Indice                                                 compilado por Beraldo Figueiredo                                                                                         Página Principal

 

 

Religiões do Oriente Médio:

107.40 - Judaismo (Ver na Página Principal)

107.41 - Islamismo

107.42 - Yarsanismo

107.43 - Yazidi

107.44 - Ismaelismo

107.45 - Fundamentalismo Islâmico

107.46 - Xiismo (Xiitas)

107.47 - Sunismo (Sunitas)

107.48 - Religião dos Curdos

107.48.1 - Alevitas (Alevismo)

107.48.2 - Yarsanitas (Iarsanismo)

107.48.3 - Iaziditas (Iazidismo).

 

107.41 - ISLAMISMO (Islão):

O Islão ou Islã (do árabe الإسلام, transl. al-Islām) é uma religião monoteísta que surgiu na Península Arábica no século VII, baseada nos ensinamentos religiosos do profeta Maomé (Muhammad) e numa escritura sagrada, o Alcorão. A religião é conhecida ainda por islamismo.

Na visão muçulmana, o Islão surgiu desde a criação do homem, ou seja, desde Adão, sendo este o primeiro profeta dentre inúmeros outros, para diversos povos, sendo o último deles Maomé.[1]

Cerca de duzentos anos após Maomé, o Islão já se tinha difundido em todo o Médio Oriente, no Norte de África e na Península Ibérica, bem como na direcção da antiga Pérsia e Índia. Mais tarde, o Islão atingiu a Anatólia, os Balcãs e a África subsaariana. Recentes movimentos migratórios de populações muçulmanas no sentido da Europa e do continente americano levaram ao aparecimento de comunidades muçulmanas nestes territórios.[2]

A mensagem do Islão caracteriza-se pela sua simplicidade: para atingir a salvação, basta acreditar num único Deus, rezar cinco vezes por dia voltado para Meca, submeter-se ao jejum anual no mês do Ramadão, pagar dádivas rituais e efectuar, se possível, uma peregrinação à cidade de Meca.

O Islão é visto pelos seus aderentes como um modo de vida que inclui instruções que se relacionam com todos os aspectos da actividade humana, sejam eles políticos, sociais, financeiros, legais, militares ou interpessoais. A distinção ocidental entre o espiritual e temporal é, em teoria, alheia ao Islão.

Etimologia

Islão provem do árabe Islām, que por sua vez deriva da quarta forma verbal da raiz slm, aslama, e significa "submissão (a Deus)".[3] Segundo o arabista e filólogo José Pedro Machado, a palavra "Islão" não teria surgido na língua portuguesa antes de 1843, ano em que aparece no capítulo IX da obra Eurico, o Presbítero, de Alexandre Herculano.[4] (Ao lado a palavra ALÁ em árabe-> )

O Islão é descrito em árabe como um "diin", o que significa "modo de vida" e/ou "religião" e possui uma relação etimológica com outras palavras árabes como Salaam ou Shalam, que significam "paz".[5]

Muçulmano, por sua vez, deriva da palavra árabe muslim (plural, muslimún), particípio activo do verbo aslama, designando "aquele que se submete". O vocábulo pode ter penetrado no português a partir do castelhano, sendo provável que essa língua o tenha tomado do italiano ou do francês, línguas nas quais o vocábulo surge em 1619 e 1657, respectivamente (no primeiro caso como mossulmani, na obra Viaggi, de Pietro della Valle, e no segundo como mousulmans, na obra Voyages, de Le Gouz de la Boullaye).[6]

Em textos mais antigos, os muçulmanos eram conhecidos como "maometanos", este termo tem vindo a cair em desuso porque implica, incorrectamente, que os muçulmanos adoram Maomé (como, durante alguns séculos, por completo desconhecimento, o Ocidente pensou), o que torna o termo ofensivo para muitos muçulmanos. Durante a Idade Média e, por extensão, nas lendas e narrativas populares cristãs, os muçulmanos eram também designados como sarracenos e também por mouros (embora este último termo designasse mais concretamente os muçulmanos naturais do Magrebe, que se encontravam na Península Ibérica).

Islão pode se referir também ao conjunto de países que seguem esta religião (a jurisprudência islâmica utiliza nesse caso a expressão Dar-al-Islam, "casa do Islão").

Crenças

O Islão ensina seis crenças principais:

1.      a crença em Alá (Allah), único Deus existente;

2.      a crença nos anjos, seres criados por Alá;

3.      a crença nos livros sagrados, entre os quais se encontram a Torá, os Salmos e o Evangelho. O Alcorão é o principal e mais completo livro sagrado, constituindo a colectânea dos ensinamentos revelados por Alá ao profeta Maomé;

4.      a crença em vários profetas enviados à humanidade, dos quais Maomé é o último;

5.      a crença no dia do Julgamento Final, no qual as acções de cada pessoa serão avaliadas;

6.      a crença na predestinação: Alá tudo sabe e possui o poder de decidir sobre o que acontece a cada pessoa.

Deus

A pedra basilar da fé islâmica é a crença estrita no monoteísmo. Deus é considerado único e sem igual. Cada capítulo do Alcorão (com a exceção de um) começa com a frase "Em nome de Deus, o beneficente, o misericordioso". Uma das passagens do Alcorão frequentemente usadas para ilustrar os atributos de Deus é a que se encontra no capítulo (sura) 59:

"Ele é Deus e não há outro deus senão ele, que conhece o invisível e o visível. Ele é o Clemente, o Misericordioso!

Ele é Deus e não há outro deus senão ele. Ele é o Soberano, o Santo, a Paz, o Fiel, o Vigilante, o Poderoso, o Forte, o Grande! Que Deus seja louvado acima dos que os homens lhe associam!

Ele é Deus, o Criador, o Inovador, o Formador! Para ele os epítetos mais belos" (59, 22-24).

Ver noventa e nove nomes de Alá para uma visão muçulmana sobre os atributos de Deus.

Os anjos

Os anjos são, segundo o Islão, seres criados por Alá a partir da luz. Não possuem livre arbítrio, dedicando-se apenas a obedecer a Deus e a louvar o seu nome. Maomé nada disse sobre o sexo dos anjos, mas rejeitou a crença dos habitantes de Meca, de acordo com a qual eles seriam as filhas de Deus.[7] Desempenham vários papéis, entre os quais o anúncio da revelação divina aos profetas; protegem os seres humanos e registram todas as suas acções. O anjo mais famoso é Gabriel, que foi o intermediário entre Deus e o profeta.

Para além dos anjos, o islamismo reconhece a existência dos jinnis, espíritos que habitam o mundo natural e que podem influenciar os acontecimentos. Ao contrário dos anjos, os jinnis possuem vontade própria; alguns são bons, mas de uma forma geral são maus. Um desses espíritos maus é Iblis (Satanás), também ele um jinn, segundo a crença islâmica, que desobedeceu a Deus e dedica-se a praticar o mal.

Os livros sagrados

Os muçulmanos acreditam que Deus usou profetas para revelar escrituras aos homens. A revelação dada a Moisés foi a Taura (Torá), a Davi foram dados os Salmos e a Jesus o Evangelho. Deus foi revelando a sua mensagem em escrituras cada vez mais abrangentes que culminaram com o Alcorão, o derradeiro livro revelado a Muhammad.

Os profetas

 

Miniatura persa que retrata a ascensão de Maomé ao céu.

O islamismo ensina que Deus revelou a sua vontade à humanidade através de profetas. Existem dois tipos de profeta: os que receberam de Deus a missão de dar a conhecer aos homens a vontade divina (anbiya; singular nabi) e os que para além dessa função lhes foi entregue uma escritura revelada (rusul; singular rasul, "mensageiro")

Cada profeta foi encarregado de relembrar a uma comunidade a existência ou a unicidade de Deus, esquecida pelos homens. Para os muçulmanos, a lista dos profetas inclui Adão, Abraão (Ibrahim), Moisés (Musa), Jesus (Isa) e Maomé (Muhammad), todos eles pertencentes a uma sucessão de homens guiados por Deus. Maomé é visto como o Último Mensageiro, trazendo a mensagem final de Deus a toda a humanidade sob a forma do Alcorão, sendo por isso designado como o "Selo dos Profetas". Quando Maomé começou a revelar o Alcorão, ele não acreditou que isso teria proporções mundiais, mas sim que somente reforçaria a fé no Deus.

Esses profetas eram humanos mortais comuns, o Islão exige que o crente aceite todos os profetas, não fazendo distinção entre eles. No Alcorão, é feita menção a vinte e cinco profetas específicos.

Os muçulmanos acreditam que Maomé foi um homem leal, como todos os profetas, e que os profetas são incapazes de acções erradas (ou mesmo testemunhar acções erradas sem falar contra elas), por vontade de Alá.

O dia do Julgamento Final

Segundo as crenças islâmicas, o dia do Julgamento Final (Yaum al-Qiyamah) é o momento em que cada ser humano será ressuscitado e julgado na presença de Deus pelas ações que praticou. Os seres humanos livres de pecado serão enviados directamente para o Paraíso, enquanto que os pecadores devem permanecer algum tempo no Inferno, antes de poderem também entrar no Paraíso. As únicas pessoas que permanecerão para sempre no Inferno são os hipócritas religiosos, isto é, aqueles que se diziam muçulmanos, mas de facto nunca o foram.

Segundo a mesma crença, a chegada do Julgamento Final será antecedida por vários sinais, como o nascimento do Sol no poente, o som de uma trombeta e o aparecimento de uma besta. De acordo com o Alcorão, o mundo não acabará verdadeiramente, mas sofrerá antes uma alteração profunda.

A predestinação

Os muçulmanos acreditam no qadar, uma palavra geralmente traduzida como "predestinação", mas cujo sentido mais preciso é "medir" ou "decidir quantidade ou qualidade". Uma vez que, para o islamismo, Deus foi o criador de tudo, incluindo dos seres humanos, e sendo uma das suas características a omnisciência, ele já sabia, quando procedeu à criação, as características que cada elemento da sua obra teria. Assim sendo, cada coisa que acontece a uma pessoa foi determinada por Deus. Essa crença não implica a rejeição do livre arbítrio, pois o ser humano foi criado por Deus com a faculdade da razão, pelo que pode escolher entre praticar acções positivas ou negativas.

Os cinco pilares do Islão

Os cinco pilares do Islão são cinco deveres básicos de cada muçulmano:[8]

1.      a recitação e aceitação da crença (Chahada ou Shahada);

2.      orar cinco vezes ao longo do dia (Salá,Salat ou Salah);

3.      pagar esmola (Zakat ou Zakah);

4.      observar o jejum no Ramadão (Saum ou Siyam);

5.      fazer a peregrinação a Meca (Haj) se tiver condições físicas e financeiras.

Os muçulmanos xiitas consideram ainda três práticas como essenciais à religião islâmica: além da jihad, que também é importante para os sunitas, há o Amr-Bil-Ma'rūf, "exortar o bem", que convoca todos os muçulmanos a viver uma vida virtuosa e encorajar os outros a fazer o mesmo; e o Nahi-Anil-Munkar, "proibir o mal", que orienta os muçulmanos a se abster do vício e das más ações, e também encorajar os outros a fazer o mesmo.[9]

Alguns grupos kharijitas existentes na Idade Média consideravam a jihad como o "sexto pilar do Islão". Actualmente alguns grupos do xiismo ismaelita entendem a "fidelidade ao Imam" como sexto pilar do Islão.

A profissão de fé (Chahada)

A profissão de fé consiste numa frase - que deve ser dita com a máxima sinceridade - através da qual cada muçulmano atesta que "não há outro deus senão Alá e Maomé é seu servo e mensageiro".[10] No entanto, os muçulmanos xiitas têm por costume acrescentar "e Ali ibn Abi Talib é amigo de Alá". Essa frase também é dita quando se chama à oração (adhan).

De acordo com a maioria das escolas islâmicas, para se converter ao Islão é necessário proclamar três vezes a chahada ("testemunho") perante duas testemunhas: "Achadu ala ilaha ila Allah. Achadu ana Mohammad Rassululah" ("Testemunho que não há outra divindade senão Deus. Testemunho que Maomé é seu profeta mensageiro").

O Salat (a oração)

A oração no Islão (conhecida como Salá) é composta por cinco partes, todas espalhadas durante o dia e a noite, iniciando pela alvorada até à noite. Considerada o ponto mais próximo que se pode chegar de Deus. No Islão, não há obrigatoriamente hierarquia entre os adeptos, porém a comunidade, conhecida como ummah, escolhe uma pessoa com conhecimento suficiente para dirigir a adoração.[11]

Durante essas orações, são recitadas suratas do Alcorão, geralmente ditas em árabe, conduzidas pelo escolhido entre a comunidade. Não existe restrição para que o crente reze fora da mesquita, tampouco isso é uma desbonificação de sua oração, que pode ser feita em qualquer lugar, desde que tenha feito antes sua purificação.[8]

A purificação é realizada através da higiene especifica e detalhada, que consiste basicamente em lavar as mãos, os antebraços, a boca, as narinas, a face; em passar água pelas orelhas, pela nuca, pelo cabelo e pelos pés.[11]

Se um muçulmano se encontrar numa área sem água ou numa área onde o uso da água não é aconselhável (porque poderia causar uma doença), pode substituir as abluções pelo uso simbólico de areia ou terra (tayammum). A oração abre-se com a orientação do crente na direção de Meca (qibla).[11]

A contribuição de purificação (Zakat)

O Islão estabelece que cada muçulmano deve pagar anualmente uma certa quantia, calculada a partir dos seus rendimentos, que será distribuída pelos pobres ou por outros beneficiários definidos pelo Alcorão (prisioneiros, viajantes, endividados…). Essa contribuição é encarada como uma forma de purificação e de culto. A quantia corresponde a 2,5% do valor dos bens em dinheiro, ouro e prata, mas o valor pode variar se se tratar, por exemplo, de produtos agrícolas (nesse caso a contribuição pode chegar a 10% da colheita agrícola).

Quem tiver possibilidades pode ainda contribuir, de forma voluntária, com outras doações (sadaqa), mas é importante que o faça em segredo e sem ser movido pela vaidade. O anúncio dessas doações somente poderá ser feito se isso contribuir para que outras pessoas sejam motivadas a fazer o mesmo (caso de personalidades e pessoas proeminentes da sociedade), e esse ato deve ser sincero, mesmo que em público.

O jejum no mês do Ramadão (Saum)

Durante o Ramadão (o nono mês do calendário islâmico), cada muçulmano adulto deve abster-se de alimento, de bebida, de fumar e de ter relações sexuais, desde o nascer até ao pôr-do-sol. Os doentes, os idosos, os viajantes, as grávidas ou as mulheres lactantes estão dispensados do jejum. Em compensação, essas pessoas devem alimentar um pobre por cada dia que faltaram ao jejum ou então realizá-lo noutra altura do ano. O jejum é interpretado como uma forma de purificação, de aprendizagem do auto-controlo e de desenvolvimento da empatia por aqueles que passam fome ou outras necessidades.

O mês de Ramadão termina com o dia de celebração conhecido como Eid ul-Fitr, durante o qual os muçulmanos agradecem a Deus a força que lhes foi concedida para levar a cabo o jejum. As casas são decoradas e é hábito visitar os familiares. Essa comemoração serve também para o perdão e a reconciliação entre pessoas desavindas.

A peregrinação (Hajj)

Esse pilar consiste na peregrinação a Meca, obrigatória pelo menos uma vez na vida para todos os que gozem de saúde e disponham de meios financeiros. Ocorre durante o décimo segundo mês do calendário islâmico.

Os muçulmanos vestem-se com um traje especial todo branco, antes de chegar a Meca, para que todos estejam igualmente vestidos e não haja distinção de classes. Durante toda a peregrinação, não se preocupam com o seu aspecto físico. Depois de praticarem sete voltas em torno da Kaaba, os peregrinos correm entre as duas colinas de Safa e Marwa. Na última parte do Hajj, os muçulmanos devem passar uma tarde na planície de Arafat, onde Maomé disse o seu "Último Sermão". Os rituais chegam ao fim com o sacrifício de carneiros e bodes.

 

O Alcorão

Os ensinamentos de Alá (Allah, a palavra árabe para Deus) estão contidos no Alcorão (Qur'an, "recitação"). Os muçulmanos acreditam que Maomé recebeu esses ensinamentos de Alá por intermédio do anjo Gabriel (Jibreel), através de revelações que ocorreram entre 610 e 632 d.C.. Maomé recitou essas revelações aos seus companheiros, muitos dos quais se diz terem memorizado e escrito no material que tinham à disposição (omoplatas de camelo, folhas de palmeira, pedras…).

As revelações a Maomé foram mais tarde reunidas em forma de livro. Considera-se que a estruturação do Alcorão como livro ocorreu entre 650 e 656, durante o califado de Otman.

O Alcorão está estruturado em 114 capítulos chamados suras. Cada sura está por sua vez subdividida em versículos chamados ayat. Os capítulos possuem tamanho desigual (o menor possui apenas três versículos e os mais longos 286 versículos) e a sua disposição não reflete a ordem da revelação. Considera-se que 92 capítulos foram revelados em Meca e 22 em Medina. As suras são identificadas por um nome, que é em geral uma palavra distintiva surgida no começo do capítulo ("A Vaca", "A Abelha", "O Figo").

Uma vez que os muçulmanos acreditam que Maomé foi o último de uma longa linha de profetas, eles tomam a sua mensagem como um depósito sagrado e tomam muito cuidado com ela, assegurando que a mensagem tenha sido recolhida e transmitida de uma maneira a não trair esse legado. Essa é a principal razão pela qual as traduções do Alcorão para as línguas vernáculas são desencorajadas, preferindo-se ler e recitar o Alcorão em árabe. Muitos muçulmanos memorizam uma porção do Alcorão na sua língua original e aqueles que memorizaram o Alcorão por inteiro são conhecidos como hafiz (literalmente "guardião").

A mensagem principal do Alcorão é a da existência de um único Deus, que deve ser adorado. Contém também exortações éticas e morais, histórias relacionadas com os profetas anteriores a Muhammad (que foram rejeitados pelos povos aos quais foram enviados), avisos sobre a chegada do dia do Juízo Final, bem como regras relacionadas com aspectos da vida diária, como o casamento e o divórcio.

Além do Alcorão, as crenças e práticas do Islão baseiam-se na literatura hadith, que para os muçulmanos clarifica e explica os ensinamentos do profeta.

 

Autoridade religiosa

Não há uma autoridade oficial que decide se uma pessoa é aceita ou excluída da comunidade de crentes. O Islão é aberto a todos, independentemente de raça, idade, género ou crenças prévias. É suficiente acreditar na doutrina central do islamismo, acto formalizado pela recitação da chahada, o enunciado de crença do Islão, sem o qual uma pessoa não pode ser considerada um muçulmano.

Embora não exista no islamismo uma estrutura clerical semelhante à existente nas denominações cristãs, existe contudo um grupo de pessoas reconhecidas pelo seu conhecimento da religião e da lei islâmica, denominadas ulemás. Os homens que se destacam pelo seu grande conhecimento da lei islâmica podem receber o título de mufti, sendo responsáveis pela emissão de pareceres sobre determinada questão da lei islâmica; em teoria esses pareceres (fatwas) só devem ser seguidos pela pessoa que o solicitou.

 

Ramos do Islão

Há várias denominações no Islão, cada uma com diferenças ao nível legal e teológico. Os maiores ramos são o Islão sunita e o Islão xiita.

O profeta Maomé faleceu em 632 sem deixar claro quem deveria ser o seu sucessor na liderança da comunidade muçulmana (a Umma). Abu Bakr, um dos primeiros convertidos ao islamismo e companheiro do profeta, foi eleito como califa ("representante"), função que desempenhou durante dois anos. Depois da sua morte, a liderança coube durante dez anos a Omar e logo em seguida a Otman, durante doze anos.

Quando Otman faleceu, ocorreu uma disputa em torno de quem deveria ser o novo califa. Para alguns essa honra deveria recair sobre Ali, primo de Maomé, que era também casado com a sua filha Fátima. Para outros, o califa deveria ser o primo de Otman, Muawiyah. Quando Ali é eleito califa em 656, Muawiyah contesta a sua eleição, o que origina uma guerra civil entre os partidários das duas facções. Ali acabaria por ser assassinado em 661 e Muawiyah conquista o poder para si e para a sua família, fundando a dinastia dos Omíadas. Contudo, o conflito entre os dois campos continua e, em 680, Hussein, filho de Ali, é massacrado pelas tropas de Yazid, filho de Muawiyah.

Essas lutas estão na origem dos dois principais ramos em que atualmente se divide o Islão. Os partidários de Ali (shiat ali, ou seja, xiitas) acreditam que os três primeiros califas foram usurpadores que retiraram a Ali o seu direito legítimo à liderança. Essa crença é justificada em hadiths interpretados como reveladores de que, quando Maomé se encontrava ausente, ele nomeava Ali como líder momentâneo da comunidade.

O islamismo sunita compreende actualmente cerca de 90% de todos os muçulmanos. Divide-se em quatro escolas de jurisprudência (madhabs), que interpretam a lei islâmica de forma diferente. Essas escolas tomam o nome dos seus fundadores: maliquita (forte presença no Norte de África), shafiita (presente no Médio Oriente, Indonésia, Malásia, Filipinas), hanefita (presente na Ásia Central e do Sul, Turquia) e hanbalita (dominante na Arábia Saudita e Qatar).

O muçulmanos xiitas acreditam que o líder da comunidade muçulmana - o imã - deve ser um descendente de Ali e de sua esposa Fátima.

O Islão xiita pode, por sua vez, ser subdividido em três ramos principais, de acordo com o número de imãs que reconhecem: xiitas duodecimanos, ismailitas e zaiditas. Todos esses grupos estão de acordo em relação à legitimidade dos quatro primeiros imãs. Porém, discordam em relação ao quinto: a maioria do xiitas acredita que o neto de Hussein, Muhammad al-Baquir, era o imã legítimo, enquanto que outros seguem o irmão de al-Baquir, Zayd bin Ali (zaiditas).

 

Os xiitas que não reconheceram Zayd como imã permaneceram unidos durante algum tempo. O sexto imã, Jafar al-Sadiq (702-765), foi um grande erudito que é tido em consideração pelos teólogos sunitas. A principal escola xiita de lei religiosa recebe o nome de jafarita por sua causa.

Após a morte de Jafar al-Sadiq, ocorreu uma cisão no grupo: uns reconheciam como imã o filho mais velho de al-Sadiq, Ismail bin Jafar (m. 765), enquanto que para outros o imã era o filho mais novo, Musa al-Kazim (m. 799). Este último grupo continuou a seguir uma cadeia de imãs até ao décimo segundo, Muhammad al-Mahdi (falecido, ou de acordo com a visão religiosa, desaparecido em 874 para retornar no fim do mundo). Os primeiros ficaram conhecidos como ismailitas, enquanto que os que seguiram uma cadeia de doze imãs ficaram conhecidos como os xiitas duodecimanos; o termo "xiita" é geralmente usado hoje em dia como um sinónimo dos xiitas duodecimanos, que são maioritários no Irão.

Para os ismailitas, Ismail nomeou o seu filho Muhammad ibn Ismael como seu sucessor, tendo a linha sucessória dos imãs continuado com ele e os seus descendentes. O ismailismo dividiu-se por sua vez em vários grupos.

Outra denominação que tem origem nos tempos históricos do Islão é a dos kharijitas. Historicamente, consideravam que qualquer homem, independentemente da sua origem familiar, poderia ser líder da comunidade islâmica, opondo-se às polémicas de sucessão entre sunitas e xiitas. Os membros desse grupo hoje são mais comumente conhecidos como muçulmanos ibaditas. Um grande número de muçulmanos ibaditas vive hoje no Omã.

Movimentos recentes

Um movimento recente no Islão sunita é o dos wahhabitas, assim denominados por ocidentais e por pessoas de fora dessa corrente ideológica. O wahhabismo é um movimento fundado por Muhammad ibn Abd al Wahhab no século XVIII, naquilo que hoje é a Arábia Saudita. Os wahhabitas consideram-se sunitas e alguns afirmam seguir a escola hanbalita. O wahhabismo tem uma grande influência no mundo islâmico pelo facto de o governo saudita financiar muitas mesquitas e escolas muçulmanas existentes em outros países.

 

Misticismo

Às vezes visto pelos fieis muçulmanos comuns como um ramo separado do Islão,[12] o sufismo é antes uma forma de mística que pretende alcançar um contacto directo com Deus através de uma série de práticas que geralmente incluem o ascetismo, a meditação, os jejuns, cantos e danças.

Desconhece-se de onde deriva a palavra sufismo (em árabe: tasawwuf). O termo poderá provir de sūf, "lã", o que se encontra relacionado com o facto de os primeiros sufis vestirem roupas feitas com o material, imitando os ascetas cristãos da Síria e da Palestina. Outra teoria procura relacionar sufismo com a palavra árabe safa, que significa "pureza".[13]

O sufismo já existia como movimento no primeiro século do Islão. Para os sufis, o próprio profeta Maomé seria um deles, já que levaria uma vida extremamente simples, tendo por hábito retirar-se de Meca para meditar numa caverna, tendo estabelecido uma relação próxima com Deus. Um dos primeiros representantes do sufismo foi al-Hasan al-Basri (642-728), que rejeitou o materialismo do mundo e criticou os soberanos omíadas. Saliente-se ainda deste período inicial uma mulher, Rabi'ah al-Adawiyah (? - 801), cujo amor por Deus leva-a a excluir o apego ao mundo.

Desde os séculos XII e XIII, os sufis organizam-se em ordens ou irmandades (tariqas), que seguem os métodos de realização espiritual ensinados por determinados mestres (os xeques ou pirs)."[14] As ordens sufis podem ser encontradas quer no sunismo, quer no xiismo. O sufismo foi por vezes entendido pelas autoridades ortodoxas muçulmanas como uma ameaça, tendo os seus líderes e adeptos sido alvo de perseguições. O sufismo tem sido igualmente criticado devido ao facto de alguns dos seus mestres terem alcançado um estatuto de santo, tendo sido erguidos santuários nos locais onde nasceram ou faleceram, que se tornaram locais de peregrinações.

 

Comemorações

O calendário islâmico (também denominado calendário hegírico em função da sua origem remontar à Hégira ou migração dos primeiros muçulmanos de Meca para Medina em 622 d.C.) segue o ano lunar, que é cerca de onze dias mais curto que o solar. Consequentemente, as comemorações muçulmanas acabam por circular por todas as estações de ano.

As duas comemorações do Islão são o Eid ul-Fitr, que celebra o fim do jejum do Ramadão, e o Eid ul-Adha, que marca o fim da peregrinação a Meca (Hajj).

O dia 10 do mês de Muharram (o primeiro mês do calendário islâmico) é um dia de particular importância para os muçulmanos xiitas. Neste dia, comemora-se o martírio do terceiro imã xiita, Hussein, morto em Karbala, em 680, por aqueles que os xiitas consideram usurpadores da liderança da comunidade muçulmana. No início deste mês, as pessoas envolvem-se em actividades como ouvir contadores de histórias relatar o martírio de Hussein ou assistir a peças de teatro que pretendem reconstituir os acontecimentos. O dia é marcado com procissões, que incluem actos de autoflagelação como bater no peito ou cortar-se com uma lâmina (os membros do clero xiita desencorajam essas práticas).

Outras comemorações populares incluem o Mawlid, que celebra o aniversário de Maomé (12 do mês de Rabi al-Awwal), A Noite da Ascensão (Laylat al-Micraj, no dia 27 de Rajab), quando se recorda o dia em que Maomé subiu ao céu para dialogar com Deus, e A Noite do Poder (Laylat al-Qadr, na noite do 26 para 27 do mês do Ramadão), que marca o aniversário da primeira revelação do Alcorão e durante a qual muitos muçulmanos acreditam que Deus decide o que acontecerá durante o ano.

Lugares sagrados

A Caaba ("O Cubo"), um edifício situado dentro da mesquita principal de Meca (Al Masjid Al-Haram), na Arábia Saudita, é o local mais sagrado do Islão. De acordo com o Alcorão, ela foi construída por Abraão (Ibrahim) para que todas as pessoas fossem ali celebrar os ritos da Hajj. No tempo do profeta Maomé, o monoteísmo instituído por Abraão tinha sido corrompido pelo politeísmo e pela idolatria. Segundo o islamismo, Maomé não procurou fundar uma nova religião, mas antes restabelecer o culto monoteísta que existia no passado. Uma vez que o Islão se identifica com a tradição religiosa do patriarca Abraão, é por isso classificado como uma religião abraâmica. O islamismo não nega diretamente o judaísmo e o cristianismo, pelo contrário, considera uma versão antiga e perdida dessas religiões monoteístas como parte da sua herança; as suas versões atuais teriam sido alteradas, o próprio Islão considerando-se uma restauração da verdade divina.

 

Al Masjid Al-Haram, em Meca, considerada o maior centro de peregrinação do mundo.

O segundo local sagrado do islamismo é Medina, cidade para a qual Maomé e os primeiros muçulmanos fugiram (num movimento conhecido como Hégira), e onde se encontra o seu túmulo.

A cidade de Jerusalém é o terceiro local sagrado do Islão. Este estatuto advém da sua associação aos profetas anteriores a Maomé e sobretudo pelo facto de os muçulmanos acreditarem que o profeta teria viajado para esse local durante a noite, cavalgando um ser denominado Buraq, numa viagem conhecida como Isra. Uma vez em Jerusalém, ele teria ascendido ao céu (Mi’raj), onde dialogou com Deus e outros profetas, entre os quais Moisés. No local de Jerusalém onde se acredita que Maomé subiu ao céu, foi construída a Cúpula da Rocha, em cerca de 690, sobre as ruínas do antigo Templo de Salomão dos judeus.

Os muçulmanos xiitas consideram ainda como sagradas as cidades de Karbala e Najaf, ambas no Iraque. Na primeira, ocorreu o martírio de Hussein (filho de Ali e neto de Maomé) e dos seus companheiros, quando este contestava o califado omíada. No Irão, devem também ser salientadas duas cidades sagradas para os xiitas, Mashhad e Qom.

 

Lei islâmica (Xanariá)

 

 

 

Mulher vestindo um niqab em Palu, Indonésia.

A lei islâmica chama-se Xariá. O Alcorão é a mais importante fonte da jurisprudência islâmica, sendo a segunda a Suna ou exemplos do profeta. A Suna é conhecida graças aos ahadith, que são narrações acerca da vida do profeta ou o que ele aprovava, que chegaram até nós graças a uma cadeia de transmissão oral a partir dos Companheiros de Maomé. A terceira fonte de jurisprudência é o ijtihad ("raciocínio individual"), à qual se recorre quando não há resposta clara no Alcorão ou na Suna sobre um dado tema. Neste caso, o jurista pode raciocinar por analogia (qiyas) para encontrar a solução.

A quarta e última fonte de jurisprudência é o consenso da comunidade (ijma). Algumas práticas também chamadas de "charia" têm também algumas raízes nos costumes locais (Al-urf).

A jurisprudência islâmica chama-se fiqh e está dividida em duas partes: o estudo das fontes e metodologia (usul al-fiqh, raízes da lei) e as regras práticas (furu' al-fiqh, ramos da lei).

 

O Islão no mundo contemporâneo

 

Percentagem de população muçulmana por país

O Islão é a segunda religião com maior número de fiéis, atrás apenas do cristianismo, segundo o CIA World Factbook de 2005.[15] De acordo com o World Network of Religious Futurists[16] e o U.S. Center for World Mission[17], o islamismo estaria crescendo mais rapidamente em número de crentes que qualquer outra religião.

O Islão reúne hoje entre 1,5 a 1,8 bilhão de crentes.[18] Apenas 18% dos muçulmanos vivem no mundo árabe, um quinto encontra-se espalhado pela África subsariana, cerca de 30% vivem no Paquistão, Índia e Bangladesh, e a maior comunidade nacional encontra-se na Indonésia. Há significantes populações islâmicas na China, Ásia Central e Rússia.

A Áustria foi o primeiro país europeu a reconhecer o Islão como uma religião oficial (1912[19]), enquanto que a França tem actualmente a população mais elevada de muçulmanos da Europa Ocidental (entre 5 a 10%).[20][21]

Em Portugal, existe igualmente uma comunidade muçulmana, que nada tem a ver com os muçulmanos que viveram no país durante a Idade Média; são na sua maioria naturais das antigas colónias portuguesas de Moçambique e Guiné-Bissau, que se fixaram em Portugal após a independência desses territórios. O Islão xiita ismailita também está presente em Portugal, tendo a sua sede no Centro Ismaili de Lisboa, construído pela Fundação Aga Khan. Estima-se que o número de muçulmanos em Portugal ronde os 30 mil.[22] Segundo o censo de 2000, o Brasil registra 27.239 muçulmanos.[23] Porém, para a Federação Islâmica Brasileira, o número de muçulmanos no Brasil ronda o 1,5 milhão.[24]

A maioria dos muçulmanos brasileiros vive nos estados do Paraná e Rio Grande do Sul, mas também existem comunidades significativas no Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Grande parte desses muçulmanos são descendentes de imigrantes sírios e libaneses que se fixaram no Brasil durante a Primeira Guerra Mundial.[25]

 

Na Guiné-Bissau, o Islão penetrou na Idade Média, tendo as ordens sufistas desempenhado um importante papel na sua difusão. Reúne hoje cerca de 45% da população. Outro país africano de língua oficial portuguesa com um número significativo de muçulmanos é Moçambique (17,8%).

O islamismo contemporâneo é dominado pelo tradicionalismo, preocupado com a manutenção de rituais e práticas antigas, como o uso do véu pelas mulheres. Existem ainda correntes que pretendem conciliar o Islão com aspectos da modernidade, que são principalmente activas nos Estados Unidos da América. À semelhança do que acontece no judaísmo e no cristianismo, o islamismo é também marcado pela existência de movimentos ditos integristas ou fundamentalistas.

As tradições islâmicas baseiam-se no Alcorão, nos ditos do profeta (hadith) e nas interpretações dessas fontes pelos teólogos. Ao longo dos últimos séculos, tem-se verificado uma tendência para o conservadorismo, com interpretações novas vistas como indesejáveis.

A Xariá antiga tinha um carácter muito mais flexível do que aquele hoje associado com a jurisprudência islâmica (fiqh), muitos académicos muçulmanos islâmicos acreditam que ela deva ser renovada e que os juristas clássicos deveriam perder o seu estatuto especial. Isso implica a necessidade de formular uma nova fiqh, que seja praticável no mundo moderno, como proposto pelos defensores da islamização do conhecimento, e que iria lidar com o contexto moderno. Esse movimento não pretende alterar os pontos fundamentais do islamismo, mas sim evitar más interpretações e libertar o caminho para a renovação do prévio estatuto do mundo islâmico como um centro de pensamento moderno e de liberdade.[26]

 

Perspectiva islâmica de outras religiões

O islamismo reconhece elementos de verdade no judaísmo e no cristianismo. Todos os profetas do judaísmo são reconhecidos também como profetas no Islão, assim como Jesus, que de acordo com a perspectiva muçulmana teria anunciado a vinda de Maomé. Para os seguidores dessas duas crenças, o Alcorão reservou a noção de "Povos do Livro" (Ahl al-Kitab), estabelecendo que devem ser tolerados devido ao facto de possuirem escrituras sagradas. À medida que os muçulmanos tomaram contacto com outras religiões detentoras de revelações escritas, acabaram em alguns casos por conceder-lhes também esse estatuto (caso do zoroastrismo).

Porém, se o Islão reconhece o papel preparatório do judaísmo e do cristianismo, considera igualmente que os seguidores dessas religiões acabaram por seguir caminhos errados. Os judeus procederam mal ao adorarem o bezerro de ouro, tendo se tornado idólatras. Os muçulmanos acreditam que os cristãos erraram ao considerar Jesus como filho de Deus e ao defender doutrinas como a da Santíssima Trindade, porém acreditam que Jesus é uma criatura de Deus, assim como Adão. Tais erros, segundo os muçulmanos, acarretaram a vinda de outro e último profeta enviado por Deus, Maomé.

 

Violência e as correntes radicais do islamismo

Correntes radicais do islamismo frequentemente são acusadas de atos terroristas, como os atentados às Torres Gêmeas, protagnonizados em 11 de setembro de 2001 pela Al Qaeda. E a defesa intolerante da extinção do Estado de Israel defendida pelos grupos terroristas Hamas e Fatah. Em sua carta de fundação, por exemplo, o Hamas é claro na defesa da destruição do Estado Sionista [27], sendo apoiado pela maioria do povo palestino.

Fundamentalistas também defendem a submissão da mulher, a perseguição a cristãos e o assassinato de dissidentes em países islâmicos [28]. Estima-se que aproximadamente quatro milhões de cristãos libaneses emigraram de seu país em conseqüência das pressões impostas pelos muçulmanos [29].

A condição de vida das mulheres também é precária em países fundamentalistas islâmicos, como a Arábia Saudita: "Para o pensamento ortodoxo muçulmano, a mulher vale menos do que o homem, explica Leila Ahmed, especialista em estudos da mulher e do Oriente Próximo da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos […]"[30]. Assim sendo, violências físicas e tratamentos desumanos, como o apedrejamento, são constantes entre os países fundamentalistas: "Segundo a lei islâmica denominada Sharia (Shari'ah ou Charia), uma mulher considerada adúltera deve ser enterrada até o pescoço (ou as axilas) e apedrejada até a morte […]"[31].

A intolerância a críticas também é alvo constante de respostas por parte da imprensa às vertentes radicais do Islã. Recentemente, cartunistas dinamarqueses foram ameaçados de morte por publicarem charges consideradas insultosas para alguns muçulmanos [32], algo comum no Ocidente e sua contraparte cristã. O Papa também foi ameaçado de morte por considerar o Islã uma religião violenta [33].

O crítico Daniel Pipes cita uma cadeia histórica de reações radicais a críticas e atos humorísticos por parte de extremistas islâmicos, que vão de ameaças a mortes de dezenas de pessoas [34]. Porém, o islamismo moderado mostra-se como vertente desejosa da paz, tanto quanto o budismo, o cristianismo, o judaísmo ou qualquer outra grande religião [35].

Referências

1.       O Profeta Adão (em inglês) Islam.com. Página visitada em 31 de julho de 2008.

2.       Expansão do Islã (em pps) comibam.org. Página visitada em 31 de julho de 2008.

3.       Mircea Eliade, Dicionário das Religiões, Lisboa, Publicações D. Quixote

4.       José Pedro Machado, "Islão" em Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, segundo volume (E-M), Editorial Confluência, s.d., p. 810

5.       O Que o Islam Significa? islam.com.br. Página visitada em 31 de julho de 2008.

6.       José Pedro Machado, "muçulmano" em Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, quarto volume (M-P), Lisboa, Livros Horizonte, 1977, p.176)

7.       Annemarie Schimmel, Islam an Introduction, SUNY Press, 1992, p. 83

8.       a b Breve Introdução ao Islã Sociedade Beneficente Muçulmana. Página visitada em 31 de julho de 2008.

9.       Momen (1987), p.180

10.   A Shahada e sua Importância Sociedade Beneficente Muçulmana. Página visitada em 31 de julho de 2008.

11.   a b c A Importância da Oração (Salat) Sociedade Beneficente Muçulmana. Página visitada em 31 de julho de 2008.

12.   Sufistas no Mundo Islâmico - Major Branches of Religions Ranked by Number of Adherents (em inglês). Adherents.com (2005-10-28). Página visitada em 2009-06-28.

13.   Jamal J. Elias, Islamismo, Lisboa, Edições 70, 2003, p. 53

14.   Mateus Soares de Azevedo, Iniciação ao Islã e Sufismo, Rio de Janeiro, Record, 2001, , pp. 57-85

15.   CIA

16.   Trends in Religion (em inglês). World Network of Religious Futurists. Página visitada em 2009-06-28.

17.   GROWTH RATE OF CHRISTIANITY & ISLAM (em inglês). Religious Tolerance. Página visitada em 2009-06-28.

18.   Major Religions of the World Ranked by Number of Adherents (em inglês). Adherents.com (2007-08-27). Página visitada em 2009-06-28.

19.   Muçulmanos questionam representatividade de órgãos islâmicos europeus (em português). Deutsche Welle (22 de maio de 2007). Página visitada em 5/7/2008.

20.   DOSSIÊ - A FRANÇA E O ISLÃ (em português). Agenzia Fides. Página visitada em 2009-06-28.

21.   Human Rights Watch

22.   Observatório da Imigração

23.   IBGE

24.   Tradução vai facilitar conhecimento do islamismo

25.   "O Islã não é só árabe" - Revista Galileu (acessado em 5/5/2008)

26.   "Caleidoscópio saudita" - Le Monde diplomatique, 2006

27.   UOL

28.   PMI

29.   Beth-Shalon

30.   Abril

31.   Quatrocantos

32.   Globo

33.   Daniel Pires

34.   Daniel Pires

35.   Abril

Bibliografia

·         CARMO, António - Antropologia das Religiões. Lisboa: Universidade Aberta, 2001. ISBN 972-674-359-1.

·         ELIAS, Jamal J. - Islamismo. Lisboa: Edições 70, 2000. ISBN 972-44-1054-4.

·         GUELLOUZ, Azzedine - "O Islão" in As Grandes Religiões do Mundo, direcção de Jean Delumeau. Lisboa: Editorial Presença, 1997. ISBN 972-23-2241-9.

·         MOMEN, Moojan (1987). An Introduction to Shi`i Islam: The History and Doctrines of Twelver Shi`ism. Yale University Press. ISBN 978-0-300-03531-5.

·         SCHUON, Frithjof - Para Compreender o Islã. Rio de Janeiro, 2006. ISBN 85-7701-046-5.

·         SOARES DE AZEVEDO, Mateus - Iniciação ao Islã e Sufismo. Rio de Janeiro, Record, 2001 (4a. edição). ISBN 85-01-04181-5.

·         SOARES DE AZEVEDO, Mateus - Mística Islâmica. Petrópolis, Vozes, 2002 (3a. edição). ISBN 85-326-2357-3

·         STODDART, William - O Sufismo: doutrina metafísica e via espiritual no Islão. Lisboa, Edições 70, 1980.

·         The Encyclopaedia of Islam, Brill.

 

 Fonte:Wikipedia

 

Livros Sagrados e doutrinas religiosas


O Alcorão ou Corão é um livro sagrado que reúne as revelações que o profeta Maomé recebeu do anjo Gabriel. Este livro é dividido em 114 capítulos (suras). Entre tantos ensinamentos contidos, destacam-se: onipotência de Deus (Alá), importância de praticar a bondade, generosidade e justiça no relacionamento social. O Alcorão também registra tradições religiosas, passagens do Antigo Testamento judaico e cristão.


Os muçulmanos acreditam na vida após a morte e no Juízo Final, com a ressurreição de todos os mortos.
A outra fonte religiosa dos muçulmanos é a Suna que reúne os dizeres e feitos do profeta Maomé.

 

Preceitos religiosos
A Sharia define as práticas de vida dos muçulmanos, com relação ao comportamento, atitudes e alimentação. De acordo com a Sharia, todo muçulmano deve : crer em Alá como seu único Deus; fazer cinco orações diárias curvado em direção a Meca; pagar o zakat (contribuição para ajudar os pobres); fazer jejum no mês de Ramadã e peregrinar para Meca pelo menos uma vez na vida.


Faz parte ainda a jidah que é a Guerra Santa, cujo objetivo é reformar o mundo e difundir os princípios do islã. A jidah, porém,  não é aceita por todos os muçulmanos.

 

Locais sagrados
Para os muçulmanos, existem três locais sagrados: A cidade de Meca, onde fica a pedra negra, também conhecida como Caaba.

 

A cidade de Medina, local onde Maomé construiu a primeira Mesquita (templo religioso dos muçulmanos). A cidade de Jerusalém, cidade onde o profeta subiu ao céu e foi ao paraíso para encontrar com Moises e Jesus.

  


Divisões do Islamismo
Os seguidores da religião muçulmana se dividem em dois grupos principais : sunitas e xiitas. Aproximadamente 85% dos muçulmanos do mundo fazem parte do grupo sunita. De acordo com os sunitas, a autoridade espiritual pertence a toda comunidade. Os xiitas também possuem sua própria interpretação da Sharia.

Fonte: http://www.suapesquisa.com/islamismo/

 

107.42 - YARSANISMO:

O Yarsanismo, Yârsân [1][2] (do curdo ﯼاڔﮦساﻥ) ou Ahl-e Haqq (do persa اهل حق) é uma seita religiosa de raiz muçulmana fundada por Sultan Sahak (ou Es’haq) no final do século XIV no Curdistão, no que é hoje o Irão Ocidental.[3] O número total de seguidores estima-se em cerca de um milhão segundo algumas fontes[4] ou 2,25 milhões segundo outras fontes,[5] que se encontram sobretudo nas regiões mais ocidentais do Irão e Iraque (Curdistão).[4] A maior parte dos yarsanitas são etnicamente curdos e laks, mas também há grupos menores de luris, azeris, persas e árabes.[6] Alguns dos yarsanitas do Iraque são chamados Kaka'i.

Variantes do nome

Outros nomes e grafias aplicadas aos membros deste grupo religioso, algumas delas pejorativas, são: Yârsânismo, Yâresân, Yârisân, Aliullâhi, Ali-llâhi ("aqueles que endeusam Ali"), Alihaq, Ahl-i Haqq (derivado do árabe, que pode ser traduzido como "povo da verdade" ou "homens de Deus"), Ahl-i Haq ("o povo do Espírito"), Sha Ytânparass ("adoradores do diabo") ou até Nusayri ("nazarenos", um termo geralmente aplicado aos cristãos).[7]

Origens e filiações

As origens do yarsanismo são difíceis de compreender, pois é possível identificar influências de numerosas crenças.[8]

Alguns consideram que o yarsanismo é uma ordem religiosa aparentada com outros grupos heterodoxos islâmicos esotéricos como os batinitas, xiitas ghulats, alevitas, shabaks, jahalten, kırklar e outros. Além disso, os yarsanitas praticam a taqiyya (disssimulação), como os xiitas, mas foram criticados e perseguidos pelas autoridades sunitas que consideram as suas práticas superficiais e que no fundo a sua fé não é muçulmana.

Outros autores consideram que o yarsanismo constitui uma religião inteiramente à parte. Segundo o investigador universitário Mehrdad Michael Izady, o yarsanismo, juntamente com os alevismo e o yezidismo, é uma das três religiões que formam o iazdânismo, um termo que ele usa para designar as religiões curdas anteriores ao Islão.[9] A propósito dos pontos em comum dessas três religiões, a turcóloga Irène Melikoff escreveu que os três princípios bektaşi-alevitas relativos à criação do mundo se encontram igualmente nas religiões próprias dos curdos, entre os Yazidi e os Ahl-è-Hakk. Há outros pontos em comum entre estas religiões, como por exemplo a crença em Melek Taus (em curdo: Tawûsê Melek, o "Anjo-Pavão") comum ao yarsanismo e ao yezidismo, ou a representação de Melek Taus sob a forma de um galo, um animal venerado pelos alevitas.[10]

Os yârsâns teem literatura religiosa, escrita sobretudo em gorani e marginalmente em persa, embora os yâresâns atuais falem igualmente o turcomeno e o sorâni.

Perseguições

A perseguição sofrida pelos yarsans no Irão constitui uma ameaça para a sua sobrevivência. Um relatório de julho de 2006 da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa afima que apesar das perseguições, «a antiga religião do yazadanismo ainda é praticada sob a forma de alevismo, yezidismo e yarsanismo (Ahl-i-Haqq), mas o número de fiéis não pára de diminuir».[11]

No entanto, face às tentativas que visam a sufocar a minoria yarsan, esta começa a organizar-se politicamente e reivindicou a sua herança cultural curda e a sua própria religião através da aprovação dos estatutos fundadores do Movimento Democrático Yarsan (MDY), adotados durante o Congresso Geral Yarsan reunido em Oslo a 10 e 11 de março de 2007. O MDY tornou-se a principal força política yarsan e os seus estatutos afirmam que os yarsans fazem parte da nação curda e aderem à religião yarsani.

Distribuição geográfica

Até ao século XX, a fé yarsan estava reservada unicamente aos curdos nascidos dentro da comunidade, chamados checkedea, por oposição aqueles que entravam na comunidade por via de casamento com alguém yarsan, que são apelidados de chasbedea ("ligados"). Os praticantes do yarsanismo são principalmente das tribos Guran, Qalkani, Bajalani e Sanjabi, as quais vivem sobretudo no Irão ocidental e constituem aproximadamente um terço da população da província de Kermanshah. Também existem algumas comunidades à volta de Kirkuk, no norte do Iraque.[12]

Se bem que a grande maioria dos yarsanitas sejam de etnia curda, há também yarsanitas de outros grupos indo-europeus: luros, azeris e persas.[5] Alguns dos yarsanitas teem o árabe como língua materna, nomeadamente nas cidades iraquianas de Mandali, Khanaqin e Baqubah.[13]

As estimativas do número de fiéis variam entre um milhão[4] e 2,25 milhões (2 milhões no Irão, 200 000 no Iraque e 50 000 na Turquia).[5]

Referências

1.       Hamzeh'ee, M. Reza Fariborz. Syncretistic Religious Communities in the Near East (Studies in the History of Religions). Methodological Notes on Interdisciplinary Research on Near Eastern Religious Minorities: Collected Papers of the International Symposium “Alevism in Turkey and Comparable Syncretistic Religious Communities in the Near East in the Past and Present”, Berlin, 14-17 April 1995 (em inglês). Kehl-Bodrogi, Krisztina; Kellner-Heinkele, Barbara; and Otter-Beaujean, Anke ed. Leida: Brill, 1995. ISBN 9004108610

2.       Hamzeh'ee, M. Reza. Review of The Yaresan: A Sociological, Historical and Religio-Historical Study of a Kurdish Community (em inglês). Berlim: Klaus Schwarz. ISBN 392296883X

3.       Elahi, Bahram. The path of perfection, the spiritual teachings of Master Nur Ali Elahi (em inglês). [S.l.: s.n.], 1987. ISBN 0712602003

4.       a b c Encyclopedia of the Modern Middle East and North Africa (em inglês). Detroit: Macmillan, 2004. pg. 82. ISBN 9780028659879

5.       a b c Kjeilen, Tore. Ahl-e Haqq (em inglês). looklex.com. LookLex Encyclopaedia. Arquivado do original em 2011-01-27. Página visitada em 2011-01-27.

6.       Principle Beliefs and Convictions (em inglês). www.ahle-haqq.com. Página visitada em 27 de janeiro de 2011.

7.       Yaresanism (em inglês). Kurdistanica.com, The encyclopaedia of Kurdistan (2008-07-14). Arquivado do original em 2011-01-27. Página visitada em 2011-01-27.

8.       Ostad Elahi et la tradition Ahl-e haqq (em francês). e-ostadelahi.fr (2008-03-09). Arquivado do original em 2010-07-04. Página visitada em 2011-01-27.

9.       Izady, Mehrdad R.. The Kurds : a concise handbook (em inglês). Washington: Taylor & Francis (Routledge), 1992. pg. 28. ISBN 978-0-8448-1727-9

10.   Mélikoff, Irène. Hadji Bektach: un mythe et ses avatars : genèse et évolution du soufisme populaire en Turquie (em francês). [S.l.]: Brill, 1998. pg. 182. ISBN 9789004109544

11.   Lord Russell-Johnston (relator) (2006-07-07). Doc. 11006 - La situation culturelle des Kurdes (em francês). assembly.coe.int. Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa. Arquivado do original em 2011-01-27. Página visitada em 2011-01-27.

12.   Mir-Hosseini, Z. (1994). "Inner Truth and Outer History: The Two Worlds of the Ahl-e Haqq of Kurdistan" (em inglês). International Journal of Middle East Studies 26: 267-269.

13.   Leezenberg, Michiel. Gorani Influence on Central Kurdish: Substratum or Prestige Borrowing (rtf) (em inglês). Faculdade de Ciências Humanas da Universidade de Amesterdão. Arquivado do original em 2008-08-28. Página visitada em 2011-01-27.

 Fonte:Wikipéida

 

107.43 - YAZIDI (Seita Oriental não islâmica)

Os Yazidi (também Yezidi; curdo : ئێزیدی ou Êzidî) são membros de uma religião curda com antigas raízes indo-europeias. Eles falam principalmente o curdo, e a maioria vive em Mosul na região do norte do Iraque. Existem comunidades tradicionais na Transcaucásia, Arménia, Turquia e na Síria, mas estas têm diminuído desde a década de 1990. Muitos dos seus membros emigraram para a Europa, especialmente para a Alemanha.

Os yazidi constituíam uma pequena seita, ligada ao Iazdânismo, que resistiu ao Islã durante séculos e era reivindicada como a mais antiga religião do mundo. Dela faziam parte elementos do zoroastrismo, maniqueísmo, cristianismo, islamismo e judaísmo. Os yazidi também acreditavam na metempsicose, como forma de redenção e purificação.

 

Yazidi, Yezidi soletrado também, Azīdī, Zedi, ou Izdī, seita religiosa, encontrada principalmente nos distritos de Mosul, no Iraque; Diyarbakır, Tur;. Aleppo, na Síria; Arménia ea região do Cáucaso e em partes do Iran. A religião yazidi é uma combinação sincrética de Zoroastro, maniqueísta, judeus, cristãos nestorianos, e elementos islâmicos. O Yazidi-se se pensa ser descendente de partidários do califa omíada Yazid I. Eles acreditam que eles foram criados muito separadamente do resto da humanidade, nem mesmo sendo descendentes de Adão, e eles mantiveram-se rigorosamente separados dos povos entre os quais vivem. Embora dispersos e, provavelmente, numeração menos de 100.000, eles têm uma sociedade bem organizada, com um xeque-chefe como chefe religioso supremo e um emir, ou príncipe, como o chefe secular.

A figura divina chefe do Yazidi é Malak tā us ("Peacock Angel"), que é adorado na forma de um pavão. Ele governa o universo com seis outros anjos, mas todos os sete estão subordinadas ao Deus supremo, que não teve participação direta no universo uma vez que ele criou. Os sete anjos são adorados pelos Yazidi na forma de sete de bronze ou de ferro figuras pavão chamado sanjaq, a maior das quais pesa quase 700 libras (320 kg).

Yazidi são antidualistas; eles negam a existência do mal e, portanto, rejeitar o pecado, o diabo e o inferno. A quebra das leis divinas é expiado através da metempsicose, ou transmigração das almas, que permite a progressiva purificação do espírito.

O Yazidi relatam que, quando o diabo se arrependeu de seu pecado de orgulho diante de Deus, ele foi perdoado e substituído em sua posição anterior como chefe dos anjos; este mito ganhou o Yazidi uma reputação como adoradores do diabo. Shaykh  Adi, o chefe Yazidi santo, era um místico do século 12 muçulmanos acreditam que o Yazidi ter alcançado a divindade através da metempsicose.

O centro religioso Yazidi e objeto da peregrinação anual é o túmulo do Shaykh  Adi, localizado em um antigo mosteiro cristão na cidade de ash-Shaykh  Adi, ao norte de Mosul. Dois livros curtos escritos em árabe, Kitab al-jilwah ("Livro do Apocalipse") e Maṣḥaf rash ("Escrevendo Black"), formam as escrituras sagradas do Yazidi, e um hino árabe em louvor de Shaykh ADI é realizada em grande estima .

 

Yazid I

Yazid I, na íntegra Yazīd ibn Mu ´āwiyah ibn Abī Sufyān  (nascido c. 645, Arábia, morreram 683, Damasco), segundo califa omíada (680-683), particularmente notado por sua repressão de uma rebelião liderada por Hussein, filho de  Alī . A morte de Hussein na batalha de Karbala  (680) fez dele um mártir e fez uma divisão permanente no Islam entre o partido da  Ali (o Shi  ites) e os sunitas da maioria.

Quando jovem, Yazid ordenou ao exército árabe que seu pai, Mu  āwiyah, enviado para sitiar Constantinopla. Logo depois ele tornou-se califa, mas muitos daqueles a quem seu pai tinha mantido ... (100 de 204 palavras)

 

Fonte: Britânica Inglesa - http://www.britannica.com/EBchecked/topic/652325/Yazidi

 

107.44 - ISMAELISMO (Islão)

O ismaelismo, por vezes grafado erroneamente Ismailismo, é uma doutrina religiosa considerada como um ramo do xiismo. Os adeptos do ismaelismo são também denominados como septimâmicos em função de apenas reconhecerem os sete primeiros imãs do islão xiita.

História

Com o falecimento do profeta Maomé (falecido em 632) o comando da nova religião foi assumido por seu sogro, Abu Bakr, que passou a ser chamado Khalifat rasul Allah, ou seja, o 'sucessor do mensageiro de Deus'. No entanto, como este veio a falecer pouco tempo depois, um segundo Califa denominado Umar ou Omar, assumiu o poder. Todavia, a escolha não foi aceita por todos e o Califa Umar foi assassinado no ano de 644. Umar havia estabelecido um corpo de eleitores que elegeu Uthman (ou Otman) como novo Califa, mas para alguns esta honra deveria ter recaído desde o primeiro momento sobre o genro e primo de Muhammad, Ali.

Assim, algumas décadas após a morte do profeta Maomé gerou-se um cisma no islão em torno de quem deveria ser o líder da comunidade islâmica. Os partidários de Ali (do árabe 'shiat Ali'), passarão a ser conhecidos como Xiitas e sustentam que o verdadeiro sucessor do profeta deveria demonstrar sua descendência direta de Ali. Em contra partida, a outra corrente do islã chamada de sunita não acreditava na necessidade do sucessor ser descendente de Ali e acreditava representar o desejo da maioria.

Antes da morte do profeta Maomé, Alá revelou a ele a sua última mensagem. O profeta foi, então, comunicar a mensagem ao povo num certo local denominado Ghadir-e-Khum ("Vale do Lago"). Após a revelação da mensagem, o profeta disse: MAN KUTUM MOWLAHU FA-ALI MOWLA ("Para quem eu sou Senhor, Ali será seu Senhor também"). Os muçulmanos que não aceitaram Ali como sucessor do profeta chamam-se sunitas e os que aceitaram Ali como 1.º imã, são os chamados xiitas.

Como dito anteriormente, os xiitas reconheceram os descendentes de Ali como guias espirituais, sendo estes conhecidos como imãs. Eventualmente no seio do islão xiita surgiram conflitos em torno de quem deveria ser reconhecido como imã legítimo.

O sexto imã xiita, Jafar as-Sadiq, teve dois filhos, Ismael e Mussa. De acordo com a visão ismaelita, Sadiq nomeou o seu filho Ismael como seu sucessor. Porém, Ismael morreu três anos antes do pai, em 762 (ou segundo os ismaelitas escondeu-se por ordem do próprio pai). Uma parte da comunidade xiita entendeu por isso que o sétimo imã deveria ser Musa, enquanto que os outros (mais tarde conhecidos como ismaelitas), consideram Ismael como sétimo imã, apoiando a sucessão através do filho deste, Maomé.

Dessa forma, correto afirmar os Xiitas se subdividiram. Todos acreditavam que o chefe do Estado, ou imã deveria ser um descendente de Ali, dotado do dom de infalibilidade no escurtino da vontade de Deus. Mas discordavam de quem seria tal pessoa.

Os seguidores de Ismael, conhecidos por ismaelitas ou xiitas do sete imanes, porque aceitavam de incício apenas sete Imãs, sendo o sétimo Muhammad Ibn Ismael, foram considerados inimigos não só pelos Sunitas como pelos demais Xiitas.

No século seguinte pouco se sabe sobre os partidários de Ismael. No século IX este grupo cristalizou-se num grupo centrado na Síria, que se opunham ao califas abássidas.

Em 909 um ismaelita, Ubayd Allah al-Mahdi Billah, fundou um estado no norte de África, mais precisamente na área da actual Tunísia. A dinastia por si formada tomaria o nome de fatímidas, pois alegava ser descendente da filha de Maomé, Fátima e de Ali. Em pouco tempo, os Fatímidas conquistaram o Egipto, onde fundaram a cidade do Cairo no ano de 969, que funcionaria como capital da dinastia.

Um dos califas desta dinastia, al-Hakim (falecido em 1021) proclamou-se "Deus" e, nessa qualidade, revogou o Alcorão. Al-Hakim ordenou também a destruição da Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém, um dos factores que contribuirá para as Cruzadas.

Em 1094 ocorreu uma crise sucessória no califado fatímida. Após a morte do califa al-Mustansir, os irmãos al-Mustacli e Nizar lutariam pela liderança do califado. Os governantes fatímidas apoiariam al-Mustacli e os seguidores de Nizar, que ficariam conhecidos como nizaritas, fugiram para as montanhas da Síria e do Irão.

Na Síria o ramo nizari desenvolveu uma seita chamada hashinshin ("assassinos").

Doutrinas

À semelhança dos outros muçulmanos, os ismaelitas acreditam num único deus e no profeta Maomé como mensageiro divino. Partilham com os outros xiitas a crença que Ali foi nomeado por Maomé para líder a comunidade muçulmana, devido à sua capacidade para interpretar a mensagem de Deus, dom que foi transmitido aos seus descendentes.

Contudo, ao contrário dos outros xiitas, os ismaelitas seguem um imã vivo, o qual é denominado como "Hazir Imam". Os nizaritas têm como seu imã o Aga Khan.

O pensamento ismaelita apresenta igualmente uma visão cíclica, desenrolando-se a história ao longo de sete eras. Cada uma destas eras é iniciada por um profeta, que traz consigo uma escritura sagrada. Cada profeta é acompanhado por um companheiro silencioso, que revela os aspectos esotéricos da escritura. Os seis primeiros ciclos estiveram associados aos profetas Adão, Noé, Abraão, Moisés, Jesus e Maomé. O companheiro silencioso de Maomé foi Ismael, que regressará no futuro para ser o profeta do sétimo ciclo. Este sétimo ciclo implicará o fim do mundo. Até esse momento o conhecimento oculto deve ser preservado em segredo e revelado apenas a iniciados.

Wikipédia

 

 

107.45 - FUNDAMENTALISMO ISLÂMICO

Fundamentalismo islâmico é um termo de origem do islamismo ocidental utilizado para definir a ideologia política e religiosa fundamentalista que supostamente sustenta que o islamismo, pragmaticamente de origem midiática, este termo definido no ocidente pelo senso comum, definindo o Islão como não apenas uma religião mas um sistema que também governa os imperativos políticos, econômicos, culturais e sociais do estado, quebrando o paradigma de estados laicos, comum nesta parte do planeta.

Um objetivo crucial do fundamentalismo islâmico, definido pelo ocidente é a tomada de controle do Estado por forma a implementar o sistema islamista, ou seja, que abrigue e coordene todos os aspectos sociais de uma sociedade através da sharia islâmica.

 

No seguimento dos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001, ocorridos nos Estados Unidos o fundamentalismo islâmico e outros movimentos políticos inspirados pelo Bin Laden ganharam uma crescente atenção por parte dos meios de comunicação ocidentais, originando-se daí esta definição. A mídia confunde muitas vezes o termo "fundamentalismo islâmico" com outros termos relacionados ao islamismo em geral; apesar das organizações e pessoas que os representam não serem mutualmente exclusivos, em termos mais estritos cada termo tem uma definição distinta. governo do presidente norte-americano George W. Bush declarou oficialmente um estado de guerra permanente contra tais ataques, denominado de "Guerra ao Terror" (em inglês: War on Terror).

 

O conceito de fundamentalismo islâmico designa a aspiração da instauração de um estado islâmico, a introdução da charia, ou a própria aplicação dela, do direito islâmico e ao seguimento das normas de Maomé e dos primeiros quatro Califas Sunitas, sem no entanto renunciar aos benefícios da técnica moderna. Inicialmente, o termo ocidental "fundamentalismo" foi rejeitado mas hoje eles defendem-se a si próprios como fundamentalistas.

 

O termo "fundamentalista" (usuli) existe no islão há séculos, a palavra designa no sentido tradicional apenas os académicos da ilm al-usul, a ciência que se dedica ao estudo do fiqh (direito islâmico).

 

O académico Bernard Lewis caracterizou o termo como infeliz e enganador, uma vez que ele foi usado originariamente no cristianismo. Ali, ele designa normalmente as correntes protestantes, que pretenderam reacender as fontes divinas da Bíblia, valorizando o texto bíblico face às hierarquias estabelecidas em seu nome (sobretudo Lutero), e proclamavam a sua infalibilidade. Lewis chama a atenção para o facto de no islão não ter havido até agora alguém que manifestasse dúvidas na origem divina do Alcorão (com uma excepção famosa, ver Versos satânicos) e desde logo todo muçulmano, ou seja, seguidor do islamismo, de acordo com a definição estrita, é um fundamentalista.

 

História

Os movimentos fundamentalistas islâmicos desenvolveram-se durante o século XX em reação a vários acontecimentos. Depois da Primeira Guerra Mundial, a dissolução do Império Otomano e do califado de Mustafá Kemal Atatürk (fundador da Turquia), alguns muçulmanos sentiram a sua identidade religiosa ameaçada pela influência das ideias ocidentais, como consequência do domínio económico e militar dos países ocidentais. Durante a década de 1960, a ideologia predominante no mundo árabe era o Pan-arabismo que punha menor ênfase na religião e se empenhava na criação de um estado secular socialista, inspirado mais no nacionalismo árabe que no Islão. Uma das figuras de proa desta ideologia foi o sírio Michel Aflaq, o fundador do partido Baath, que estudou na Sorbonne nos anos 30, tempos das lutas ideologicas na Europa. Ficou fascinado pelo regime Nazi, o pangermanismo de Adolf Hitler. Ele cunhou como poucos a ideologia do Pan-arabismo, que pretende a união dos países de língua árabe sob um comando único.

Vários governos baseados no nacionalismo árabe debateram-se muitas vezes com problemas de estagnação económica e conflitos sociais. Alguns muçulmanos culpam os males das suas sociedades no influxo de ideias "estrangeiras". Um regresso aos princípios do Islão é percepcionado por eles como a cura natural. Um tema islamista persistente é que os muçulmanos são perseguidos pelo ocidente e outros estrangeiros. Neste fundo geral, as ideias fundamentalistas desenvolveram-se em diferentes cenários.

 

O movimento deobandi

Na Índia, o movimento deobandi foi uma reacção às acções do Reino Unido contra muçulmanos e a influência de Sayed Ahmad Khan, que era um defensor da reforma e modernização do Islão.

O movimento recebe o nome da cidade de Deoband, onde ele surgiu, tendo sido contruido à volta de escolas islâmicas (sobretudo a de Darul Uloom) e ensinava uma interpretação do Islão que encoraja a subserviência da mulher, desencorajando o uso de muitas formas de tecnologia e de entertenimento, e acreditava que apenas o conhecimento "revelado" ou inspirado por Deus deveria ser seguido.

Apesar da filosofia deobandi ser puritana e desejar remover quaisquer influência não-muçulmana (i.e. hindu e ocidental) das sociedade muçulmanas, não foi particularmente violenta ou prosélita, confinando a sua actividade sobretudo no estabelecimento de madraçais, escolas religiosas muçulmanas. Estas escolas chegam agora às dezenas de milhar por toda a Ásia, sobretudo no Paquistão e Índia, e permanecem o centro do movimento deobandi. Elas são um dos grandes componentes do Islão na região (os seguidores de Sayed Ahmad Khan são uma minoria que no entanto é relevante dentro deste grupo). O movimento Taliban no Afeganistão é um produto da filosofia deobandi e dos madraçais.

 

Sayed Abul ala Mawdudi

Sayed Abul Ala Mawdudi foi uma figura importante nos princípios do século XX na Índia, e depois da Independência da Índia, no Paquistão.

Fortemente influenciado pela ideologia deobandi, ele defendia a criação de um estado islâmico que aplicasse a charia, (a lei islâmica), como interpretada pelos conselhos Shura. Mawdudi fundou a Jamaat-e-Islami em 1941 e foi o seu líder até à sua morte em 1972. O seu livro muito influente, Para melhor compreender o Islão (Risalah Diniyat em árabe), teorizava o Islão no contexto moderno e permitiu não apenas aos conservadores ulema mas também modernizadores liberais tais como Al-Faruqi, cujo livro "Islamização do Conhecimento" completava alguns dos princípios fundamentais de Mawdudi, entre os quais a compatibilidade básica do islão com uma visão ética científica. Citando da própria obra de Mawdudi:

Tudo no Universo é Muçulmano pois tudo obedece a Deus pela submissão às suas leis... Em toda a sua vida, desde o estado embriónico até à dissolução do corpo após a morte, cada tecido dos seus músculos e cada membro do seu corpo segue o curso prescrito pelas leis de Deus. A sua língua, que pela sua ignorância defenda a negação de Deus ou professe divindades múltiplas, é na sua própria natureza "Muçulmana"... Aquele que negar Deus é um Kafir ("escondedor") porque ele esconde pela sua descrença o que é inerente à sua natureza e embalsamado na sua alma. Todo o seu corpo funciona em obediência a esse instinto... A realidade torna-se-lhe alienada e ele tateia na escuridão.

Inerente a esta visão está uma total intolerância pelos costumes não-muçulmanos.

 

 

A Irmandade Muçulmana

As ideias de Mawdudi influenciaram fortemente Sayyid Qutb no Egipto. Qutb foi um dos principais filósofos do movimento da Sociedade de irmãos muçulmanos, que começou no Egipto em 1928 e que foi banido (mas que continua a existir ilegalmente) após confrontações com o presidente Egípcio Gamal Abdel Nasser, que mandou executar Qutb e muitos outros. A irmandade muçulmana (fundada por Hassan al-Banna) defendia um regresso à charia por causa daquilo que era por eles percebido como a incapacidade de os valores ocidentais assegurarem a harmonia e a felicidade dos muçulmanos.

Partindo do pressuposto que apenas a providência divina poderia levar os humanos a serem felizes, concluiu-se que os Muçulmanos deveriam evitar a democracia e viver de acordo com a doutrina por Deus inspirada (charia). A Irmandade foi um dos primeiros grupos a invocar a jihad contra todos aqueles que não fossem seguidores do Islão. Nas palavras de al-Banna: "Terras muçulmanas foram atropeladas e a sua honra manchada. Adversários seus tomam conta dos seus negócios e os ritos das suas religiões deixaram de se estender apenas aos seus próprios domínios, para não falar da sua impotência em espalhar as convocações (abraçar o Islão). Deste modo, tornou-se uma obrigação individual, à qual não há escapatória, de cada Muçulmano preparar o seu equipamento, decidir-se a participar na jihad, e preparar-se para ela até que a oportunidade seja oportuna e Deus decrete uma matéria que é certo que será completada..."

 

Movimentos da Jihad Islâmica

Esta exortação foi seguida pela organização egípcia Jihad Islâmica Egípcia, responsável pelo assassinato de Anwar Sadat, mas com uma peculiaridade: a Jihad Islâmica focou os seus esforços em líderes "apóstatas" (seculares) de estados islâmicos, aqueles que foram seculares e introduziram ideias ocidentais às sociedades islâmicas. As suas visões ficaram patentes num panfleto escrito por "Muhammad Abd al-Salaam Farag", que disse: "...não há dúvida de que o primeiro campo de batalha para a jihad é o extermínio destes líderes infieis e a sua substituição por uma completa ordem islâmica..."

Um outro movimento da Jihad islâmica surgiu na Palestina como um desdobramento do grupo egípcio, e iniciou actividade militar contra o Estado de Israel.

 

Wahhabismo

Outro ramo influente do pensamento islamista veio do movimento wahhabita na Arábia Saudita. O movimento Wahhabita (termo ocidental midiático) surgiu no século XVIII baseado fundamentalmente no monoteísmo do Alcorão e da sunnah, resgatado por Muhammad ibn Abd al-Wahhab. Neste resgate, levantou-se a questão que seria necessário viver de acordo com os ditames estrictos do islão, que eles interpretavam como a vida de acordo com os ensinamentos do profeta Maomé e os seus seguidores durante o século 7 em Medina. Consequentemente, eles opunham-se a muitas inovações desenvolvidas desde esse tempo, incluindo o minarete, orações perante a sepulturas de seus antepassados, considerando atos de idolatria, e mais tarde televisões e rádios. Muhammad ibn Abd al-Wahhab, também nesse resgate, considerarou que aqueles Muçulmanos que violam as interpretações da sunnah e do Alcorão são heréticos, e que estes deveriam sofrer punições.

Quando o rei Abdul Aziz al-Saud fundou a Arábia Saudita, ele trouxe consigo os estes resgates que Muhammad ibn Abd al-Wahhab realizou para o poder. Com o crescer da proeminência Saudita, este movimento espalhou-se, em especial após o Embargo ao petróleo de 1973 e o consequente acréscimo da riqueza da Arábia Saudita.

 

Fundamentalismo islâmico moderno

O fundamentalismo islâmico conheceu vários desenvolvimentos políticos e filosóficos na parte inicial do século XX, mas não foi até aos anos da década de 1980 que ganhou destaque na arena internacional.

A revolução de Khomeni no Irão, apesar do seu carácter xiita, ofereceu uma inspiração a muitos radicais islamistas e serviu como um exemplo de como um estado islâmico é estabelecido.

Durante o conflito com a União Soviética, no Afeganistão, muitos islamistas juntaram-se para combater aquilo que eles viam como uma força invasora ateísta. Esta confluência resultou nas muitas alianças que foram feitas entre grupos de ideologias semelhantes. Entre as ocorrências dignas de nota, Osama bin Laden, um saudita influenciado pelo wahhabismo e pelos escritos de Sayed Qutb, juntou forças com a Jihad Islâmica Egípcia sob a influência de Ayman al-Zawahiri para formar aquilo que hoje se chama de Al-Qaeda.

Na sequência dessa luta contra a União Soviética surgiu o movimento deobandi Taliban, o qual bin Laden ajudou a influenciar para tomar direcções mais radicais, após a sua chegada ao Afeganistão de 1996.

Fundamentalistas islâmicos também estão activos na Argelia, nos territórios palestinianos, Sudão e Nigéria.

Muita da atividade fundamentalista islâmica tem sido dirigida contra governos de sociedades muçulmanas aos quais os fundamentalistas se opõem porque eles são governos que se regem pela lei humana e não pela lei divina.

Um esforço considerável foi dirigido também ao combate de alvos ocidentais, especialmente os Estados Unidos. Os EUA em particular são um alvo da ira dos Fundamentalistas islâmicos pelo seu apoio ao Estado de Israel e o seu apoio a regimes aos quais os fundamentalistas se opõem. Adicionalmente, alguns fundamentalistas concentraram a sua actividade contra Israel e quase todos os vêem Israel com hostilidade. Osama bin Laden, pelo menos, acredita que isto é uma necessidade devido ao conflito histórico entre Muçulmanos e Judeus e considera que existe uma aliança judaico-americana contra o islão.

Há algum debate quanto à questão de saber em que medida os movimentos fundamentalistas islâmicos permanecem influentes. Alguns académicos afirmam que o fundamentalismo islâmico é o movimento de uma margem, que está a morrer, como se pode ver no falhanço claro de governos fundamentalistas islâmicos como no Sudão, o regime saudita wahhabista, e os taliban, em melhorar a qualidade de vida dos muçulmanos.

Outros, no entanto, (por exemplo Ahmed Rashid) acham que os fundamentalistas ainda recebem apoio popular considerável, citando o fato de que candidatos fundamentalistas no Paquistão e Egito regularmente obtêm entre 10 e 30 por cento de sondagens eleitorais (as quais muitos acham que sejam manipuladas contra eles).

Movimentos fundamentalistas islâmicos

·         Internacional - Al-Qaeda, liderado por Osama bin Laden

·         Afeganistão - Talibã

·         Argélia - GIA , Frente de Salvação Islâmica , GSPC

·         Egipto - Gama'at Islamiya

·         Líbano - Hezbollah

·         Somália - Al-Shabaab

·         Sul da Ásia - Jamaat-e-Islami (existente na Índia, Paquistão, Bangladesh, Sri Lanka, Caxemira

·         Sudeste Asiático - Jemaah Islamiyah

·         Filipinas - Moro Islamic Liberation Front

·         Margem Ocidental do Rio Jordão e Faixa de Gaza - Hamas, Jihad Islâmica da Palestina

·         Arábia Saudita - Wahhabismo

Bibliografia

·         Para Compreender o Islã, Frithjof Schuon, Editora Record/Nova Era, 2006.

·         Homens de um Livro Só: Fundamentalismo no Islã, no Cristianismo e no pensamento moderno, Mateus Soares de Azevedo , Editora Best Seller, 2008.

·         Iniciação ao Islã e Sufismo, Mateus Soares de Azevedo, Editora Record, 2001.

·         Children of Abraham: An Introduction to Islam for Jews, Khalid Duran with Abdelwahab Hechiche, The American Jewish Committee and Ktav, 2001

·         The Islamism Debate, Martin Kramer, University Press, 1997

·         Liberal Islam: A Sourcebook, Charles Kurzman, Oxford University Press, 1998

·         The Vanguard of the Islamic Revolution: The Jama'at-i Islami of Pakistan, Vali Nasr, Univ. of California Press, 1994

·         The Failure of Political Islam, Olivier Roy, Harvard Univ. Press, 1994

·         The Challenge of Fundamentalism: Political Islam and the New World Disorder, Bassam Tibi, Univ. of California Press, 1998

 

 

107.46 - XIISMO (Xiitas)

Os xiitas (em árabe شيعة , Shia'a ou Shiat Ali, "partido de Ali") são o segundo maior ramo de crentes do Islão, constituindo 16% do total dos muçulmanos (o maior ramo é o dos muçulmanos sunitas, que são 84% da totalidade dos muçulmanos)[1].

Os xiitas consideram Ali, o genro e primo do profeta Maomé, como o seu sucessor legítimo e consideram ilegítimos os três califas sunitas que assumiram a liderança da comunidade muçulmana após a morte de Maomé.

Origem histórica do xiismo

Depois da morte de Maomé, em 632, muitos acreditavam que ele havia escolhido como seu herdeiro e sucessor o seu genro e primo Ali ibn Abu Talib. Logo após o falecimento, a escolha do novo califa foi organizada, mas, enquanto Ali e sua família aprontavam o enterro de Maomé, alguns sahaba, companheiros do Profeta, elegeram o novo governante da comunidade islâmica. Sendo assim, Abu Bakr foi designado o novo califa.

Antes de morrer, Abu Bakr designou seu sucessor, Umar, que foi assassinado em 644, dez anos mais tarde. Após ele, Uthman, da dinastia omíada, ocupou o califado até 656, ano em que foi assassinado. Finalmente, Ali assumiu o poder.

Os kharijitas têm origem na Batalha do Camelo, onde o governador do Sham, Muáwiya, junto com a viúva de Maomé, Aisha, uniram suas forças para tirar Ali do poder. Porém, quando viram que suas tropas seriam derrotadas, colocaram páginas do Corão nas pontas das lanças, sabendo que Ali não iria atacá-los dessa forma. Entretanto, um pequeno grupo não aceitou o recuo do exército do califa, defendendo que deveriam batalhar mesmo assim. Dessa situação nascem os kharijitas, que quer dizer "os que saíram".

Com a morte de Ali, este foi sucedido por seu filho Hassan, porém, o novo califa foi obrigado a renunciar em prol do corrupto Muáwiya, que subornara seus amigos, corrompera seu governo, tornando-se impossível sua governabilidade.

A divisão entre sunitas e xiitas nasce da questão sucessória dessa época.

Dispersão geográfica

Os muçulmanos xiitas estão espalhados por todas as partes do mundo, mas alguns países têm uma concentração particularmente forte: o Irão é quase totalmente xiita, e no Iraque, um país onde cerca de 95% da população é muçulmana, cerca de dois terços são xiitas. Eles eram oprimidos pelo partido Baath de Saddam Hussein composto sobretudo por sunitas.

Encontram-se também grandes populações de xiitas no Paquistão (20%), na província oriental da Arábia Saudita (15%), no Bahrein (70%), no Líbano (27%), no Azerbaijão (85%), no Iêmen (50%) na Síria, na Turquia. Entre as comunidades islâmicas que residem no Ocidente também é possível encontrar minorias xiitas.

População de muçulmanos xiitas em vários países na Ásia:

País

População

Muçulmanos Xiitas

% da população  muçulmano xiita

Notas

Irã

68.700.000

61.800.000

89,96

 

Paquistão

165.800.800

33.200.000

20,02

 

Iraque

26.000.000

17.400.000

66,92

 

Turquia

71.517.100

15.000.000

20,97

[2],[3]

Índia

1.009.000.000

11.000.000

1,09

 

Iémen

23.800.000

10.710.000

45,00

 

Azerbaijão

9.000.000

7.650.000

85,00

 

Afeganistão

31.000.000

5.900.000

19,03

 

Arábia Saudita

27.000.000

4.000.000

14,81

 

Síria

18.000.000

2.200.000

12,22

[4]

Líbano

3.900.000

1.700.000

43,59

 

Tadjiquistão

7.300.000

1.100.000

15,00

 

Kuwait

2.400.000

730.000

30,42

 

Bahrein

700.000

520.000

74,29

 

Emirados Árabes Unidos

2.600.000

160.000

6,15

 

Qatar

890.000

140.000

15,73

 

Omã

3.100.000

31.000

1,00

 

Referência: Baseado em dados recolhidos de numerosos artigos científicos, governos e ONG em Leste e Oeste.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Islâmicos xiitas autoflagelando-se em homenagem ao ´imame´ Hussein. Esta dantesca manifestação de fé é um ato valorizado em vários países islâmicos. Hussein era neto de Maomé e foi assassinado em 680 d. C. Os xiitas consideram ´infiéis´ os islâmicos que se recusam a participar de tal manifestação de devoção.

 

Seitas dentro do xiismo

O Islão xiita contemporâneo pode ser subdividido em três ramos principais: os xiitas dos Doze Imãs, os ismaelitas e os zaiditas. Todos estes grupos estão de acordo em relação à legitimidade dos quatro primeiros Imãs. Porém, discordam em relação ao quinto: a maioria do xiitas acredita que o neto de Hussein, Muhammad al-Baquir era o imã legítimo, enquanto que outros seguem o irmão de al-Baquir, Zayd, sendo por isso conhecidos como zaiditas. O xiismo zaidita (ou dos partidários do quinto imã) foi sempre minoritário e encontra-se hoje praticamente limitado ao Iémen.

 

Os xiitas que não reconheceram Zayd como Imã permaneceram unidos durante algum tempo. O sexto imã, Jafar al-Sadiq, foi um grande erudito que é tido em consideração pelos teólogos sunitas. A principal escola xiita de lei religiosa recebe o nome de "Jafari" por sua causa.

Após a morte de Jafar al-Sadiq, em 765, ocorre uma cisão no grupo: uns reconheciam como imã o filho mais velho de al-Sadiq, Ismail (morto em 765), enquanto que para outros o imã era o filho mais novo, Musa (morto em 799). O último grupo continuou a seguir uma cadeia de imãs até ao décimo segundo, Muhammad al-Mahdi (falecido em 874). Ficaram conhecidos como os xiita dos Doze, enquanto que os primeiros como ismailitas; o termo xiita é geralmente usado hoje em dia como sinónimo dos xiitas dos Doze (ou duodecimâmicos), uma vez que são os xiitas maioritários.

 

Para os ismailitas, Ismail nomeou o seu filho Muhammad ibn Ismael como seu sucessor, tendo a linha sucessória dos imãs continuado com ele e com os seus descendentes. Os ismailitas tornaram-se poderosos no século X no Norte de África, onde fundam na Tunísia a dinastia dos fatímidas (909-1171) que em 969 conquista o Egipto (onde fundam a Universidade de Al-Azhar) e a Síria. O persa Muhammad al-Darazi declarou que o quarto califa fatímida, al-Hákim, era Deus, dando origem à religião drusa.

 

O ismailismo dividiu-se ainda em outros grupos, que orbitavam em torno de dois irmãos, Nizar (m. 1095) e al-Mustacli (m. 1101). Os governantes fatímidas apoiam al-Mustacli e os seguidores de Nizar foram obrigados a fugir, fixando-se nas montanhas da Síria e da Pérsia. Os partidários da causa nizari organizam-se num movimento conhecido como Fidáiyya ("a gente do sacrifício") ou ainda Ta´limiyya ("da doutrinação"), a que os seus inimigos (entre os quais se encontravam os Cruzados) deram o nome de Hashishiyya ("assassinos"), devido ao facto dos seus membros serem consumidores de haxixe.

 

Os Hashishiyya ficaram conhecidos por uma série de assassinatos políticos. No século XIX, o rei da Pérsia deu o título de Aga Khan ao imã de uma das subseitas dos ismailitas nizaris, os Qasimshahitas. Actualmente, a maioria dos ismailitas encontra-se neste grupo.

No século XIX Siyyid Ali Muhammad provoca uma divisão no seio da comunidade xiita dos Dozes Imãs, ao proclamar-se como manifestação de Deus, tomando o nome de Báb, "Porta", porque acreditava ter contacto directo com o décimo segundo imã que tinha desaparecido em 874. Fuzilado em 1850, um dos seus discípulos, conhecido como Bahá'u'lláh, fundou a Fé Bahá'í, hoje em dia considerada uma religião independente do islão.

 

De acordo com os xiitas dos Doze Imãs, os doze descendentes de Ali detêm um estatuto especial; eles são inferiores ao profeta, mas superiores ao comum dos mortais. Eles são vistos como sucessores directos corporais e espirituais do profeta, infalíveis, inspirados divinamente e escolhidos por Deus.

 

O Imã oculto

Um imame, imamo, imã ou imam (em árabe امام, "aquele que guia" ou "aquele que está adiante") é o pregador no culto islâmica e também designa os principais líderes religiosos do Islão que sucederam ao profeta Maomé.

 

Os xiitas dos Doze Imãs acreditam que Muhammad al-Mahdi encontra-se escondido e que regressará no fim do mundo. Este Imã oculto (escondido) é capaz de enviar mensagens aos fiéis. Alguns xiitas iranianos acreditavam que o falecido Aiatolá Khomeini (não confundir com Aiatolá Khamenei, o actual aiatolá supremo do Irã) teria recebido inspiração do 12º e último Imã.

Os crentes divergem quanto ao que irá acontecer ao último Imã quando regressar (apesar de algumas seitas reservarem esse título para Isa). Acredita-se normalmente que o último Imã será acompanhado pelo profeta Jesus e que irá revelar a mensagem do Islão à humanidade. No islão xiita é obrigação de cada muçulmano seguir um Marja vivo. Há vários Marjas xiitas vivos hoje, com: Aiatolá Khamenei, Aiatolá Ali al-Sistani, Aiatolá Fazil Linkarani, Aiatolá Sadiq Sherazi, Aiatolá Fadlullah etc.

 

O ritual da Ashura

A lembrança da Ashura é quando os muçulmanos xiitas lembram o martírio de Hussein, neto de Maomé em Karbala, onde tal massacre, que teve mulheres e crianças massacradas, foi perpetuado pelas mãos de Yiazid, o filho de Muawya, aquele que havia lutado contra Ali e usurpado o califado de Hassan.

No Iraque, em certas regiões, a Ashura tomou uma visão grotesca, com autoflagelações e situações anti-islâmicas.

A autoflagelação é proibida dentro do Islão, e esta atitude é realizada por uma ínfima minoria dentro do xiismo, mas muitos acreditam que é um ponto comum entre todos os muçulmanos xiitas. Grandes sábios desaprovam e se opõem vigorosamente contra a autoflagelação, chamando-a de bidah ("inovação"). No Irão por exemplo, Khamenei coloca tropas nas ruas para proibir tal barbaridade, no Líbano o Hezbollah não permite que seus membros realizem esse tipo de horror, assim como Fadlullah, Sistani, enfim, todos os sábios xiitas, não o ratificam.

Os 12 Imãs dos islã xiita

01.    Imã Ali ibn Abi Talib, "O Príncipe dos Crentes"

02.    Imã Al-Hassan Ibn Ali, "Al-Mujtaba"

03.    Imã Al-Hussein Ibn Ali, "Senhor dos Mártires"

04.    Imã Ali Ibn Al-Hussein, "Formosura dos Devotos"

05.    Imã Mohammad Ibn Ali, "O Erudito"

06.    Imã Jaafar Ibn Mohammad, "O Verídico"

07.    Imã Mussa Ibn Jaafar, "O Silencioso"

08.    Imã Ali Ibn Mussa, "A Aprovação"

09.    Imã Mohammad Ibn Ali, "O Generoso"

10. Imã Ali Ibn Mohammad, "O Orientador"

11. Imã Al-Hassan Ibn Ali, "Nascido em Ascar"

12. Imã Mohammad Ibn Al-Hassan, "O Guia ou Al-Mahdi"

Referências

1.    Almanaque Abril 2007, p.285

2.    World Directory of Minorities and Indigenous Peoples - Turkey : Alevis

3.    Shankland, David. The Alevis in Turkey: The Emergence of a Secular Islamic Tradition. [S.l.]: Routledge (UK), 2003. ISBN 0-7007-1606-8

4.    http://www.futureofmuslimworld.com/research/detail/the-shiite-turn-in-syria

Ver também

·         Karbala,

·         Jafari,

·         Imam,

·         Fatímidas,

·         Ismaelita,

·         Islão Sunita,

·         Zaiditas

ZAIDITAS

Os zaiditas, são uma seita xiita, moderada, atualmente majoritária apenas no norte do Iemem, porém minoritária no conjunto do país que é de maioria sunita.No passado esse grupo ocupava partes da antiga Persia, principalmente nas regiões em torno do Mar Caspio. Deve seu nome a Zayd ibn Ali ibn al-Husayn, um dos filhos do quarto imã xiita. Zayn al-Abidin, que se rebelpou inutilmente em Kufa no ano de 740 d.C. contra o poder omayyde, considerado por ele usurpador e ostil a Ahl al-Bayt</nowiki> A revolta de Zayd foi a primeira a ocorrer depois do massacre de Kerbela. Foi precedida por uma permanencia de Zayd em Basra que la permaneceu por dois meses e por outro período em Kufa. As ideias defendidas pela revolta possuiam muitas implicações religiosas e sociais ( entre outras defendia a legitimidade da deposição do Iman no caso de falha no cumprimento de preceitos religiosos)característica esta que marcara o Zaidismo durante muito tempo, caracterizando-o como um movimento muito perigosos aos olhos do poder constituido islamico.

 

A atividade do descendente de profeta Maome, não demorou a chamar cada vez mais a atenção, obrigando Zayd a proteger-se na mesquita da cidade ajudado por algumas centenas de seguidores ao contrario dos milhares que, anteriormente se tinham oferecido para apoia-lo contra os Omayyadi. O wali Yusuf ibn Umar al-Thaqafi, parente de al-Hajjaj ibn Yusuf, conseguiu sufocar a resistencia de Zayd e seus seguidores quando seu líder foi morto retiraram seu corpo secretamente e providenciam um local secreto para sua tumba, tentando evitar ofensas ao seu cadaver. Apesar desses cuidados, Ysuf ibn Umar consegiu descobrir o lugar do sepultamento. Desenterrou o cadaver, cortou a sua cabeça enviando-a ao califa Hisham ibn Abd al-Malik que por sua vez, a expos em Damasco, Mecca e finalmente em Medina.

 

O corpo crucificado ficou exposto no depósito de lixo em Kufa por três anos. A bandeira da revolta foi retomada pelo filho de Zayd, Yahya in Khorasan, e também desta vez não conseguiu ser vitoriosa, no ano de 743 foi derrotada pelo wali Nasr ibn Sayyar. Apesar de derrotadas no campo de batalha, as ideias de Zayd semearam em profundidade entre a população o ódio contra a dinastia dos califas, ódio esse propulsor das primeiras e mais importantes manifestações da assim dita "revolução abbaside". Se no campo da jurisprudencia o Zaidismo não é muito diferente dos madhhab sunnitas, podendo até ser considerado "moderado", no campo político trouxe diversas novidades, a ponto de incluir esse movimento entre aqueles considerados "extremistas" (a terminologia arabe usa a palavra ghuluww para caracterizar o movimento). O Zaidismo de fato não exige parentescos de sangue com a decendencia "hasanide" ou "husaynide" da Shia ( dos nomes dos dois filhos de Ali ibn Abi Talib e de Fatima bint Maome)para pleitear a liderança da Islamismo, determina porem que o poder sera legalmente de quem saiba guiar os mussulmanos contra os usurpadores e opressores, dando uma coloração "militante" ao movimento o que o transformou nos primeiros séculos de vida od Islam, em um dos movimentos mais perigosos, juntamente com os Kharigiti e o dos Carmatas Ismaelitas

Fonte: Wikipedia

 

 

 

107.47 - SUNITAS

Os sunitas formam o maior ramo do Islão, ao qual no ano de 2006 pertenciam 84%[1] do total dos muçulmanos. A maioria dos sunitas acredita que o nome deriva da palavra Suna (Sunna), que se refere aos preceitos estabelecidos no século VIII baseados nos ensinamentos de Maomé e dos quatro califas ortodoxos. Alguns afirmam, porém, que o termo deriva de uma palavra que significa "um caminho moderado", referindo-se à ideia de que o sunismo toma uma posição mais neutra do que aquelas que têm sido percebidas como mais extremadas, como é o caso dos xiitas e dos caridjitas.

História

No Islã, o desacordo político manifestou-se muitas vezes pelo desacordo religioso. O exemplo mais antigo disto foi que 30 anos após a morte de Maomé (Muhammad), a comunidade islâmica mergulhou numa guerra civil que deu origem a três grupos. Uma causa próxima desta guerra civil foi que os muçulmanos do Iraque e do Egito ressentiram-se do poder do terceiro califa e dos seus governadores; outra causa foi a de rivalidades comerciais entre facções da aristocracia mercantil.

Após o assassinato do califa, a guerra eclodiu entre grupos diferentes, todos eles lutando pelo poder. A guerra terminou com a instauração de uma nova dinastia de califas que governavam desde Damasco.

Um dos grupos que surgiram desta disputa foi o dos sunitas. Eles tomam-se como os seguidores da sunna ("práctica") do profeta Maomé tal como relatada pelos seus companheiros (a sahaba). Os Sunitas também acreditam que a comunidade islâmica (ummah) se manterá unida. Eles desejavam reconhecer a autoridade dos califas, que mantinham o governo pela lei e persuasão. Os sunitas tornaram-se o maior grupo islâmico.

Dois outros grupos menores surgiram também deste cisma: Os xiitas e os kharijitas, também conhecidos por "dissidentes". Os xiitas acreditavam que a única liderança legítima era a que vinha da linhagem do primo e genro de Maomé, Ali. Os xiitas acreditavam que o resto da comunidade cometera um erro grave ao eleger Abu Bakr e seus dois sucessores como líderes. Já os kharijitas inicialmente apoiaram a posição dos xiitas de que Ali era o único sucessor legítimo de Maomé, e ficaram decepcionados quando Ali não declarou a guerra no momento em que Abu Bakr tomou a posição de califa, crendo que isto era uma traição ao seu legado por Deus. Ali foi mais tarde assassinado pelos kharijitas com uma espada envenenada.

Base para a teologia

Os sunitas baseiam a sua religião no Alcorão e na Suna, como está registrada nos livros de hadith. As coleções hadith de Sahih Bukhari e Sahih Muslim são consideradas pelos sunitas como as coleções mais importantes. Para além destes dois livros, os sunitas reconhecem quatro outros livros hadith de autenticidade credível (apesar de não tão alta como os de Bukhari e de Muslim), todos juntos eles constituem os chamados "Seis Livros" ou também referenciados como Kutubi-Sittah.

Visão de outros grupos

Os sunitas não são unânimes quanto às suas visões dos xiitas. No entanto, os sunitas não consideram as diferenças entre xiitas e sunitas comparáveis às diferenças entre os diferentes mazahib do Fiqh (direito islâmico) sunita. Uma pequena minoria acredita que os xiitas (especificamente os Jafaryia ou Os dos doze) podem ser considerados como uma "quinta madhab" do Islão.

Um decreto da prestigiosa Universidade Al-Azhar no Egipto, apoiando este último ponto de vista foi amplamente condenado por académicos sunitas em todo o mundo. Geralmente, a maioria dos sunitas considera o xiismo como um grupo herege, rebelde, mas dentro do Islão.

No entanto, todas as três tendências estabelecidas dentro do sunismo, os Berailvi, os Deobandi e os Wahhabi consideram os xiitas como apóstatas (desertores) do Islão.

Por outro lado, grupos como a Nação do Islão, Ahmadiyya, e Ismailis são considerados como hereges pela maioria dos sunitas e por isso estão fora do Islão.

Na Rússia do século XIX (no Tartaristão e na Ásia Central), uma nova teologia do sunismo surgiu, conhecida como o Jadidismo ou Euroislão. A sua principal qualidade foi a tolerância para com outras religiões.

Referências

  1.  Almanaque Abril 2007, p. 285

 

107.48 - RELIGIÃO CURDA (Os Curdos)

A maior nação sem pátria

Descendentes do antigo império medopersa (nação a quem pertenceu o Rei Dario, e ante quem serviu o profeta Daniel) os curdos lutaram muito para possuir seu próprio território como pátria para dar um lar a seus mais de 20 milhões de habitantes que hoje vivem divididos entre a Turquia, Síria, Iraque e Irã. São na maioria muçulmanos, apenas se conhecem crentes entre eles.

Determinar o número exato é impossí­vel. Os governos de seus respectivos paí­ses tendem a subestimar seu número, enquanto que seus movimentos nacionalistas o exageram.

Eles são descendentes dos medopersas mencionados na Bíblia Em 612 a.C. conquistaram Ní­nive, e por sua vez foram conquistados pelos persas em 550 a.C. Alguns antropólogos os identificam com os elamitas mencionados na profecia de Jeremias 49. No século VII d.C., ao se converterem, na sua maioria, ao islamismo.

Os Curdos mais famosos da história foram Dario, o Medo, que reinou na Pérsia no tempo de Daniel, e Saladino, que lutou contra o Rei Ricardo Coração de Leão, nas cruzadas e reconquistou Jerusalém para o islamismo em 1187.

Os curdos (em curdo Kurdên) são um grupo étnico que se considera como sendo nativo de uma região frequentemente referida como Curdistão, que inclui partes adjacentes de Irã, Iraque, Síria , Turquia , Armênia e Georgia. Comunidades curdas também podem ser encontradas no Líbano, Armênia, Azerbaijão (Kalbajar e Lachin, a oeste de Nagorno-Karabakh) e, em décadas recentes, em alguns países europeus e nos Estados Unidos. Etnicamente aparentados com outros povos iranianos, eles falam curdo, uma língua indo-européia do ramo iraniano. Todavia, as origens étnicas curdas são incertas.

De acordo com Vladimir Minorsky, "não há dúvidas que o termo mar (medos) se refere aos curdos". Além disso, ele escreve que "no raro manuscrito armênio contendo amostras de alfabetos e línguas, escrito em algum momento antes de 1446, uma oração curda aparece como exemplo da língua dos medos".

Curdos na Turquia

Aproximadamente metade de todos os curdos vivem na Turquia. De acordo com o CIA Factbook, eles representam 20% das 70 milhões de pessoas da Turquia, ou seja, há cerca de 8 milhões de curdos na Turquia. Outras estimativas variam entre 8 e 10 milhões. Eles estão predominantemente distribuídos no sudeste do país.

Curdos no Irã

Os curdos constituem aproximadamente 7% da população total do Irã. Alguns curdos iranianos têm resistido aos esforços do governo iraniano, tanto antes quanto depois da revolução de 1979, para assimilá-los na vida nacional. Junto com os curdos de regiões no Iraque e na Turquia, há movimentos separatistas que apóiam a idéia de se estabelecer um estado independente curdo.

Curdos na Síria

Os curdos são cerca de 15% da população da Síria, o que corresponde a cerca de 1,9 milhão de pessoas. Isto faz deles a maior minoria étnica no país. Eles estão majoritariamente concentrados no nordeste e no norte mas há também populações curdas significativas em Aleppo e Damasco. Eles falam com freqüência curdo em público, a menos que todos os presentes não o façam. Os ativistas de direitos humanos curdos são maltratados e perseguidos. Nenhum partido político é permitido a qualquer grupo, curdo ou não.

 

Curdos na Armênia

Entre as décadas de 1930 e 1980, a Armênia fez parte da União Soviética e os curdos, como outros grupos étnicos, tinham o status de minoria protegida. Aos curdos armênios era permitido ter seu próprio jornal patrocinado pelo estado, transmissões de rádio e eventos culturais.

 

Curdos no Azerbaijão

Em 1920, as duas áreas habitadas por curdos de Jewanchir (capital Kalbajar) e Zangazur oriental (capital Lachin) foram reunidas para formar o Curdistão Vermelho (Kurdistan Uyezd). O período de existência da unidade administrativa curda foi breve e não durou após 1929. Os curdos subseqüentemente enfrentaram muitas medidas repressivas, inclusive deportações. Como resultado do conflito em Nagorno-Karabakh, muitas regiões curdas foram destruídas e mais de 150.000 curdos foram deportados desde 1988.

 

Diáspora curda

De acordo com um relatório do Conselho da Europa, aproximadamente 1,3 milhão de curdos vivem na Europa Ocidental. Os primeiros imigrantes foram os curdos da Turquia. que se estabeleceram na Alemanha, Áustria, países do Benelux, Reino Unido (especialmente em Londres), Suíça e França durante a década de 1960. Períodos sucessivos de confusão política e social no Oriente Médio durante as décadas de 1980 e 1990 causou novas ondas de refugiados curdos para a Europa, a maioria do Iraque sob Saddam Hussein e do Irã.

Houve também uma imigração significativa de curdos para a América do Norte, principalmente refugiados políticos e imigrantes em busca de oportunidades econômicas. Estima-se que 100.000 curdos vivam nos Estados Unidos, 50.000 no Canadá e menos de 15.000 na Austrália.

Religião

Um povo com crenças próprias

Religião de origem mazdeísta, não obstante os curdos tem sido fiéis seguidores de um provérbio que se aplica a toda a minoria do Oriente Médio: "Mais vale uma raposa em liberdade do que um leão preso". Assim, o povo curdo teve que mudar sua religião para sobreviver. Da mesma forma, mantém antigas crenças em espí­ritos que habitam em cavernas, montanhas e vales.

 

O Iazdânismo se refere a um grupo de religiões monoteístas praticadas entre os curdos: o Alevismo, o Iarsanismo e o Iazidismo. O principal elemento nas religiões iazdânis é a crença em sete entidades angélicas que protegem o mundo, e por isso estas tradições são chamadas de Culto dos Anjos. A religião original dos curdos era o Iazidismo, uma religião muito influenciada pelas crenças judaica, zoroastriana, cristã e islâmica. Todavia, há diferenças significativas entre o Iazdânismo e o Zoroastrismo, como a crença na reencarnação. A maioria dos iazidis vive no Curdistão iraquiano, nas vizinhanças de Mosul e Sinjar. A religião Iarsã (ou Ahl-e Haqq) é praticada no oeste do Irã, principalmente nos arredores de Kermanshah. O Cristianismo e o Judaísmo ainda são praticados por poucos. A rabina Asenath Barzani, que viveu em Mosul de 1590 a 1670, foi uma das primeiras mulheres judias a se tornar rabina.

Atualmente, a maioria dos curdos é oficialmente muçulmana, pertencendo à escola Shafi'i do Islamismo sunita.

 

 

Alevismo:

Diferentes grupos étnicos turcos, zazas, curdos, turcomanos e azeris se encontram no interior da comunidade alevita, com uma concentração particular n Anatólia Central em uma correa de Çorum, no oeste, a Mu?, no leste. A única província dentro da Turquia com uma maioria alevita é Tunceli, conhecida antes como Dersim. Deve observar-se que os alevitas no antigo Dersim (atual Tunceli) e nas províncias de Mu? e Erzurum praticam um tipo inteiramente distinto de alevismo. Nos Bálcãs, especialmente na Albânia, há também uma comunidade grande de alevitas-bektashis.

 

Os alevitas (em turco: Alevileri) são seguidores de um ramo do islã xiita com algumas influências pre-islâmicas. É uma religião praticada principalmente na Turquia.

 

Etimologia

O nome deriva de Ali ibn Abi Talib (Ali), genro do profeta Maomé.

Os termos alevitas e alauítas (do turco: Alawï), embora compartilhem da mesma etimologia, fazem referência a grupos religiosos diferentes, com práticas diferenciadas. Os alawitas ou alauítas vivem principalmente na Síria.

Entretanto, segundo o linguista curdo Jamal Nebez, a palavra Alevita deriva provavelmente da palavra Halav ou Hilav com o significado ponta da chama do fogo. Alev também passa por ser a palavra turca para chama.

Alevitas

Os seguidores do alevismo (Alevîlik). Segundo as diferentes estimativas, a população alevita varia entre 20% e 30% da população da Turquia, ou seja, cerca de 14-21 milhões de fiéis, assim como três milhões no Irã e Turcomenistão e meio milhão de turcomanos alevitas no Iraque. O rito alevita há integrado muitas influências religiosas diversas a o longo do tempo, tal como religiões pré-islâmicas do Oriente Médio. A ordem sufista bektashi é um elemento significativo do alevismo. Alevitas Bektashi e alevitas Kizilbash veneram o Hajji Bektash Wali, um santo iraniano do século XIII que viveu a grande parte da sua vida em Hacıbektaş, na Anatólia Central. O idioma turco é utilizado nos rituais alevitas e enquanto se reza.

Crenças

A natureza da fé alevita pode ser difícil de definir, já que não têm uma autoridade central e se baseia em uma tradição oral transmitida que se manteve secreta para os estrangeiros durante séculos. As descrições tão variadas de alevitas podem ser encontradas por diversos grupos [1]. Os alevitas denunciam como são atacados ou discriminados pelos muçulmanos das correntes xiita e sunita, embora um alevita ortodoxo também tenha denunciado certas fações dentro do próprio alevismo. Sua crença em Alá varia. Embora certos grupos ortodoxos aceitem a ideia de um criador, algumas facções crêem que Alá é simplesmente um bom ser humano, enquanto os sunitas seguem os quatro califas: Abu Bakr, Omar, Osmã e Ali, os xiitas duodecimanos| (inclusive os alevitas) reconhecem Ali como o primeiro dos doze protetores da comunidade muçulmana. Entretanto, embora expressem sua crença no Alcorão, a maioria dos alevitas rechaça a prática da poligamia. Tradicionalmente, as celebrações rituais dos alevitas não ocorrem em uma mesquita, já que o imã Ali foi assassinado em uma delas, mas está conectada intimamente com o dede (ancião), cem alevita (do árabe atasco?, uma reunião), e cemevi (casa da reunião).

Tolerância

Os alevitas admitem valores como a humanidade, a democracia e um amplo respeito aos direitos humanos. Sentem-se obrigados a cumprir estes valores de uma maneira dogmática. Admiram particularmente a liberdade de pensamento e de religião. Reconhecem em cada seres humanos o livre expresso direito à autodeterminação, assim como o direito a manifestar sua própria fé. Cada um relatará depois seus rituais a seu arbítrio e a visão que mantém, ou se pode ser inclusive ateu, e não desejam forçar as próprias opiniões dos demais. Pelo tanto, os alevitas têm uma relação muito aberta para com outras religiões, reconhecimento de outros credos e de outras ideologias.

Bibliografia

  • John Kingsley Birge, The Bektashi order of dervishes, London and Hartford, 1937 (esgotado)

  • Karin Vorhoff, Zwischem Glaube, Nation und neuer Gemeinschaft: Alevitische Identität in der Türkei der Gegenwart, Berlin, 1995

  • Irène Mélikoff, Hadji Bektach, Um mythe et ses avatars. Genèse et évolution du soufisme populaire em Turquie., Leidem, 1998 [Islamic History and Civilization, Studies and Texts, volume 20], ISBN 90-04-10954-4

  • Aykam Erdemir, "Tradition and Modernity: Alevis' Ambiguous Terms and Turkey's Ambivalent Subjects", Middle Eastern Studies, 2005, vol.41, não.6, pp. 937–951.

  • Ali Yamam and Aykam Erdemir, Alevism-Bektashism: A Brief Introduction, London: England Alevi Cultural Centre & Cem Evi, 2006, ISBN 975-98065-3-3

 

Fontes:

wikipedia

http://www.pmibrasil.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=57:curdos&catid=25:religiaoislamica

http://wapedia.mobi/pt/Curdos?t=7.

 

 

Iazdânismo

 

 

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