras almas meditativas, os homens percorrem a vida aceitando como axiomas, simplesmente, aquelas questões da existência, propósito e significado que aos metafísicos parecem sumamente intrigantes. O que sobretudo exige a atenção de todas as criaturas, e de todos os homens, é a necessidade de sobreviver e, uma vez que isso fique razoavelmente assegurado, a necessidade de existir com toda a segurança possível. Todo pensamento começa aí, e a sua maior parte cessa aí. Sentimo-nos mais à vontade para pensar como fazer isto ou aquilo. Por isso a engenharia, a política e a indústria são muito naturais aos homens. Mas a Metafísica não se interessa, de modo algum, pelos "comos" da vida e sim apenas pelos "porquês", pelas questões que é perfeitamente fácil jamais formular durante uma vida inteira.

Pensar metafisicamente é pensar, sem arbitrariedade nem dogmatismo, nos mais básicos problemas da existência. Os problemas são básicos no sentido de que são fundamentais, de que muita coisa depende deles. A religião, por exemplo, não é Metafísica; e, entretanto, se a teoria metafísica do materialismo fosse verdadeira, e assim fosse um fato que os homens não têm alma, então grande parte da religião soçobraria diante desse fato. Também a Filosofia Moral não é Metafísica e, entretanto, se a teoria metafísica do determinismo, ou se a teoria do fatalismo fossem verdadeiras, então muitos dos nossos pressupostos tradicionais seriam refutados por essas verdades. Similarmente, a Lógica não é Metafísica e, entretanto, se se apurasse que, em virtude da natureza do tempo, algumas asserções não são verdadeiras nem falsas, isso acarretaria sérias implicações para a Lógica tradicional.

Isto sugere, contrariamente ao que em geral se supõe, que a Metafísica vê um alicerce da Filosofia e não o seu coroamento. Se for longamente exercido. o pensamento filosófico tende a resolver-se em problemas metafísicos básicos. Por isso o pensamento metafísico é difícil. Com efeito, seria provavelmente válido afirmar que o fruto do pensamento metafísico não é o conhecimento, mas o entendimento. As interrogações metafísicas têm respostas e, entre as várias respostas concorrentes, nem todas poderão ser verdadeiras, por certo. Se um homem enuncia uma teoria de materialismo e um outro a nega, então um desses homens está errado; e o mesmo acontece a todas as outras teorias metafísicas. Contudo, só muito raramente é possível provar e conhecer qual das teorias é a verdadeira. 0 entendimento, porém - e, por vezes, uma profundidade muito considerável do mesmo resulta de vermos as persistentes dificuldades em opiniões que freqüentemente parecem, em outras bases, ser muito obviamente verdadeiras. É por essa razão que um homem pode ser um sábio metafísico sem que, não obstante, sustente suas opiniões e juízos em conceitos metafísicos. Tal homem pode ver tudo o que um dogmático metafísico vê, e pode entender todas as razões para afirmar o que outro homem afirma com tamanha confiança. Mas, ao invés do outro, também vê algumas razões para duvidar e, assim, ele é, como Sócrates, o mais sábio, mesmo em sua profissão de ignorância. Advirta-se o leitor, neste particular, de que quando ouvir um filósofo proclamar qualquer opinião metafísica com grande confiança, ou o ouvir afirmar que determinada coisa, em Metafísica, é óbvia, ou que algum problema metafísico gravita apenas em torno de confusões de conceitos ou de significados de palavras, então poderá estar inteiramente certo de que esse homem está infinitamente distante do entendimento filosófico. Suas opiniões parecem isentas de dificuldades apenas porque ele se recusa obstinadamente a ver dificuldades.

Fontes:
Cura Metafísica: http://www.cura.metafisica.nom.br/


O que é metafisica: http://www.cfh.ufsc.br/~wfil/taylor.htm


Metafísica da saúde: http://www.portalmensageiro.com.br/metafisicasaude.html

 


Platão e a descoberta da Metafísica:

http://geocities.yahoo.com.br/carlos.guimaraes/platao.html

 
O que é Metafísica:

http://www.cfh.ufsc.br/~wfil/taylor.htm

 
http://www.terravista.pt/fernoronha/4160/


Origem da Metafísica: Wikipédia

 

23.1 - Ressonância Shumann

Ressonância de Schumann 1:

Um artigo muito citado e pouco combatido do Teólogo Leonardo Boff, publicado no Jornal do Brasil em 05/03/2004, nos fala da Ressonância Schumann que, segundo ele, está afetando a forma como percebemos o tempo. Faz muito sucesso nos meios esotéricos e se utiliza de elementos da ciência pra passar uma certa credibilidade. Vejamos:

 

Pela ressonância Schumann se procura dar uma explicação. O físico alemão Winfried Otto Schumann constatou em 1952 que a Terra é cercada por uma campo eletromagnético poderoso que se forma entre o solo e a parte inferior da ionosfera, cerca de 100km acima de nós. Esse campo possui uma ressonância (dai chamar-se ressonância Schumann), mais ou menos constante, da ordem de 7,83 pulsações por segundo. Funciona como uma espécie de marca-passo, responsável pelo equilíbrio da biosfera, condição comum de todas as formas de vida. Verificou-se também que todos os vertebrados e o nosso cérebro são dotados da mesma frequência de 7,83Hz (hertz).

 

Por milhares de anos as batidas do coração da Terra tinham essa freqüência de pulsações e a vida se desenrolava em relativo equilíbrio ecológico. Ocorre que a partir dos anos 80, e de forma mais acentuada a partir dos anos 90, a freqüência passou de 7,83 para 11 e para 13Hz por segundo. O coração da Terra disparou.

 

Coincidentemente, desequilíbrios ecológicos se fizeram sentir: perturbações climáticas, maior atividade dos vulcões, crescimento de tensões e conflitos no mundo e aumento geral de comportamentos desviantes nas pessoas, entre outros. Devido à aceleração geral, a jornada de 24 horas, na verdade, é somente de 16 horas. Portanto, a percepção de que tudo está passando rápido demais não é ilusória, mas teria base real nesse transtorno da ressonância Schumann.

 

Ressonância de Schumann 2:

 

A chamada “ressonância de Schumann” é uma série de picos eletromagnéticos de freqüências extremamente baixas (ELF) do campo eletromagnético da Terra, sua presença é global e está compreendida em comprimentos de onda entre 100 000 quilômetros a 10 000 quilômetros, ou freqüências entre 3 Hz até 30 Hz. Os picos são causados pela excitação gerada a partir de descargas elétricas (Relâmpagos, raios, etc) entre a superfície da Terra e a ionosfera. Este fenômeno eletromagnético foi descoberto através de modelos matemáticos desenvolvidos pelo físico Winfried Otto Schumann em 1952. O efeito ocorre porque o espaço entre a superfície da Terra e a ionosfera, neste caso condutiva, atua como um guia de ondas, cujas dimensões são delimitadas. Assim é formado um tipo de cavidade ressonante para ondas eletromagnéticas em freqüências extremamente baixas que é excitada naturalmente pela energia desprendida através da propagação dos relâmpagos e raios. Observa-se também como um ruído de fundo eletromagnético natural, como picos separados em freqüências extremamente baixas nas freqüências em torno de 8, 14, 20, 26 e 32 hertz.

 

A Ressonância de Schumann pode ser considerada como uma espécie de “onda que se propaga em linha reta” dentro da cavidade formada entre a Terra e a ionosfera numa guia de onda igual à circunferência do planeta. A intensidade mais elevada ocorre numa freqüência de aproximadamente 7.8 hertz. O nono harmônico encontra-se em torno de 60 hertz. Os harmônicos detectáveis se estendem para freqüências mais altas, chegando inclusive a atingir até alguns quilohertzes. O fenômeno podem ser usado para o mapeamento da atividade global de eletricidade atmosférica. Devida conexão entre descargas elétricas e o clima da terra, pode também ser utilizado para monitorar as variações globais da temperatura e do vapor na alta atmosfera. Descargas em outros planetas também podem ser detectadas e estudadas através do monitoramento da ressonância de Schumann. Esta foi utilizada na pesquisa e monitoração da ionosfera em suas camadas inferiores da Terra, de outros corpos celestes e para observar distúrbios geomagnéticos. Mais recentemente estão sendo monitorados eventos luminosos como transientes, sprites, duendes, jatos, e outros tipos de descargas na atmosfera superior. Acredita-se que é possível a predição de terremotos, embora estudos ainda se mostrem inconclusivos. Seu estudo foi além dos limites da física, da medicina, levantando o interesse de artistas e músicos, chegando ao campo inclusive da psicobiologia.

 

Contra-Ponto:

Na verdade poderíamos falar em "Ressonâncias Schumann" pois, embora 7,8Hz seja a mais forte, existem oscilações de 8, 14 e até 20Hz nesta faixa. Outro erro é dizer que houve uma mudança nas ondas a partir dos anos 80. Ao longo dos anos, as freqüências oscilam levemente (menos de 0,3 Hz) em torno da média devido à radiação de microondas do Sol, mas, como podemos ver aqui, não é nada que chame a atenção. O único detalhe interessante é que a freqüência está chegando próximo a 8Hz, e SE houver alguma relação entre o nosso cérebro e essa freqüência (não há nada cientificamente provado, nem mesmo sugerido, à respeito), isso significa que estaremos saindo da influência entorpecente das ondas Teta para um maior "despertar" das ondas Alfa. Mas isso é apenas uma leitura esotérica, não científica.

Enfim, é pura besteira essa coisa do tempo estar mais acelerado por conta das ondas Schumann, pois, se o fose, o tempo percebido por nós estaria apenas 0,3 mais rápido, quando qualquer pessoa pode dizer que o tempo nos parece estar MUITO mais acelerado que isso... embora o relógio continue marcando 24 horas.

 

Qual a importância da ressonância de Schumann?
Por Alberto Gaspar (Doutor em Educação pela USP, Prof. de Física da Unesp-Guaratinguetá e autor da Ática)

No âmbito da ciência, a Ressonância Schumann é um fenômeno de interesse quase exclusivo dos meteorologistas - ele permite monitorar indiretamente o nível global de incidência de descargas elétricas na atmosfera, pois grande parte delas ocorre em regiões isoladas ou inacessíveis. Muitos pesquisadores da NASA utilizam medidas da Ressonância Schumann rotineiramente para seus estudos da precipitação pluviométrica e do aquecimento global.

Como os relâmpagos estão associados às chuvas e tempestades e estas, por sua vez, à temperatura do nosso planeta, o aumento da intensidade das ondas estacionárias detectadas indica maior incidência de descargas elétricas e estas, de chuvas e tempestades. E, por fim, o aumento da incidência destas últimas indica o aumento da temperatura do planeta.

Assim, um acréscimo de cerca de 7% na incidência de descargas elétricas permite inferir que há um aquecimento global da ordem de 1 ºC. Esta porcentagem deve ser tomada com ressalvas, pois há uma discrepância muito grande nos valores encontrados por nós em diferentes pesquisas. A mesma variação de temperatura, 1 ºC, está relacionada a diferentes porcentagens de acréscimo na incidência de descargas elétricas, desde 5% até 40%.


Mais recentemente, nos últimos dez anos, a Ressonância Schumann tem interessado também aos biofísicos e neurocientistas. Uma razão para justificar esse interesse está na coincidência entre as faixas de freqüências de ondas cerebrais detectadas nos eletroencefalogramas (ondas teta, de 4 a 7 Hz; ondas alfa, de 8 a 13 Hz e ondas beta, de 14 a 30 Hz). Há várias pesquisas já realizadas e outras em curso buscando encontrar possíveis relações e conseqüências decorrentes da proximidade entre os valores das nossas freqüências cerebrais e das freqüências da Ressonância Schumann. Nenhuma delas permite inferências muito relevantes, todas as que encontramos estão ainda ao nível da especulação.

Deve-se lembrar que a descoberta do fenômeno é recente mas o fenômeno não, pois ele depende predominantemente de causas naturais - a radiação solar, os raios cósmicos e as descargas elétricas na atmosfera - sobre as quais ainda temos pouca influência. Assim, se existe alguma interação entre a Ressonância Schumann e os seres vivos ela deve ter se mantido praticamente inalterável há séculos e, presumimos, ela já está incorporada a nossa história genética.

Por essa razão, presume-se que algo notável só poderia ocorrer se o fenômeno apresentasse alguma alteração brusca e relevante. Essa é a hipótese em que se assentam os estranhos vaticínios de Leonardo Boff, ou melhor, de sua fonte, o guru Gregg Braden, 50 anos, "rara mistura de cientista, visionário e sábio com a habilidade de falar para as nossas mentes", como ele se apresenta em seu site:

 

http://www.greggbraden.com/



As incríveis revelações de Gregg Braden

Antes de ser um próspero conferencista, guia de viagens para locais sagrados do mundo, autor de livros esotéricos, fitas, DVDs e outros produtos do gênero, Gregg Braden foi projetista sênior de sistemas computacionais em uma empresa aeroespacial, geólogo computacional em uma empresa petrolífera e, mais tarde, gerente técnico de operações da Cisco Systems.

Ainda segundo o seu site, ele é hoje "a principal autoridade capaz de estabelecer a ponte da sabedoria entre o nosso passado e a ciência e a paz do nosso futuro. Em sua jornada por remotos vilarejos nas montanhas, templos e monastérios, em tempos de paz, Braden uniu a sabedoria e as antigas tradições com a ciência moderna para a melhoria de nossas vidas nos dias de hoje".

É bem provável que, buscando essa "união de sabedorias", Braden tenha descoberto a Ressonância Schumann e inferido suas esotéricas implicações, publicando-as em 1997, em Awakening to Zero Point: The Collective Initiation (Despertando para o ponto zero: a iniciação cooperativa), um dos muitos livros de sua autoria.

O livro contém as revelações por ele recebidas em 1987, enquanto orava e meditava no deserto do Sinai, anunciadas pelo soar de sinos (esse som permaneceu em seus ouvidos até a publicação do livro; não conseguimos saber se ainda os escuta). Em seguida, uma torrente de informações atravessou todo o seu corpo. "Parecia que toda a eternidade se passava em um instante", diz ele, enquanto recebia o instrumental para nos oferecer "a informação do despertar".

A idéia principal apresentada no livro é a aceleração do tempo: a impressão que muitas pessoas têm de que o tempo atualmente passa mais depressa não é uma ilusão, é realidade. O dia não tem mais 24 horas, mas 16, pois o coração da Terra está acometido de uma taquicardia causada pelo aumento da freqüência da Ressonância Schumann. Segundo Braden, desde a década de 1980, o valor inicial dessa freqüência, 7,83 Hz (ele só se refere ao valor da freqüência fundamental, como se fosse a única), teria se elevado para 11 Hz e, mais recentemente, para 13 Hz.

Seu livro não se limita a essa revelação, há uma verdadeira cascata de informações do gênero, como a previsão de que a Terra vai inverter os seus pólos magnéticos (o que não é novidade, isso já ocorreu centenas de vezes desde que o planeta se formou, não por vontade do planeta, é claro) e o sentido do seu movimento de rotação (fisicamente, um completo absurdo, pois nenhuma força age sobre a Terra; ela gira por inércia. Não é um ventilador de teto que pode ter sua rotação invertida quando se aciona uma chavinha).


Tendo em vista o nosso objetivo inicial, vamos nos restringir aos efeitos que Braden atribui à Ressonância Schumann e sua possível variação repentina, divulgados entre nós pelo artigo de Leonardo Boff. Para facilitar a argumentação, vamos resumi-la em quatro itens:

I) Do ponto de vista da física, como vimos, a origem desse fenômeno se restringe a uma camada da atmosfera terrestre. Para uma primeira avaliação do possível efeito desse fenômeno sobre o planeta como um todo, é interessante estabelecer uma relação entre as dimensões da Terra e as dimensões da camada da ionosfera em que o fenômeno ocorre. Se construirmos um modelo em escala da Terra com 1 m de diâmetro, essa camada teria 5 mm de espessura; seria apenas uma espécie de penugem diáfana praticamente imperceptível dentro da qual se formam as ondas estacionárias originárias da Ressonância Schumann.


II) A irrelevância de suas dimensões, no entanto, não impede que a cavidade ressonante terrestre seja um indicador dos males do "coração da Terra" - a medicina utiliza indicadores tão ou até mais sutis para seus diagnósticos -, se fosse possível saber que órgão é esse, onde está, como se manifesta e interage fisicamente com essa cavidade. Como a física, e todas as demais ciências, não tem essas respostas, não é razoável aceitar cientificamente que essa diáfana camada superficial possa refletir o pulsar de tal coração ou dele ser "uma espécie de marca-passo", como diz Leonardo Boff.

III) Supor que a passagem do tempo tenha alguma relação com a freqüência dessas quase imperceptíveis ondas estacionárias é puro nonsense. Há quem imagine que a passagem do tempo dependa da rotação da Terra - se um dia a Terra parar de girar o tempo também pára (curiosamente só interessa a rotação, a translação relacionada diretamente ao "Ontem foi Carnaval, dentro de pouco será Páscoa, mais um pouco, Natal", a que Boff se refere, é completamente ignorada).


É uma idéia absurda, mas até certo ponto compreensível, afinal utilizamos a rotação da Terra como relógio (no cinema, o Super-homem, para salvar a sua amada, conseguiu fazer o tempo voltar, invertendo a rotação da Terra), mas supor que as débeis oscilações dessa quase imperceptível camada ressonante possam alterar o transcurso do tempo, que afinal não se vincula apenas à Terra mas aos trilhões de trilhões de trilhões de astros que povoam o universo, seria uma ingenuidade de causar pena.

Seria, porque ao que tudo indica, a ingenuidade está em quem acredita nessas idéias, o "cientista, visionário e sábio" que as divulga o faz com indiscutível má-fé. É pouco provável que uma pessoa com a formação científica de Gregg Braden acredite no que diz, embora venda - strictu e lato sensu - essa idéia ao seu ingênuo público. A prova da má-fé está na principal causa por ele atribuída para a taquicardia terrestre, e este é o nosso quarto e definitivo argumento.

IV) Segundo Braden, a taquicardia terrestre se deve ao aumento recente da freqüência da Ressonância Schumann. Essa afirmação é inteiramente falsa, um verdadeiro estelionato científico. Como mostra a figura 8, desde que as medidas dessas freqüências começaram a ser feitas, elas têm se mostrado absolutamente estáveis.


Figura ao lado mostra as Variação dos valores da primeira freqüência de ressonância da cavidade ressonante da ionosfera terrestre, no período compreendido entre 1990 e 2000, obtidos em Arrival Heights, base neozelandesa localizada na Antártica.


Note que o período compreendido pelo gráfico, 1990 a 2000, é aquele que, segundo Braden, a freqüência da ressonância estaria em 13 Hz ou mais. Essa freqüência, sempre apresentada por ele no singular, é mais uma mostra da sua evidente má-fé. É altamente improvável que ele não saiba que não há uma única freqüência de ressonância, mas uma série delas e que 7,8 Hz, como diz a legenda do gráfico acima, é apenas a primeira freqüência de ressonância.
Restringir a argumentação a uma só, sabendo que há uma série delas, é um excelente álibi para dissipar possíveis desconfianças de seus seguidores: se algum deles lhe perguntar se é verdade que essas freqüências estão mesmo aumentando ele poderá dizer com esotérico cinismo: "claro, já foram obtidas até freqüências de 45 Hz!". E não estará mentindo...
 

 

Uma reflexão final
Quem conhece a história de vida de Leonardo Boff sabe que não se pode atribuir a ele a desonestidade e o mau-caratismo de seu guru. Leonardo Boff é, sem dúvida, uma pessoa honesta e bem intencionada. No entanto, acreditou e, o que é pior, avalizou e deu credibilidade não só a uma hipótese absurda, mas a uma farsa científica. Infelizmente as pessoas honestas e bem intencionadas costumam crer que todos são como elas - se alguém se diz cientista e afirma que determinados resultados foram obtidos é porque eles de fato foram obtidos.


É bem provável que Leonardo Boff tenha sido traído por essas afirmações porque elas vieram ao encontro de suas próprias convicções. Assim como inúmeras pessoas, entre elas muitos cientistas, ele acredita que a Terra é um organismo vivo e, como tal, deve ter um coração. É possível até que isso seja verdade, mas não é possível apoiar essa crença na ciência, ao menos por enquanto. Nenhuma ciência atual é capaz de encontrar fundamentos teóricos ou empíricos capazes de apoiar essa hipótese. Isso não significa que a Terra não tenha vida nem coração, mas que vida e coração, conceitos da ciência atual dos homens, não são aplicáveis a Terra.


A física quântica é uma compreensível esperança, não pelo que se sabe dela hoje, mas por ter-nos mostrado a imensa extensão da nossa ignorância: a natureza é extraordinariamente mais complexa do que os físicos imaginavam no final do século XIX, quando, também ingênuos, acreditaram ter descoberto todos os seus segredos. Mas isso é tudo.


Ela mostrou aos físicos que o oceano do conhecimento que imaginavam dominar era apenas um mar interior - o verdadeiro oceano do conhecimento era muito maior e cheio de surpresas. Mas só agora ele começa a ser explorado. É possível que, com o tempo, nele se descubram sinais de vida da Terra e se ausculte o seu coração. Por enquanto ainda estamos limitados a um marzinho interior e nele, infelizmente, isso é impossível.
 

Winfried Otto Schumann

Biografia:

NASCEU em Tübingen, Alemanha, 20 de maio de 1888, faleceu em 22 de setembro de 1974, foi um físico alemão, que previa a Ressonância Schumann.

Seus primeiros anos foram passados em Kassel, Bernsdorf, uma cidade perto de Viena. Ele era mestre em engenharia elétrica no Colégio Técnico em Karlsruhe. Em 1912 ele ganhou um doutoramento com a alta tecnologia da sua tese.

Antes da Primeira Guerra Mundial, ele tomou uma posição em Bown, Boveri e Cie Company's High Voltage Laboratory como gerente. Durante 1920 ele ganhou qualificação como professor na Universidade Técnica de Stuttgart, onde foi empregado anteriormente como assistente de pesquisa. Ele posteriormente assumiu uma posição como professor de física na Universidade de Jena.

Em seguida ele se tornou professor e diretor no Electrophysical Laboratory na Universidade Técnica de Munique em 1924. Tornou-se professor do Electrophysical Institute, onde continuou até 1961, quando aposentado, mas continuou ensinando até a idade de 75. Schumann morreu aos 86 anos.
 

 

Fonte:

http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2006/09/ressonancia_schumann.html

http://br.geocities.com/ressonancia_de_schumann_py5aal/

 

Bibliografia:

*Schumann W. O. (1952). "Über die Dämpfung der elektromagnetischen Eigenschwingnugen des Systems Erde – Luft – Ionosphäre". Zeitschrift und Naturfirschung 7a: 250-252. 

*Schumann W. O. (1952). "Über die Ausbreitung sehr Langer elektriseher Wellen um die Signale des Blitzes". Nuovo Cimento 9: 1116-1138. 

*Schumann W. O. and H. König (1954). "Über die Beobactung von Atmospherics bei geringsten Frequenzen". Naturwiss 41: 183-184. 

Wikipédia

 

   

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