Indice - compilado por Beraldo Figueiredo

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117.6 - UNIVERSALISMO

 

Universalismo é um termo com várias acepções, a depender da corrente de pensamento.

 

Na comunidade espiritualista do Brasil é comum referência ao espiritualismo universalista.

 

Universalismo também se faz presente em outras correntes de pensamento, tais quais o unitarismo, a Conscienciologia e o hinduísmo. No hinduísmo há o universalismo radical e o universalismo moderado.

 

Espiritualismo Ecumênico Universal

o Espiritualismo Ecumênico Universal e sempre foi dito que o fundamento de uma visão sobre os elementos do mundo ou doutrina estava ligado a esse nome.

 

Como “espiritualista”, sempre foi dito que a doutrina, mais do que contemplar algo além da matéria, é totalmente dirigida a esse “algo mais”.

 

A doutrina não é para seres humanos, pois para quem quer ser “‘humano”, esses ensinamentos nada valem: estão “errados”, são loucuras, etc. Isto porque nossos ensinamentos, por serem direcionados ao espírito, trazem como fruto da sua prática o bem celeste e não o material. O fruto da prática desta doutrina é a vida dentro da felicidade universal e não do prazer.

 

A designação “ecumênico” afirma que a a doutrina não se fundamenta apenas no ensinamento de um único mestre. Para eles, muitos são os enviados de Deus, trazendo o mesmo ensinamento, às vezes com palavras diferentes.

 

A denominação “universalista” fala do objetivo final de nossa doutrina: servir como instrumento para que o espírito funda-se ao Todo Universal.

 

É exatamente no aspecto universalista que a Doutrina Espiritualista Ecumênica Universal adquire um caminho próprio. Para explicar melhor este caminho, vamos conhecer o que são os caminhos universalistas.

 

Para tanto, citamos um texto do Bhagavata Puranas onde Sri Krishna conversa com Uddhava a respeito da elevação espiritual:

 

1 – Se o ato intencional é cumprido de boa mente e não encontra obstáculos, graças aos frutos de tal ato, o homem (pensante) consegue ir às esferas celestiais. Ouve como isso acontece, ó Uddhava.

 

2 – O homem que oferece sacrifícios e adora somente os devas (seres celestiais ou também, às vezes, espíritos da natureza) certamente vai para o céu. Aí chegando, desfruta como um deva os frutos de seus atos, ou os prazeres celestiais assim adquiridos.

 

3 – No carro aéreo que (temporariamente) conquista por suas próprias boas ações, vestido com formosa veste e rodeado de ninfas, o homem desfruta o prazer celeste e é louvado pelos ‘gandharvas’ (ou querubins).

 

4 – Brincando com mulheres e com seu carro decorado com serpentes aladas, carro que o leva a qualquer lugar que deseje, sente-se feliz nos jardins dos devas e não se apercebe de sua futura queda (que é inevitável).

 

5 – E, assim, o homem goza no céu até esgotar o tempo dos méritos de suas boas ações. Então, ao esgotarem-se os frutos dos méritos, contra a sua vontade, regride ou cai, empurrado pelo tempo (pensado).

 

Através deste ensinamento, Sri Krishna mostra que aqueles que, praticando ações consideradas “boas”, mas sem o controle da intencionalidade, ao sair da carne, ou seja, ao retornar à sua consciência espiritual, vivem em mundos que são reflexos dessas ações sem controle da intencionalidade. São mundos até considerados por alguns como celestiais, mas que escondem um grande perigo. Esse perigo, ainda segundo Krishna, é a “queda”, ou seja, a necessidade de reencarnações para provas.

 

Desse ensinamento vem a primeira característica do universalismo da doutrina Espiritualista Ecumênica Universal: a luta contra a intencionalidade.

 

O universalismo que pregam não pode ser alcançado através de atos ou atitudes, mas através do controle da intencionalidade expressa durante os acontecimentos da vida. Essa intencionalidade, conforme ensinado pelos mestres, são geradas a partir de três elementos (posses, paixões e desejos) que surgem em virtude da fundamentação egoística (querer para si) que é a base de personalidade temporária ao qual o ser se une durante aquilo que é conhecido como encarnação.

 

Por isso, o primeiro princípio básico do universalismo pregado pela Doutrina Espiritualista Ecumênica Universal é a libertação pelo espírito das posses, paixões e desejos, com os quais ele vivencia os acontecimentos da vida. Com isso estará, então, definitivamente eliminada a intencionalidade.

 

A segunda característica do universalismo do Espiritualismo Ecumênico Universal também se refere ao caráter espiritualista da doutrina.

 

A partir dos ensinamentos dos mestres, o universalismo da Doutrina Espiritualista Ecumênica Universal compreende que a forma e as propriedades dos elementos materiais não correspondem às características universais deste, ou seja, as características materiais são apenas criações temporárias e não realidades.

 

Mas, também pelos ensinamentos dos mestres, a Doutrina Espiritualista Ecumênica Universal sabe que as características e propriedades reais dos elementos universais não podem ser concebidas pelo espírito que está apegado à ação das intencionalidades.

 

Por isso, a Doutrina Espiritualista Ecumênica Universal prega o universalismo fundamentado na “não-existência”.

 

Como dito anteriormente, os elementos universais possuem propriedades e características, mesmo que estas não possam ser percebidas pelo espírito apegado à ação das intencionalidades. Portanto, a doutrina da “não-existência” pregada pelo Espiritualismo Ecumênico Universal não pode afirmar que elas não existam, mas sim que existem de uma maneira que não pode ser concebida pelo espírito preso à intencionalidade.

 

Resumindo, então, o caminho universalista da Doutrina Espiritualista Ecumênica Universal prega a libertação das intencionalidades a partir da conscientização de que as características e propriedades dos elementos percebidos não são aquelas que o espírito percebe.

 

Para embasar todos os ensinamentos da doutrina e alcançar os seus objetivos, ou seja, a libertação da intencionalidade através da “não-existência”, a Doutrina Espiritualista Ecumênica Universal abraça o ensinamento do Governador Geral da Terra (Cristo): “No paraíso existem cinco árvores, cuja sombra não se move nem no inverno nem no verão”.

 

As árvores são o conhecimento, o saber e, pelo fato de estarem no paraíso, compreende-se que é o saber necessário para cumprir os objetivos da encarnação. Como sombra entende-se a interpretação que é dada a esse saber e, pelo fato de jamais se mudarem (sombra), apesar do ângulo de visão (a posição do sol), entende-se que elas são eternas e universais.

 

Por isso a Doutrina Espiritualista Ecumênica Universal chama a esses saberes de “Cinco Verdades do Universo”.

São elas:

 

1 – Não existe o ser humano; eu sou um espírito.

2 – O mundo material tal como percebido, é uma ilusão, pois tudo é único no Universo.

3 – Não existe vida no sentido material (nascer, crescer, morrer); todas as vivências são oportunidades para o espírito libertar-se da sua intencionalidade.

4 – A libertação das intencionalidades leva o espírito a vivenciar o amor universal, por isso o objetivo da encarnação pode ser definido como a prática do ensinamento de Cristo: “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.

5 – As provações são criadas por Deus com justiça (dando a cada um somente aquilo que precisa) e com amor (como uma oportunidade de universalização).

 

Usando, então, estas cinco verdades universais e sem jamais esquecer dos objetivos finais (libertação da intencionalidade através da não-existência), a Doutrina Espiritualista Ecumênica Universal relê os ensinamentos dos mestres, visando proporcionar o saber, mesmo que ilusório, para a realização da universalização.

 

Fonte: http://www.universalismo.org

 

 

   

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