Indice - compilado por Beraldo Figueiredo

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117 - RELIGIÕES DO MUNDO II

117.21 - PAGANISMO

Paganismo,[1] é um termo usado para se referir a várias religiões não Judaico-cristãs, no entanto, existem várias definições entre diferentes religiões entre o que pode realmente ser definido como sendo paganismo, sem consenso quanto ao que é correto.[2] Um grupo mantém o paganismo como um termo que inclui todas as religiões não-abraâmicas. Outros sustentam que o catolicismo romano tem suas raízes no paganismo, enquanto outros sustentam que o paganismo deve referir-se exclusivamente às religiões politeístas, incluindo a maioria das religiões orientais, as religiões e mitologias do povos nativos americanos, assim como as não-abraâmicas religiões folk em geral. Outras definições mais estreitas não incluem nenhuma das religiões mundiais e restringem o termo às correntes locais ou rurais não organizadas em religiões civis. Característico de tradições Pagãs é a ausência de proselitismo e a presença de uma mitologia de vida que explica a prática religiosa.[3]

O termo "pagão" é uma adaptação cristã do "gentio" do judaísmo, e como tal tem um viés abraâmico inerente, com todas as conotações pejorativas entre monoteístas ocidentais,[4] comparáveis aos pagãos e infiéis também conhecidos como kafir (كافر) e mushrik no Islã. Por esta razão, etnólogos evitam o termo "paganismo", por seus significados incertos e variados, referindo-se à fé tradicional ou histórica, preferindo categorias mais precisos, tais como o politeísmo, xamanismo, panteísmo ou o animismo.

Desde o século XX, os termos "pagão" ou "paganismo" tornaram-se amplamente utilizados como uma auto-designação por adeptos do neopaganismo.[5] Como tal, vários estudiosos modernos têm começado a aplicar o termo de três grupos distintos de crenças: Politeísmo Histórico (como a mitologia celta e o paganismo nórdico), folk/étnica/religiões indígenas (como a Religião tradicional chinesa e as religiões tradicionais africanas) e o neopaganismo (como a wicca e o neopaganismo germânico).

Etimologia

A palavra pagão provém do latim paganus, cujo significado é o de uma pessoa que viveu numa aldeia, num dado país, um rústico. O uso mais comum da palavra no latim clássico era utilizado para designar um civil, alguém que não era um soldado. Em torno do século IV, o termo paganus começou a ser utilizado entre os cristãos no Império Romano, para se referir a uma pessoa que não era um cristão e que ainda acreditava nos antigos deuses romanos.[6] A primeira é que a população cristã foram encontradas nas cidades de Roma e Constantinopla. As pessoas na rural estates - o pagani, maior probabilidade de ser adeptos da velha religião, adorando Júpiter e Apolo em vez de Cristo.[7][8]; cf. Orosius Histories 1. Prol. "Ex locorum agrestium compitis et pagis pagani vocantur." A segunda possível explicação é que os cristãos referidos a si próprios como 'milites' - como soldados de Cristo; e chamou não-cristãos 'pagani' - os civis.[9] Um terceiro explicação é que paganus pode significar simplesmente um estranho, não parte da comunidade, e os primeiros cristãos utilizado a palavra desta maneira.[10]

Paganus passado em eclesiástico latino, quando chegou ao longo do tempo para se referir à fiel de qualquer religião que não sejam o cristianismo. [11]

Nos estudos académicos acerca do Paganismo, têm sido discriminados alguns conceitos de referência:

Paleopaganismo

Incluem-se neste conceito as religiões do antigo Egipto, do mundo greco-romano da Antiguidade Clássica, a antiga religião dos celtas (Druidismo), a religião Norse ou mitologia nórdica, Mitraísmo, bem como as religiões das populações Nativo-americanos, como a religião Asteca, etc.

 

Cultura

Na Europa há um tronco da religiosidade pagã, com as suas ramificações germânicas e célticas, que se mostra linear quanto a algumas características:

·         A sua raiz paleolítica, dos tempos de grupos nomadas de caçadores-colectores, a principal característica é uma forte ligação à terra, à Natureza, tida como sagrada e viva.

·         A sua origem matriarca, há um sentimento de corresponsabilidade entre todos os membros da comunidade, ligados por laços de parentesco a uma ancestral comum.

·         Esse sentimento de ancestralidade é partilhado também com a Natureza e particularmente com os seres vivos, levando a um fundamental respeito a todas as formas de vida e existência.

·         Por isso, a cultura Pagã tem uma relação mágica com a Natureza.

·         Noção cíclica do tempo, a partir da ciclicidade dos fenómenos naturais (estações do ano, lunação, movimentos do sol, etc), em contraste à noção linear das culturas de matriz abraâmica.

·         O consequente sentimento de profunda responsabilidade e parceria com a Natureza, tornando os humanos corresponsáveis pela continuidade do círculo.

·         O que, por outro lado, também leva a um profundo respeito pelos antepassados, que sacrificaram suas vidas para que a comunidade continue a existir.

·         Desenvolvimento de uma medicina natural, baseada nas qualidades curativas das ervas, e xamânica, baseada no poder fértil da Natureza e na relação mágica com a realidade.

Havendo uma enorme diversidade entre as muitas religiões pagãs no mundo, estas características ilustram apenas as mais significativas ramificações europeias.

Religiosidade

Dos pontos comuns a todas as sociedades da Cultura Pagã, surgem as características das religiões pagãs, ou seja, dos esquemas que dão forma e concretude à espiritualidade pagã. Talvez possamos listar, com pouca margem de erros, as seguintes:

 

 

Procissão Perchten em Klagenfurt, Áustria, que é um resquício de uma prática realizada pelos pagãos históricos da área. Muitos elementos da cultura e do folclore europeu moderno são originários entre crenças e práticas pagãs.

·         Talvez a principal característica da religiosidade pagã seja a radical imanência divina, ou seja, a divindade se encontra na própria Natureza (o que inclui os humanos), manifestando-se através dos seus fenómenos.

·         A ausência da noção de pecado, inferno e mal absoluto. Como a relação com os deuses é sempre pessoal e directa, a ideia de uma afronta à divindade é tratada também pessoalmente, ou seja, entre o cidadão e a Divindade ofendida. Assim, sem noção de pecado, também não há noção de inferno.

·         A sacralidade da Terra também levou à ausência de templos, o que, no entanto, não impede a noção de Sítios Sagrados, em geral bosques, poços ou montanhas. Templos Pagãos são um desenvolvimento muito posterior.

·         A imanência dos deuses e a ideologia da ancestralidade divina, confere à divindade características antropomórficas e as relações tendem a ser estreitadas ao longo da vivência religiosa.

·         O calendário religioso se confunde com o calendário sazonal e agrícola, o que lhe confere um carácter de fertilidade. Portanto, as festividades acontecem nos momentos de mudança e auge de ciclos naturais.

·         Essas relações pessoais humanos/deuses, leva à ausência de dogmatismos ou estruturas religiosas padronizadas, havendo, pois, uma grande liberdade de culto: cada cidadão tem liberdade de cultuar dos Deuses em sua casa, da forma que desejarem. Basicamente, é uma religiosidade doméstica ou de pequenos grupos com laços de sangue ou de compromisso. No entanto, os Grandes Festivais são sempre rituais comunitários, pois comprometem todos os membros da comunidade.

·         A relação mágica com a Natureza obviamente se traduz numa religiosidade mágica.

·         A sacralidade da Natureza torna todas as religiões pagãs em religiões de comunhão, ou seja, que não visam dominar a Natureza, mas harmonizar-se com ela. Por isso, também são religiões intuitivas e emocionais. Em geral, os pagãos valorizam mais a vivência da religiosidade em detrimento das infindáveis discussões metafísicas.

·         O respeito aos ancestrais e o tradicionalismo que isso implica, faz das religiões pagãs uma experiência de continuidade do egrégor ancestral, ou seja, a repetição dos mesmos ritos, na mesma época, cria a união mística com todos aqueles que já celebraram antes. Nesse momento, o tempo é rompido e se estabelece uma relação mágica com ele também: a repetição do rito torna presente o momento primitivo da sua realização e todos aqueles que, ao longo dos séculos, dele tenham participado.

·         A perspectiva cíclica do tempo dá a certeza do eterno retorno. Embora alguns povos tenham desenvolvido a ideia de um "Outro Mundo", a vida pós-morte nunca foi um ideal Pagão, pois isso significaria ficar fora do ciclo e, portanto, da comunidade. Assim, o "Outro Mundo" (para aqueles que desenvolveram essa ideia) será apenas uma passagem entre uma vida e o renascimento. O encontro com a Deidade se dá sempre na comunhão com a Natureza, e não no Outro Mundo.

Obviamente, diferentes povos da Cultura Pagã desenvolveram suas liturgias e costumes religiosos típicos, locais e ancestrais, o que pode aparecer como diferenças entre religiões. No entanto, essas características básicas permanecem, pois são típicas do Paganismo.

Referências

1.      http://encarta.msn.com/dictionary_/pagan.htmll

2.      http://www.religioustolerance.org/paganism.htm- Robinson, B.A (2000). "What do "Paganism" & "Pagan" mean?" at religioustolerance.org

3.      "And it Harms No-one", A Pagan Manifesto, Janet Farrar & Gavin Bone, 1998.[1]

4.      "Pagan", Encyclopedia Britannica 11th Edition, 1911, retrieved 22 May 2007.[2]

5.      "A Basic Introduction to Paganism", BBC, visitado em 19 de maio de 2007.

6.      James J. O'Donnell Classical Folia 31(1977) 163-69

7.      [J. Zeiller, Paganus: Étude de terminologie historique (Paris 1917)]

8.      Watts, Alan W. "Nature, Man and Woman", 1991, Vintage Books, p. 25.

9.      B. Altaner, "Paganus: Eine bedeutungsgeschichtliche Untersuchung," Zeitschrift für Kirchengeschichte 38(1939) 130-41.

10.  C. Mohrmann, "Encore une fois: paganus," Études sur le latin des chrétiens 3.277-89; orig. pub. in Vigiliae Christianae 6(1952) 109-21.

11.  Catholic Encyclopedia - Paganism

Bibliografia

·         Jacob Burckhardt - Die Zeit Constanting des Grossen (Del paganismo al cristianismo : la época de Constantino el Grande, trad. Eugenio Imaz, México, Fondo de Cultura Económica, 1945).

·         Carlos Alberto Ferreira de Almeida - Paganismo : sua sobrevivência no Ocidente peninsular, separata Memorian António Jorge Dias, 2, Lisboa, 1975.

·         J. N. Hillgarth, ed., Christianity and Paganism, 350-750: The Conversion of Western Europe, Philadelphia, University of Pennsylvania Press, 1986.

·         Ward Rutherford, Os Druidas; Editora Mercuryo, 1992.

·         Cláudio Crow Quintino; O Livro da Mitologia Celta; Hi-Brasil Editora, 2002.

·         Stephen McNallen; What is Asatru; Ed. Amazon.

Fonte: Wikipedia

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117.22 - NEOPAGANISMO

Neopaganismo é o termo que descreve um grupo de religiões contemporâneas bastante heterogêneo. Este uso tem sido comum desde o renascimento neopagão na década de 1970, e agora é usado por acadêmicos e adeptos tanto para identificar novos movimentos religiosos que enfatizam o panteísmo e a veneração da natureza, e/ou que procuram reviver ou reconstruir os aspectos históricos do politeísmo. Cada vez mais, escritores eruditos preferem o termo "paganismo contemporâneo" para cobrir todos os novos movimentos religiosos politeístas, um uso favorecido pela publicação The Pomegranate: The International Journal of Pagan Studies.

 

O termo "neopagão" proporciona um meio de distinguir entre pagãos históricos de culturas politeístas antigas e/ou tradicionais e os adeptos de movimentos religiosos modernamente constituídos. A categoria das religiões conhecidas como "neopagãs" inclui desde abordagens sincréticas ou ecléticas como a Wicca, o Neo-Druidismo, o Dianismo e o Neo-xamanismo a abordagens mais ligadas a tradições culturais específicas, como as muitas variedades de reconstrucionismo politeísta (Helênico, Nórdico, etc). Nesse sentido, alguns reconstrucionistas rejeitam o termo "neopagão", porque pretendem criar uma abordagem historicamente orientada para além do neopaganismo mais eclético e geral.

A maior parte das religiões neopagãs são tentativas de reconstrução, ressurgimento ou - mais comumente - adaptação de antigas religiões pagãs, principalmente as da antigüidade pré-cristã européia, mas não restritas a estas, sem perder de vista as experiências e as necessidades apresentadas pelo mundo contemporâneo. Alguns neopagãos enfatizam sua conexão com formas antigas do paganismo, em uma forma de continuidade histórica marginal (à margem da religião que se auto-afirmava como única verdade no Ocidente, a cristã).

O neopaganismo é um termo referente às diversas formas de religiosidade que têm como lugar comum o encontro com o divino através da natureza.

 

Suas práticas envolvem a magia natural e a magia cerimonial, como também a busca da evolução através das terapias holísticas atuais.

Fonte: Wikipedia

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117.23 - PLATONISMO

O Platonismo é uma corrente filosófica baseada no pensamento de Platão. Indica a filosofia de Platão e da sua escola, isto é, os filósofos que se situam entre o século IV a.C. e a primeira metade do século I a.C..

Cerca de um século depois da morte de Platão, em 348 a.C., a Escola enveredou para o ceticismo sob a direção de Arciselau (século III a.C.).

A Academia de Platão

A Academia platônica assemelhava-se a uma congregação religiosa, consagrada a Apolo e às musas. Platão afirmava a existência de uma verdade suprema : as Idéias das formas ideais, eternas, imutáveis e incorruptíveis, das quais se origina o mundo sensível, tal como o percebemos, e que é sujeito ao devir, à corrupção e à morte.

A Academia foi fundada por Platão em 387 a.C.. Seu nome é alusivo ao herói de guerra Academo), que havia doado aos atenienses um terreno, nos arredores de Atenas, onde se construiu um jardim aberto ao público.

De uma maneira geral, os elementos centrais do pensamento platônico são:

·         A doutrina das idéias, onde os objetos do conhecimento se distinguem das coisas naturais;

·         A superioridade da sabedoria sobre o saber, uma espécie de objetivo político para a filosofia;

·         A Dialética, enquanto procedimento científico.

Períodos

O platonismo é geralmente dividido em três períodos:

·         Platonismo antigo propriamente detto;

·         Médio platonismo, [1] que remonta aos séculos I-II d.C.;

·         Neoplatonismo, desenvolvido no final da Antiguidade no período helenístico: mais que um período do platonismo, é considerado por muitos como uma verdadeira corrente filosófica propriamente dita.

Esta sudivisão foi operada por estudiosos dos tempos recentes. Todos, médio ou neoplatônicos, embora ampliando e modificando o significado originário da filosofia de Platão, pretendiam estar em linha de continuidade com a doutrina do mestre. Consideravam-se sobretudo como simples exegetas, mais do que inovadores.

Assim como todos os pensadores que, ao longo dos séculos, filiaram-se ao pensamento platônico (Plotino, Agostinho, Ficino), os neoplatônicos eram convencidos de que a verdade fosse algo que se descobria e não se inventava. Portanto o modo mais autêntico de fazer filosofia consistiria na reflexão sobre as verdades eternas, imutáveis e universais das Idéias - primeiramente descobertas por Platão.

Pode-se dizer, portanto, que o platonismo foi sempre entendido pelos platônicos como uma única corrente filosófica, que sempre permaneceu fiel a si mesma, ora como forma de interpretação e reelaboração do pensamento de Platão.

Referências

1.     Os estudiosos falam de medio platonismo para caracterizar a interpretação dada à filosofia de Platão durante os primeiros séculos da era imperial. A palavra médio encerra certo preconceito em relação aos pensadores dessa época, considerada como simples transição entre o platonismo cético da época helenística e o neoplatonismo, desenvolvido a partir do século III. Somente nas últimas décadas os historiadores da filosofia (J. Dillon, The Middle Platonists, Cornell University Press, Ithaca, N.Y. 1977) começaram a reavaliar a filosofia da era imperial, percebendo a originalidade e a especificidade dos pensadores médio-platônicos.

 Fonte: Wikipedia

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117.24 - NEO-PLATONISMO

O Neoplatonismo foi uma corrente de pensamento iniciada no século III que se baseava nos ensinamentos de Platão e dos platônicos, mas interpretando-os de formas bastante diversificadas. Apesar de muitos neoplatônicos não admitirem, o neoplatonismo era muito diferente da doutrina platônica. O prefixo neo, inclusive, só foi adicionado pelos estudiosos modernos para distinguir entre os dois, mas na época eles se autodenominavam platônicos.

O neoplatonismo começou com o filósofo Plotino, apesar de ele afirmar que recebeu os ensinamentos de Amônio Sacas, um estivador iletrado em Alexandria. Os escritos de Plotino foram reunidos pelo pupilo Porfírio nas Seis Enéadas.

O neoplatonismo é uma forma de monismo idealista. Plotino ensinou a existência de um Uno indescritível do qual emanou uma sequência de seres menores. Os filósofos do neoplatonismo tardio, especialmente Jâmblico, adicionaram centenas de deuses e seres intermediários como emanações entre o Uno e a humanidade. Mas o sistema de Plotino era muito mais simples em comparação. Os neoplatônicos não acreditavam no mal e negavam que este pudesse ter uma real existência no mundo. Isto era mais uma visão otimista do que dizer que tudo era, em última instância, bom. Era dizer apenas que algumas coisas eram menos perfeitas que outras. O que outros chamavam de mal, os neoplatônicos chamavam de imperfeição, de "ausência de bem". Neoplatônicos acreditavam que a perfeição humana e a felicidade poderiam ser obtidas neste mundo e que alguém não precisaria esperar uma pós-vida (como na doutrina cristã). Perfeição e felicidade (uma só e mesma coisa) poderiam ser adquiridas pela devoção à contemplação filosófica.

Entre os neoplatônicos posteriores estão incluídos Porfírio, Proclo, Jâmblico e Hipátia de Alexandria. Agostinho de Hipona foi neoplatônico antes da conversão ao catolicismo e algumas das obras mais otimistas foram escritas durante este período.

O neoplatonismo foi frequentemente usado como um fundamento filosófico do paganismo clássico, e como um meio de defender o paganismo do cristianismo. Mas muitos cristãos também foram influenciados pelo neoplatonismo. Em versões cristãs do neoplatonismo, o Uno é identificado como Deus. O mais importante destes foi Pseudo-Dionísio, o Areopagita, cuja obra foi muito influente na idade média. Agostinho de Hipona (ou como é mais conhecido, por Santo Agostinho) se converteu ao Cristianismo por influência de Plotino, levando muitos estudiosos a rotular Agostinho o como um franco neoplatonista. Contudo, eles notam que a subordinação da filosofia de Agostinho às Escrituras leva-a a diferir da filosofia não-cristã. Alguns estudiosos mostraram que o neoplatonismo também foi influenciado pela teologia cristã, notavelmente pelos sistemas de crenças do Gnosticismo.

Na idade média as idéias neoplatônicas influenciaram o pensamento dos judeus cabalistas, como Isaac, o Cego. No entanto, os cabalistas modificaram o neoplatonismo de acordo com as próprias propensões monoteístas. Um famoso filósofo judeu neoplatônico do início da idade média foi Salomão Ibn Gabirol. As idéias neoplatônicas também foram levadas para os pensadores islâmicos e sufis durante esse período, como Alfarabi e, através deste, Avicena.

O neoplatonismo sobreviveu no oriente como uma tradição independente e foi reintroduzida no ocidente por Plethon e subsequentemente revivido na renascença italiana por figuras como Marsílio Ficino, os Medici e Sandro Botticelli.

 

Características Gerais do Neoplatismo

O neoplatonismo pode ser considerado como o último e supremo esforço do pensamento clássico para resolver o problema filosófico, que tinha encontrado um obstáculo intransponível no dualismo e racionalismo gregos - dualismo e racionalismo que nem sequer o gênio sintético e profundo de Aristóteles conseguiu superar. O neoplatonismo julga poder superar o dualismo, mediante o monismo estóico, na qual o aristotelismo fornece sobretudo os quadros lógicos; e julga poder superar, completar, integrar a filosofia mediante a religião, o racionalismo grego mediante o misticismo oriental, proporcionando o racionalismo grego especialmente a forma, e o misticismo oriental o conteúdo.

Será acentuado o dualismo platônico entre sensível e inteligível, entre matéria e espírito, entre finito e infinito, entre o mundo e Deus: primeiro, identificando, por um lado, a matéria com o mal, e elevando, por outro lado, o vértice da realidade inteligível ao supra inteligível e, em segundo lugar, elaborando uma moral ascética e mística, em relação com tal metafísica, a qual, todavia, se esforçará por unificar os pólos opostos da realidade, fazendo com que da substância do Absoluto seja gerado todo o universo até a matéria obscura.

A filosofia antiga, em seu último período, não tem mais sua capital tradicional em Atenas, cidade grega por excelência. O centro do pensamento então se estabelece em Alexandria, cidade cosmopolita na qual vivem egípcios, judeus, gregos e romanos. É o local privilegiado de todos os intercâmbios, particularmente os intelectuais. A cidade é povoada de pensadores que dispõem de uma admirável biblioteca.

Isto nos ajuda a compreender o caráter sincrético, ou sintético, da filosofia neoplatônica. O racionalismo lúcido dos gregos se une - numa síntese muito original - aos fervores do misticismo oriental. Apesar das denegações dos céticos e da propaganda materialista dos epicuristas, nunca os homens foram tão famintos de Deus quanto nessa época. As religiões de salvação, o culto de Mitra, de Ísis, então se desenvolvem. O cristianismo tomará impulso. Preocupações filosóficas e religiosas se unem estreitamente. Os filósofos, além da verdade suprema, buscam a salvação. Os homens piedosos querem fundamentar suas crenças filosoficamente. Tal é a atmosfera que vamos encontrar envolvendo tanto Filon de Alexandria, quanto Plutarco ou Plotino.

 

117.24.1 - PLOTINO

Plotino (Πλωτῖνος, 205 Licopólis, Egito - 270 D.C.), foi um discípulo de Amônio Sacas por 11 anos e mestre de Porfírio. Plotino nos legou ensinamentos em seis livros, de nove capítulos cada, chamados de As Enéadas.

Plotino dividia o universo em três hipóstases: O Uno, o Nous (ou mente) e a Alma.

Uno

Segundo Plotino, o Uno refere-se a Deus, dado que sua principal característica é a indivisibilidade. "É em virtude do Uno [unidade] que todas as coisas são coisas." (Plotino, Enéada VI, 9º tratado)

Nous

Nous, termo filosófico grego que não possui uma transcrição direta para a língua portuguesa, e que significa atividade do intelecto ou da razão em oposição aos sentidos materiais. Muitos autores atribuem como sinônimo a Nous os termos "Inteligência" ou "Pensamento".

O significado ambíguo do termo é resultado de sua constante apropriação por diversos filósofos, para denominar diferentes conceitos e idéias. Nous refere-se, dependendo do filósofo e do contexto, vezes a uma faculdade mental ou característica, outras vezes a uma correspondente qualidade do universo ou de Deus.

·         Homero usou o termo nous significando atividade mental em termos gerais, mas no período pré-Socrático o termo foi gradualmente atribuído ao saber e a razão, em contraste aos sentidos sensoriais.

·         Anaxágoras descreveu nous como a força motriz que formou o mundo a partir do caos original, iniciando o desenvolvimento do cosmo.

·         Platão definiu nous como a parte racional e imortal da alma. É o divino e atemporal pensamento no qual as grandes verdades e conclusões emergem imediatamente, sem necessidade de linguagem ou premissas preliminares.

·         Aristóteles associou nous ao intelecto, distinto de nossa percepção sensorial. Ele ainda dividiu-o entre nous ativo e passivo. O passivo é afetado pelo conhecimento. O ativo é a eterna primeira causa de todas as subsequentes causas no mundo.

·         Plotino descreveu nous como sendo umas das emanações do ser divino.

Alma

Na Teosofia, a alma é associada ao 5º princípio do Homem, Manas, a Alma Humana ou Mente Divina. Manas é o elo entre o espírito (a díade Atman-Budhi) e a matéria (os princípios inferiores do Homem).

Assim, a constituição sétupla do Homem, aceita na Teosofia, adapta-se facilmente a um sistema com três elementos: Espírito, alma e corpo. Sendo a alma o elo entre o Espírito e o corpo.

 

117.24.2 - PLUTARCO

 

Plutarco (em grego, Πλούταρχος, transl. Ploútarkhos) de Queroneia (46 a 126 d.C.), filósofo e prosador grego do período greco-romano, estudou na Academia de Atenas (fundada por Platão).

Viajou pela Ásia e pelo Egipto, viveu algum tempo em Roma e foi sacerdote de Apolo em Delfos em 95d.C. O seu enorme prestígio valeu-lhe deter direitos de cidadão em Delfos, Atenas e mesmo em Roma (Mestrius Plutarchus). A sua ética baseia-se na convicção de que para alcançar a felicidade e a paz, é preciso controlar os impulsos das paixões. Escreveu sobre Platão, sobre os estóicos e os epicuristas, e estudou a inteligência dos animais comparando-a à dos humanos. É dele um pequeno e denso ensaio, onde expõe a habilidade no uso da astúcia com ética, Como tirar proveito do inimigo.

Segundo a tradição, Plutarco escreveu mais de 200 livros. Chegaram até nós cerca de 50 biografias de gregos (entre elas a "Vida de Licurgo") e romanos ilustres em que ambas são comparadas, conhecidas como as Vidas Paralelas e dezenas de outros escritos sobre os mais variados tópicos, designadas genericamente por Obras Morais ("Moralia"), sobre Filosofia, Religião, Moral, Crítica literária e Pedagogia.

 

117.24.3 - FILON DE ALEXANDREIA

Filon de Alexandria (nascido por volta de 25 a.C.) é bem representativo dos meios judeus helenizados que só sabiam ler a Bíblia na versão grega denominada dos Setenta (segundo a tradição, a Bíblia hebraica teria sido traduzida para o grego por setenta sábios, em Alexandria). Seus correligionários tinham-no encarregado de uma missão junto ao imperador Calígula (para serem dispensados do culto ao imperador, incompatível com o monoteísmo judaico).

Filon pretende fazer uma síntese entre os ensinamentos de Moisés, de Platão e de Zenão de Citium. Para ele, a Bíblia diz a verdade, mas sob forma alegórica. Platão traz a mesma mensagem sob forma filosófica. Como dirá mais tarde um discípulo de Filon, "Platão é um Moisés que fala grego". A idéia de Filon de harmonizar a revelação e a razão, a Bíblia e Platão, estaria fadada a uma grande existência. Num sentido, o grande problema da escolástica medieval, o da concordância entre razão e fé, é uma herança legada por Filon (é nesse sentido que Wolfson dirá que a filosofia medieval é inteiramente filoniana ).

Para Filon, o próprio Deus é inefável, inacessível às nossas abordagens. Todavia, podemos nos aproximar d'Ele por intermédio da renúncia ao mundo e do recolhimento da alma. Já Platão não houvera dito que é preciso morrer para o sensível, a fim de nascer para o inteligível? Se Deus é inacessível, o espírito humano, ao menos, pode participar do Inteligível - ao qual Filon denomina Logos , Verbo eterno de Deus, seu filho primogênito (protógonos). A concepção que São João faz do Verbo divino muito deve às fórmulas e às idéias de Filon de Alexandria.

 

Referências

·         "Neoplatonismo e Aristotelismo da Filosofia Árabe Medieval", SPINELLI, Miguel.

·         Revista Portuguesa de Filosofia, Vol. 55, 1999, pp. 59 – 98

Fontes:

·         Wikipedia

·         www.mundodosfilosofos.com.br/neoplatonismo.htm

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117.25 - RASTAFARIANISMO

O rastafarianismo, também conhecido como movimento rastafári ou Rastafar-I (rastafarai) é um movimento religioso que proclama Hailê Selassiê I, imperador da Etiópia, como a representação terrena de Jah (Deus). Este termo advém de uma forma contraída de Jeová encontrada no salmo 68:4 na versão da Bíblia do Rei James, e faz parte da trindade sagrada o messias prometido. O termo rastafári tem sua origem em Ras ("príncipe" ou "cabeça") Tafari ("da paz") Makonnen, o nome de Hailê Selassiê antes de sua coroação[1].

O movimento surgiu na Jamaica entre a classe trabalhadora e camponeses negros em meados dos anos 20, iniciado por uma interpretação da profecia bíblica em parte baseada pelo status de Selassiê como o único monarca africano de um país totalmente independente e seus títulos de Rei dos Reis, Senhor dos Senhores e Leão Conquistador da Tribo de Judah, que foram dados pela Igreja Ortodoxa Etíope.

Alguns historiadores, afirmam que o movimento surgiu, e teve posteriormente adesão, por conta da exploração que sofria o povo jamaicano, o que favorece o surgimento de idéias religiosas e líderes messiânicos.

Outros fatores inerentes ao seu crescimento incluem o uso sacramentado da maconha ou "erva", aspirações políticas e afrocentristas, incluindo ensinamentos do publicista e organizador jamaicano Marcus Garvey (também freqüentemente considerado um profeta), o qual ajudou a inspirar a imagem de um novo mundo com sua visão política e cultural.

O movimento é algumas vezes chamado rastafarianismo, porém alguns rastas consideram este termo impróprio e ofensivo, já que "ismo" é uma classificação dada pelo sistema babilônico, o qual é combatido pelos rastas.

O movimento rastafári se espalhou muito pelo mundo, principalmente por causa da imigração e do interesse gerado pelo ritmo do reggae; mais notavelmente pelo cantor e compositor de reggae jamaicano Bob Marley. No ano 2.000 havia aproximadamente um milhão de seguidores do rastafarianismo pelo mundo, algo difícil de ser comprovado devido à sua escolha de viver longe da civilização. Por volta de 10% dos jamaicanos se identificam com os rastafáris. Muitos rastafáris são vegetarianos, ou comem apenas alguns tipos de carne, vivendo pelas leis alimentares do Levítico e do Deuteronômio no Velho Testamento.

O encorajamento de Marcus Garvey aos negros terem orgulho de si mesmos e de sua herança africana inspiraram Rastas a abraçar todas as coisas africanas. Eles eram ensinados que haviam sofrido lavagem cerebral para negar todas as coisas negras e da África, um exemplo é o porque que não te ensinam sobre a antiga nação etíope, que derrotou os italianos duas vezes e foi a única nação livre na África desde sempre. Eles mudaram sua própria imagem que era a que os brancos faziam deles, como primitivos e saídos das selvas para um desafiador movimento pela cultura africana que agora é considerada como roubada deles, quando foram retirados da África por navios negreiros. Estar próximo a natureza e da savana africana e seus leões, em espírito se não fisicamente, é primordial pelo conceito que eles tem da cultura africana. Viver próximo e fazer parte da natureza é visto como africano. Esta aproximação africana com a natureza é vista nos dreadlocks, ganja, e comida fresca, e em todos os aspectos da vida rasta. Eles desdenham a aproximação da sociedade moderna com o estilo de vida artificial e excessivamente objetivo, renegando a subjetividade a um papel sem qualquer importância.

Os rastas dizem que os cientistas tentam descobrir como o mundo é por uma visão de fora, enquanto eles olham a vida de dentro, olhando para fora; e todo rasta tem de encontrar sua própria verdade.

Outro importante identificador do seu afrocentrismo é a identificação com as cores verde, dourado, e vermelho, representantativas da bandeira da Etiópia. Elas são o símbolo do movimento rastafári, e da lealdade dos rastas a Hailê Selassiê, à Etiópia e a África acima de qualquer outra nação moderna onde eles possivelmente vivem. Estas cores são freqüentemente vistas em roupas e decorações; o vermelho representaria o sangue dos mártires, o verde representaria a vegetação da África enquanto o dourado representaria a riqueza e a prosperidade do continente africano.

Muitos rastafáris aprendem a língua amárica, que eles consideram ser sua língua original, uma vez que esta é a língua de Hailê Selassiê, e para identificá-los como etíopes; porém na prática eles continuam a falar sua língua nativa, geralmente a versão do inglês conhecida como patois jamaicano. Há músicas de reggae escritas em amárico.

Costumes rastafari

A dieta rastafári

Os rastafáris adotam 9 principios e o 2º principio é: "Coma apenas I-tal", um termo Rasta que significa puro, natural ou limpo. Uma série de leis de dieta e de higiene foram formuladas para acompanhar a doutrina religiosa Rastafari. Um verdadeiro Rasta não poderia ingerir álcool, tabaco, mas usa a Cannabis (maconha ou ganja) de forma ritual.

São basicamente vegetarianos, dando uso escasso a alguns alimentos de origem animal, ainda assim proibindo o uso de carnes suínas de qualquer forma, peixes de concha, peixes sem escamas, caracóis e outros.

A comida I-tal seria o que Jah ordenou que fosse: "tudo o que não tem barbatanas ou escamas, nas águas, será para vós abominação." "Melhor é a comida de ervas, onde há amor, do que o boi cevado, e com ele o ódio." É comida que nunca tocou em químicos e é natural e não vem em latas. Quanto menos cozinhados, melhor, sem sais, condimentos, pois assim possui maior quantidade de vitaminas, proteínas e força vital. As bebidas são, preferentemente, herbais, como os chás. A bebida alcóolica, o leite ou café são vistos como pouco saudáveis.

Dreadlocks

Outro costume comum proibido era o de cortar ou pentear os cabelos. Essa tradição religiosa Rasta também é fundamentada em diretrizes sagradas.

Maconha

Ganja e marijuana são algumas designações para a Cannabis, uma erva psicoativa milenar. Ela é usada pelos Rastas, não para diversão ou prazer, mas sim para limpeza e purificação em rituais controlados. Alguns Rastas escolhem não a usar. Muitos sustentam o seu uso através de Génesis 1:29:

“E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento.”

A Medicina

A tradição Rastafari rasta não permite o uso (especifico para a cura de alguma doença)de qualquer tipo de remedio que não seja natural(ervas medicinais, por exemplo). Outro costume rasta, voltado á medicina, é a não presença de hospitais, medicos, etc... A origem desses hábitos provem de Génesis 1:29 , pois 'Jah' refere o uso de todo tipo de erva ou planta proveniente da face de toda a terra. Além disso, possuem a crença de que apenas 'Jah'(ou tudo que provém de sua grandeza, 'naturais') pode 'curar' um enfermo, e nenhum outro ser(médicos e etc) possui essa capacidade.

Fonte: Wikipedia

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117.26 - ANTIGO EGIPTO

Neter é uma palavra em egípcio sem tradução exata. A antiga religião egípcia, diferente do que muitos pensam, cultua apenas um único deus. Sendo este supremo, eterno, imortal, onisciente, onipresente e onipotente.

Mas este deus aparece de várias formas e aspectos, os Neteru (plural de Neter no masculino e Netert no feminino). Um exemplo para compreender melhor isso é a água, que sendo líquida, sólida ou gasosa continua sendo água.

Dessa forma os Neteru tem sua própria personalidade, ações e são cultuados. Os neteru também podem ser ditos como informações ou pistas para conhecer Deus. Por exemplo: se é nos informado apenas o nome de alguém, não temos o mínimo conhecimento desse, mas quanto mais pistas e informações sobre ele, melhor o conhecemos.

Desse modo os arqueólogos e egiptólogos que estudaram sobre a antiga religião egípcia, traduziram neteru como deuses e deusas, dando totalmente a informação errônea de que tais são forças independentes.[carece de fontes?]

Antiga religião egípcia

Princípios cósmicos

Deus Neter

Neteru primordiais

NunAtum Amon Aton Ka Ptah

Neteru geradores

Chu Tefnut Geb Nut

Neteru da primeira geração

Osíris Ísis Seth Néftis

Neteru da segunda geração

Hórus Hator Tot Maat Anúbis Anuket Bastet Sokar

Outros neteru

Mafdet Nekhbet Serket Sobek Meretseguer Iah Montu Uadjit Bes Hapi

Animais sagrados

Ápis Ammit Mnévis Benu

Humanos deificados

Amen-hotep Imhotep

Conceitos e elementos

Alma egípcia Ankh Religião no Antigo Egito

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117.27 -  ORDO TEMPLI ORIENTIS (O.T.O)

Ordo Templi Orientis (ou O.T.O.) é uma organização ocultista , que remonta a 1895 e possivelmente fundada em 1906 por Franz Hartmann e Theodor Reuss logo após a morte de karl Kellner, que teria sido um dos percursores do estudo da ordem.

A O.T.O também é conhecida genericamente como integrante do circulo de sociedades secretas germânicas.

Em 1912, Reuss no periódico Oriflamme teria dito que a Ordem tinha posse do grande segredo Hermético , sendo que após a morte do próprio em 1924 , Heirich Tränker teria feito de tudo para ter esse pretenso segredo , embora sua existência no poder da O.T.O. é deveras duvidoso.

Em 1925 , Aleister Crowley , tempos depois de ser expulso da Golden Dawn reformulou a Ordo Templi Orientis , tornando ela uma das principais representantes do movimento telêmico.

Fonte: Wikipedia

História da O.T.O.

por Carlos Raposo

Na nuvem de desinformações que lança sombras sobre a pouco conhecida história da Ordo Templi Orientis, tornou-se mote um tanto corriqueiro propalar o “pior homem do mundo”, Aleister Crowley (i.e. Frater Baphomet), como o sucessor direto e legal de Theodor Reuss (i.e. Frater Merlin Peregrinus), fundador e primeiro Chefe Externo da Ordem (ou O.H.O. Outer Head of the Order). Rapidamente, refletir um pouco sobre esta sucessão será o propósito deste post.

Inicialmente, é relevante expor que, no caso da sucessão Reuss-Crowley, boa parte das mencionadas desinformações tem dupla origem. Primeiro, ela vem de ninguém menos do que o próprio Crowley; depois, vem daqueles que por alguma obscura motivação religiosa ainda precisam repetir o que ele disse.

No que diz respeito ao que foi dito por Frater Baphomet, por exemplo, especificamente relacionado a sua posição como líder absoluto da O.T.O., ele declarou abertamente em suas Confessions que em 1922 Reuss (após ter sofrido um ataque cardíaco) haveria meramente desistido da liderança da Ordem em seu favor. Nas suas palavras:

…uma corporação foi fundada sob o nome O.T.O. (Ordo Templi Orientis)… Seu propósito é comunicar em noves graus os segredos, não apenas da maçonaria (com os Ritos de 3º, 7º, 33º, 90º, 97º), mas também da Igreja Católica Gnóstica, dos Martinistas, dos Sat Bhai, dos Rosacruzes, dos Cavaleiros do Espírito Santo e assim por diante, com um décimo grau honorário para distinguir um “Rei Santo e Supremo” da Ordem, situado em cada país onde ela estiver estabelecida. O Chefe desses reis é o O.H.O. (Outer Head of the Order - Chefe Externo da Ordem, ou Frater Superior), que é um autocrata absoluto. Essa posição na ocasião era ocupada por Theodor Reuss, o Rei Santo e Supremo da Alemanha, que em 1922 se demitiu do cargo em meu favor... (Crowley, 1979:700)

Citar as Confessions tem sua razão de ser: ocorre que este livro – que de modo magistralmente cínico foi denominado por Crowley como sua “autohagiografia”(1) – passou a ser a principal fonte a partir da qual alguns grupos que hoje se denominam Ordo Templi Orientis, sobremodo os mais sectários, através da repetição de suas palavras procuram estabelecer que Frater Baphomet já servia como O.H.O. desde 1922, ainda antes da morte do fundador e verdadeiro dono da Ordem, Theodor Reuss.(2) Entretanto, longe da abdicação de Reuss ser verídica, o que ocorre aqui é a precipitada tentativa de Crowley, sem qualquer tipo de comprovação minimamente convincente, de legitimar uma investidura como se esta lhe houvesse sido diretamente outorgada por Reuss. Contudo, como sabido, simplesmente tal sucessão jamais existiu.

Ademais, quando se considera os últimos anos de vida de Frater Merlin Peregrinus e sua completa antipatia e aversão tanto em relação à Aleister Crowley quanto à religião thelêmica criada pelo mago inglês, até mesmo a hipótese da citada abdicação soa como algo absurdamente tolo.(3)

O tema soa tão canhestro que nem sequer Karl Germer (1885-1962), fidelíssimo discípulo de Crowley (e seu legítimo herdeiro), acreditava nessa sucessão. Não foi por menos que ele afirmou não haver qualquer documento, carta ou sequer um módico registro nos diários de Crowley que comprovasse a suposta nomeação deste como líder máximo da Ordem (Koenig, 1994:43). Curiosamente, a lápide para o assunto, o esquife que encerra o caso de modo definitivo, vem do próprio Crowley, que findou por admitir por escrito a Heinrich Traenker (1880-1956), líder alemão da O.T.O., que Reuss jamais o havia escolhido como seu sucessor na Ordem (Koenig, 1999:18).(4)

Assim, hoje é praticamente um consenso entre os historiadores aceitar o fato de que Reuss simplesmente faleceu sem apontar qualquer nome para sucedê-lo na função de O.H.O., como líder internacional da sua Ordo Templi Orientis. Outrossim, tentar apresentar ou insinuar Crowley como sucessor legítimo e direto de Reuss, como se este houvesse intencionalmente transmitido seu cargo àquele, é algo considerado tanto primário quanto equivocado, e até mesmo tendencioso, visto ser uma alegação sem qualquer consistência ou sustentação histórica.

 

Deste modo, qualquer afirmação não embasada, cuja pretensão seja sugerir uma nomeação sucessória de Reuss para Crowley (como o fazem Wasserman, 1990:94 e Scriven, 2001a:11)(5) deve ser apreciada com extrema desconfiança. Informações distorcidas de igual jaez, quando examinadas de modo criterioso, revelam, por parte de seus autores, ou um crasso erro histórico ou uma distorção premeditada da realidade.

NOTAS:

1) Uma hagiografia é a biografia de um alguém considerado santo ou santa por uma religião qualquer. Crowley foi o primeiro autor, e até aqui o único autor, a escrever uma “autobiografia de um homem santo”, ou seja, uma autohagiografia. Aleister Crowley é considerado um homem santo, tanto por ele mesmo quanto pelos seguidores da religião thelêmica.

2) e.g., ver “O.T.O. Under Crowley” – uma versão em português desse texto pode ser lida aqui.

3) Relembrando, dentro desse contexto, no post “Uma reflexão sobre a questão da sucessão (I)”, escrevi que “nesse período Reuss passaria a desaprovar completamente qualquer ingerência de Aleister Crowley na sua O.T.O., indo ao extremo de considerar Thelema – a religião fundada por Crowley – uma ideologia nociva e comunista. Assim, Reuss purgaria de sua O.T.O. qualquer menção a Thelema, eliminado da Ordem todos os indícios da religião criada pelo afamado mago inglês. Como comprova a documentação disponível, de fato Reuss chegaria a romper qualquer contato com Crowley, dizendo inclusive que quaisquer ações do inglês não eram mais da conta nem dele e nem da Ordo Templi Orientis”.

4) Não deixa de ser relevante observar que aquilo que Crowley declara em suas Confessions é bem posterior à data da carta enviada a Traenker. Em outras palavras, ao escrever as suas Confissões o “pior homem do mundo” de fato já sabia que Reuss jamais o havia nomeado chefe da Ordem. Dito de modo mais claro, em sua “autohagiografia” Crowley simplesmente mentiu sobre o assunto.

5) James Wasserman e David Scriven são destacados membros da facção da O.T.O. hoje conhecida como “Califado”. Atualmente, Scriven é o líder (Rex Summus Sanctissimus) da Grande Loja para os E.U.A., sob o mote de Sabazius Xº.



BIBLIOGRAFIA

CROWLEY, 1979: The Confessions of Aleister Crowley. Edited by John Symonds and Kenneth Grant. Londres: Arkana.

KOENIG, Peter-Robert. 1994: Materialien zum OTO. München: AWR. _____ . 1999: “Introduction”. In: NAYLOR, Anton R (Ed.). O.T.O. Rituals and Sex Magick. Thame: I-H-O Books; pp. 13-61.

SCRIVEN, David (aka Tau Apiryon). 2001: “History of the Gnostic Catholic Church”. In: CORNELIUS, J. Edward (Ed) e CORNELIUS, Marlene (Ed). Red Flame - A Thelemic Research Journal, nº 2. Berkely: Red Flame Productions, pp 3-15.

WASSERMAN, James (aka Ad Veritatem). 1990: “An Introduction to the History of the OTO”. In: BETA, Hymenaeus (Ed.) The Equinox, Vol. III, nº X. Maine: Samuel Weiser, pp 87-99.

Fonte: http://orobas.blogspot.com/

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117.28 - SANTO DAIME

ORIGEM

O movimento religioso do Santo Daime começou no interior da floresta amazônica, nas primeiras décadas do século XX, com o neto de escravos Raimundo Irineu Serra. Foi ele que recebeu a revelação de uma doutrina de cunho cristão, a partir da bebida Ayahuasca (vinho das almas), por nós denominada Santo Daime.


http://www.santodaime.org/images/pixel.gifA bebida, de uso bastante difundido pelos povos indígenas da região, é obtida pela coccão de duas plantas, o cipó Jagube (banesteriopsis caapi) e a folha Rainha (psicotrya viridis) ambas nativas da floresta tropical. Ela tem propriedades enteógenas, isto é, produz uma expansão de consciência responsável pela experiência de contato com a divindade interior, presente no próprio homem.


http://www.santodaime.org/images/pixel.gifSegundo o próprio Mestre Irineu, ele recebeu essa Doutrina através de uma aparição de Nossa Senhora da Conceição,em uma das primeiras vezes que tomou a bebida, na região de Basiléia, Acre. Os hinos do Mestre, que ele começou a receber a partir do começo da década de 30 trouxeram uma forte ênfase nos ensinos cristãos e uma nova leitura dos Evangelhos à luz do Santo Daime, para afirmar, nos tempos de hoje, os mesmos princípios de Amor, Caridade e Fraternidade humana.

 

RELIGIÃO DA FLORESTA

O que é nossa religião?

http://www.santodaime.org/images/pixel.gifO Culto Eclético da Fluente Luz Universal é um trabalho espiritual, que tem como objetivo alcançar o auto-conhecimento e a experiência de Deus ou do Eu Superior Interno. Para tanto, se ultiliza, dentro de um contexto ritual tido como sagrado, da bebida enteógena sacramental conhecida como ahyausca e que foi rebatizada pelo Mestre Irineu como Santo Daime. O uso de uma substância enteógena como sacramento parece ter feito parte das principais tradições religiosas da antiguidade e fornecido a base visionária de muitas das principais grandes religiões hoje existentes no mundo.

http://www.santodaime.org/images/pixel.gifNosso culto litúrgico, que se resume em comungar, nas datas apropiadas, a bebida à guiza de sacramento, se denomina Eclético, por que suas raízes estão impregnadas de um forte sincretismo entre vários elementos culturais,folclóricos e religiosos.O uso do sacramento Santo Daime é relizado nas datas do seu calendário festivos, obedecendo as regras rituais que foram estabelecidas pelo Mestre Irineu e pelo Padrinho Sebastião.

http://www.santodaime.org/images/pixel.gifUm Conselho Espiritual dirige a Igreja e zela pela manutenção da tradição e dos princípios , ao mesmo tempo que procura adequá-las aos novos contextos .As principais festas do calendário religioso são os Hinários e os Feitios.Hinários são doze horas seguidas de cânticos e bailado em torno de uma estrela de seis pontas, ao som de diversos instrumentos e maracás.Feitios são as festas de produção do sacramento, quando toda a comunidade se mobiliza para fazer a bebida sacramental, que será consumida durante o calendário de trabalhos do ano.

http://www.santodaime.org/images/pixel.gifOutro elemento importante da espiritualidade daimista elaborada por Padrinho Sebastião foi a comunidade. A comunidade se constitui no ponto de referência comum para o trabalho espiritual de todos os membros.É a ela que deve retornar todas as boas aquisições que fazemos no nosso aprendizado espiritual.

 

http://www.santodaime.org/images/pixel.gifA Doutrina do Santo Daime ou a Doutrina do Mestre Irineu, como também é identificada, nasceu dentro da floresta, brotou no seio do seu povo, uma gente muito humilde e digna. A sua mensagem, que se encontra reunida na forma de coleções de hinos recebidos pelos mestres e adeptos,prega o amor pela natureza e consagra o mundo vegetal e todo o planeta como sendo o cenário sagrado da nossa mãe-terra.

http://www.santodaime.org/images/pixel.gifNosso trabalho mantém portanto vínculos muito profundos com a floresta e pela causa da sua preservação .Isso chega a ser uma questão de fundamento espiritual .

 

Para desenvolver essa parte social e ambiental do trabalho da nossa Igreja na Amazônia,foi criado o Instituto de Desenvolvimento Ambiental Raimundo Irineu Serra que se empenha hoje em gerir e buscar parcerias para projetos de desenvolvimento auto-sustentável , numa região de quase 200 000 ha de florestas, pertencentes a Floresta nacional do Purus, onde estamos assentados há cerca de 16 anos.

 

Tradições do uso de enteógenos:


Pajés, os xamãs da America do Sul

http://www.santodaime.org/images/pixel.gifDesde o Neolítico Superior que nossos ancestrais já utilizam certas plantas para fins medicinais e como meio de acesso ao reino dos espíritos. O impacto do seu uso na estruturação da psique e da cultura humana, é muito maior do que se pode imaginar. Hoje em dia, essas plantas são chamadas enteógenas, que significa: capaz de suscitar a experiência de Deus em si mesmo.

*       Seus compostos psico-ativos, produzem um estado de expansão de consciência. Num contexto espiritual apropiado,gera, experiências de êxtase místico. Nesses estados de consciência, é que os santos, os avatares e os profetas lançaram o alicerce para muitas das grandes religiões de massa dos nossos dias.

*       A intensidade da experiência mística desperta na consciência a sensação inefável de fazer parte da Totalidade. Esta não é uma abstração e sim uma verdade que se encontra nas camadas mais profundas do nosso ser. Vista através desse tipo de experiência,a Natureza não é apenas um conjunto de solo, paisagens, flora e fauna e sim uma parte de Gaia, o ser biológico espiritual planetário.

*       http://www.santodaime.org/images/pixel.gifA forma pela qual essa compreensão ficou mais preservada, é no xamanismo. Ele é, segundo uma clássica definição, aquelas técnicas arcaicas do êxtase ,através dos quais o xamã decifra a Natureza,viaja pelo Cosmos e intervém mágicamente nos corpos dos doentes.

*       http://www.santodaime.org/images/pixel.gifNa Amazônia Ocidental Brasileira, o xamanismo religioso dos pajés sempre esteve associado ao uso das plantas enteógenas . Uma das mais importantes delas é a ahyauasca, também denominada de Santo Daime, bebida misteriosa, em torno da qual convergem muitas tradições dos índios e caboclos da região.

FONTE: http://www.santodaime.org/

Santo Daime (Ayahuasca)
religião, misticismo ou droga?

Cid Martins Batista*

O Santo Daime, conhecido, também, como ayahuasca, oasca, vegetal, caapi e iagê, é uma bebida usada em rituais religiosos por inúmeros grupos indígenas do continente americano, sendo preparado pelo cozimento de dois vegetais da floresta amazônica: o cipó jagube e a folha chacrona, rainha ou mescla.

 
Usado, há muitos anos, pelos primeiros habitantes do extremo norte do Brasil, o Santo Daime já faz parte da cultura desse povo. Todavia, o seu uso ritualístico, que constitui a doutrina Santo Daime, foi influenciado pelo cristianismo e o espiritismo e tem características de outras religiões africanas. Mesmo usado há muito tempo com características religiosas, somente passou a ser notado a partir de 1930, quando o cidadão, da raça negra, Raimundo Irineu Serra, passou a chefiar uma pequena comunidade de negros moradores da região, que praticavam a cultura daimeana.


Compromisso
É interessante mencionar que o "mestre" Irineu, tomou a bebida, pela primeira vez, influenciado pelos índios. Antes de experimentar a primeira dose, ele assumiu um compromisso perante os amigos, nos seguintes termos: "Bom, eu vou tomar, se for uma coisa que me agrade, que me sirva, que dê nome ao homem, eu prometo levar para o meu Brasil. Em vez de ver demônios, como afirmavam os caboclos, eu só vi cruz, uma cruz que percorria o mundo inteiro. Mais tarde, recebi o hinário denominado Cruzeiro, que continha dezenas de hinos para serem cantados durante os rituais, o que tem sido feito até hoje..."

 
Lentamente, a esse pequeno grupo, se foram agregando outras pessoas de cor, credo e etnia diferentes, muitas das quais vieram a tornar-se líderes, à semelhança de mestre Irineu. Com o passar do tempo, a comunidade cresceu e se desmembrou em numerosos outros núcleos, que se estabeleceram em diferentes regiões da mata amazônica. Cada novo grupo formado tem um líder, que segue, religiosamente, os ensinamentos do velho mestre. Alguns desses novos líderes mudaram para outros estados, estabelecendo-se nas grandes cidades, onde foram criados novos núcleos, alguns dos quais funcionam regularmente.

 
No Acre, o Daime foi, inicialmente, usado por índios e seringueiros, sendo na atualidade consumido por numerosos habitantes da capital, Rio Branco, como, também, de outros municípios vizinhos, onde são encontrados vários centros espíritas. Segundo a pesquisadora Vera Fróes, em 1986, quando publicou o seu livro "Santo Daime, Cultura Amazônica, História do Povo Juramidam", havia no Acre uma população de 300 mil pessoas, das quais 120 mil, com certeza, já haviam tomado a bebida.

 
Seu uso já se constitui prática rotineira para quase todos os habitantes do Acre, principalmente os moradores da capital, num verdadeiro ritual que mais parece uma festa, com cânticos e danças, e se encerra com todos os membros rezando três Pais-Nossos, três Aves-Marias e uma Salve- Rainha. Para participar do ritual, o indivíduo tem que estar usando o fardamento adequado ao evento: farda branca para as festas oficiais e farda azul para os demais trabalhos. E cada participante toma, em média, quatro a cinco doses do Santo Daime.

O efeito

O Santo Daime, usado como chá, é preparado a partir de dois vegetais nativos da região amazônica, um conhecido como chacrona Psycotria Viridis, família das rubiáceas, e o outro, a ayahuasca Banisteriopsis caapi, família das malpigiáceas. Essas plantas contêm alcalóides e outras substâncias químicas com propriedades alucinógenas e psicotrópicas.

 
As principais substâncias encontradas na ayahuasca, resultante da decocção dos dois vegetais, são a harmina , também conhecida como banisterina, dihidroharmina, hermalol, harmalina, dimetiltriptamina (DMT), 5-metoxi-triptamina, cafeína, teobromina e outros.

 

A harmina é estimulante do sistema nervoso central, onde exerce a ação alucinógena. No passado, foi usada como remédio no tratamento do mal de Parkinson, como anti-helmíntico e para combater certas doenças nervosas. Seu uso constante, porém, pode provocar vômitos e causar sofrimento. Sua dose letal (DL) para ratos, via subcutânea, é de 200mg/kg de peso.

 
Os alcalóides beta-carbalina, existentes no cipó, inibem a enzima monoaminaoxidase (MAO), que degrada a dimetiltriptamina (DMT), o princípio ativo da folha que provoca alucinações visuais. Desse modo, não sendo destruída, a DMT continua exercendo a sua atividade alucinógena, caracterizada por fortes sensações luminosas. Sob o efeito dos componentes químicos do chá, o usuário entra em transe, quando, então, se sente robustecido na crença e na fé, manifestando-se nele a presença do espírito. Logo após manifesta-se a sonolência.

 
Sob o efeito do Daime, a pessoa sente como se estivesse viajando dentro de si mesma e a conseqüência se manifesta em modificações na percepção. Os sentidos tornam-se mais aguçados, podendo ocorrer estranhas visões luminosas, até mesmo causando a sensação de estar mantendo contato com pessoas distantes. Essa sensação pode ser tão forte que faz a pessoa sentir-se flutuando no espaço e se aproximando de Deus, para com Ele conversar. Finalmente, ela perde a noção de tempo, que pode variar para mais ou para menos, de acordo com as emoções mais íntimas de cada um.

 
Garantem alguns usuários, que o Santo Daime é reverenciado porque representa, para os praticantes da seita, disciplina, conselho, repreensão, vigor e conforto.

 
Qualquer análise da composição química desses dois vegetais, mesmo que superficial, leva a um questionamento que torna difícil, para qualquer um, emitir parecer favorável aos usuários do chá, atestando que o hábito de utilizá-lo não faz nenhum mal, como, também, afirmar o contrário, isto é, que o seu uso pode provocar dependência e, portanto, tornar-se altamente perigoso para a saúde. Se, por um lado, existem aqueles que fazem do uso do Santo Daime verdadeiro ritual místico, que deve ser praticado com veneração e respeito, e, por isso, não ultrapassam o limite de segurança na dose usada, existem, também, aqueles que usam o chá, simplesmente, por modismo, por espírito grupal, ou porque alguns membros da alta sociedade já o estão usando regularmente e, quase sempre, tomam a bebida repetidas vezes, introduzindo no organismo quantidades de substâncias psicotrópicas e alucinógenas em concentrações acima das consideradas normais. É de extrema importância mencionar que já existem milhares desses grupos espalhados pelo Brasil, funcionando regularmente.

Fonte:http://www2.brasil-rotario.com.br/revista/materias/rev939/e939_p30.html

 

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Indice - compilado por Beraldo Figueiredo

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