Indice - compilado por Beraldo Figueiredo

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117.9 - TEÍSMO, DEÍSMO e ATEÍSMO

Antonimo: ver Ateísmo

117.9.1 - TEÍSMO:

Teísmo (do grego Théos, "Deus") é uma crença na existência de deuses, seja um ou mais de um, no caso de mais de um, pode existir um supremo. Teísmo não é religião, pois não se trata de um sistema de costumes, rituais e não possui sacerdotes ou uma instituição. Teísmo é apenas o nome para classificar a opinião segundo a qual existe ou existem deuses. Algumas religiões são teístas, outras são deístas, panteístas, etc. Então, podemos dividir o Teísmo em:

Monoteísmo: crença em um só Deus.
Politeísmo: crença em vários deuses.
Henoteísmo: crença em vários deuses, mas com um supremo a todos.

Monoteísmo:
O monoteísmo (do grego: μόνος, transl. mónos, "único", e θεός, transl. théos, "deus": único deus) é a crença na existência de apenas um só Deus.Diferente do politeísmo que conceitua a natureza de vários deuses, como também diferencia-se do henoteísmo por ser este a crença preferencial em um deus reconhecido entre muitos.
A divindade, nas religiões monoteístas, é onipotente, onisciente e onipresente, não deixando de lado nenhum dos aspectos da vida terrena.mas lembrando que a espiritualidade é bem mais importante em um só Deus, que para além de ser considerado todo-poderoso é também um ícone moral para os adeptos de religiões monoteístas - exigindo dos fiéis observância de normas de conduta consideradas puras.
São exemplos de religiões monoteístas:
Judaísmo
Cristianismo
Islamismo
Zoroastrismo
Fé Bahá'í

Politeismo:
Politeísmo (do grego: Poli, muitos, Théos, deus: muitos deuses) consiste na crença em mais do que uma divindade de gênero masculino, feminino ou indefinido, sendo que cada uma é considerada uma entidade individual e independente com uma personalidade e vontade próprias, governando sobre diversas actividades, áreas, objectos, instituições, elementos naturais e mesmo relações humanas. Ainda em relação às suas esferas de influência, de notar que nem sempre estas se encontram claramente diferenciadas, podendo naturalmente haver uma sobreposição de funções de várias divindades.

O reconhecimento da existência de múltiplos deuses e deusas, no entanto, não equivale necessariamente à adoração de todas as divindades de um ou mais panteões, pois o crente tanto pode adorá-las no seu conjunto, como pode concentrar-se apenas num grupo específico de deidades, determinado por diversas condicionantes como a ocupação do crente, os seus gostos, a experiência pessoal, tradição familiar, etc.

São exemplos de religiões politeístas as da antiga Grécia, Roma, Egipto, Escandinávia, Ibéria, Ilhas Britânicas e regiões eslavas, assim como as suas reconstruções modernas como a Wicca, Xamanismo , Druidismo e ainda o Xintoísmo e as religiões afro-brasileiras.

Henoteísmo:
Henoteísmo é uma religião teísta. Em relação a outras crenças, é muito pouco conhecida, tendo poucos fiéis, embora alguns nem saibam que sejam (ver abaixo). A religião acredita em vários deuses, assim como o politeísmo, podendo ser qualquer tipo de divindade ou força natural existente. Porém, a crença também é dedicada a um deus supremo, como o monoteísmo, criador das outras divindades. Não existem religiões totalmente henoteístas, essa crença está presente em diversas outras como podemos ver na próxima seção.
Henoteísmo presente em diversas religiões
 

Cristianismo
Vários cristãos acreditam numa grande variedade de anjos, santos, demônios, porém eles sempre são inferiores a Santíssima Trindade. Embora muitos fiéis negam que tais seres sejam deuses, muitas vezes existem em orações ou crenças.

Hinduísmo
Atualmente o Hinduísmo é descrito como uma religião monista e algumas partes monoteísta. Porém, antigamente tais fiéis acreditavam, além de um deus supremo, certas forças da natureza que controlavam diferentes elementos.

Mitologia greco-romana
A mitologia greco-romana é um dos mais famosos exemplos de politeísmo, por crer em vários deuses, para diversos elementos ou sentimentos. Mas, segundo os mitos, existia o deus Zeus (ou Júpiter), que era supremo a todos, chamado de "O Deus dos Deuses".

Antiga religião egípcia
Na antiga religião egípcia, sempre existiram vários deuses (ou neteru), sendo Rá, o primeiro deus, considerado o líder e Amon, chamado de "O Rei dos Deuses" os mais poderosos. Mas, a crença diz que os dois seres se uniram (ver Antiga religião egípcia), formando o supremo Amon-Rá. Podendo dizer que o último seria superior a todas as outras divinidades.

117.9.2 - DEÍSMO:

Antonimo: ver Ateísmo
 

O deísmo é uma postura filosófico-religiosa que admite a existência de um Deus criador, mas questiona a idéia de revelação divina. É uma doutrina que considera a razão como uma via capaz de nos assegurar da existência de Deus, desconsiderando, para tal fim, a prática de alguma religião denominacional.

Introdução
O deísmo pretende enfrentar a questão da existência de Deus, através da razão, em lugar dos elementos comuns das religiões teístas tais como a "revelação divina", os dogmas e a tradição. Os deístas, geralmente, questionam as religiões denominacionais e seu(s) deus(es) dito(s) "revelado(s)", argumentando que Deus é o criador do mundo, mas que não intervém, diretamente, nos afazeres do mesmo, embora esta posição não seja estritamente parte da filosofia deísta. Para os deístas, Deus se revela através da ciência e as leis da natureza.

É interessante dizer, que o conceito deísta de divindade não corresponde, necessariamente, ao que comumente a sociedade entende ser "deus". Ou seja, existem várias formas de se compreender aquilo que é, supostamente, transcendente ou sobrenatural. Então, Deus pode ser compreendido como o princípio vital, a energia criadora ou a força motriz do Universo. Todavia, não propriamente como um ser antropomórfico. Tal representação é específica das religiões fundamentalistas, os quais o deísta não considera como sendo a verdade.

O deísta não necessariamente nega que alguém possa receber uma revelação divina, mas essa revelação será válida apenas para a pessoa que a recebeu (se realmente a recebeu). Isto implica a possibilidade de estar aberto às diferentes religiões como manifestações diversas de uma mesma realidade divina, embora não crendo que nenhuma delas seja a "verdade" absoluta.

Muitos deístas podem ser definidos como agnósticos teístas, pois consideram que no dia-a-dia as ações humanas devem ser orientadas pelo pensamento racional.

História:
As raízes do deísmo estão ligadas aos antigos filósofos gregos, e sobretudo a filosofia aristotélica da primeira causa. Mais tarde este movimento floresce durante o Renascimento, com o apoio de cientistas britânicos e italianos como Galileu Galilei e Isaac Newton.

As primeiras obras de crítica bíblica, tais como Thomas Hobbes no Leviatã e Spinoza no Tratado Político Teológico, bem como obras de autores menos conhecidos, como Richard Simon e Isaac La Peyrère, pavimentaram o caminho para o desenvolvimento do deismo crítico.

Edward Herbert, Lorde de Cherbury (1583-1648), é geralmente considerado como o "pai do deismo inglês", e seu livro De Veritate (na verdade, It Is Distinguished from Revelation, the Probable, the Possible, and the False) (1624) a primeira grande demonstração do deismo.

Herbert apresentou os pontos básicos do deísmo que pode ser resumido na seguinte maneira: "Deus existe, e pode ser cultuado pelo arrependimento e por uma vida de tal modo digna, que a alma imortal possa receber a recompensa eterna em vez do castigo". Outros deístas influentes, como Charles Bloynt (1654-1693), John Tolarndt (1670-1722), Lorde Shaftesbury (1671-1713) pregaram que o cristianismo não era um mistério e poderia ter sua autenticidade verificada pela razão; tudo o que não pudesse ser provado pela razão deveria ser descartado.

Entretanto, foi na época do Iluminismo no final do século XVII, que o movimento deísta atingiu o seu apogeu partir dos escritos de autores ingleses e franceses como Thomas Hobbes, John Locke, Jean Jacques Rousseau e Voltaire. O mais famoso dos deistas franceses foi Voltaire, que adquiriu o gosto pela ciência newtoniana, e reforçou inclinações deístas, durante uma visita de dois anos a Inglaterra a partir de 1726.
Ao mesmo tempo, com a imigração de deístas ingleses, a divulgação dos escritos deístas e a difusão das idéias iluministas nas Treze Colônias contribuiram para popularizar o deísmo nos Estados Unidos, com os escritos dos norte-americanos, John Quincy Adams, Ethan Allen, Benjamin Franklin, Thomas Jefferson, James Madison, George Washington e, especialmente, Thomas Paine em seu livro A Idade de Razão. Os princípios deístas, especificamente tiveram efeito sobre as estruturas política e religiosa dos Estados Unidos, tais como a separação entre Igreja e Estado e a liberdade religiosa.

O Deismo, geralmente considerado como uma influente escola de pensamento, declinou em cerca de 1800. O termo deísta tornou-se raramente utilizado, mas as crenças deístas, suas idéias e influências não. Elas podem ser vistos no século XIX na teologia liberal britânica e na ascensão do Unitarianismo, que adotou muitas das suas crenças e idéias. Mesmo hoje, há um número significativo de Web sites deístas.

Vários fatores contribuíram para um declínio geral na popularidade do deismo, incluindo:

o surgimento, crescimento e propagação do naturalismo e do materialismo, que foram ateístas;
os escritos de David Hume e Immanuel Kant (e mais tarde, Charles Darwin), que aumentaram dúvida sobre o argumento da primeira causa e do Argumento Teleológico, transformando muitos (embora não todos) potenciais deístas ao ateísmo ou panendeísmo;
perda de confiança em que a razão e o racionalismo poderiam resolver todos os problemas;
críticas de excessos da Revolução Francesa;
críticas que o livre pensamento levaria inevitavelmente ao ateísmo;
uma campanha antideísta e anti-razão de alguns clérigos cristãos para caluniar o deismo e equipará-lo com o ateísmo na opinião pública;
revivalismo de movimentos cristãos que afirmavam que uma relação pessoal com uma divindade era possível.
Características
Os deistas acreditam na possibilidade da existência de dimensões transcendentais. Contudo, não estão presos a nenhum tipo de mitologia ou dogma. Frequentemente, os deístas se encontram insatisfeitos com as religiões denominacionais, e apresentam, geralmente, algumas afirmações que os diferenciam dos religiosos convencionais ou teístas.

Afirmações deístas:

1- Acredito em um Deus, mas não pratico nenhuma religião em particular;
2- Acredito que a palavra de Deus são as leis da natureza e do Universo, não os livros ditos "sagrados" escritos por homens em condições duvidosas;
3- Gosto de usar a razão para pensar na possibilidade de existência de outras dimensões, não aceitando doutrinas elaboradas por homens;
4- Acredito que os ideais religiosos devem tentar reconciliar e não contradizer a ciência.
5- Creio que se pode encontrar Deus mais facilmente fora do que dentro de alguma religião;
6- Desfruto da liberdade de procurar uma espiritualidade que me satisfaça;
7- Prefiro elaborar meus princípios e meus valores pessoais pelo raciocínio lógico, do que aceitar as imposições escritas em livros ditos "sagrados" ou autoridades religiosas;
8- Sou um livre pensador individual, cujas convicções não se formaram por força de uma tradição ou a "autoridade" de outros;
9- Acredito que religião e Estado devem ser separados;

Lista de alguns deístas Famosos:
Esta é uma lista parcial de pessoas que foram categorizadas como deistas, a crença em Deus baseada apenas na religião natural, ou na crença de verdades religiosas descobertas pelos individuos através do processo de raciocínio, independente de qualquer revelação mediante a escrituras ou livros tidos como "sagrados" ou profetas. Elas foram selecionadas por sua influência sobre o deismo, ou devido a sua fama em outras áreas.

Ethan Allen (1738 – 1789), revolucionário americano e líder guerrilheiro
Napoleão Bonaparte (1769 – 1821), militar francês e líder político
Marlon Brando (1924 – 2004), famoso ator americano
Cicero (106 BCE – 43 BCE), estadista, advogado, teórico político, filósofo, e constitucionalista romano
Paul Davies (1946 – ), físico e escritor britânico
Antony Flew (1923 – ), Proeminente filósofo britânico e ex-ateu
Benjamin Franklin (1706 – 1790), intelectual americano, um dos fundadores dos Estados Unidos da América
Frederico o Grande (1712 – 1786), Rei Prussiano da dinastia Hohenzollern
Brett Gurewitz (1962 – ), guitarrista e compositor norte-americano da banda de punk rock Bad Religion

Edward Herbert (1583 – 1648), Soldado britânico, diplomata, historiador, poeta e filósofo religioso
William Hogarth (1697 – 1764), pintor inglês, artista plástico e cartunista pioneiro
Victor Hugo (1802 – 1885), Escritor, artista, ativista e estadista francês
David Hume (1711 – 1776), Filósofo escocês, um dos principais filósofos do empirismo
Thomas Jefferson, autor da Declaração de Independência, um dos Pais Fundadores dos Estados Unidos e o 3ª. presidente dos Estados Unidos.
Gotthold Ephraim Lessing (1729 – 1781), escritor, filósofo, dramaturgo, jornalista, e crítico de arte Alemão
John Locke (1632 – 1704), influente filósofo inglês no domínio do empirismo
James Madison (1751 – 1836), político e o quarto presidente dos Estados Unidos da América
Moses Mendelssohn (1729 – 1786), Influente filósofo alemão
Thomas Paine (1737 – 1809), panfletário, revolucionário, radical, inventor, e intelectual inglês
Elihu Palmer (1764 – 1806), Autor americano e defensor do deismo
Alexander Pope (1688 – 1744), poeta inglês do século XVIII
Maximilien Robespierre (1758 – 1794), Revolucionário francês e advogado
Adam Smith (1723 – 1790), Filósofo e economista escocês, considerado o pai da economia moderna
Lysander Spooner (1808 – 1887), Anarquista americano, filósofo e abolicionista
Matthew Tindal (1657 – 1733), controverso autor inglês cujas obras foram influentes no pensamento iluminista
John Toland (1670 – 1722), filósofo irlandês, cunhou o termo "panteísmo"
Mark Twain (1835 – 1910), Autor e humorista americano
George Washington (1732 – 1799), o primeiro presidente dos Estados Unidos da América
Henrik Wergeland (1808 – 1845), poeta norueguês e teólogo (por auto-definição).
Voltaire (1694 – 1778), escritor do Iluminismo e filósofo francês
Rousseau (1712 – 1778), escritor, filósofo e intelectual francês.

Pandeísmo:

Pandeísmo (em grego πάν) é uma corrente filosófica que surgiu da mistura do panteísmo com o deísmo.

Corrente religiosa sincrética (do grego: πάν (pan), "todo" e do latin deus, "deus") proveniente da junção do panteísmo (identidade de Deus com o Universo) com o deísmo (O Deus criador do universo não mais pode ser localizado, senão com base na razão), ou seja, a afirmação concomitante de que Deus precede o Universo, sendo o seu criador e, ao mesmo tempo, sua Totalidade.

Como o deismo, faz uso de razão na religião, o pandeísmo usa o argumento cosmológico, o argumento teológico e outros aspectos da chamada "religião natural". Tal uso se deu entre os disseminadores de sistemas filosóficos racionais, durante o século XIX.Também foi largamente empregado para identificar a expressão simultânea de todas as religiões.

Algumas Mitologias, tais como a nórdica, sugerem que o mundo foi criado da substância corporal de uma deidade inactiva, ou ser de capacidades similares; no exemplo citado, Odin, junto de seus irmãos Ve e Vili derrotaram e mataram o gigante Ymir, e de sua carne fizeram a terra, dos cabelos, a vegetação, e assim por diante, criando o Mundo conhecido. Semelhantemente, a mitologia Chinesa propugna a mesma estrutura, atribuindo á Pan Gu a criação dos elementos físicos que compõe o Mundo.

João Escoto Erígena em De divisione naturae (862-866), sua obra mais conhecida e também a mais importante, mostrava sua visão sobre a origem e a evolução da natureza, na tentativa de conciliar a doutrina neoplatônica da emanação com o dogma cristão da criação, também um livro posteriormente condenado.

Modernamente, Thomas Paine, filósofo britânico, e o naturalista holandês Franz Wilhelm Junghuhn redimensionaram os conceitos sobre deísmo e panteísmo em suas obras, introduzindo-as na mentalidade contemporânea. O termo Pandeísmo foi inventado por Moritz Lazarus e por Heymann Steinthal em 1859: "Man stelle es also den Denkern frei, ob sie Theisten, Pan-theisten, Atheisten, Deisten (und warum nicht auch Pandeisten?)" ("O homem deixa-o aos filósofos, se são Pantheístas Theístas, atheístas, Deístas (e porque não também Pandeístas?)".

Em 2001, Scott Adams escreveu God's Debris (Restos do Deus), que propõe um formulário de Pandeísmo.

Panenteísmo:
Panenteísmo (pan-en-teísmo), ou krausismo, é uma doutrina que diz que o universo está contido em Deus (ou nos deuses), mas Deus (ou os deuses) é maior do que o universo. É diferente do panteísmo (pan-teísmo), que diz que Deus e o universo coincidem perfeitamente (ou seja, são o mesmo). O termo foi proposto por Karl Christian Friedrich Krause, na sua obra System des Philosophie (1828), para designar a sua própria doutrina teológica que pretendia servir de mediação entre o panteísmo e o teísmo. O termo passou a ser utilizado para designar múltiplas tentativas análogas, extravasando o sentido original que lhe fora atribuído por Karl Krause.

No panenteísmo, todas as coisas estão na divindade, são abarcadas por ela, identificam-se (ponto em comum com o panteísmo), mas a divindade é, além disso, algo além de todas as coisas, transcendente a elas, sem necessariamente perder sua unidade (ou seja, a mesma divindade é todas as coisas e algo a mais).

Esta crença panenteísta pode ser identificada de forma bastante válida com a interpretação cabalística (que hoje em dia vem sendo utilizada por alguns teólogos cristãos, especialmente católicos) da criação, especificamente a idéia de Tzimtzum.


Fonte: Wikipédia


 

 

 

   

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